{"id":22515,"date":"2009-02-12T17:24:31","date_gmt":"2009-02-12T17:24:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22515"},"modified":"2009-02-12T17:24:31","modified_gmt":"2009-02-12T17:24:31","slug":"a-campanha-eleitoral-de-2010-esta-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22515","title":{"rendered":"A campanha eleitoral de 2010 est\u00e1 no ar"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\">Come&ccedil;ou a campanha eleitoral para 2010 na TV. E a Globo, como sempre, saiu na frente. Na semana passada, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo ignoraram solenemente a pesquisa CNT\/Sensus onde Lula aparece com 84% de aprova&ccedil;&atilde;o, um recorde hist&oacute;rico. Mas claro, isso n&atilde;o &eacute; not&iacute;cia pelos crit&eacute;rios jornal&iacute;sticos globais. Muito menos o fato da ministra Dilma Roussef ter alcan&ccedil;ado, pela primeira vez, a casa dos dois d&iacute;gitos na pesquisa de inten&ccedil;&atilde;o de votos para a presid&ecirc;ncia. E ser&aacute; assim at&eacute; as elei&ccedil;&otilde;es. O que n&atilde;o &eacute; nenhuma novidade. Pode-se criticar a Globo por v&aacute;rios motivos, menos pela falta de coer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Desde a &uacute;ltima ditadura, para n&atilde;o termos que voltar muito na hist&oacute;ria, ela sempre esteve do mesmo lado: elitista, entreguista, conservador. Apoio aos golpistas e ao regime militar, tentativa de fraudar a vit&oacute;ria de Leonel Brizola ao governo do Rio em 1982, boicote &agrave;s diretas-j&aacute;, cria&ccedil;&atilde;o da candidatura Collor, edi&ccedil;&atilde;o fraudulenta do debate entre ele e Lula em 1989, destitui&ccedil;&atilde;o de Collor e apoio a Fernando Henrique, Serra e Alckmin nas elei&ccedil;&otilde;es seguintes.<\/p>\n<p>Sobre os primeiros casos citados, muito j&aacute; se escreveu mas, como eles mesmo dizem, vale a pena ver de novo. Pelo menos alguns deles.<\/p>\n<p>Por exemplo, assisti &#8211; com estes olhos que a terra&#8230; &#8211; ao Jornal Nacional de 25 de janeiro de 1984, dia do com&iacute;cio das Diretas J&aacute;, com cerca de 300 mil pessoas na Pra&ccedil;a da S&eacute;, em S&atilde;o Paulo, noticiado como uma festa pelo anivers&aacute;rio da cidade. Isso foi dito na abertura da mat&eacute;ria lida pelo apresentador no est&uacute;dio (na &quot;cabe&ccedil;a&quot;, segundo o jarg&atilde;o do telejornalismo). Texto nunca mostrado pelos atuais funcion&aacute;rios da empresa, encarregados da revis&atilde;o hist&oacute;rica do per&iacute;odo, nas in&uacute;teis tentativas de negar o fato.<\/p>\n<p>Ouvi, com estes ouvidos que ter&atilde;o o mesmo destino dos olhos, uma longa entrevista (mais de 15 minutos) na r&aacute;dio Globo, em 1988, com o ent&atilde;o desconhecido governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Ele era apresentado ao Pa&iacute;s como o &quot;ca&ccedil;ador de maraj&aacute;s&quot;, assim chamados os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos alagoanos detentores dos sal&aacute;rios mais altos. Na mesma &eacute;poca, o Globo Rep&oacute;rter dedicava uma edi&ccedil;&atilde;o inteira ao mesmo tema. Come&ccedil;ava ent&atilde;o uma campanha eleitoral que teria seu ponto alto na edi&ccedil;&atilde;o caprichada do debate Collor-Lula, apresentada no Jornal Nacional, na v&eacute;spera da elei&ccedil;&atilde;o. A ordem do dono da empresa era taxativa: mostrar todas as interven&ccedil;&otilde;es positivas do seu candidato e tudo de ruim que ocorreu com o advers&aacute;rio. A edi&ccedil;&atilde;o competente virou o jogo. Eleito, Collor caiu logo em desgra&ccedil;a nos altos escal&otilde;es do Jardim Bot&acirc;nico. At&eacute; novela foi feita para derrub&aacute;-lo e nunca protestos de rua, como o dos &quot;caras-pintadas&quot;, foram t&atilde;o bem vistos pela emissora.<\/p>\n<p>J&aacute; ou&ccedil;o algu&eacute;m dizendo: &quot;l&aacute; vem ele com as teorias conspirat&oacute;rias de sempre&quot;. N&atilde;o respondo. Prefiro passar a palavra a dona Lily Marinho, vi&uacute;va do dono das Globos, ditas no lan&ccedil;amento do livro Roberto e Lily, em 2005 e revelada na coluna de Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo : &quot;O Roberto colocou ele (Fernando Collor de Mello, na Presid&ecirc;ncia) e depois tirou. Durou pouco. Ele se enganou&quot;. Nada mais a acrescentar. <\/p>\n<p>S&oacute; resta perguntar: e depois? Como se comportou o jornalismo da Globo, e particularmente o seu telejornal de maior audi&ecirc;ncia nas elei&ccedil;&otilde;es seguintes?