{"id":22490,"date":"2009-02-09T18:45:06","date_gmt":"2009-02-09T18:45:06","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22490"},"modified":"2014-09-07T02:58:07","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:07","slug":"caso-sarney-como-funciona-o-coronelismo-eletronico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22490","title":{"rendered":"Caso Sarney: Como funciona o coronelismo eletr\u00f4nico"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Pesquisadores da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o social criaram, no final do s&eacute;culo passado, o conceito de &quot;coronelismo eletr&ocirc;nico&quot; para explicar um fen&ocirc;meno bastante particular, qual seja o da posse e utiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e de televis&atilde;o por grupos familiares das elites pol&iacute;ticas locais ou regionais. Uma boa explica&ccedil;&atilde;o deste conceito est&aacute; em entrevista concedida ao <em>Observat&oacute;rio da Imprensa<\/em>, em janeiro de 2002 <a href=\"http:\/\/observatorio.ultimosegundo.ig.com.br\/artigos\/iq010120027.htm\" target=\"_blank\">[leia aqui]<\/a> , pelo ent&atilde;o assessor da bancada petista na C&acirc;mara Federal Israel Bayma, hoje integrante do Conselho Consultivo da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), e nas pesquisas promovidas pelo Instituto Projor e coordenadas por Ven&iacute;cio A. de Lima [<a href=\"http:\/\/observatorio.ultimosegundo.ig.com.br\/download\/Coronelismo_eletronico_de_novo_tipo.pdf\" target=\"_blank\">&quot;R&aacute;dios comunit&aacute;rias: coronelismo eletr&ocirc;nico de novo tipo (1999-2004)&quot; &#8211; leia aqui<\/a>, com Cristiano Lopes; e <a href=\"http:\/\/observatorio.ultimosegundo.ig.com.br\/download\/352ipb001.pdf\" target=\"_blank\">&quot;Concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o no Congresso Nacional: ilegalidade e impedimento&quot; &#8211; leia aqui<\/a>].<\/p>\n<p>Dizia Bayma: <\/p>\n<blockquote><p>&quot;A literatura pol&iacute;tica brasileira tem utilizado o termo coronelismo como uma forma peculiar de manifesta&ccedil;&atilde;o do poder privado, com base no compromisso e na troca de proveitos com o poder p&uacute;blico. A ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica trata como coronelismo a rela&ccedil;&atilde;o entre os coron&eacute;is locais, l&iacute;deres das oligarquias regionais, que buscavam tirar proveito do poder p&uacute;blico, no s&eacute;culo 19 e in&iacute;cio do s&eacute;culo 20. Hoje, n&atilde;o h&aacute; como deixar de se associar esse termo aos atuais imp&eacute;rios de comunica&ccedil;&atilde;o mantidos por chefes pol&iacute;ticos olig&aacute;rquicos, que t&ecirc;m, inclusive, forte influ&ecirc;ncia nacional. O compadrio, a patronagem, o clientelismo, e o patrimonialismo ganharam, assim, no Brasil, a companhia dos mais sofisticados meios de extens&atilde;o do poder da fala at&eacute; ent&atilde;o inventados pelo homem: o r&aacute;dio e a televis&atilde;o.&quot;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">No domingo (8), o jornal <em>Folha de S. Paulo <\/em>traz uma reportagem <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22485\">[leia aqui]<\/a>  que ajuda imensamente a traduzir a linguagem dos pesquisadores para o mundo real da pol&iacute;tica brasileira. Trata-se do relato de uma conversa gravada pela Pol&iacute;cia Federal (e vazada sabe-se l&aacute; por quem, pois o jornal n&atilde;o informa) em que o novo presidente do Senado, Jos&eacute; Sarney (PMDB-AP), d&aacute; instru&ccedil;&otilde;es ao seu filho Fernando sobre mat&eacute;rias que deveriam ser veiculadas na TV Mirante e no jornal <em>O Estado do Maranh&atilde;o<\/em>, ambos de propriedade da fam&iacute;lia Sarney, com den&uacute;ncias contra o governo de Jackson Lago (PDT), rival de Sarney no estado.