{"id":22439,"date":"2009-01-29T15:41:23","date_gmt":"2009-01-29T15:41:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22439"},"modified":"2009-01-29T15:41:23","modified_gmt":"2009-01-29T15:41:23","slug":"contra-o-silencio-e-o-marasmo-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22439","title":{"rendered":"Contra o sil\u00eancio e o marasmo da imprensa"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>Ele se define como sendo um &ldquo;do contra&rdquo; e talvez n&atilde;o exista melhor defini&ccedil;&atilde;o para Alberto Dines. No cen&aacute;rio de marasmo e sil&ecirc;ncio da m&iacute;dia brasileira, Dines &eacute; um dos poucos a falar &ndash; e bastante &ndash; sobre o trabalho da imprensa, em sua avalia&ccedil;&atilde;o, limitado e ainda repleto de aberra&ccedil;&otilde;es. E tamb&eacute;m dos poucos dispostos a abrir espa&ccedil;o, no <\/em><span style=\"font-style: normal\">Observat&oacute;rio da Imprensa <\/span><em>criado e dirigido por ele, para que outras cr&iacute;ticas circulem.<\/p>\n<p>Nesta entrevista a este outro observat&oacute;rio, Dines reafirma a voca&ccedil;&atilde;o expressa de nadar contracorrente. Assume, em tempos de empolgados discursos sobre as novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, que sua an&aacute;lise est&aacute; focada na imprensa tradicional, nos grandes jornais impressos. O que n&atilde;o o impede de exercer o seu sarcasmo (eventualmente confund&iacute;vel com mau humor) em temas mais amplos. <\/p>\n<p>Por exemplo, &eacute; direto ao chamar de &ldquo;bando de canalhas&rdquo; o grupo de pol&iacute;ticos e empres&aacute;rios que, segundo ele, articularam-se para fechar o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, &oacute;rg&atilde;o auxiliar do Senado previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. E indignado ao comentar a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade no setor midi&aacute;tico, para ele o pior dos problemas da imprensa brasileira.<\/p>\n<p>Mesmo ao falar sobre um problema que considera como n&atilde;o-problema, empolga-se. Para Dines, a quest&atilde;o da exig&ecirc;ncia do diploma universit&aacute;rio para o exerc&iacute;cio do jornalismo n&atilde;o existe. O que existe &eacute; uma grave crise na forma&ccedil;&atilde;o que deprime a qualidade da m&atilde;o-de-obra que chega &agrave;s reda&ccedil;&otilde;es. Este problema &ndash; o da forma&ccedil;&atilde;o e o papel da universidade nisso &ndash; &eacute; que deveria estar no centro das aten&ccedil;&otilde;es, em especial a iniciativa do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o de rever a estrutura dos cursos de jornalismo.<\/em><\/p>\n<p><strong>Talvez sejam dois os resqu&iacute;cios de 2008 que persigam a imprensa brasileira em 2009: a discuss&atilde;o sobre o diploma de ensino superior espec&iacute;fico para o exerc&iacute;cio do jornalismo, com a possibilidade de que seja conclu&iacute;do o julgamento do m&eacute;rito da quest&atilde;o pelo STF, e a crise econ&ocirc;mica, com suas conseq&uuml;&ecirc;ncias sobre as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o. Ao combinarmos esta entrevista, voc&ecirc; dizia que a quest&atilde;o do diploma j&aacute; seria &ldquo;&aacute;guas passadas&rdquo;. &Eacute; isso mesmo?