{"id":22456,"date":"2009-02-03T12:23:54","date_gmt":"2009-02-03T12:23:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22456"},"modified":"2009-02-03T12:23:54","modified_gmt":"2009-02-03T12:23:54","slug":"contra-oligopolio-saida-e-fortalecer-midias-publicas-e-alternativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22456","title":{"rendered":"Contra oligop\u00f3lio, sa\u00edda \u00e9 fortalecer m\u00eddias p\u00fablicas e alternativas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Apesar de o tema do F&oacute;rum Social Mundial ter sido a Amaz&ocirc;nia e a luta contra a destrui&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, a caracteriza&ccedil;&atilde;o da crise financeira mundial e as alternativas para sua supera&ccedil;&atilde;o rumo a um novo modelo de desenvolvimento apareceram como a preocupa&ccedil;&atilde;o mais recorrente nos debates do evento. Nas atividades com tem&aacute;tica ligada &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o foi diferente. Especialistas, ativistas e lideran&ccedil;as de movimentos sociais discutiram o papel da m&iacute;dia na crise e qual comunica&ccedil;&atilde;o deve ser reivindicada para construir um modelo de desenvolvimento popular e democr&aacute;tico.<\/p>\n<p>No debate &quot;Comunica&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento &ndash; Uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o desde os povos&quot;, realizado no dia 31, Marcos Arruda, da rede Jubileu Sul, destacou a import&acirc;ncia que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m tendo para manter uma ilus&atilde;o legitimadora da ordem econ&ocirc;mica que agora evidencia sua insustentabilidade. &quot;<span>O paradigma de desenvolvimento que temos &eacute; mentiroso e &eacute; ligado tamb&eacute;m a um conceito falso de progresso, que trata desenvolvimento e progresso como crescimento econ&ocirc;mico ilimitado&rdquo;, afirmou Arruda. &ldquo;Todo dia est&aacute; no jornal as not&iacute;cias sobre o crescimento. O problema n&atilde;o &eacute; crescer, mas deve ser buscar crescer e manter distribuindo.&rdquo; <\/p>\n<p>Na mesma mesa, Gilberto Maringoni, pesquisador do Instituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas Avan&ccedil;adas (IPEA), lembrou que este comportamento se intensificou pelo fato da m&iacute;dia ter se integrado, nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, ao capital financeiro. &ldquo;Cada vez mais a m&iacute;dia &eacute; assumida por grandes financistas internacionais. Um exemplo &eacute; o jornal O Estado de S. Paulo, que pertence a um cons&oacute;rcio de bancos liderado pelo Ita&uacute;&rdquo;, assinalou. <\/p>\n<p><\/span>Em outro debate, &quot;A Comunica&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores na disputa ideol&oacute;gica&quot;, promovido pela Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT) no dia 30, o soci&oacute;logo Emir Sader alertou para a import&acirc;ncia de entender a for&ccedil;a desta a&ccedil;&atilde;o dos conglomerados e como este aparato de publicidade, entretenimento e jornalismo agora opera para sustentar a op&ccedil;&atilde;o pela manuten&ccedil;&atilde;o do status quo mesmo que reformulado em raz&atilde;o da crise. &ldquo;<span>O sistema de valores que comp&otilde;e o modo de vida americano &eacute; hegem&ocirc;nico. Embora os Estados Unidos estejam decadentes, o seu modo de vida continua se estabelecendo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p><\/span><strong>A m&iacute;dia p&uacute;blica como alternativa<\/strong><\/p>\n<p>Nos dois debates, os participantes apontaram a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica como a principal alternativa das for&ccedil;as contra-hegem&ocirc;nicas para pautar de fato junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o um novo modelo de desenvolvimento. &quot;<span>N&atilde;o h&aacute; como fazer disputa ideol&oacute;gica sem fortalecer o campo p&uacute;blico da comunica&ccedil;&atilde;o: as [m&iacute;dias] estatais, comunit&aacute;rias, p&uacute;blicas e legislativas&quot;, defendeu Beto Almeida, coordenador da Telesur no Brasil. <\/p>\n<p>Para Gilberto Maringoni, embora os meios alternativos, comunit&aacute;rios e livres devam tamb&eacute;m ser um campo a ser ampliado como express&atilde;o das vozes populares, &eacute; preciso superar uma poss&iacute;vel dispers&atilde;o em instrumentos robustos e de forte alcance no &acirc;mbito do Estado. &ldquo;Como n&oacute;s, que tentamos fazer m&iacute;dia contra-hegem&ocirc;nica, podemos combater isso? Temos que fazer ve&iacute;culos alternativos, tudo isso, mas se a gente depender disso, n&atilde;o d&aacute; nem para sair. S&oacute; d&aacute; para contar com um ente para fazer frente a isso: &eacute; o Estado&rdquo;, enfatizou. &ldquo;Toda a nossa for&ccedil;a deve ser pressionar o Estado para constituir meios de comunica&ccedil;&atilde;o, transmitir estes meios. Ele s&oacute; pode fazer isso se for democr&aacute;tico.