{"id":22492,"date":"2009-02-10T15:02:41","date_gmt":"2009-02-10T15:02:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22492"},"modified":"2009-02-10T15:02:41","modified_gmt":"2009-02-10T15:02:41","slug":"novos-servicos-de-telecom-poem-em-xeque-modelo-regulatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22492","title":{"rendered":"Novos servi\u00e7os de telecom p\u00f5em em xeque modelo regulat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Ao longo do ano de 2008, agentes do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es e dirigentes de &oacute;rg&atilde;os estatais indicaram recorrentemente que a telefonia fixa, como conhecemos hoje, estaria chegando ao seu fim por conta das novas possibilidades tecnol&oacute;gicas trazidas pela converg&ecirc;ncia midi&aacute;tica. Esta &quot;morte anunciada&quot; e seus desdobramentos dominaram os debates do semin&aacute;rio &quot;Pol&iacute;tica de (Tele)Comunica&ccedil;&otilde;es&quot;, organizado anualmente pela revista especializada <em>TeleTime<\/em>, em parceria com o Centro de Economia, Tecnologia e Pol&iacute;ticas das Comunica&ccedil;&otilde;es (CCOM) da Universidade de Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>No evento, foi colocada a seguinte quest&atilde;o: se a telefonia fixa &eacute; hoje o &uacute;nico servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es prestado em regime p&uacute;blico, portanto sujeito a obriga&ccedil;&otilde;es como universaliza&ccedil;&atilde;o, continuidade e controle de suas tarifas, uma suposta supera&ccedil;&atilde;o deste em novos servi&ccedil;os de voz convergentes implicaria tamb&eacute;m no fim do regime p&uacute;blico para as atividades de telecomunica&ccedil;&otilde;es? Se isso ocorresse, conseguiria apenas o mercado, operando em regime privado, atender o direito da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o por voz e dados? <\/p>\n<p><span>A provoca&ccedil;&atilde;o foi apresentada pelo coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB,<\/span> <span>Murilo Ramos. Segundo ele, a troca das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o previstas nos contratos das concession&aacute;rias de telefonia fixa (de pontos de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es por backhauls) e a compra da Brasil Telecom pela Oi esgotam o modelo pol&iacute;tico-regulat&oacute;rio constru&iacute;do no processo de privatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s. Neste quadro, &eacute; imperativa uma revis&atilde;o da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (LGT) para responder a estes desafios. &quot;No atual modelo, os benef&iacute;cios da universaliza&ccedil;&atilde;o foram centrados no STFC [Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado]. No novo modelo, entre muitas d&uacute;vidas, coloco uma obriga&ccedil;&atilde;o ao Estado: cabe oferecer &agrave; sociedade a melhor alternativa poss&iacute;vel ao finado conceito de telefonia&quot;, defendeu.<\/p>\n<p><\/span>Por fim, Ramos questionou os presentes se faria sentido a distin&ccedil;&atilde;o entre telefonia fixa e m&oacute;vel, se seria sustent&aacute;vel manter um servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o multim&iacute;dia quando caminha-se para a hegemonia do simples tr&aacute;fego de dados, se deve ser mantido um modelo de TV por assinatura por pacotes quando h&aacute; possibilidades de consumo mais personalizadas e se, frente aos limites do mercado, n&atilde;o seria necess&aacute;rio retomar a id&eacute;ia de uma infra-estrutura estatal de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Os representantes empresariais tergiversaram, mas acabaram por apresentar sua vis&atilde;o sobre o desafio central apresentado por Ramos. Alguns, como Ant&ocirc;nio Carlos Valente, da Telef&ocirc;nica, foram mais entusiastas entoando o c&acirc;ntico da cobertura quase universal das comunidades em todo o pa&iacute;s pela telefonia fixa. O secret&aacute;rio de Telecomunica&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Roberto Pinto Martins, desconstruiu o argumento com uma constata&ccedil;&atilde;o evidente sobre os limites do STFC no pa&iacute;s. &quot;A universaliza&ccedil;&atilde;o, e este &eacute; um ponto de reflex&atilde;o, foi colocada apenas no n&iacute;vel da oferta. Precisamos trabalhar outro lado: quais mecanismos temos que utilizar para fazer com que pessoas tenham acesso a isso&quot;, disse.<\/p>\n<p>Outros representantes empresariais, frente &agrave; evid&ecirc;ncia do problema, preferiram defender o modelo e criticar a falta de renda da popula&ccedil;&atilde;o. &quot;O que falta no Brasil &eacute; mercado. Onde h&aacute; mercado tem competi&ccedil;&atilde;o e penetra&ccedil;&atilde;o&quot;, pontuou Jos&eacute; Pauletti, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Prestadoras de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix). Ou seja, se h&aacute; um pa&iacute;s com 180 milh&otilde;es de pessoas no qual menos de 40 milh&otilde;es t&ecirc;m telefones fixos e 150 milh&otilde;es possuem celulares e fazem uma m&eacute;dia de liga&ccedil;&otilde;es feitas baix&iacute;ssima, o desafio n&atilde;o est&aacute; em adequar o modelo &agrave; realidade brasileira, mas o contr&aacute;rio. <\/p>\n<p>A resposta de Pauletti ao dilema revelou a quest&atilde;o central. &quot;Tem um mercado em que haver&aacute; competi&ccedil;&atilde;o, que pode pagar. E tem um mercado, que n&atilde;o pode pagar, que s&oacute; ser&aacute; atendido ou com incentivo ou com obriga&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o &eacute; quem financia&quot;, afirmou. Na opini&atilde;o un&acirc;nime dos agentes empresariais, a conta deve ser paga pelo Estado. <\/p>\n<p><strong>Subs&iacute;dios estatais<\/strong><\/p>\n<p>Um caminho seria o provimento de subs&iacute;dios &agrave;s empresas por meio da redu&ccedil;&atilde;o da carga tribut&aacute;ria. &quot;Voc&ecirc; pode fazer uma desonera&ccedil;&atilde;o seletiva, cobrando, assim como no imposto de renda, para o pessoal de mais baixa renda as tarifas mais baixas&quot;, sugeriu Roberto Blois, da Oi. &quot;Hoje, do custo do servi&ccedil;o 50% s&atilde;o de impostos. N&oacute;s temos feito esfor&ccedil;os com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fazendas p&uacute;blicas para que, em algumas regi&otilde;es, tenhamos carga tribut&aacute;ria menor. Infelizmente, n&atilde;o foi poss&iacute;vel avan&ccedil;ar nisso&quot;, reclamou Ant&ocirc;nio Carlos Valente, da Telef&ocirc;nica.