{"id":22419,"date":"2009-01-22T17:43:40","date_gmt":"2009-01-22T17:43:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22419"},"modified":"2009-01-22T17:43:40","modified_gmt":"2009-01-22T17:43:40","slug":"liberdade-de-expressao-e-midia-alternativa-dois-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22419","title":{"rendered":"Liberdade de express\u00e3o e m\u00eddia alternativa: dois anos depois"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">H&aacute; pouco menos de dois anos, escrevi para o <em>Observat&oacute;rio da Imprensa<\/em> um pequeno artigo com o t&iacute;tulo &quot;A morte anunciada da Ag&ecirc;ncia Carta Maior&quot;. Atendia a proposta feita em editorial que falava de &quot;fechamento iminente&quot; e conclamava todos interessados a &quot;debater (a) quest&atilde;o, escrevendo a respeito, colocando-a em pauta nos sindicatos, partidos, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, escolas, universidades, em todos os ve&iacute;culos&quot; tendo em vista que n&atilde;o se tratava apenas de um problema da <em>Carta Maior<\/em>, mas &quot;da maioria dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o dessa imprensa alternativa, ou outro nome que se lhe queira dar (&#8230;) absolutamente necess&aacute;rio para a democracia da nossa comunica&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Dois anos depois, retorno ao tema no momento em que passo a colaborar de forma permanente tamb&eacute;m com <em>Carta Maior<\/em>, sobrevivente de uma crise que n&atilde;o conseguiu fech&aacute;-la. As crises, &eacute; sabido, colocam desafios e oportunidades de mudan&ccedil;a de rumos. <em>Carta Maior<\/em> sobrevive. Todavia, quest&otilde;es que eram centrais em 2007 continuam centrais ainda hoje. Trato aqui de duas delas.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de express&atilde;o e grande m&iacute;dia<\/strong><\/p>\n<p>Lembrei, em 2007, que os grandes grupos de m&iacute;dia ignoram deliberadamente a impossibilidade pr&aacute;tica que um cidad&atilde;o comum tem para exercer a sua liberdade de express&atilde;o, o seu direito individual de expressar, ele pr&oacute;prio, sua opini&atilde;o publicamente. Por que n&atilde;o se aplica ao cidad&atilde;o comum &ndash; sujeito origin&aacute;rio do direito &ndash; a liberdade de express&atilde;o agora apropriada pelos grandes grupos de m&iacute;dia como liberdade de imprensa? Como exercer a liberdade de express&atilde;o em nossos dias? <\/p>\n<p>O jurista Fabio Konder Comparato tem colocado essa quest&atilde;o faz tempo. Afirmava ele ainda em 1990:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;A liberdade de express&atilde;o &eacute;, tradicionalmente, considerada a pedra angular dos regimes democr&aacute;ticos. (&#8230;) Hoje, no entanto, todos entendem que a express&atilde;o p&uacute;blica do pensamento passa, necessariamente, pela media&ccedil;&atilde;o das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, cujo funcionamento exige graus crescentes de capitaliza&ccedil;&atilde;o. Aquele que controla tais entidades disp&otilde;e, plenamente, da liberdade de express&atilde;o. Os demais membros da coletividade, n&atilde;o. (&quot;&Eacute; poss&iacute;vel democratizar a TV?&quot; in Adauto Novaes, org., Rede Imagin&aacute;ria &ndash; TV e Democracia; Companhia das letras, 1991).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">No meu artigo, perguntava: o que (o cidad&atilde;o) deve fazer? Como competir com os grupos de m&iacute;dia j&aacute; existentes? Como conseguir o volume de capital necess&aacute;rio para ser propriet&aacute;rio de uma empresa de comunica&ccedil;&otilde;es? Ou deveria ele escrever para a se&ccedil;&atilde;o de cartas dos jornais e revistas? Ou organizar-se, em sua comunidade, criar uma associa&ccedil;&atilde;o ou funda&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos, juntar os recursos (?) e solicitar ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es uma autoriza&ccedil;&atilde;o para uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria? Ou deveria criar um blog na internet e torcer para que ele fosse acessado por milh&otilde;es de internautas?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Para essas quest&otilde;es ainda n&atilde;o se tem resposta.<\/p>\n<p><strong>Quem financia a m&iacute;dia alternativa?