{"id":22547,"date":"2009-02-19T12:46:05","date_gmt":"2009-02-19T12:46:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22547"},"modified":"2009-02-19T12:46:05","modified_gmt":"2009-02-19T12:46:05","slug":"radios-comunitarias-projeto-do-governo-amplia-repressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22547","title":{"rendered":"R\u00e1dios comunit\u00e1rias: Projeto do governo amplia repress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O ano passado acabou para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias com duas not&iacute;cias, uma boa e uma ruim. A boa &eacute; que a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados, ninho dos parlamentares donos de emissoras comerciais, aprovou projeto substitutivo (PL n&ordm; 4549\/98) do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) anistiando os que foram punidos por colocar r&aacute;dio no ar sem autoriza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o tipo de coisa que s&oacute; acontece a cada cem anos. A not&iacute;cia ruim &eacute; que o governo Lula encaminhou ao Congresso Nacional Projeto de Lei (n&ordm; 4573\/08) que aumenta mais ainda a repress&atilde;o sobre as r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Isto &eacute;, quando todo mundo esperava que o governo do PT fosse apoiar a proposta avan&ccedil;ada de Walter Pinheiro (companheiro de partido!), agora tramitando na &uacute;ltima comiss&atilde;o da C&acirc;mara, ele manda uma outra absurdamente reacion&aacute;ria.<\/p>\n<p>Por que o governo Lula encaminhou Projeto de Lei t&atilde;o ruim para o Congresso Nacional poucos dias depois da C&acirc;mara aprovar o substitutivo de Walter Pinheiro? A inten&ccedil;&atilde;o do governo era atrapalhar o processo ou impedir avan&ccedil;os? Estamos tratando de m&aacute;-f&eacute; do governo para com as r&aacute;dios comunit&aacute;rias? Quem articulou politicamente este projeto? Alguma entidade colaborou com ele?<\/p>\n<p>M&aacute;-f&eacute; e retrocesso<\/p>\n<p>Dizem fontes seguras que a hist&oacute;ria desse projeto come&ccedil;ou em setembro do ano passado, quando representantes de entidades de r&aacute;dios comunit&aacute;rias estiveram com o ministro da Justi&ccedil;a, Tarso Genro. Desse encontro, e de um acordo posteriormente firmado entre o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e Casa Civil, teria brotado a proposta.<\/p>\n<p>Antes de analisar o PL do governo, gostaria de recordar apenas dois pontos do que escrevi na &eacute;poca (25\/09\/08) NESTE <em>Observat&oacute;rio<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=504IPB001\" target=\"_blank\"> <\/a> <\/em><a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=504IPB001\" target=\"_blank\">(&quot;O que fazer pelas r&aacute;dios comunit&aacute;rias&quot;) <\/a> sobre esse encontro com Tarso Genro. Fiz duas sugest&otilde;es ao governo:<\/p>\n<p>1. O Executivo deveria parar de continuar enrolando o movimento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias.<br \/>2. O Executivo j&aacute; sabe o que fazer. N&atilde;o se admite mais que erre em quest&otilde;es prim&aacute;rias.<\/p>\n<p>Est&aacute; claro que esse PL n&atilde;o &eacute; um erro, mas uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, um ato de m&aacute;-f&eacute; e um retrocesso para a comunica&ccedil;&atilde;o popular do pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>&quot;Expor a perigo&quot; a seguran&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>O que diz o PL 4573\/08?