{"id":22430,"date":"2009-01-27T12:56:58","date_gmt":"2009-01-27T12:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22430"},"modified":"2009-01-27T12:56:58","modified_gmt":"2009-01-27T12:56:58","slug":"crise-economica-atinge-financas-e-credibilidade-da-grande-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22430","title":{"rendered":"Crise econ\u00f4mica atinge finan\u00e7as e credibilidade da grande m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><span>Ap&oacute;s terem contribu&iacute;do como art&iacute;fices da legitima&ccedil;&atilde;o da financeiriza&ccedil;&atilde;o radical que ruiu como castelo de cartas a partir da crise do sistema hipotec&aacute;rio estadunidense, os grandes grupos comerciais de m&iacute;dia agora sentem os efeitos do forte abalo em curso no modelo econ&ocirc;mico neoliberal. Eles, que se notabilizaram pela defesa do modelo,<\/span><span>v&ecirc;m sofrendo os efeitos deste, em um fen&ocirc;meno que vai da esfera econ&ocirc;mica, com a crescente dificuldade de capitaliza&ccedil;&atilde;o dos empreendimentos, &agrave; jornal&iacute;stica, com uma in&eacute;dita perda de refer&ecirc;ncia dos produtos e seus discursos.<\/p>\n<p><\/span>Esta foi a avalia&ccedil;&atilde;o realizada em coro quase un&iacute;ssono pelos participantes do debate &quot;A crise e a grande m&iacute;dia&quot;, realizado nesta segunda-feira no 2&ordm; F&oacute;rum Mundial de M&iacute;dia Livre, evento que antecede o F&oacute;rum Social Mundial 2009, em Bel&eacute;m do Par&aacute;. <\/p>\n<p>Segundo Ig&aacute;cio Ramonet, do jornal franc&ecirc;s <em>Le Monde Diplomatique<\/em>, a grande m&iacute;dia internacional desempenhava papel fundamental no neoliberalismo, constituindo uma alian&ccedil;a com o poder econ&ocirc;mico quase como uma esp&eacute;cie de &quot;duop&oacute;lio&quot;. &quot;Com a crise que estamos vivendo no campo econ&ocirc;mico, o neoliberalismo como teoria se v&ecirc; golpeado, em minha opini&atilde;o &agrave; morte, e o poder midi&aacute;tico, curiosamente, est&aacute; se debilitando ante nossos olhos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O jornalista franc&ecirc;s citou casos de diversos ve&iacute;culos tradicionais que v&ecirc;m, em raz&atilde;o de seus balan&ccedil;os financeiros negativos, sendo repassados a empres&aacute;rios que n&atilde;o s&atilde;o tradicionalmente do ramo. Um caso exemplar foi a venda do <em>New York Times <\/em>ao empres&aacute;rio mexicano Carlos Slim Hel&uacute;. O pr&oacute;prio <em>Le Monde <\/em>&eacute; um dos tradicionais ve&iacute;culos da m&iacute;dia impressa que passa por s&eacute;rias dificuldades financeiras. <\/p>\n<p>Ramonet credita esta situa&ccedil;&atilde;o &agrave; aposta feita pelos grandes grupos comerciais na imagem pintada de calmaria e prosperidade neoliberal. Acreditando nela, investiram grandes montantes em estrat&eacute;gias de aquisi&ccedil;&atilde;o de grupos de m&iacute;dia menores seguindo as tend&ecirc;ncias concentradoras do setor. Quando o cr&eacute;dito se esvaiu do mercado, estes conglomerados viram suas d&iacute;vidas se transformando em um beco sem sa&iacute;da, apelando para a venda de empreendimentos seculares a ne&oacute;fitos no neg&oacute;cio da m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Pacoal Serrano, do site espanhol <em>Rebelion.org<\/em>, foi mais longe e defendeu que a crise da grande m&iacute;dia vai para al&eacute;m da dimens&atilde;o econ&ocirc;mica, atingindo sua pr&oacute;pria credibilidade e autoridade junto aos seus p&uacute;blicos leitores, telespectadores e ouvintes. &quot;H&aacute; uma crise de media&ccedil;&atilde;o. O cidad&atilde;o j&aacute; percebe que o discurso da m&iacute;dia n&atilde;o se coaduna com interesses dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O leitor n&atilde;o se fia mais no que