{"id":22437,"date":"2009-01-29T13:28:20","date_gmt":"2009-01-29T13:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22437"},"modified":"2009-01-29T13:28:20","modified_gmt":"2009-01-29T13:28:20","slug":"imprensa-brasileira-em-2009-dois-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22437","title":{"rendered":"Imprensa brasileira em 2009: Dois caminhos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Tr&ecirc;s fatos hist&oacute;ricos ocorridos em menos de duas semanas resumem, em grande parte, o que foi 2008 e indicam as possibilidades para os anos seguintes. No dia 20 de dezembro a Bol&iacute;via foi declarada territ&oacute;rio livre de analfabetismo, no dia 27 o governo israelense iniciou um ataque que assassinou centenas de palestinos e no dia 1o de janeiro Cuba comemorou 50 anos de Revolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O primeiro fato foi ignorado pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa brasileiros, o segundo foi relativizado e o terceiro, menosprezado. Com isso, editores e articulistas n&atilde;o foram capazes de enxergar a rela&ccedil;&atilde;o entre os tr&ecirc;s acontecimentos, reduzindo assim o prisma de suas an&aacute;lises e comprometendo suas coberturas jornal&iacute;sticas.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, &eacute; preciso enfatizar que n&atilde;o &eacute; todo dia que um pa&iacute;s erradica o analfabetismo. Poucas s&atilde;o as na&ccedil;&otilde;es que lograram este objetivo, mesmo entre aquelas economicamente desenvolvidas. Na Bol&iacute;via, 819.417 pessoas entre 15 e 80 anos aprenderam a ler e escrever durante os 30 meses do Programa de Alfabetiza&ccedil;&atilde;o, implementado com a ajuda dos governos cubano e venezuelano. Cuba entrou com o m&eacute;todo &ldquo;Yo, s&iacute; puedo&rdquo;, al&eacute;m de m&eacute;dicos que realizaram 250 mil consultas, 3 mil cirurgias de vista e distribu&iacute;ram 210 mil &oacute;culos para a popula&ccedil;&atilde;o. Por sua vez, a Venezuela doou 8 mil pain&eacute;is de capta&ccedil;&atilde;o de energia solar para que o programa tamb&eacute;m pudesse ser implementado nas &aacute;reas desprovidas de energia el&eacute;trica. Assim, Bol&iacute;via se tornou o terceiro pa&iacute;s latino-americano livre do analfabetismo, depois de Cuba (1961) e Venezuela (2005).<\/p>\n<p>Para eliminar o analfabetismo na Bol&iacute;via, os tr&ecirc;s governos investiram o equivalente a 36 milh&otilde;es de d&oacute;lares. Esse valor se refere a todos os custos do programa, incluindo as doa&ccedil;&otilde;es, como os pain&eacute;is solares venezuelanos, a assist&ecirc;ncia m&eacute;dica cubana e todo o equipamento &aacute;udio-visual. 36 milh&otilde;es de d&oacute;lares &eacute; menos do que os EUA enviam para Israel a cada tr&ecirc;s dias em armas e equipamentos de guerra, uma ajuda cujo valor total anual &eacute; de aproximadamente US$ 5 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>O ataque de Israel contra a Palestina deixou mais de 1.200 palestinos mortos e aproximadamente 5.000 feridos. A maior parte dos mortos eram crian&ccedil;as, mulheres e idosos. Milhares de palestinos est&atilde;o neste momento desabrigados, sem alimentos, medicamentos e &aacute;gua corrente. At&eacute; um edif&iacute;cio da ONU foi atingido. N&atilde;o h&aacute; m&eacute;dicos suficientes para atender a tanta gente. Chefes de Estado do mundo inteiro classificaram a agress&atilde;o israelense como &ldquo;genoc&iacute;dio&rdquo; ou &ldquo;carnificina&rdquo; e pediram um cessar-fogo imediato. A resposta do governo israelense veio pelo vice-ministro de Defesa Matan Vilnai: &ldquo;Isso &eacute; s&oacute; o come&ccedil;o&rdquo;. O presidente eleito dos