{"id":22527,"date":"2009-02-16T17:44:47","date_gmt":"2009-02-16T17:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22527"},"modified":"2009-02-16T17:44:47","modified_gmt":"2009-02-16T17:44:47","slug":"alternativas-a-democratizacao-da-midia-e-tema-de-debate-em-encontro-do-pcdob","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22527","title":{"rendered":"Alternativas \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia \u00e9 tema de debate em encontro do PCdoB"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">No primeiro dia do Encontro de Comunica&ccedil;&atilde;o do PCdoB, o fortalecimento de uma rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o deu o tom dos debates. Cerca de 80 pessoas de 18 estados participaram do evento, na sede do partido, em S&atilde;o Paulo. &ldquo;Vivemos um momento de clara evolu&ccedil;&atilde;o do conjunto de iniciativas p&uacute;blicas e isso contribui para a transforma&ccedil;&atilde;o de nosso sistema democr&aacute;tico&rdquo;, disse Tereza Cruvinel, diretora-presidente da Empresa Brasileira de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) e uma das palestrantes deste s&aacute;bado (14).<\/p>\n<p>Jornalista experiente no mundo pol&iacute;tico, Tereza fez uma radiografia do modelo brasileiro de televis&atilde;o, copiado do estadunidense, que privilegia a iniciativa privada e as leis da publicidade em detrimento do Estado, uma das raz&otilde;es que contribu&iacute;ram para o atraso das redes p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ela lembrou que no per&iacute;odo da ditadura militar, embora tenha havido a cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos estatais de comunica&ccedil;&atilde;o, a colabora&ccedil;&atilde;o entre donos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e ditadores ajudou a estagnar tal processo e, em contrapartida, a fortalecer o sistema privado. &ldquo;Com o passar do tempo, as redes de comunica&ccedil;&atilde;o foram sendo sucateadas&rdquo;, explicou, lembrando que hoje j&aacute; existem iniciativas positivas de reconstru&ccedil;&atilde;o das redes como a Educativa do Paran&aacute; e a Aperip&ecirc;, de Sergipe. <\/p>\n<p>Tereza tamb&eacute;m destacou falhas na lei que dificultam a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Nossa Constitui&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou mais progressista e terminou mais conservadora&rdquo;, disse referindo-se especialmente ao cap&iacute;tulo V, que trata da Comunica&ccedil;&atilde;o Social.&nbsp;  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Embora reconhe&ccedil;a que o governo Lula se atrasou na discuss&atilde;o, Tereza destacou a iniciativa da cria&ccedil;&atilde;o da EBC em 2007. &ldquo;Se der certo, vamos poder quebrar a hegemonia exercida pelo poder privado&rdquo;, colocou. E ressaltou: &ldquo;Com a primeira Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, poderemos finalmente mexer no marco regulat&oacute;rio&rdquo;. Ainda que a EBC seja pequena, disse, &ldquo;j&aacute; percebemos que h&aacute; um inc&ocirc;modo dos empres&aacute;rios com a gente&rdquo;. Para ela, &ldquo;s&oacute; uma tev&ecirc; estatal &eacute; capaz de fazer uma rede que, de fato, fa&ccedil;a a diferen&ccedil;a&rdquo; e democratize a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil.<\/p>\n<p>Empresa estatal com controle social, a EBC &eacute; sustentada por or&ccedil;amento federal da ordem de 350 milh&otilde;es de reais anuais e como parte da tarefa de incrementar as a&ccedil;&otilde;es da empresa, trabalha pela regulamenta&ccedil;&atilde;o do uso de 10% do Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel) e pela cria&ccedil;&atilde;o de uma rede ampla que envolva novos canais p&uacute;blicos e mesmo comunit&aacute;rios. <\/p>\n<p>Atualmente, a EBC conta com uma rede ainda limitada que engloba a TVE do Rio de Janeiro, a TV Nacional de Bras&iacute;lia, a TVE do Maranh&atilde;o e um novo canal em S&atilde;o Paulo. Outra proposta estudada &eacute; que voltem &agrave;s m&atilde;os p&uacute;blicas canais privatizados na era FHC ou mesmo distribu&iacute;dos e usados de maneira clientelista por pol&iacute;ticos locais. &ldquo;Ainda hoje os que querem fazer pagam pelos que roubam&rdquo;, lamentou. Como principais metas para este ano, a diretora-presidente da EBC destacou: &ldquo;queremos fazer um choque de qualidade na programa&ccedil;&atilde;o e ampliar nossa cobertura geogr&aacute;fica&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Olhar sobre a Am&eacute;rica Latina<\/strong><\/p>\n<p>Defensor de primeira hora da integra&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses latino-americanos, Beto Almeida, diretor da Telesul, tratou da import&acirc;ncia de se trabalhar a unidade