{"id":22572,"date":"2009-03-03T00:10:26","date_gmt":"2009-03-03T00:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22572"},"modified":"2014-09-07T02:58:11","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:11","slug":"emissoras-veiculam-10-de-conteudos-locais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22572","title":{"rendered":"Emissoras veiculam 10% de conte\u00fados locais"},"content":{"rendered":"<p>A regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o recorrente para estudiosos da comunica&ccedil;&atilde;o, telespectadores, produtores independentes e gestores p&uacute;blicos. Tal &eacute; sua import&acirc;ncia que o cap&iacute;tulo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal estabelece como princ&iacute;pios da produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de radiodifus&atilde;o, em seu artigo 221, a &ldquo;regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica, e jornal&iacute;stica&rdquo;.&nbsp;Para medir a presen&ccedil;a&nbsp;destes conte&uacute;dos&nbsp;na programa&ccedil;&atilde;o das emissoras de televis&atilde;o, o Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o realizou o estudo &ldquo;Produ&ccedil;&atilde;o Regional na TV Aberta Brasileira&rdquo; [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18299\">veja aqui<\/a>]. <\/p>\n<p>A partir da an&aacute;lise de 58 emissoras em 11 capitais das cinco regi&otilde;es brasileiras, a pesquisa chegou a um dado preocupante: apenas 10,83% do tempo veiculado &eacute; ocupado com conte&uacute;dos de origem local.&nbsp;&nbsp;O &iacute;ndice &eacute; bastante inferior ao percentual de 30% previsto no Projeto de Lei da ex-deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ) (256\/1991), que visa regulamentar o dispositivo constitucional citado acima, tramitando no Congresso Nacional h&aacute; 18 anos. <\/p>\n<p>&ldquo;O &iacute;ndice de 10% &eacute; extremamente baixo. Totalmente insuficiente para a quantidade e qualidade de mat&eacute;ria-prima que temos em termos de cultura popular local e regional e um sinal de como a produ&ccedil;&atilde;o, circula&ccedil;&atilde;o e o consumo da cultura no pa&iacute;s obedece a uma l&oacute;gica vertical e antidemocr&aacute;tica&rdquo;, avalia Ros&aacute;rio Pomp&eacute;ia, mestre em comunica&ccedil;&atilde;o social, integrante do Centro de Cultura Luis Freire, de Olinda (PE), e pesquisadora do tema.&nbsp;<\/p>\n<p>A emissora com maior tempo dedicado a conte&uacute;dos locais &eacute; a Paran&aacute; Educativa, sediada em Curitiba e vinculada ao governo do Paran&aacute;, que preenche 50% de sua grade com atra&ccedil;&otilde;es produzidas naquela cidade. Em seguida v&ecirc;m a TV Rondon, afiliada da Rede TV! em Cuiab&aacute; (MT), com 45%, a p&uacute;blica Rede Minas, com 34,32%, e as ga&uacute;chas TV Pampa, afiliada &agrave; RedeTV!, com 26,5%, e a tamb&eacute;m p&uacute;blica TVE RS, com 22,82%. Entre as 10 emissoras com melhor desempenho na an&aacute;lise, evidencia-se a presen&ccedil;a das regi&otilde;es Sul e Nordeste, com tr&ecirc;s televis&otilde;es cada uma.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Emissoras p&uacute;blicas s&atilde;o as mais regionalizadas<\/strong><\/p>\n<p>Tais dados revelam a disparidade entre emissoras p&uacute;blicos e comerciais. As primeiras reservam, em m&eacute;dia, 25,5% de sua grade para conte&uacute;dos realizados em suas cidades. Os destaques s&atilde;o as j&aacute; citadas Paran&aacute; Educativa (50%), a Rede Minas (34,32%) e TVE RS (22,82%). Al&eacute;m destas, a TV Cear&aacute; e a TV Cultura do Par&aacute; tamb&eacute;m figuram entre as 10 primeiras, com &iacute;ndice de regionaliza&ccedil;&atilde;o de 15,97% e 15,41%. &nbsp;<\/p>\n<p>J&aacute; as redes comerciais ficam abaixo da m&eacute;dia nacional, reservando a m&eacute;dia de 9,14% de suas grades de programa&ccedil;&atilde;o para conte&uacute;dos locais. Para especialistas entrevistados na pesquisa, tal quadro &eacute; resultado dos condicionantes pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos impostos pelo modelo centralizado de rede. Um problema dos contratos de afilia&ccedil;&atilde;o &eacute; o tempo pr&eacute;-estabelecido pelas cabe&ccedil;as para a produ&ccedil;&atilde;o regional. Outra dificuldade &eacute; o alto risco de retorno financeiro, que muitas vezes leva as emissoras a nem sequer preencher o pouco tempo permitido pelas cabe&ccedil;as.<\/p>\n<p><strong>Record tem o melhor desempenho&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Entre as redes nacionais, o estudo registra o mais alto percentual na Rede P&uacute;blica de TV organizada em torno da TV Brasil, com m&eacute;dia de 25,55% de programa&ccedil;&atilde;o regionalizada. Entre as comerciais, o melhor desempenho foi o da RedeTV!, com 12,2%, seguida de perto pela Record, com 11,2%. Como o n&uacute;mero de emissoras afiliadas &agrave; primeira rede foi consideravelmente menor do que o da segunda, a pesquisa conclui pelo melhor desempenho da rede do Bispo Edir Macedo.