<\/p>\n<p><strong>Mais sutil<\/strong><\/p>\n<p>No fundo, a mat&eacute;ria da <em>Folha <\/em>&eacute; o que de melhor este observador j&aacute; viu para explicar um conceito te&oacute;rico na pr&aacute;tica. Est&aacute; tudo l&aacute;: uma fam&iacute;lia (Sarney), propriet&aacute;ria de uma rede de ve&iacute;culos de m&iacute;dia (al&eacute;m da TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e do jornal, a fam&iacute;lia det&eacute;m retransmissoras no interior e uma rede de r&aacute;dios), faz uso pol&iacute;tico desses ve&iacute;culos, ao arrepio da legisla&ccedil;&atilde;o, conforme observa a reportagem da <em>Folha <\/em>(a lei 4.117\/62 pro&iacute;be uso de emissoras de TV para fins pol&iacute;ticos). <\/p>\n<p>Para quem conhece minimamente o funcionamento de uma reda&ccedil;&atilde;o, o que Sarney pai fez &ndash; e isto fica muito claro no di&aacute;logo reproduzido na vers&atilde;o impressa do jornal, indispon&iacute;vel na internet &ndash; foi pautar o seu filho Fernando. A ordem &eacute; direta: &quot;P&otilde;e na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido&quot;, diz o pai, referindo-se a uma den&uacute;ncia envolvendo Aderson Lago, primo do governador Jackson, que por sinal enfrenta na Justi&ccedil;a um processo que pode lhe custar o cargo e colocar no lugar a filha de Sarney, senadora Roseana (PMDB-MA). <\/p>\n<p>&quot;O cara j&aacute; est&aacute; aqui, da Globo&quot;, responde o filho. &quot;Falou com ele isso, n&atilde;o?&quot;, questiona o pai. &quot;Falei com ele, mostrei tudo [&#8230;]. Mas calma, n&atilde;o precisa pressa, n&atilde;o precisa press&atilde;o&quot;, devolve o filho.<\/p>\n<p>Mais claro do que isto, imposs&iacute;vel. Os pesquisadores ganharam um &quot;estudo de caso&quot; perfeito para explicar o conceito de coronelismo eletr&ocirc;nico e os leitores da <em>Folha <\/em>foram premiados por uma excelente reportagem, embora tenha faltado esclarecer a fonte do vazamento da conversa, porque h&aacute; um &oacute;bvio interesse do vazador em desgastar o rec&eacute;m-eleito presidente do Senado. Tamb&eacute;m faltou explicar que a pr&aacute;tica em quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o, mas regra.<\/p>\n<p>Da mesma forma como a fam&iacute;lia Sarney domina a m&iacute;dia do Maranh&atilde;o, h&aacute; coron&eacute;is eletr&ocirc;nicos por todo o pa&iacute;s, talvez &agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos estados de S&atilde;o Paulo e Rio, onde a influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; de outra maneira, muito mais sutil. No Norte e Nordeste, especialmente, o coronelismo eletr&ocirc;nico &eacute; lei. Caberia um box, no m&iacute;nimo, mas isto em nada diminui a boa mat&eacute;ria da <em>Folha<\/em>, editada com corre&ccedil;&atilde;o, ainda mais considerando o fato de Jos&eacute; Sarney ser colunista do jornal.<\/p>\n<p><em>* Luiz Antonio Magalh&atilde;es &eacute; editor-adjunto do Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o social criaram, no final do s&eacute;culo passado, o conceito de &quot;coronelismo eletr&ocirc;nico&quot; para explicar um fen&ocirc;meno bastante particular, qual seja o da posse e utiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio e de televis&atilde;o por grupos familiares das elites pol&iacute;ticas locais ou regionais. 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