<\/strong><br \/>N&atilde;o existe o problema do diploma&#8230; existe o problema da qualidade da m&atilde;o-de-obra nova que chega &agrave;s reda&ccedil;&otilde;es. A renova&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos, para usar a express&atilde;o mais t&eacute;cnica, &eacute; extremamente preocupante, porque ela n&atilde;o &eacute; qualificada. Ela ajuda a jogar pra baixo o n&iacute;vel do jornalismo. Isso &eacute; um processo, um esmagamento dos dois lados: eles [os novos jornalistas] v&ecirc;m desqualificados pelo ensino superior, sobretudo o privado, e por outro lado, aqueles que conseguem sobreviver, s&atilde;o esmagados pela m&aacute;quina do pensamento mercadol&oacute;gico, das grandes empresas, o jornalismo de resultados. Ent&atilde;o, voc&ecirc; n&atilde;o tem a&iacute; aquela ebuli&ccedil;&atilde;o normal que existiria se voc&ecirc; tivesse, realmente, um ensino superior produzindo naturalmente m&atilde;o-de-obra qualificada.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, mesmo que o STF resolva alguma coisa em rela&ccedil;&atilde;o ao diploma, o problema persiste?<\/strong><br \/>Quem pode dar um grande empurr&atilde;o nisso &eacute; o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, o ministro [Fernando] Haddad. Pela primeira vez eu vejo &ndash; ali&aacute;s, eu n&atilde;o conhe&ccedil;o o ministro &ndash; um ministro sens&iacute;vel &agrave; id&eacute;ia de que o exerc&iacute;cio do jornalismo tem de ser feito por pessoas com um grau de forma&ccedil;&atilde;o superior &agrave; simples gradua&ccedil;&atilde;o, uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, um mestrado profissionalizante. A <em>Folha de S. Paulo <\/em>publicou, e n&oacute;s [<em>Observat&oacute;rio da Imprensa<\/em>] reproduzimos, um artigo na p&aacute;gina 3, h&aacute; um m&ecirc;s atr&aacute;s, do reitor da Universidade [Federal] da Bahia excelente, de alt&iacute;ssimo n&iacute;vel, nesta linha. Evidente que ele n&atilde;o falava do jornalismo, da forma&ccedil;&atilde;o do jornalista, mas falava em geral. N&oacute;s temos que dar ao nosso formando a possibilidade dele rapidamente se preparar para uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o profissionalizante, n&atilde;o-acad&ecirc;mica. Isso &eacute; vital. &Eacute; assim nos Estados Unidos. Eu passei o ano acad&ecirc;mico em Columbia [a universidade] h&aacute; 30 anos&#8230; o jornalismo &eacute; um mestrado, mas profissionalizante. Eu acompanhei. Eu vi o primeiro dia: eles [os estudantes] chegam de diversas &aacute;reas &#8211; em geral das ci&ecirc;ncias sociais, raramente da medicina, das ci&ecirc;ncias exatas &ndash; e imediatamente, no primeiro dia, eles v&atilde;o fazer mat&eacute;ria. E saem, dois semestres depois, jornalistas realmente profissionalizados. Tudo bem, no Brasil, dois semestres podem ser insuficientes&#8230; fazemos tr&ecirc;s semestres. Mas esta gradua&ccedil;&atilde;o, no Brasil, &eacute; insuficiente. Ela &eacute; prec&aacute;ria, &eacute; insuficiente, ela n&atilde;o forma, n&atilde;o informa, n&atilde;o d&aacute; base, n&atilde;o d&aacute; consist&ecirc;ncia cultural. Inclusive era preciso rever este curr&iacute;culo. A hist&oacute;ria da imprensa n&atilde;o &eacute; ensinada. Por isso, as empresas decidiram n&atilde;o comemorar este ano, simplesmente decretaram que n&atilde;o vai se lembrar os 200 anos da imprensa. Agora, se voc&ecirc; tivesse jovens jornalistas que conhecessem esta hist&oacute;ria, eles teriam comemorado do seu jeito.<\/p>\n<p><strong>Teriam pressionado pra que isso fosse uma pauta&#8230;<br \/><\/strong>N&oacute;s, Observat&oacute;rio, na televis&atilde;o, fizemos uma s&eacute;rie de tr&ecirc;s programas &ndash; que est&atilde;o sendo reprisados agora &ndash; e tem causado grande espanto&#8230; as pessoas n&atilde;o sabiam que o Brasil foi um dos &uacute;ltimos pa&iacute;ses a ter tipografia, que n&oacute;s estamos atrasados em rela&ccedil;&atilde;o ao M&eacute;xico ou mesmo ao Peru em mais de 200 anos. Agora, isso &eacute; o curr&iacute;culo. Eu acho que n&oacute;s temos que dar mais ao formando de jornalismo e simplesmente a gradua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o basta. Acho que teria de ser uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. E com isso, voc&ecirc; poderia resolver, selecionar um pouco este material humano, fornecendo para a m&iacute;dia grandes profissionais, mais qualificados. O que est&aacute; acontecendo &eacute; que os sindicatos e as entidades profissionais n&atilde;o est&atilde;o preocupados&#8230; elas querem mais profissionais diplomados para se ter mais assessor de imprensa. Hoje, a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornalistas tem mais assessor de imprensa do que jornalista.