<\/p>\n<p>Ele come&ccedil;a mexendo numa velharia ainda viva contida no artigo 151 do C&oacute;digo Penal. A proposta elimina os incisos II, III e IV do par&aacute;grafo 1&ordm; do art. 151 do C&oacute;digo Penal (Decreto Lei n&ordm; 2448\/40). Este f&oacute;ssil jur&iacute;dico, que ainda fala em coisas como &quot;comunica&ccedil;&atilde;o telegr&aacute;fica ou radioel&eacute;trica&quot; e em &quot;aparelho radioel&eacute;trico&quot;, at&eacute; hoje &eacute; usado pela Pol&iacute;cia Federal como justificativa para reprimir r&aacute;dios n&atilde;o autorizadas. Eis o texto completo. A parte em negrito &eacute; a que o Governo pretende subtrair:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;Art. 151 &ndash; Devassar indevidamente o conte&uacute;do de correspond&ecirc;ncia fechada, dirigida a outrem:<br \/>Pena &ndash; deten&ccedil;&atilde;o, de um a seis meses, ou multa.<br \/>&sect; 1&ordm; &ndash; Na mesma pena incorre:<br \/>I &ndash; quem se apossa indevidamente de correspond&ecirc;ncia alheia, embora n&atilde;o fechada e, no todo ou em parte, a sonega ou destr&oacute;i;<br \/>II &ndash; quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunica&ccedil;&atilde;o telegr&aacute;fica ou radioel&eacute;trica dirigida a terceiro, ou conversa&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica entre outras pessoas;<br \/>III &ndash; quem impede a comunica&ccedil;&atilde;o ou a conversa&ccedil;&atilde;o referidas no n&uacute;mero anterior;<br \/>IV &ndash; quem instala ou utiliza esta&ccedil;&atilde;o ou aparelho radioel&eacute;trico, sem observ&acirc;ncia de disposi&ccedil;&atilde;o legal&quot;.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Com o fim destes incisos, fica tudo resolvido? N&atilde;o &eacute; bem assim. Trata-se de um engodo, uma armadilha. Porque o PL 4573\/08 tamb&eacute;m prop&otilde;e mudan&ccedil;as no Par&aacute;grafo 1&ordm; do artigo 261 do C&oacute;digo Penal.<\/p>\n<p>Diz o texto original do C&oacute;digo Penal em vigor:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;Art. 261 &ndash; Expor a perigo embarca&ccedil;&atilde;o ou aeronave, pr&oacute;pria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navega&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, fluvial ou a&eacute;rea:<br \/>Pena &ndash; reclus&atilde;o, de dois a cinco anos.<br \/><em>Par&aacute;grafo 1&ordm; &ndash; Se do fato resulta naufr&aacute;gio, submers&atilde;o ou encalhe de embarca&ccedil;&atilde;o ou a queda ou destrui&ccedil;&atilde;o de aeronave:<\/em><br \/>Pena &ndash; reclus&atilde;o, de quatro a doze anos&quot; (grifo nosso).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">E agora a proposta do governo de como deve ficar este par&aacute;grafo 1&ordm;:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;Par&aacute;grafo 1&ordm;-A Na mesma pena do <em>caput <\/em>incorre quem, mediante opera&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o, <em>exp&otilde;e a perigo<\/em> a seguran&ccedil;a de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia, de seguran&ccedil;a p&uacute;blica ou fins exclusivamente militares, ou, ainda, <em>o funcionamento de equipamentos m&eacute;dico-hospitalares<\/em>&quot; (grifo nosso).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><strong>Politicamente esperto<\/strong><\/p>\n<p>Observe que originalmente havia uma puni&ccedil;&atilde;o para quem &quot;exp&otilde;e a perigo&quot; e outra puni&ccedil;&atilde;o no caso de &quot;naufr&aacute;gio&#8230; queda ou destrui&ccedil;&atilde;o de aeronave&quot;. Se o acidente acontecia, a puni&ccedil;&atilde;o era maior. Existe uma diferen&ccedil;a muito grande nisso. O PL do governo diz que basta a pessoa expor a aeronave ao perigo (n&atilde;o precisa que ocorra o acidente) para que ela seja condenada &agrave; pena de reclus&atilde;o de dois a cinco anos. Hoje, esse tipo de amea&ccedil;a (reclus&atilde;o) paira somente sobre aquelas emissoras sem autoriza&ccedil;&atilde;o; se esse projeto for aprovado todas podem ser citadas.