&quot;<\/p>\n<p><\/span>Maringoni destacou que esta luta passa por disputar, hoje, os recursos movimentados pelo Estado para a m&iacute;dia, direcionados sobretudo aos grandes grupos comerciais. &quot;Hoje, 60% da verba publicit&aacute;ria do governo vai para a Rede Globo, sendo que ela tem 52% de audi&ecirc;ncia&quot;, relatou. <\/p>\n<p>Para Emir Sader, este contraponto necess&aacute;rio pela TV p&uacute;blica n&atilde;o deve se limitar ao jornalismo, abarcando tamb&eacute;m os conte&uacute;dos tradicionais televisivos: a dramaturgia, as artes e os esportes. &quot;N&atilde;o tem que ter vergonha: tem que ter muito recurso, tem que fazer novela. N&oacute;s n&atilde;o queremos disputar o marketing, mas o esporte, o notici&aacute;rio, a m&uacute;sica. A m&uacute;sica &eacute; um elemento espiritual nas pessoas. Tem que ter apenas a m&uacute;sica de combate, mas contemplar a dimens&atilde;o de lazer, de espiritualidade das pessoas. O trabalhador precisa de consci&ecirc;ncia e lazer. Um lazer construtivo, de solidariedade&quot;, defendeu.<\/p>\n<p><strong>Organizar a comunica&ccedil;&atilde;o popular<\/strong><\/p>\n<p>Igor Felippe, da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no debate &quot;Comunica&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento&quot;, avaliou que a esquerda hoje sofre por ter apostado em tentar dialogar com a popula&ccedil;&atilde;o por meio da m&iacute;dia comercial, ao inv&eacute;s de criar seu pr&oacute;prio aparato de comunica&ccedil;&atilde;o. &quot;<span>Como a esquerda n&atilde;o tem um jornal di&aacute;rio? Isso &eacute; uma vergonha&rdquo;, questionou. <\/p>\n<p>A sa&iacute;da, continuou est&aacute; na constru&ccedil;&atilde;o de meios pr&oacute;prios dos movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es populares, como experi&ecirc;ncias que venham &quot;de baixo para cima&quot;. <\/span>&quot;<span>N&oacute;s n&atilde;o vamos conseguir dialogar com a sociedade por meio destes meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Temos que criar r&aacute;dios comunit&aacute;rias, jornais, blogs, etc. Isso vai nos ensinar a fazer comunica&ccedil;&atilde;o.&rdquo; <\/p>\n<p>Entretanto, Felippe argumentou que a comunica&ccedil;&atilde;o s&oacute; ser&aacute; um instrumento de fato de propaga&ccedil;&atilde;o de um novo modelo se ela for feita no bojo de intensa luta social por um programa democr&aacute;tico e popular, promovida por um campo de esquerda mais articulado. <\/span>&quot;<span>Hoje a esquerda est&aacute; fragmentada. Temos que construir um programa unit&aacute;rio com propostas para este pa&iacute;s. A &uacute;nica forma de romper esta conjuntura &eacute; a partir da luta social, n&atilde;o existe outra forma. &Eacute; a luta social, s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es, marchas, protestos, f&oacute;runs, campanhas que v&atilde;o conseguir furar este bloqueio. Fizemos o plebiscito da Vale do Rio Doce em 2007 e conversamos com mais de cinco milh&otilde;es de pessoas, fizemos trabalho de base&quot;, disse. <\/p>\n<p><\/span><strong>Conclus&otilde;es afins, a&ccedil;&otilde;es nem tanto<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos balan&ccedil;os convergentes, as respostas a este quadro e &agrave; necessidade de construir um aparato de comunica&ccedil;&atilde;o contra-hegem&ocirc;nico mant&ecirc;m-se pouco articuladas. No &uacute;ltimo dia do F&oacute;rum Social Mundial (FSM), o Objetivo 4 da lista dos eixos organizativos do processo, relativo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, foi o &uacute;nico que n&atilde;o contou com uma assembl&eacute;ia para pensar a&ccedil;&otilde;es conjuntas. Quanto aos meios alternativos, as articula&ccedil;&otilde;es ainda esbarram na fragmenta&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Um sopro de &acirc;nimo foi a realiza&ccedil;&atilde;o de mais um evento do F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre no FSM 2009. Por&eacute;m, o encontro n&atilde;o conseguiu avan&ccedil;ar significativamente na organiza&ccedil;&atilde;o das iniciativas alternativas para uma agenda comum, que paute um outro modelo de desenvolvimento. O risco disso &eacute; que, em um momento cr&iacute;tico e de oportunidades como a atual crise econ&ocirc;mica mundial, a esquerda perca a batalha e n&atilde;o consiga pautar uma alternativa de fato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Debates realizados em Bel\u00e9m apontam para a necessidade de articula\u00e7\u00e3o entre iniciativas e um projeto de esquerda para a comunica\u00e7\u00e3o, mas avan\u00e7os neste sentido ainda s\u00e3o t\u00edmidos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[954],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22456"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}