<\/p>\n<p><strong>Mas o perfil da categoria &eacute; este.<br \/><\/strong>Se voc&ecirc; faz uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o profissionalizante, voc&ecirc; tem p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o de assessoria, tudo bem. Eles v&atilde;o estudar psicologia de massas, as coisas que interessam &agrave; assessoria, mas voc&ecirc; vai ter uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o de jornalista, de gente de reda&ccedil;&atilde;o, que vai fazer mat&eacute;ria, que vai pra rua&#8230; Esse &eacute; um problema que transcende ao STF. Tem que mudar o enfoque&#8230;<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, na sua opini&atilde;o, se f&ocirc;ssemos colocar em perspectiva o ano de 2009, todo jornalista, ou melhor, todo cidad&atilde;o brasileiro preocupado com a qualidade do jornalismo deveria estar mais interessado nesta oportunidade que se abriu no MEC, de discutir a estrutura escolar para a forma&ccedil;&atilde;o dos jornalistas, do que na decis&atilde;o do STF?<br \/><\/strong>Eu n&atilde;o sou um jurisdicista. Neste ponto, eu sou pouco latino-americano. N&oacute;s vivemos muito amarradinhos &agrave; lei, mas n&oacute;s n&atilde;o respeitamos a lei. A grande verdade &eacute; esta. Esta coisa de lei, STF&#8230; o STF tem tentado preencher algumas lacunas de desmandos que h&aacute; no Brasil, mas o neg&oacute;cio &eacute; criar uma consci&ecirc;ncia: quando a gente discute diploma, o que &eacute; que a gente t&aacute; querendo? A gente t&aacute; querendo qualifica&ccedil;&atilde;o profissional. Ent&atilde;o vamos discutir qualifica&ccedil;&atilde;o profissional. &Eacute; uma outra vis&atilde;o&#8230; mas como eu sou minoria, estas coisas n&atilde;o colam. Porque eu n&atilde;o estou preocupado com este formalismo jur&iacute;dico, nem estou preocupado com que a Fenaj tenha mais associados. Estou preocupado &eacute; que o que est&aacute; chegando a&iacute; de novos quadros para as reda&ccedil;&otilde;es, em geral, &eacute; muito fraco. N&atilde;o h&aacute; uma renova&ccedil;&atilde;o. No passado, era o contr&aacute;rio: chegavam os chamados &ldquo;focas&rdquo; e eles vinham com aportes muito interessantes. Por isso eles eram recebidos. Eles encontravam o seu lugar porque tinham alguma coisa a dizer.<\/p>\n<p><strong>Mudando o nosso foco: viemos de dois anos muito bons para as empresas jornal&iacute;sticas, em termos de faturamento. Foram feitos alguns investimentos, reda&ccedil;&otilde;es parando de demitir e come&ccedil;ando a contratar. Em teoria, estamos diante de um ano que tende a n&atilde;o ser t&atilde;o bom&#8230; que problemas a crise econ&ocirc;mica, que &eacute; t&atilde;o alardeada pela pr&oacute;pria m&iacute;dia, pode criar?