tamb&eacute;m no &acirc;mbito das comunica&ccedil;&otilde;es. Inicialmente, ressaltou que &ldquo;&eacute; essencial que os partidos pol&iacute;ticos, como o PCdoB est&aacute; fazendo, discutam e combatam a hegemonia privada na m&iacute;dia. Devemos trabalhar duramente para assegurar que a comunica&ccedil;&atilde;o seja um elemento civilizador que atue contra a brutalidade do capitalismo&rdquo;. <\/p>\n<p>Confiante na sa&iacute;da pela integra&ccedil;&atilde;o, Almeida destacou o papel da Telesul &ndash; canal multiestatal criado em 2005 e que envolve Argentina, Bol&iacute;via, Cuba, Equador, Nicar&aacute;gua e Venezuela. &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina est&aacute; mudando e a Telesul &eacute; prova disso. N&atilde;o se faz transforma&ccedil;&otilde;es de fundo na comunica&ccedil;&atilde;o se n&atilde;o houver um cen&aacute;rio prop&iacute;cio e a revolu&ccedil;&atilde;o bolivariana tem sido essencial para se recuperar os espa&ccedil;os p&uacute;blicos midi&aacute;ticos&rdquo;. <\/p>\n<p>Contra o que qualificou de &ldquo;baixarias embrutecedoras da m&iacute;dia capitalista&rdquo;, Almeida defendeu que o investimento estatal em comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ser um tabu e precisa ser encarado como a sa&iacute;da para se enfrentar em p&eacute; de igualdade a hegemonia privada. &ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel fazer qualquer processo de democratiza&ccedil;&atilde;o real da m&iacute;dia sem o fortalecimento da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, com a ajuda estatal&rdquo;. E para tanto, salientou, &eacute; necess&aacute;rio o protagonismo consciente do Estado. &ldquo;O contradiscurso precisa do Estado ou corre-se o risco de o Estado ser engolido pelos conglomerados privados&rdquo;. <\/p>\n<p>Tratando especificamente da Telesul, Almeida lembrou que o canal &ldquo;faz hoje a comunica&ccedil;&atilde;o anti-hegem&ocirc;nica&rdquo;. &ldquo;Os povos da Am&eacute;rica Latina t&ecirc;m fortalecido as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de combate ao neoliberalismo e a Telesul prova que esse processo tem levado &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos midi&aacute;ticos&rdquo;. Para ampliar a rede de comunica&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses latino-americanos, j&aacute; se estuda hoje uma parceria entre a EBC e a Telesul. <\/p>\n<p>Almeida criticou a &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo; especialmente no que diz respeito ao tratamento jornal&iacute;stico das iniciativas democratizantes dos governos latinoamericanos. Ele citou como exemplo a Opera&ccedil;&atilde;o Milagre, parceria entre Venezuela e Cuba que atendeu cerca de 500 mil pessoas que perderam a vis&atilde;o. &ldquo;Isso, para eles, n&atilde;o &eacute; not&iacute;cia, mas um perfume lan&ccedil;ado na Europa &eacute;&rdquo;, criticou. O mesmo tratamento teve o reconhecimento da Venezuela pela Unesco como territ&oacute;rio livre do analfabetismo, bem como o lan&ccedil;amento, pelo pa&iacute;s, do sat&eacute;lite socialista, fato que foi at&eacute; mesmo ridicularizado. &ldquo;A verdade &eacute; que a m&iacute;dia trabalha pela desintegra&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Radiodifus&atilde;o brasileira<\/strong><\/p>\n<p>A apresenta&ccedil;&atilde;o feita por Laurindo Leal Filho, o Lalo, ouvidor da EBC, focou-se nos aspectos caracter&iacute;sticos da radiodifus&atilde;o brasileira. &ldquo;A id&eacute;ia de Roquete Pinto, de levar a comunica&ccedil;&atilde;o a todos os brasileiros, n&atilde;o p&ocirc;de ir adiante e o sistema foi marcado, desde o in&iacute;cio, pelas iniciativas privadas. Nosso povo passou a conceber tal modelo como o &uacute;nico poss&iacute;vel&rdquo;, recordou. <\/p>\n<p>Ele assinalou que para al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o estatal na comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso haver maior interven&ccedil;&atilde;o da sociedade. &ldquo;Deve haver, por parte dos brasileiros, o sentimento de pertencimento das alternativas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;. E afirmou: &ldquo;travamos uma batalha pol&iacute;tica di&aacute;ria contra aqueles que repudiam essa id&eacute;ia (de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o). Da&iacute; a necessidade de haver sustenta&ccedil;&atilde;o da sociedade e foi isso que fez, por exemplo, com que a BBC de Londres sobrevivesse &agrave; era de privatiza&ccedil;&otilde;es de (Margaret) Thatcher&rdquo;.