<\/p>\n<p>Quanto aos riscos &agrave;s aeronaves, como todo mundo sabe que r&aacute;dio comunit&aacute;ria n&atilde;o derruba avi&atilde;o, os inimigos das r&aacute;dios comunit&aacute;rias nunca iriam ter um avi&atilde;o no ch&atilde;o que servisse de exemplo. Logo, est&atilde;o tentando adequar o texto legal &agrave; fic&ccedil;&atilde;o que criaram. Com isso, mudam um pouco a justificativa mitol&oacute;gica para repress&atilde;o: a r&aacute;dio n&atilde;o derruba avi&atilde;o, mas cria o perigo dele cair.<\/p>\n<p>&Agrave; parte os deslumbramentos de burocrata, tecnoburocrata ou carrapato do poder, que traz para os dias atuais express&otilde;es t&iacute;picas dos tempos de Machado de Assis (&quot;exp&otilde;e a perigo&quot;) e a vontade f&eacute;rrea de defender o poder (e seu emprego), a reda&ccedil;&atilde;o do PL &eacute; uma tentativa escancarada de legitimar os abusos hoje cometidos pelos &oacute;rg&atilde;os de repress&atilde;o. &Eacute; sabido que os inimigos das r&aacute;dios comunit&aacute;rias usam exatamente esses argumentos (interfer&ecirc;ncia no sistema de avia&ccedil;&atilde;o, na seguran&ccedil;a e nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de) para cobrar mais repress&atilde;o do Estado. Se hoje os agentes do Estado cometem abusos usando tais bobagens como argumento para fechar r&aacute;dio, se este PL for aprovado eles estar&atilde;o dentro da lei para enquadrar e botar na cadeia aqueles que, na sua opini&atilde;o, merecem puni&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso reconhecer: quem bolou isso, embora tenha mofo no c&eacute;rebro, foi muito esperto politicamente.<\/p>\n<p><strong>O argumento de &quot;derrubar avi&atilde;o&quot;<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo Projeto revoga o Artigo 70 da Lei 4.117\/62, mais um f&oacute;ssil jur&iacute;dico, este criado pela ditadura militar (Decreto 236\/67) ainda hoje usado com pela Pol&iacute;cia Federal. E tamb&eacute;m estabelece que o artigo 183 da Lei 9472\/97 (Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es), muito usado pelos agentes da Anatel, n&atilde;o se aplica &agrave; radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p>Se as leis 4.117\/62 e 9.472\/97 n&atilde;o ser&atilde;o utilizadas para reprimir as emissoras comunit&aacute;rias, imagina-se que agora se far&aacute; uso da legisla&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios comunit&aacute;rias, a Lei 9.612\/98. Est&aacute; errado quem pensou nisso. O &oacute;bvio n&atilde;o funciona na pol&iacute;tica. Ao inv&eacute;s de incluir na lei pertinente todas as puni&ccedil;&otilde;es de que o tema trata, o governo transforma o caso num crime de ordem penal.<\/p>\n<p>Enfim, o que temos em resumo nessa primeira parte do projeto &eacute;:<\/p>\n<p>1) O C&oacute;digo Penal &ndash; e n&atilde;o mais a Lei 4.117\/62 ou a Lei 9472\/97 &ndash; pode ser o instrumento central para reprimir as emissoras, autorizadas ou n&atilde;o.<\/p>\n<p>2) Emissoras autorizadas ou n&atilde;o autorizadas podem ter seus equipamentos apreendidos e seus dirigentes podem ser submetidos ao processo penal. (Antes isso ocorria somente com as n&atilde;o-autorizadas).<\/p>\n<p>3) No C&oacute;digo Penal substitui-se a pena de &quot;deten&ccedil;&atilde;o, de um a seis meses, ou multa (art. 151) por uma de &quot;reclus&atilde;o de dois a cinco anos&quot; (art. 261). Trocou seis por meia d&uacute;zia mais um pouco.