<\/p>\n<p>Para os dois pleitos presidenciais mais recentes (2002 e 2006) est&aacute; na pra&ccedil;a um livro-documento: Telejornalismo e Poder nas Elei&ccedil;&otilde;es Presidenciais (Summus Editorial, S&atilde;o Paulo, 2008), de Flora Neves, professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina. Trabalho meticuloso, combinando uma exaustiva coleta de material (a grava&ccedil;&atilde;o de 199 edi&ccedil;&otilde;es do Jornal Nacional) com uma sofisticada an&aacute;lise dos dados. Cuidados que levam a resultados indiscut&iacute;veis, excludentes de qualquer tipo de &quot;achismo&quot;. Mostram como o principal telejornal do pa&iacute;s manipulou a cobertura daquelas duas elei&ccedil;&otilde;es contrariando at&eacute; muitos te&oacute;ricos e cr&iacute;ticos da comunica&ccedil;&atilde;o que chegaram a comemorar a imparcialidade da Globo nessas coberturas, opini&atilde;o claramente desmentida pela pesquisa.<\/p>\n<p>Vamos a alguns dados publicados no livro. Em 2002, no segundo turno, 66.66% das mat&eacute;rias eram favor&aacute;veis a Serra e apenas 20,0% a Lula. A autora conclui que, nesse per&iacute;odo, &quot;a cobertura se manteve na agenda dos candidatos, procurando pontuar o mesmo n&uacute;mero de falas de Lula e Serra, mas com momentos ruins de Lula e momentos bons de Serra&quot;, mantendo a linha editorial iniciada na edi&ccedil;&atilde;o do debate Lula-Collor, acima mencionado.<\/p>\n<p>Mas naquele ano Lula n&atilde;o foi o &uacute;nico alvo do Jornal Nacional. A pesquisa mostra como o notici&aacute;rio da Globo se esfor&ccedil;ou para derrubar a candidatura Ciro Gomes que amea&ccedil;ava ir para o segundo turno, tirando Jos&eacute; Serra da disputa. &quot;O candidato do PPS recebeu val&ecirc;ncias (valora&ccedil;&atilde;o dada &agrave;s mat&eacute;rias: positiva, negativa e neutra) negativas durante quase todo o per&iacute;odo da cobertura, destacando-se como homem truculento, de pavio curto, que fala o que pensa e s&oacute; sabe criticar, al&eacute;m de estar envolvido com pol&iacute;ticos corruptos&quot;, diz a autora.<\/p>\n<p>Em 2006, chama aten&ccedil;&atilde;o o quadro de val&ecirc;ncias referente &agrave;s edi&ccedil;&otilde;es do Jornal Nacional veiculadas entre o in&iacute;cio no hor&aacute;rio eleitoral obrigat&oacute;rio no r&aacute;dio e na TV e o primeiro turno das elei&ccedil;&otilde;es. Vejam os percentuais de mat&eacute;rias positivas relativas aos principais candidatos:<\/p>\n<p>Alckmin 68,57%; Cristovam 52,94%; Heloisa Helena 61,76% e Lula 16,43%.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso dizer mais alguma coisa? S&atilde;o n&uacute;meros que explicam a ida de Alckmin para o segundo turno e nos quais se insere a cobertura do famoso dossi&ecirc; anti-petista, explorado &agrave; larga pelo Jornal Nacional.<\/p>\n<p>Epis&oacute;dio tamb&eacute;m tratado no livro. Apesar do empenho, a Globo perdeu as duas elei&ccedil;&otilde;es, mas mant&ecirc;m-se fiel aos seus princ&iacute;pios. Mostra com grande anteced&ecirc;ncia que estar&aacute; firme na pr&oacute;xima campanha presidencial, sempre do mesmo lado.<\/p>\n<p>As grava&ccedil;&otilde;es analisadas pela professora Flora Neves em 2002 e 2006 come&ccedil;aram a ser feitas no per&iacute;odo que antecedeu as pr&eacute;-conven&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias, j&aacute; em pleno ano eleitoral. Diante do atual sil&ecirc;ncio da Globo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa CNT\/Sensus recomendo aos interessados em analisar a cobertura das elei&ccedil;&otilde;es de 2010 pelo Jornal Nacional, que comecem a trabalhar desde agora. Material, pelo visto, &eacute; que n&atilde;o vai faltar.<\/p>\n<p><em>* Laurindo Lalo Leal Filho, soci&oacute;logo e jornalista, &eacute; professor de Jornalismo da ECA-USP e da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero. &Eacute; autor, entre outros, de &ldquo;A TV sob controle &ndash; A resposta da sociedade ao poder da televis&atilde;o&rdquo; (Summus Editorial).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come&ccedil;ou a campanha eleitoral para 2010 na TV. E a Globo, como sempre, saiu na frente. Na semana passada, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo ignoraram solenemente a pesquisa CNT\/Sensus onde Lula aparece com 84% de aprova&ccedil;&atilde;o, um recorde hist&oacute;rico. 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