<\/p>\n<p>Para sobreviver aos anos 80, o setor p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o na Europa adotou alguns formatos que Lalo descreveu durante sua exposi&ccedil;&atilde;o. Entre eles o conselho suprapartid&aacute;rio (formado por pessoas de partidos diversos que tenham conseguido a confian&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o terem outros interesses se n&atilde;o do desenvolvimento da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica); a concep&ccedil;&atilde;o da radiodifus&atilde;o como palco de arena pol&iacute;tica (com representa&ccedil;&atilde;o dos partidos proporcional &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o parlamentar) e a interven&ccedil;&atilde;o estatal mais forte, como ocorreu na It&aacute;lia e na Gr&eacute;cia. Tal alternativa, alertou Lalo, pode, no entanto, abrir espa&ccedil;o para que o controle absoluto da comunica&ccedil;&atilde;o fique nas m&atilde;os do chefe de Estado, como acontece com Silvio Berlusconi. <\/p>\n<p>Tratando das formas de controle e financiamento das empresas p&uacute;blicas de m&iacute;dia, Laurindo Leal Filho destacou o controle governamental; p&uacute;blico (sem interfer&ecirc;ncia estatal); o apoio comercial limitado e o modelo de maior interven&ccedil;&atilde;o governamental nos setores p&uacute;blico e privado. <\/p>\n<p>Sobre o papel da tev&ecirc; p&uacute;blica, Lalo colocou como princ&iacute;pios norteadores a universalidade geogr&aacute;fica; o apelo universal no conte&uacute;do; universalidade de pagamento, ou seja, a n&atilde;o depend&ecirc;ncia exclusiva do governo; identidade nacional; atendimento &agrave;s minorias; competi&ccedil;&atilde;o por melhores formatos e qualidade na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do e o est&iacute;mulo &agrave;s novas cria&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Experi&ecirc;ncia sergipana<\/strong><\/p>\n<p>A comunista Indira Amaral, presidente da TV Aperip&ecirc;, de Sergipe, exp&ocirc;s o antes e o depois do canal desde que assumiu o posto. &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o era esdr&uacute;xula. A estrutura estava totalmente sucateada&rdquo;, lamentou.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O canal sofria pela falta de infra-estrutura que ia desde equipamentos obsoletos at&eacute; o mau funcionamento de instrumentos b&aacute;sicos, como a antena retransmissora. &ldquo;O povo tinha at&eacute; um slogan para o canal: TV Aperip&ecirc;, a tev&ecirc; que ningu&eacute;m v&ecirc;&rdquo;, brincou.<\/p>\n<p>Depois de assumir em 2007 a Funda&ccedil;&atilde;o Aperip&ecirc; &ndash; que engloba ainda duas r&aacute;dios, uma AM, outra FM &ndash;, Indira fez uma pequena revolu&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Agora, o povo sergipano de fato se v&ecirc; na Aperip&ecirc;. Ficamos 20 horas no ar e 80% da programa&ccedil;&atilde;o vem da TV Brasil e tamb&eacute;m ajudamos a TV Brasil com materiais locais. J&aacute; fizemos cerca de 140 mat&eacute;rias sobre o estado para ser veiculado pelo canal&rdquo;, explicou. O restante da programa&ccedil;&atilde;o &eacute; feito no estado e privilegia as manifesta&ccedil;&otilde;es populares locais, o que criou uma forte identidade entre a popula&ccedil;&atilde;o e a tev&ecirc;. <\/p>\n<p>Nesse sentido, tamb&eacute;m foi importante a aquisi&ccedil;&atilde;o, pela Aperip&ecirc;, do direito de transmitir o campeonato estadual de futebol, briga ganha contra um peso-pesado: a rede Record. &ldquo;E estamos dando outros passos importantes, mas isso depende muito da forma&ccedil;&atilde;o de uma rede e tamb&eacute;m da utiliza&ccedil;&atilde;o de um canal digital&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Finalizando a primeira parte dos debates, Renato Rabelo, presidente do PCdoB, que acompanhou a parte da manh&atilde;, disse que &ldquo;o PCdoB colocou em seu programa pol&iacute;tico a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o como fator fundamental para uma mudan&ccedil;a profunda de nossa sociedade&rdquo;. Al&eacute;m disso, lembrou, &ldquo;o partido defende a integra&ccedil;&atilde;o latinoamericana, o que tem sido feito de maneira consistente pela Telesul&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Rabelo, o trabalho por uma nova forma de comunica&ccedil;&atilde;o quebra o formato privado dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, &ldquo;respons&aacute;veis pela manuten&ccedil;&atilde;o do status quo&rdquo; e de reafirma&ccedil;&atilde;o das desigualdades. &ldquo;O PCdoB n&atilde;o &eacute; um partido atuante apenas nas elei&ccedil;&otilde;es e no que diz respeito &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, tem provocado um debate permanente. Esse assunto entrou no fluxo da luta de ideias e &eacute; um dos pilares essenciais para se resolver os problemas de nosso povo&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O per&iacute;odo da tarde foi marcado pelo debate sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o. Depois da explana&ccedil;&atilde;o de F&aacute;bio Cesnick, advogado especializado em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de cultura &ndash; que aprofundou os aspectos legais do assunto &ndash; foi a vez de Jo&atilde;o Brant, coordenador do Coletivo Intervozes, tratar de alguns aspectos que permeiam a ado&ccedil;&atilde;o de tais pol&iacute;ticas. <\/p>\n<p>Brant destacou o papel do PCdoB nessa batalha. &ldquo;O partido tem sido um importante parceiro do Intervozes. Temos muitas afinidades&rdquo;, colocou. Ele lembrou que no Brasil &ldquo;n&atilde;o h&aacute; tradi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; e para viabiliz&aacute;-las, &eacute; necess&aacute;rio, hoje, pensar numa economia pol&iacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A televis&atilde;o, enfatizou, &ldquo;tende naturalmente &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o e &agrave; monopoliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ou seja, &ldquo;&eacute; preciso que haja a interven&ccedil;&atilde;o do Estado&rdquo;. Conforme salientou, &ldquo;precisamos ter acesso real &agrave; informa&ccedil;&atilde;o; hoje, o acesso &eacute; muito concentrado&rdquo; em alguns setores sociais. <\/p>\n<p>Ao tratar da informa&ccedil;&atilde;o, Brant colocou o ciclo que faz parte de sua realiza&ccedil;&atilde;o: produ&ccedil;&atilde;o, empacotamento, distribui&ccedil;&atilde;o e acesso ou consumo. &ldquo;Se uma dessas etapas tiver barreiras ao seu pleno funcionamento, o sistema de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vinga&rdquo;, alertou. Portanto, concluiu, &ldquo;para fazer valer o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso pensar pol&iacute;ticas que desobstruam os gargalos desse ciclo&rdquo;. <\/p>\n<p>Em seguida, Brant tratou das viola&ccedil;&otilde;es do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, advindas, segundo ele, especialmente de cinco pontos: a privatiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico midi&aacute;tico com reflexo na divis&atilde;o do espectro; concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o; asfixiamento da participa&ccedil;&atilde;o da sociedade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o; aus&ecirc;ncia de sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. <\/p>\n<p>Do ponto de vista das diretrizes para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas locais de comunica&ccedil;&atilde;o, Brant apontou a redistribui&ccedil;&atilde;o (garantir o acesso a condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para aquela parte da popula&ccedil;&atilde;o desprovida de condi&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o); emancipa&ccedil;&atilde;o (impulsionar formas alternativas de comunica&ccedil;&atilde;o) e desenvolvimento local (contribuir com processos de integra&ccedil;&atilde;o entre comunica&ccedil;&atilde;o e outras &aacute;reas).<\/p>\n<p>Trazendo o local para o &acirc;mbito de atua&ccedil;&atilde;o nacional, o comunista C&eacute;lio Turino, secret&aacute;rio de Projetos e Programas Culturais do Minist&eacute;rio da Cultura, falou da iniciativa dos Pontos de Cultura &ndash; cujo sucesso resultou tamb&eacute;m na cria&ccedil;&atilde;o dos Pontos de M&iacute;dia Livre, que contar&atilde;o com cerca de 4,2 milh&otilde;es em pr&ecirc;mios para iniciativas de comunica&ccedil;&atilde;o compartilhada e participativa. Turino foi um dos respons&aacute;veis pela mudan&ccedil;a de foco do MinC desde a chegada de Lula ao poder. Desde ent&atilde;o, o minist&eacute;rio tem trabalhado em prol de a&ccedil;&otilde;es que estimulem e valorizem a cultura popular e inclusiva. <\/p>\n<p>Ao trabalhar sob esse prisma, Turino destacou: &ldquo;a busca do bem comum tamb&eacute;m na comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; sem privilegiar o mercado, mas a sociedade &ndash; &eacute; uma forma de se resgatar os princ&iacute;pios comunistas&rdquo;. No caso dos Pontos de Cultura, disse, &ldquo;colocamos os meios de comunica&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os dos produtores&rdquo;.<\/p>\n<p>Finalizando, refletiu: &ldquo;o senso comum &eacute; a morte de qualquer pol&iacute;tica p&uacute;blica porque &eacute; conservador da ordem vigente&rdquo;. <\/p>\n<p>O Encontro Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o do PCdoB termina neste domingo (15) com balan&ccedil;o e perspectivas da atua&ccedil;&atilde;o do partido na &aacute;rea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro dia do Encontro de Comunica&ccedil;&atilde;o do PCdoB, o fortalecimento de uma rede p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o deu o tom dos debates. 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