<\/p>\n<p>4) A reda&ccedil;&atilde;o permite uma leitura subjetiva sobre a exist&ecirc;ncia de crime. Um juiz, ou mesmo um desses agentes (!), pode achar que a emissora est&aacute; provocando interfer&ecirc;ncias em sistemas de seguran&ccedil;a, equipamentos hospitalares (aparelho de tomografia?), telecomunica&ccedil;&otilde;es e aerovi&aacute;rio e fechar a emissora. Hoje &eacute; assim. Fecha-se a r&aacute;dio sob o argumento de que pode derrubar avi&atilde;o. Claro que h&aacute; um lado otimista: ju&iacute;zes e agentes da Anatel de bom senso v&atilde;o querer provas antes de fecharem a emissora.<\/p>\n<p><strong>&quot;Apoio cultural&quot;<\/strong><\/p>\n<p>Para as emissoras n&atilde;o-autorizadas no ar, n&atilde;o bastasse a incurs&atilde;o no C&oacute;digo Penal, o governo prop&otilde;e um tratamento especial. Diz o texto do seu PL:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;Art. 21&ndash; A opera&ccedil;&atilde;o de esta&ccedil;&atilde;o de radiodifus&atilde;o sem autoriza&ccedil;&atilde;o do poder Concedente constitui infra&ccedil;&atilde;o grav&iacute;ssima sancionada com a apreens&atilde;o dos equipamentos, multa e a suspens&atilde;o do processo de autoriza&ccedil;&atilde;o de outorga ou a impossibilidade de se habilitar em novo certame at&eacute; o pagamento da referida multa&quot;.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A novidade &eacute; que antes o diretor da entidade era &quot;apenas&quot; indiciado em processo na Pol&iacute;cia Federal. Agora, al&eacute;m do indiciamento e da possibilidade de ser preso, e da apreens&atilde;o dos equipamentos, ele e a entidade recebem uma outra puni&ccedil;&atilde;o: o processo da r&aacute;dio ao qual est&aacute; ligado fica paralisado at&eacute; o pagamento da multa.<\/p>\n<p>O PL prop&otilde;e modifica&ccedil;&otilde;es no artigo 21 da Lei 9.612\/98 (lei das r&aacute;dios comunit&aacute;rias), o que trata das infra&ccedil;&otilde;es cometidas pelas r&aacute;dios.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade, por exemplo, fica valendo o artigo 18, em vigor, que admite a propaganda apenas como &quot;apoio cultural&quot;. Mas o que &eacute; apoio cultural? A nova proposta do governo &eacute; med&iacute;ocre porque n&atilde;o leva em conta que &quot;apoio cultural&quot; &eacute; um conceito sem defini&ccedil;&atilde;o. A norma operacional 01\/04 (art. 19.6.1) diz que considera apoio cultural a &quot;divulga&ccedil;&atilde;o de mensagens institucionais&quot;. Mas o que s&atilde;o &quot;mensagens institucionais&quot;? Isso s&oacute; quem sabe &eacute; o agente repressor. O mesmo que aplica a multa quando acha que a r&aacute;dio est&aacute; descumprindo esse artigo.<\/p>\n<p><strong>Estado contra o povo<\/strong><\/p>\n<p>O Cap&iacute;tulo XI, do Decreto 2.615\/98, que trata das infra&ccedil;&otilde;es cometidas pelas r&aacute;dios comunit&aacute;rias, lista 29 motivos para punir. Mas n&atilde;o tem a&iacute; a quest&atilde;o da publicidade. Hoje, a Anatel multa, mas sem uma base legal. Portanto, esta mudan&ccedil;a proposta pelo governo visa a atender aos interesses dos agentes repressores, que precisavam de uma base legal para fazer o que j&aacute; fazem hoje.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Deve-se considerar que para uma comunidade pobre conseguir recursos para pagar a multa imposta pelo poder p&uacute;blico n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Na falta de recursos, a cobran&ccedil;a vai para d&iacute;vida p&uacute;blica e os projetos sociais ligados &agrave; entidade s&atilde;o vetados &ndash; e assim tamb&eacute;m a pr&oacute;pria r&aacute;dio. Centenas de r&aacute;dio foram multadas por operarem sem autoriza&ccedil;&atilde;o ou por colocarem no ar publicidade que, segundo os agentes, infringe a lei.