<\/p>\n<p>Outro caminho seria o subs&iacute;dio direto &agrave;s pessoas de baixa renda, que poderia se dar por um programa espec&iacute;fico ou mediante aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust). Em&iacute;lia Ribeiro, conselheira da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), lembrou que, pela atual legisla&ccedil;&atilde;o, o subs&iacute;dio na forma de tarifas diferenciadas &eacute; proibido. &quot;Sobre os subs&iacute;dios, eu achei que isso era poss&iacute;vel e logo descobri que n&atilde;o. A Aneel [Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica] tem toda uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para tarifa social, mas em telecom isso n&atilde;o existe&quot;, afirmou, apontando como solu&ccedil;&atilde;o o uso dos recursos do Fust. &quot;Devemos utiliz&aacute;-lo para garantir acesso aos servi&ccedil;os para o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de cidad&atilde;os&quot;, concordou o representante da Oi. <\/p>\n<p>N&atilde;o sendo poss&iacute;vel o uso destes instrumentos, restaria a imposi&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es &agrave;s operadoras. Roberto Pinto Martins, do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, citou como exemplo o leil&atilde;o da faixa de espectro usada para o chamado 3G da telefonia celular, que obrigou as concorrentes a ofertarem o servi&ccedil;o em &aacute;reas n&atilde;o rent&aacute;veis para obterem as licen&ccedil;as para locais com grandes mercados. A troca das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de telefonia fixa tamb&eacute;m foi mencionada, uma vez que deve levar a infra-estrutura de tr&aacute;fego de dados em alta velocidade at&eacute; todos os munic&iacute;pios brasileiros.<\/p>\n<p>Uma terceira frente de massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga, acrescentou Em&iacute;lia Ribeiro, ser&aacute; o leil&atilde;o das faixas de Wimax. Com toda esta oferta, concluiu, a tend&ecirc;ncia &eacute; que haja uma redu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, ocasionando condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis de acesso ao servi&ccedil;o. &quot;Os pre&ccedil;os ser&atilde;o moderados conforme oferta do mercado, e &eacute; &oacute;bvio que, como estamos expandindo, os pre&ccedil;os tendem a cair&quot;, previu.<\/p>\n<p><strong>Sem regime p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p>Em nenhuma das solu&ccedil;&otilde;es apontadas por empres&aacute;rios ou por representantes dos &oacute;rg&atilde;os reguladores, figurou a possibilidade de se criar uma nova modalidade de servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que abarcasse a transmiss&atilde;o de voz e dados, em regime p&uacute;blico. &quot;Tenho uma s&eacute;rie de restri&ccedil;&otilde;es sobre at&eacute; onde vai o servi&ccedil;o prestado em regime p&uacute;blico&quot;, refletiu de maneira reticente Roberto Pinto Martins. Apenas Gustavo Gindre, integrante do Comit&ecirc; Gestor da Internet do Brasil, defendeu explicitamente a necessidade de transformar a banda larga em um servi&ccedil;o p&uacute;blico. <\/p>\n<p>Sobre a possibilidade de implantar uma rede estatal com foco no atendimento da popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda, a resposta un&iacute;ssona dos executivos foi &quot;n&atilde;o&quot;, explicitando o receio da concorr&ecirc;ncia potencial de tal infra-estrutura. &quot;Eu n&atilde;o vejo que seja vi&aacute;vel que uma &uacute;nica infra-estrutura p&uacute;blica poderia disponibilizar todos os tipos de acesso para todos os prestadores privados. Se isso fosse poss&iacute;vel, perder&iacute;amos vantagens da competi&ccedil;&atilde;o entre diversos meios de acesso e da explora&ccedil;&atilde;o eficiente de rede&quot;, disse Roberto Blois. <\/p>\n<p>Ao final do semin&aacute;rio, nenhuma surpresa. Se, durante a privatiza&ccedil;&atilde;o e quebra do ent&atilde;o monop&oacute;lio estatal da Telebr&aacute;s, os grupos empresariais aceitaram colocar a telefonia como servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico, n&atilde;o h&aacute; nenhuma disposi&ccedil;&atilde;o neste sentido agora, em um cen&aacute;rio de liberaliza&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o crescente. Na racionalidade capitalista, as obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o, o controle dos pre&ccedil;os e os condicionamentos que visam adequar os servi&ccedil;os &agrave;s necessidades das pessoas s&atilde;o vistos como empecilhos. Entre o direito das pessoas se comunicarem e o lucro, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida na op&ccedil;&atilde;o pelo segundo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Morte anunciada&#8217; da telefonia fixa pode permitir extin\u00e7\u00e3o do \u00fanico servi\u00e7o prestado em regime p\u00fablico, o que significa deixar para o mercado a tarefa de garantir o direito de acesso e uso das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[188],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}