EUA calou, enquanto o governo estadunidense declarou que a matan&ccedil;a &ldquo;s&oacute; vai parar quando o Hamas deixar de disparar m&iacute;sseis contra Israel&rdquo;. <\/p>\n<p>Enquanto as corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia informavam ao p&uacute;blico brasileiro que o genoc&iacute;dio cometido contra o povo palestino se tratava de um conflito de igual para igual entre o &ldquo;grupo terrorista Hamas&rdquo; e Israel, os cinq&uuml;enta anos da Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana foram apresentados como uma &ldquo;ditadura em decl&iacute;nio&rdquo; (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 30 de dezembro de 2008) de onde restou apenas &ldquo;a mem&oacute;ria de uma aventura que se prometia gloriosa e a evid&ecirc;ncia de um desastre constru&iacute;do&rdquo; (<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, 1 de janeiro de 2009). O termo &ldquo;ditadura&rdquo; tamb&eacute;m foi utilizado pela TV Globo para classificar o governo cubano. No mais, foram fartas as mat&eacute;rias enviadas de Havana, que naturalmente continham apenas os relatos dos que s&atilde;o contr&aacute;rios ao governo cubano.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a n&atilde;o publica&ccedil;&atilde;o da erradica&ccedil;&atilde;o do analfabetismo na Bol&iacute;via n&atilde;o foi apenas um lapso midi&aacute;tico, mas uma escolha editorial fundamental para a legitima&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista, mesmo &agrave;s custas de uma gigantesca falha jornal&iacute;stica &ndash; que deveria se estudada em toda faculdade de comunica&ccedil;&atilde;o que se pretenda s&eacute;ria. Se n&atilde;o, como poderiam explicar que um pa&iacute;s socialista como Cuba, debaixo de um feroz bloqueio econ&ocirc;mico, alcance a fa&ccedil;anha de exportar um conhecimento capaz de dotar todos os cidad&atilde;os bolivianos da capacidade de ler e escrever? Como poderiam explicar que essa empreitada fora conquistada com o mesmo investimento de um punhado de bombas utilizadas para massacrar o povo palestino? E, mais dif&iacute;cil ainda: como explicar que a maior pot&ecirc;ncia militar e econ&ocirc;mica do mundo ainda tenha analfabetos em sua popula&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Essas respostas jamais ser&atilde;o encontradas nas corpora&ccedil;&otilde;es de m&iacute;dia porque sua simples publica&ccedil;&atilde;o significa a nega&ccedil;&atilde;o de tudo aquilo que defendem. Pela mesma raz&atilde;o jamais reconhecer&atilde;o a motiva&ccedil;&atilde;o capitalista (o saque &agrave;s riquezas do Oriente M&eacute;dio) no bombardeio &agrave; Palestina ou os projetos solid&aacute;rios internacionalistas de Cuba. Enquanto um &eacute; relativizado, outro &eacute; ignorado.<\/p>\n<p>Os tr&ecirc;s eventos hist&oacute;ricos que ocorreram entre 20 de dezembro e 1o de janeiro testemunham as infinitas capacidades do ser humano. Por um lado, a brutalidade desmedida, a viol&ecirc;ncia, a agress&atilde;o, a guerra, a morte. De outro, a coopera&ccedil;&atilde;o, a solidariedade, a paz, a vida. Cabe aos povos e governos de todo o mundo decidir que caminho seguir em 2009 e nos anos seguintes.<\/p>\n<p><em>* Marcelo Salles, jornalista, &eacute; correspondente da revista Caros Amigos em La Paz (Bol&iacute;via), editor do jornal Fazendo Media (<a href=\"http:\/\/www.fazendomedia.com\/\">www.fazendomedia.com<\/a>) e membro do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr&ecirc;s fatos hist&oacute;ricos ocorridos em menos de duas semanas resumem, em grande parte, o que foi 2008 e indicam as possibilidades para os anos seguintes. 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