dizem os meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, sugeriu Serrano. <\/p>\n<p><span>Por fim, ele v&ecirc; uma crise de informa&ccedil;&atilde;o que atinge os pressupostos hist&oacute;ricos do jornalismo liberal, especialmente o da objetividade jornal&iacute;stica. Com o estouro do sistema hipotec&aacute;rio, os meios simplesmente se viram sem condi&ccedil;&otilde;es de explicar o fen&ocirc;meno. &quot;A din&acirc;mica dos meios os impede de aprofundar, colocar os elementos de contexto para entender o que acontece&quot;, disse. <\/p>\n<p><\/span><strong>Armadilha<\/strong><\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) Bernardo Kucinski, &eacute; ir&ocirc;nico que a grande m&iacute;dia, uma das atingidas pela crise, atue fortemente para aliment&aacute;-la. &ldquo;Um aspecto mais perverso foi que a grande imprensa passou a alimentar a pr&oacute;pria crise, atrav&eacute;s de um comportamento catastrofista e alarmista que levou empres&aacute;rios a rever seus planos.&rdquo;<\/p>\n<p><span>O editor do <\/span><span><em>Portal Vermelho<\/em><\/span><span>, Altamiro Borges, creditou este comportamento quase suicida &agrave; necessidade de legitimar uma sa&iacute;da conservadora do poder econ&ocirc;mico &agrave; crise. &ldquo;Estamos vivendo um choque do terror. A m&iacute;dia est&aacute; criando clima de p&acirc;nico para gerar a&ccedil;&otilde;es como demiss&otilde;es nas montadoras. Da mesma forma como aproveitou o Katrina para expulsar a popula&ccedil;&atilde;o, ela aproveita a crise hoje para pautar ajustes mais duros. <\/span>E isso &eacute; um perigo&rdquo;, alertou.<\/p>\n<p><strong>Contraponto<\/strong><\/p>\n<p>Frente a este quadro, todos os participantes do debate propuseram a constitui&ccedil;&atilde;o de uma alternativa que possa enfrentar de igual para igual a a&ccedil;&atilde;o dos grandes grupos midi&aacute;ticos. &quot;Queremos estar de igual para igual com os grandes meios. N&atilde;o queremos ser marginais. A liberdade de express&atilde;o ser&aacute; uma realidade quando deixarmos de ser marginais&quot;, defendeu Pascoal Serrano, do <em>Rebelion<\/em>. <\/p>\n<p><span>Joaquim Const&acirc;ncio, do escrit&oacute;rio uruguaio da ag&ecirc;ncia internacional <\/span><span><em>IPS<\/em><\/span><span>, destacou que, para galgar esta posi&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio garantir a profissionaliza&ccedil;&atilde;o da equipe de uma iniciativa deste porte, bem como uma estrutura robusta. &quot;Represento uma ag&ecirc;ncia com mais de 40 anos de vida, em mais de 100 pa&iacute;ses, e digo que com toda estrutura enorme, somos uma gota de &aacute;gua na batalha dos grandes meios. &Eacute; preciso muito mais do que isso, construir meios alternativos realmente potentes e estruturados com for&ccedil;a para gerar conte&uacute;dos&quot;, ponderou.<\/p>\n<p><\/span>Ele defendeu que, apesar das novas possibilidades advindas da internet, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel disputar hegemonia contra os grandes meios apenas por iniciativas pontuais ou individuais. Luiz Fernando Navarro, do jornal mexicano <em>La Jornada<\/em>, foi na mesma dire&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; grande o desafio de n&atilde;o fazer apologia do marginal. Precisamos ser capazes em converter algo alternativo em hegem&ocirc;nico.&rdquo;<\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participantes do primeiro dia de debates em Bel\u00e9m mostram que ve\u00edculos tradicionais agiram de forma &#8216;suicida&#8217; na cobertura da crise e apontam desafio de transformar o &#8216;alternativo&#8217; em &#8216;hegem\u00f4nico&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[957],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22430\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}