&nbsp;<\/p>\n<p>A Rede CNT apresentou m&eacute;dia de 9,12% de atra&ccedil;&otilde;es locais, mas o desempenho tamb&eacute;m &eacute; relativizado pelo levantamento s&oacute; ter analisado duas emissoras desta rede. Em seguida, praticamente empatados, est&atilde;o SBT e a Rede Bandeirantes, com &iacute;ndices de 8,6% e 8,56%, respectivamente. Na &uacute;ltima coloca&ccedil;&atilde;o est&aacute; a mais poderosa organiza&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o do pa&iacute;s, a Rede Globo, com m&eacute;dia de 7%. &nbsp;<\/p>\n<p><strong>Jornalismo em alta, educativos e infantis em baixa<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentre os conte&uacute;dos locais analisados, o estudo identificou maior presen&ccedil;a do g&ecirc;nero jornal&iacute;stico, que soma 464 horas e 7 minutos. O segundo g&ecirc;nero com maior presen&ccedil;a &eacute; o entretenimento, com 79 horas e 10 minutos, seguido pelos programas esportivos, com 74 horas e 51 minutos, e os culturais, que totaliza 74 horas e 40 minutos. Enquanto os conte&uacute;dos voltados ao entretenimento s&atilde;o quase exclusivos das redes comerciais, as atra&ccedil;&otilde;es culturais s&atilde;o veiculadas majoritariamente pelas televis&otilde;es p&uacute;blicas. &nbsp;<\/p>\n<p>O levantamento registrou a forte presen&ccedil;a de programas de televendas e religiosos, que ocupam, respectivamente, 47 horas e 15 minutos e 28 horas e 30 minutos das grades das 58 TVs analisadas. Os conhecidos programas &ldquo;policiais&rdquo; somam&nbsp;38 horas e 15 minutos. As atra&ccedil;&otilde;es rurais, com tem&aacute;ticas relacionadas ao campo, tradicionais nos estados do Sul e Centro-Oeste, totalizam 16 horas e 12 minutos. O destaque negativo ficou com a baix&iacute;ssima incid&ecirc;ncia de conte&uacute;dos educativos e infantis, com, respectivamente, 5 horas e 30 minutos e 4 horas e 30 minutos em um universo de quase 60 emissoras de TV.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sul mais local<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>A regi&atilde;o com melhor m&eacute;dia de produ&ccedil;&otilde;es locais foi o Sul, com 13,92%. A tend&ecirc;ncia abrange as duas cidades pesquisadas, Porto Alegre e Curitiba. A segunda regi&atilde;o com maior &iacute;ndice de regionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o Centro-Oeste, com 11,66%. No entanto, verifica-se um alto percentual nas emissoras de Cuiab&aacute;, contra um desempenho mais fraco em Bras&iacute;lia. A regi&atilde;o Norte, embora a an&aacute;lise tenha se restringido &agrave; Bel&eacute;m, apresentou m&eacute;dia de 9,1%. &nbsp;<\/p>\n<p>O Nordeste, conhecido pela riqueza de suas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais, ficou levemente abaixo da m&eacute;dia nacional, com suas emissoras reservando 9,8% do tempo de suas grades para atra&ccedil;&otilde;es realizadas nas pr&oacute;prias cidades. Em &uacute;ltimo lugar est&aacute; a regi&atilde;o mais rica do pa&iacute;s, o Sudeste, com 9,19%. O resultado mostra que a presen&ccedil;a de produ&ccedil;&otilde;es locais n&atilde;o est&aacute; diretamente ligada ao peso dos mercados.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alerta &agrave; sociedade<\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de utilizar uma amostra de 58 dentre as 421 geradoras de televis&atilde;o existentes no pa&iacute;s, o estudo &ldquo;Produ&ccedil;&atilde;o Local na TV Aberta Brasileira&rdquo; traz importantes elementos para entender a realidade da televis&atilde;o brasileira. A julgar pela estrutura vertical das redes de televis&atilde;o, a extens&atilde;o de suas an&aacute;lises para todas as capitais ou para as geradoras no interior poderia certamente apresentar um quadro mais completo, mas dificilmente iria alterar radicalmente a evid&ecirc;ncia da desvaloriza&ccedil;&atilde;o da cultural regional pelas emissoras de TV nacionais.<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">O percentual de 10,83%, mais do que um n&uacute;mero, &eacute; um alerta. No ano de 2005, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Ci&ecirc;ncia, Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura (Unesco) aprovou a Conven&ccedil;&atilde;o pela Prote&ccedil;&atilde;o da Diversidade Cultural, afirmando a import&acirc;ncia dos bens culturais serem tratados como patrim&ocirc;nio das diversas na&ccedil;&otilde;es e dos variados segmentos no interior delas. Este projeto, no entanto, est&aacute; distante de fazer parte da realidade do mais importante meio de comunica&ccedil;&atilde;o do Brasil.<\/span><\/p>\n<p>Veja tamb&eacute;m:<\/p>\n<p class=\"padrao\"> <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22573\"><span class=\"padrao\">Emissoras p&uacute;blicas d&atilde;o mais espa&ccedil;o &agrave; cultura local<\/span><\/a> <\/p>\n<p class=\"padrao\"> <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22574\"><span class=\"padrao\">TVs privilegiam jornalismo nas produ&ccedil;&otilde;es locais<\/span><\/a> <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22575\"><span class=\"padrao\"> <\/span><\/a><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22575\">Sul e Centro-Oeste se destacam; Sudeste decepciona<\/a>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o recorrente para estudiosos da comunica&ccedil;&atilde;o, telespectadores, produtores independentes e gestores p&uacute;blicos. 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