<br \/><\/strong>Eu sou sempre do contra. Estou na contracorrente&#8230; Eu n&atilde;o acho que foram bons anos. Contabilmente, podem ter sido razo&aacute;veis. Contabilmente. Eu n&atilde;o sou auditor, n&atilde;o sou contador. O produto n&atilde;o melhorou tanto assim. Voc&ecirc; continua tendo aberra&ccedil;&otilde;es. A chamada ind&uacute;stria jornal&iacute;stica &ndash; eu detesto este nome, mas eles gostam de se chamar assim -, esta ind&uacute;stria est&aacute; botando a&iacute; na rua modelos muito ruins. Est&aacute; disponibilizando produtos que est&atilde;o muito longe do que se podia produzir. Por outro lado, eles n&atilde;o est&atilde;o investindo, n&atilde;o est&atilde;o abrindo novas frentes. Est&aacute; tudo muito concentrado&#8230; Voc&ecirc; tem tr&ecirc;s grandes jornais de refer&ecirc;ncia nacional e voc&ecirc; tem a&iacute; uns oito jornais regionais, de diferentes portes, com alguma qualidade. Mas esta qualidade &eacute; muito d&iacute;spar. Alguns s&atilde;o melhores e outros s&atilde;o muito ruins, embora sejam donos dos respectivos mercados. Voc&ecirc; tem a&iacute; um processo de concentra&ccedil;&atilde;o de mercado que &eacute; terr&iacute;vel! Agora, isso s&oacute; pode ser resolvido se houver uma discuss&atilde;o honesta, franca em algum organismo. N&atilde;o pode ser no governo, mas num ambiente legislativo. E aqui eu quero dizer que uma das grandes brasileiras da imprensa brasileira ou da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira foi o que ocorreu h&aacute; tr&ecirc;s anos &#8211; acho que &eacute; tr&ecirc;s&#8230; &#8211; quando o Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social foi fechado. <\/p>\n<p><strong>A qu&ecirc; voc&ecirc; atribui o fechamento do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social no Senado?<\/strong><br \/>N&atilde;o foi uma decis&atilde;o: foi um trambique dos pol&iacute;ticos, do governo e das grandes empresas de m&iacute;dia pra acabar com esta possibilidade, esta t&ecirc;nue possibilidade de voc&ecirc; ter um f&oacute;rum pra discutir as coisas. Hoje, n&atilde;o tem mais isso e n&atilde;o vai ter nunca mais. E t&aacute; na Constitui&ccedil;&atilde;o que tem que ter. Foi um bando de canalhas &ndash; a palavra &eacute; esta &ndash; que simplesmente se juntou pra acabar com uma conquista. Tudo bem, o conselho n&atilde;o tinha for&ccedil;a, tinha mil defeitos, mas ele tinha uma certa representa&ccedil;&atilde;o. E ele tinha, digamos, uma certa voca&ccedil;&atilde;o pra ser um f&oacute;rum, sem poder, mas um f&oacute;rum dentro de uma casa legislativa como &eacute; o Senado, a c&acirc;mara alta. De repente, acaba-se com isso de uma forma ignominiosa. P&otilde;e-se um presidente que foi l&aacute; com a tarefa de fechar o conselho. Este homem se chama Arnaldo Niskier. Este homem assumiu com esta tarefa. Acad&ecirc;mico, amigo do Sarney, h&aacute; mais de trinta anos que n&atilde;o faz jornalismo&#8230; puseram ele na presid&ecirc;ncia do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e ele foi l&aacute; pra acabar com o conselho e este nunca mais voltou a existir. Voc&ecirc; n&atilde;o tem mais um f&oacute;rum pra discutir isso que estamos discutindo aqui&#8230;<\/p>\n<p><strong>Um f&oacute;rum p&uacute;blico&#8230;<br \/><\/strong>Um f&oacute;rum p&uacute;blico&#8230; mesmo que ele [o CCS] seja claudicante, mas &eacute; um f&oacute;rum. Durante dois anos, a gente se reuniu uma vez por m&ecirc;s, no Senado, com toda a solenidade, numa sala de sess&atilde;o especial, com transmiss&atilde;o pela TV Senado&#8230; e pela primeira vez se discutiu a concentra&ccedil;&atilde;o da imprensa. Eu tive a honra de ser o primeiro a levantar isso e dizer que isso tem de entrar na pauta permanente. Mesmo que a gente n&atilde;o tenha como resolver, n&oacute;s temos que manter este assunto em discuss&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Neste caso, valeria a l&oacute;gica de que, se pra cada ve&iacute;culo, faz bem haver um ombudsman, uma ouvidoria, faria bem existir um espa&ccedil;o p&uacute;blico pra se discutir esta ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o no seu conjunto. &Eacute; isso?