<\/p>\n<p>A multa &eacute; um instrumento de repress&atilde;o pol&iacute;tica. Uma estrat&eacute;gia cruel: &eacute; criando d&iacute;vidas que voc&ecirc; aniquila o pobre. &Eacute; o Estado contra o povo brasileiro. A servi&ccedil;o das elites econ&ocirc;micas (e n&atilde;o somente do campo da comunica&ccedil;&atilde;o), o Estado faz uso desse instrumento.<\/p>\n<p><strong>Uma proposta rid&iacute;cula<\/strong><\/p>\n<p>O destaque no projeto do governo &eacute; sua &ecirc;nfase no combate ao proselitismo. Sua proposta estabelece como &quot;infra&ccedil;&atilde;o grav&iacute;ssima&quot; a pr&aacute;tica do proselitismo de qualquer natureza. Mas o que &eacute; &quot;proselitismo&quot;? A Lei 9.612\/98, em pelo menos dois artigos (art. 4&ordm;, par&aacute;grafo 1&ordm;; art. 11), j&aacute; faz o veto ao dom&iacute;nio das r&aacute;dios comunit&aacute;rias pelas igrejas e ao proselitismo que praticam. Mas, curiosamente, os agentes da Anatel e da PF nunca encontraram isso. Centenas de r&aacute;dios s&atilde;o dominadas por padres e pastores e eles nada v&ecirc;em. Em Copacabana, em Bras&iacute;lia, as antenas s&atilde;o maiores do que as torres das igrejas, se avistam a quil&ocirc;metros, mas nem a PF nem a Anatel conseguem ver. S&atilde;o antenas invis&iacute;veis &ndash; talvez por raz&otilde;es espirituais. Ou seriam econ&ocirc;micas?<\/p>\n<p>Estudo feito no ano passado pelo professor Ven&iacute;cio Lima e pelo consultor legislativo Cristiano Lopes revela aquilo que todo mundo j&aacute; sabia, mas n&atilde;o tinha provas: o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es distribui autoriza&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dios comunit&aacute;rias para pol&iacute;ticos, padres e pastores aliados. Por que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a n&atilde;o apura essas den&uacute;ncias? Por que n&atilde;o descobre quais os servidores p&uacute;blicos envolvidos nesta indec&ecirc;ncia? Por que a Pol&iacute;cia Federal, a Abin, o FBI, sei l&aacute;, n&atilde;o investigam a participa&ccedil;&atilde;o do ministro H&eacute;lio Costa nesta distribui&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios? Por que a Pol&iacute;cia Federal n&atilde;o investiga como a Igreja Cat&oacute;lica conseguiu autoriza&ccedil;&atilde;o para mais de 200 r&aacute;dios ditas comunit&aacute;rias, se isto &eacute; ilegal, imoral, indecente? Por que o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a n&atilde;o investiga o que ocorre dentro da Casa Civil, aonde montaram um balc&atilde;o para distribuir r&aacute;dios comunit&aacute;rias para X e Y?<\/p>\n<p>Fazer este tipo de coisa, depurar o setor, &eacute; muito mais do feitio do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e seria muito mais saud&aacute;vel para sociedade, do que fazer alian&ccedil;as com outros minist&eacute;rios e apresentar esta proposta rid&iacute;cula de projeto. A gente esperava mais de Tarso Genro e sua equipe.<\/p>\n<p><em>* Diocl&eacute;cio Luz &eacute; jornalista, mestrando em comunica&ccedil;&atilde;o pela UnB, autor de &ldquo;A arte de pensar e fazer r&aacute;dios comunit&aacute;rias&rdquo;.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano passado acabou para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias com duas not&iacute;cias, uma boa e uma ruim. 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