{"id":22478,"date":"2009-02-06T15:23:59","date_gmt":"2009-02-06T15:23:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22478"},"modified":"2009-02-06T15:23:59","modified_gmt":"2009-02-06T15:23:59","slug":"organizacoes-exigem-reparacao-por-violacoes-de-ddhh-na-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22478","title":{"rendered":"Organiza\u00e7\u00f5es exigem repara\u00e7\u00e3o por viola\u00e7\u00f5es de DDHH na m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">&rdquo;N&atilde;o perca! 365 modos de ser bela o ano inteiro&rdquo;, diz a capa da revista feminina. Na propaganda de TV, cremes para evitar as rugas devem ser usados desde os 25 anos de idade. Nas novelas e comerciais, o padr&atilde;o de beleza da mulher branca, magra, jovem, loira e de cabelos esvoa&ccedil;antes. O resultado de tamanha influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia n&atilde;o poderia ser diferente: al&eacute;m de recordistas nas cirurgias pl&aacute;sticas, as mulheres brasileiras gastaram, em 2003, R$ 17 bilh&otilde;es em cosm&eacute;ticos. Ao mesmo tempo, numa pesquisa internacional realizada pela Unilever, elas aparecem como as mais infelizes com sua apar&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Da baixa auto-estima para a aceita&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o e de viol&ecirc;ncia &eacute; um passo r&aacute;pido, acreditam as feministas. Da&iacute; a import&acirc;ncia do exerc&iacute;cio do controle social da m&iacute;dia, como forma de veicular a pluralidade e a diversidade das mulheres nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, e de combater todos os preconceitos e opress&otilde;es estimulados pela m&iacute;dia. Esta foi uma das conclus&otilde;es da roda de conversa realizada em Bel&eacute;m, durante o F&oacute;rum Social Mundial, que debateu o tema &ldquo;Viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e o controle social da m&iacute;dia&rdquo;.  <\/p>\n<p>&rdquo;A m&iacute;dia em geral fere os direitos das mulheres. Nas bancas de jornal, no cinema, na publicidade, nas novelas, h&aacute; um flagrante desrespeito aos nossos direitos. Raramente nossas demandas e quest&otilde;es pol&iacute;ticas aparecem. A mulher trabalha fora e precisa de creche e ningu&eacute;m discute isso. Por que na novela n&atilde;o h&aacute; homens lavando roupa para que a divis&atilde;o do trabalho seja vista de maneira diferente&rdquo;, questiona Rachel Moreno, do Observat&oacute;rio da Mulher e integrante da Articula&ccedil;&atilde;o Mulher e M&iacute;dia. &ldquo;Al&eacute;m disso, h&aacute; espa&ccedil;os em que as mulheres simplesmente n&atilde;o existem. 99% dos especialistas entrevistados s&atilde;o homens. As mulheres raramente s&atilde;o convocadas para dar sua opini&atilde;o. Somos 52% da popula&ccedil;&atilde;o e aparecemos em 12% dos espa&ccedil;os considerados s&eacute;rios. Em compensa&ccedil;&atilde;o, enquanto musas, na publicidade do carro e da cerveja, aparecemos a torto e a direito&rdquo;, critica. <\/p>\n<p>Para responder a essa situa&ccedil;&atilde;o, que al&eacute;m de transmitir valores tradicionais e conservadores acerca das mulheres leva &agrave; perpetua&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica cotidiana, diversas organiza&ccedil;&otilde;es do movimento feminista se reuniram em torno da Articula&ccedil;&atilde;o Mulher e M&iacute;dia, que vem realizando a&ccedil;&otilde;es de monitoramento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e exigindo espa&ccedil;os formais para o exerc&iacute;cio do controle social da m&iacute;dia. Elas defendem, por exemplo, que as viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos praticadas pelos diferentes ve&iacute;culos sejam consideradas no momento de renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de r&aacute;dio e televis&atilde;o. <\/p>\n<p>Da mesma forma, t&ecirc;m acionado a Justi&ccedil;a contra propagandas abusivas, que exploram e violentam a imagem da mulher. Em mar&ccedil;o, a Articula&ccedil;&atilde;o promover&aacute; um semin&aacute;rio nacional sobre o tema em S&atilde;o Paulo, que deve dar os primeiros passos para a cria&ccedil;&atilde;o de uma Rede Nacional de Controle Social da Imagem da Mulher na M&iacute;dia.<\/p>\n<p><strong>Direitos das crian&ccedil;as e adolescentes<\/strong><\/p>\n<p>Outro p&uacute;blico que sofre constantes viola&ccedil;&otilde;es pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as crian&ccedil;as e adolescentes. H&aacute; cerca de dez anos, a Rede Andi, que re&uacute;ne diversas organiza&ccedil;&otilde;es de defesa da inf&acirc;ncia, acompanha o trabalho da m&iacute;dia para verificar o tratamento dado &agrave;s crian&ccedil;as e adolescentes, e agora tamb&eacute;m aos jovens. Na Bahia, a Cip&oacute; &ndash; Comunica&ccedil;&atilde;o Interativa atua com o trip&eacute; monitoramento, forma&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o para combater as viola&ccedil;&otilde;es praticadas pela imprensa.