<br \/><\/strong>O ideal seria que este &oacute;rg&atilde;o tivesse o m&iacute;nimo de poder decis&oacute;rio, como por exemplo a FCC americana, a Federal Communications Commission. Embora ela tenha perdido parte da sua for&ccedil;a, ela continua &ndash; mesmo agora, com o governo Bush &ndash; ela ainda tem for&ccedil;a pra multar televis&otilde;es, impedir concentra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>E com alguma jurisdi&ccedil;&atilde;o pra tamb&eacute;m tratar de conte&uacute;do&#8230;<br \/><\/strong>De aberra&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do, sim. No caso, do conte&uacute;do de televis&atilde;o e r&aacute;dio, porque s&atilde;o m&iacute;dias que pertencem &agrave; sociedade, p&uacute;blicas. A&iacute; voc&ecirc; tem que se comportar dentro dos limites do espet&aacute;culo, ao contr&aacute;rio do impresso, onde a liberdade &eacute; absoluta. Agora, voc&ecirc; tem que ter no m&iacute;nimo este f&oacute;rum, porque sen&atilde;o a coisa vai ficar eu e voc&ecirc; falando pelo skype&#8230; (risos).<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, na sua opini&atilde;o, tendo um bom ano cont&aacute;bil ou um mau ano cont&aacute;bil, a qualidade do produto jornalismo n&atilde;o sofre oscila&ccedil;&otilde;es?<br \/><\/strong>N&atilde;o sofre e sobretudo voc&ecirc; n&atilde;o se prepara pra avan&ccedil;ar. Preparar-se pra avan&ccedil;ar pressup&otilde;es discuss&otilde;es, debates, ouvir o outro, ouvir os marginais, os que est&atilde;o na contracorrente, ouvir os mais experientes. N&oacute;s temos que criar no Brasil esta no&ccedil;&atilde;o de que os mais velhos &ndash; e a&iacute;, eu n&atilde;o estou defendendo a mim, mas os mais velhos t&ecirc;m algo a dizer. E sobretudo ter&atilde;o muito a dizer porque o mundo caminha pra ser o mundo da terceira idade. A proje&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a das pessoas mais idosas &eacute; fant&aacute;stica. Ent&atilde;o, tem que ouvir as experi&ecirc;ncias de pessoas l&uacute;cidas, que t&ecirc;m alguma coisa a dizer, porque o mundo vai ser deles. &Eacute; inevit&aacute;vel. A n&atilde;o ser que voc&ecirc; decrete que o sujeito, ao chegar aos 70 anos, tem de ser fuzilado&#8230; (risos) A&iacute;, eu teria que ser tamb&eacute;m&#8230; Em suma, o que tem que fazer &eacute; isso, abrir o espa&ccedil;o da discuss&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>E quem &ldquo;fecha&rdquo; o espa&ccedil;o de discuss&atilde;o?<br \/><\/strong>Os jornais n&atilde;o se discutem e eles embargam os espa&ccedil;os de discuss&atilde;o. H&aacute; um tabu combinado pelo grande <em>pool <\/em>de imprensa que n&atilde;o se discute as grandes quest&otilde;es relativas &agrave; grande imprensa. No m&aacute;ximo, os ombudsmen fazem alguma cr&iacute;tica&#8230; E, pronto! Vivemos no mundo do sil&ecirc;ncio. Justamente a esfera da vida que deveria ser a mais comunicada, a mais vis&iacute;vel, a mais transparente.<\/p>\n<p><strong>Alguma iniciativa ou algum tema pode se colocar como uma pontinha de esperan&ccedil;a neste mar de sil&ecirc;ncio, neste mar de mesmice que voc&ecirc; aponta na imprensa brasileira?<br \/><\/strong>Eu acho que esta coisa que o Haddad, de longe, est&aacute; sinalizando &eacute; boa, mas n&atilde;o vejo muita coisa que me anime. Nem na iniciativa privada, algo do tipo &ldquo;tem a&iacute; uma empresa que quer criar novos ve&iacute;culos&rdquo;&#8230; n&atilde;o tem! N&atilde;o tem nada que seja estimulante. O Rio de Janeiro, que sempre foi o centro do jornalismo brasileiro, at&eacute; os anos 60 e mesmos nos 70, de repente est&aacute; esvaziando, nivelando por baixo. <em>O Globo<\/em>, um excelente jornal, tem que lutar contra <em>O Dia<\/em>, que toca duas oitavas abaixo, que &eacute; um bom jornal, um muito bom jornal, mas &eacute; um excelente jornal popular. Ele n&atilde;o vive de cobertura internacional&#8230; a&iacute;, <em>O Globo <\/em>tamb&eacute;m vai tocar duas oitavas abaixo. O <em>Jornal do Brasil <\/em>tamb&eacute;m &eacute; uma picaretagem inomin&aacute;vel! Ent&atilde;o, o Rio de Janeiro, a segunda cidade do pa&iacute;s, com uma voca&ccedil;&atilde;o nacional, n&atilde;o existe jornalisticamente. Mesmo porque <em>O Globo<\/em>, porque hoje &eacute; um jornal local, voltou a ser um jornal local, n&atilde;o encontra muitos leitores em S&atilde;o Paulo, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>H&aacute; um esvaziamento de refer&ecirc;ncias?<\/strong><br \/>De p&oacute;los, tamb&eacute;m. Voc&ecirc; polarizou tudo em S&atilde;o Paulo. Mas a <em>Folha de S. Paulo<\/em>, <em>O Estado de S. Paulo <\/em>n&atilde;o conseguem nem ser jornais nacionais, nem ser jornais locais. Eles levam surras em mat&eacute;ria de cobertura local, porque tentam ser nacionais, mas n&atilde;o d&aacute;.<\/p>\n<p><strong>E mesmo a televis&atilde;o tem se deslocado para este eixo paulistano&#8230;<br \/><\/strong>A televis&atilde;o ainda consegue ser um pouco mais multi-focada, mas eu me preocupo mais com os jornais&#8230; Porque os jornais di&aacute;rios s&atilde;o a refer&ecirc;ncia&#8230; Eu, quando fa&ccedil;o an&aacute;lises, &eacute; pensando nos jornais. Eles s&atilde;o a refer&ecirc;ncia: ali est&aacute; escrito, ali est&aacute; a tradi&ccedil;&atilde;o, os paradigmas s&atilde;o estabelecidos, principalmente na chamada grande imprensa impressa. Ent&atilde;o, &eacute; isso que me preocupa mais. O resto vem em seguida. E eu vejo que voc&ecirc; n&atilde;o tem coisas novas pintando por a&iacute;&#8230; Ao contr&aacute;rio: Veja piorou como revista &ndash; e n&atilde;o vou discutir o conte&uacute;do, as posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. A Veja, h&aacute; dez anos, sob o ponto de vista editorial, tinha mais informa&ccedil;&atilde;o, melhor texto, melhor tudo do que tem hoje. H&aacute; 10 anos! N&atilde;o estou falando a 30 ou 40 anos. E assim voc&ecirc; tem as outras publica&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m. N&oacute;s estamos caminhando para um processo de desqualifica&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p><strong>Nem as possibilidades colocadas pela internet, pelas novas tecnologias podem ajudar a imprensa brasileira a sair deste marasmo?<\/strong><br \/>A nossa internet, os ve&iacute;culos que se organizam na internet, nossos portais s&atilde;o muito fracos. Eu me sirvo deles pra not&iacute;cias mais quentes, pra coisa mais imediata. Mas eles n&atilde;o v&atilde;o me dar as refer&ecirc;ncias, n&atilde;o v&atilde;o me dar o acompanhamento. Inclusive, eles seguem os jornais, n&atilde;o os antecipam. O <em>Uol<\/em>, por exemplo, ele nunca fura a <em>Folha<\/em>. Ele tem a informa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o fura a <em>Folha<\/em>. Eu sei porque, &agrave;s vezes, eu tenho que fazer um coment&aacute;rio de r&aacute;dio a meia-noite e eu vejo que o <em>Uol <\/em>t&aacute; segurando a informa&ccedil;&atilde;o pra sair amanh&atilde; na <em>Folha<\/em>. A internet no Brasil ainda n&atilde;o &eacute; amea&ccedil;a. Ela tem os mesmos defeitos da &aacute;rea escrita, mas n&atilde;o tem as qualidades. &Eacute; mais mal escrita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>defende cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o p\u00fablico de discuss\u00e3o sobre jornalismo e m\u00eddia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[958],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22439"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}