{"id":22530,"date":"2009-02-16T19:04:29","date_gmt":"2009-02-16T19:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22530"},"modified":"2009-02-16T19:04:29","modified_gmt":"2009-02-16T19:04:29","slug":"jornalistas-e-jornalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22530","title":{"rendered":"Jornalistas e jornalistas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t      <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>O jornalista deve ser um combatente, n&atilde;o um espectador.<br \/>&#8211; Jos&eacute; Carlos Mari&aacute;tegui &#8211;<\/p>\n<p><\/em>Gl&oacute;ria, RJ, sede da r&aacute;dio CBN, segundo semestre de 2008. A emissora das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo convida todas as assessorias dos candidatos &agrave; Prefeitura do Rio para discutir as regras e a ordem das entrevistas e a cobertura. Oswaldo Maneschy, representando o PDT, questiona a op&ccedil;&atilde;o da CBN de utilizar as pesquisas de opini&atilde;o como crit&eacute;rio para definir a ordem das entrevistas. Ele sabe que essas pesquisas j&aacute; foram utilizadas para fraudar elei&ccedil;&otilde;es, como ficou claro no esc&acirc;ndalo do Pr&oacute;-Consult. Marisa Tavares, diretora de jornalismo, acaba aceitando sortear a ordem. Mas sobre o tempo de cobertura, ela sentencia: &ldquo;N&atilde;o vou perder tempo cobrindo partido pequeno&rdquo;. Ao que Maneschy responde: &ldquo;Nos &uacute;ltimos 20 anos elegemos tr&ecirc;s governadores no Rio de Janeiro. Isso &eacute; partido pequeno, Marisa?&rdquo;. Ela n&atilde;o respondeu, mas quando o representante do PDT saiu da sala, Marisa comentou: &ldquo;Maneschy abra&ccedil;ou uma causa&#8230; Ele parou nos anos 80&rdquo;. <\/p>\n<p>Conto essa hist&oacute;ria porque sinto uma onda reacion&aacute;ria de jornalistas que atualmente vendem sua for&ccedil;a de trabalho &agrave;s corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia contra aqueles profissionais que escolheram um caminho diferente. Isto fica bastante vis&iacute;vel no menosprezo da diretora da CBN em rela&ccedil;&atilde;o ao Oswaldo Maneschy. Para se posicionarem desta forma, esses jornalistas acreditam piamente no mito da imparcialidade. Acham que basta ouvir os dois lados, mas aparentemente n&atilde;o percebem que a vida n&atilde;o &eacute; feita em preto e branco. Ou, mais al&eacute;m, parecem n&atilde;o saber que as empresas onde trabalham est&atilde;o a servi&ccedil;o de um determinado projeto pol&iacute;tico. Nesse sentido, pode-se dizer sem medo de errar que todo jornalista abra&ccedil;a uma causa, tanto os que escolhem militar num partido pol&iacute;tico, ONG ou movimento social, quanto aqueles que suam a blusinha para ingressar numa das poucas corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia. A diferen&ccedil;a &eacute; o que cada um defende. <\/p>\n<p>Num pa&iacute;s capitalista, autorit&aacute;rio, machista, racista e brutalmente desigual como o Brasil, as corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia cumprem um papel fundamental para a manuten&ccedil;&atilde;o do sistema. Enquanto equipamento de controle social, seu objetivo &eacute; reduzir a resist&ecirc;ncia diante de todas essas formas de opress&atilde;o. Resist&ecirc;ncia que geralmente se manifesta atrav&eacute;s dos movimentos sociais, criminalizados pela m&iacute;dia corporativa e defendidos pela outra imprensa. <\/p>\n<p>Muitas vezes os jornalistas que abra&ccedil;am a m&iacute;dia grande n&atilde;o se d&atilde;o conta deste processo. Como cada vez mais a pauta chega pronta &ndash; desde quem pode ser ouvido at&eacute; o que o ouvido deve dizer, passando pelo fato n&atilde;o desprez&iacute;vel da criteriosa escolha de quem &eacute; o &ldquo;outro lado&rdquo; autorizado a ser ouvido &ndash; esses jornalistas se transformam em aut&ocirc;matos. Toda a forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, sobretudo nas &aacute;reas de sociologia, filosofia e semiologia v&atilde;o por &aacute;gua abaixo. Da&iacute; William Bonner ter dito que forma uma jornalista em seis meses (melhor teria sido falar em &ldquo;adestramento&rdquo;). Diante desta aliena&ccedil;&atilde;o, volunt&aacute;ria ou n&atilde;o, o resultado &eacute; que passam a vida como meros espectadores, incapazes de refletir sobre sua pr&oacute;pria profiss&atilde;o e sua miss&atilde;o social. O m&aacute;ximo que conseguem &eacute; levantar a voz contra os jornalistas que escolheram caminhos diferentes. <\/p>\n<p><em>* Marcelo Salles, jornalista, foi correspondente da revista <\/em><span style=\"font-style: normal\">Caros Amigos <\/span><em>no Rio de Janeiro entre 2004 e 2008. Atualmente &eacute; correspondente da revista <\/em><span style=\"font-style: normal\">Caros Amigos <\/span><em>em La Paz (Bol&iacute;via), editor do jornal <\/em><span style=\"font-style: normal\">Fazendo Media <\/span><em>(<a href=\"http:\/\/www.fazendomedia.com\" target=\"_blank\">www.fazendomedia.com<\/a>) e integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista deve ser um combatente, n&atilde;o um espectador.&#8211; Jos&eacute; Carlos Mari&aacute;tegui &#8211; Gl&oacute;ria, RJ, sede da r&aacute;dio CBN, segundo semestre de 2008. 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