<\/p>\n<p>&rdquo;Fazemos o <em>clipping<\/em> das mat&eacute;rias publicadas e analisamos seu conte&uacute;do. H&aacute; viola&ccedil;&otilde;es claras, como uma mat&eacute;ria da Tribuna da Bahia, cuja manchete era &#39;Pivetes assaltam adolescentes no Pelourinho&#39;. Esse tipo de reportagem demonstra um posicionamento da imprensa&rdquo;, acredita Nilton Lopes, da Cip&oacute;, que participou da roda de conversa. Lopes tamb&eacute;m aponta que a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia &eacute; muito marcante nas coberturas. &ldquo;Em 2007 e 2008, triplicaram as mat&eacute;rias sobre viol&ecirc;ncias praticadas por crian&ccedil;as e adolescentes, o que demonstra que a m&iacute;dia defendia a redu&ccedil;&atilde;o da maioridade penal, agendando o debate na sociedade&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>A partir de exemplos como estes, a organiza&ccedil;&atilde;o procura os jornalistas respons&aacute;veis pelos textos, buscando uma melhora na cobertura do ve&iacute;culo. O resultado do monitoramento &eacute; publicado anualmente atrav&eacute;s de an&aacute;lises de como a m&iacute;dia baiana trata a crian&ccedil;a e adolescente.<\/p>\n<p>Outro p&eacute; da atua&ccedil;&atilde;o da Rede Andi &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o e de setores da sociedade civil, para a qualifica&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo imprensa-defensores dos direitos das crian&ccedil;as. Por fim, as organiza&ccedil;&otilde;es trabalham com mobiliza&ccedil;&atilde;o e incid&ecirc;ncia pol&iacute;tica, participando da constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;No entanto, no pr&oacute;prio Conselho de Defesa dos Direitos das Crian&ccedil;as e Adolescentes, a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; vista como direito humano, e isso dificulta os tr&acirc;mites legais quando acontece uma viola&ccedil;&atilde;o&rdquo;, aponta Lopes.  <\/p>\n<p><strong>Pela &eacute;tica na TV<\/strong><\/p>\n<p>Uma das iniciativas de controle social mais difundidas pelo pa&iacute;s &eacute; a Campanha Quem Financia a Baixaria &Eacute; Contra a Cidadania, criada em 2002 atrav&eacute;s de uma parceria da sociedade civil e da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e Minorias da C&acirc;mara dos Deputados. A campanha recebe den&uacute;ncias de viola&ccedil;&otilde;es praticadas na programa&ccedil;&atilde;o de TV e tem o objetivo de responsabilizar o anunciante dos programas em que s&atilde;o veiculadas. At&eacute; hoje, j&aacute; foram recebidas mais de 44 mil den&uacute;ncias, sobretudo de apologia ao crime, est&iacute;mulo &agrave; viol&ecirc;ncia contra presos, discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceitos contra a mulher, crian&ccedil;as e adolescentes, LGBTs e religi&otilde;es de matrizes africanas.<\/p>\n<p>Uma comiss&atilde;o t&eacute;cnica de psic&oacute;logos, advogados e comunicadores redige pareceres sobre os programas denunciados, que podem se transformar em representa&ccedil;&otilde;es ao Judici&aacute;rio. A cada quatro meses, a campanha elabora um ranking com os campe&otilde;es de den&uacute;ncias. Um deles era o programa <em>Tardes Quentes<\/em>, do apresentador Jo&atilde;o Kleber, que em 2005 acabou sendo processado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil por violar direitos da comunidade LGBT. A Justi&ccedil;a deu ganho de causa &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es, que receberam um direito de resposta coletivo, exercido com a veicula&ccedil;&atilde;o de 30 programas de promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos no hor&aacute;rio do programa de Jo&atilde;o Kleber. <\/p>\n<p>A campanha tamb&eacute;m criou o Dia Contra a Baixaria na TV, marcado por um programa transmitido em outubro na rede p&uacute;blica de TV, e o programa <em>VerTV<\/em>, veiculado semanalmente na TV C&acirc;mara e TV Brasil. Atualmente, tem atuado na regulamenta&ccedil;&atilde;o da publicidade infantil e, mais recentemente, enviou uma representa&ccedil;&atilde;o ao MPF acerca da cobertura da imprensa no caso do seq&uuml;estro da adolescente Elo&aacute;, em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>&rdquo;Procuramos estreitar la&ccedil;os com as entidades e publicizar a campanha, atuando em todos os espa&ccedil;os relacionados a esta quest&atilde;o, como o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e o Minist&eacute;rio da Cultura&rdquo;, relatou Marcio Ara&uacute;jo. &ldquo;A Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que acaba de ser convocada pelo presidente Lula, &eacute; o momento que a gente esperava para acolher todas essas quest&otilde;es&rdquo;, acredita Ara&uacute;jo.<\/p>\n<p>De fato, o desafio neste momento para os movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil &eacute; dar conseq&uuml;&ecirc;ncia ao monitoramento das viola&ccedil;&otilde;es cometidas pela m&iacute;dia, construindo estrat&eacute;gias de combate a essa situa&ccedil;&atilde;o e estimulando que a popula&ccedil;&atilde;o como um todo contribua no controle social. Para isso, na opini&atilde;o dos participantes do debate no F&oacute;rum Social Mundial, &eacute; urgente que o pa&iacute;s estabele&ccedil;a espa&ccedil;os institucionalizados para receber tais den&uacute;ncias, e que Congresso e Executivo considerem essas informa&ccedil;&otilde;es nos processos de renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es p&uacute;blicas de r&aacute;dio e TV.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em roda de conversa realizada em Bel\u00e9m, movimentos de defesa dos direitos das mulheres e das crian\u00e7as e adolescentes reivindicaram espa\u00e7os institucionais para o exerc\u00edcio do controle social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[954],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22478\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}