<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma forma, por que n&atilde;o temos no Brasil uma m&iacute;dia alternativa aos grandes grupos dominantes, como ocorre em pa&iacute;ses semelhantes ao nosso na Am&eacute;rica Latina? Por que ser&aacute; que in&uacute;meras tentativas, sobretudo na m&iacute;dia impressa, t&ecirc;m sistematicamente fracassado?<\/p>\n<p>Um dos resultados da crise porque passou Carta Maior foi exatamente a articula&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum M&iacute;dia Livre que se reuniu pela primeira vez em junho de 2008, no Rio de Janeiro, e que se re&uacute;ne tamb&eacute;m no F&oacute;rum Social Mundial de Bel&eacute;m. Dentre os v&aacute;rios temas tratados no Manifesto de sua constitui&ccedil;&atilde;o, um se refere &agrave; eterna quest&atilde;o do financiamento da m&iacute;dia alternativa. <\/p>\n<p>Apoiado no princ&iacute;pio de que &quot;um Estado democr&aacute;tico precisa assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham express&atilde;o p&uacute;blica&quot;, o Manifesto reivindica que &quot;as verbas de publicidade e propaganda sejam distribu&iacute;das levando em considera&ccedil;&atilde;o toda a ampla gama de ve&iacute;culos de informa&ccedil;&atilde;o e a diversidade de sua natureza; que os crit&eacute;rios de distribui&ccedil;&atilde;o sejam mais amplos, p&uacute;blicos e justos, para al&eacute;m da l&oacute;gica do mercado&quot;.<\/p>\n<p>Essa &eacute; uma das quest&otilde;es que precisa ser colocada: qual a responsabilidade do Estado democr&aacute;tico na garantia da pluralidade e da diversidade na m&iacute;dia?<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da imprensa no Brasil &eacute; marcada pela estreita vincula&ccedil;&atilde;o entre os interesses do Estado e da m&iacute;dia privada, controlada pelas oligarquias pol&iacute;ticas regionais e pelos grandes grupos nacionais. Esse v&iacute;nculo fica patente n&atilde;o s&oacute; na legisla&ccedil;&atilde;o que rege, por exemplo, as concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o, mas, sobretudo, nas formas diretas e indiretas de financiamento p&uacute;blico, atrav&eacute;s de empr&eacute;stimos banc&aacute;rios, subs&iacute;dios &agrave; importa&ccedil;&atilde;o de papel; isen&ccedil;&otilde;es fiscais, publicidade governamental, contratos milion&aacute;rios para compra de livros did&aacute;ticos etc. <\/p>\n<p>J&aacute; a m&iacute;dia alternativa que sobreviveu aos anos de autoritarismo ou nasceu nos &uacute;ltimos 30 anos, em boa parte, mendiga apoio oficial ou sobrevive da ajuda espor&aacute;dica de entidades internacionais e\/ou patroc&iacute;nios irregulares de origem privada ou p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Hoje, alegam-se motivos t&eacute;cnicos e de mercado para a distribui&ccedil;&atilde;o das enormes verbas de publicidade oficial que privilegia a grande m&iacute;dia. Ignora-se, por exemplo, que h&aacute; pa&iacute;ses na Europa onde leis contr&aacute;rias &agrave; monopoliza&ccedil;&atilde;o garantem recursos financeiros para a m&iacute;dia alternativa e independente. Uma medida neste sentido, portanto, n&atilde;o seria sequer in&eacute;dita. Por que n&atilde;o se aplica &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o social os mesmos crit&eacute;rios que j&aacute; vem sendo adotados pelo Estado brasileiro em rela&ccedil;&atilde;o a outros setores onde se busca a corre&ccedil;&atilde;o de desequil&iacute;brios hist&oacute;ricos? &Eacute; o que se faz, por exemplo, com as microempresas que gozam de benef&iacute;cios fiscais; com as quotas &eacute;tnicas e\/ou sociais para acesso ao ensino superior; e com a agricultura familiar para a qual existe o cr&eacute;dito subsidiado. <\/p>\n<p>Por que n&atilde;o se pode fazer o mesmo com a m&iacute;dia alternativa em nome da democratiza&ccedil;&atilde;o do setor e no esp&iacute;rito da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988?<\/p>\n<p><strong>Princ&iacute;pios b&aacute;sicos<\/strong><\/p>\n<p>O cerceamento da liberdade de express&atilde;o individual e o financiamento da m&iacute;dia alternativa s&atilde;o quest&otilde;es g&ecirc;meas. Dizem respeito &agrave; pluralidade e &agrave; diversidade de informa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es que circulam na sociedade &ndash; vale dizer, dizem respeito a princ&iacute;pios b&aacute;sicos da democracia representativa. &Eacute; por isso que n&atilde;o se pode deixar de debat&ecirc;-los.<\/p>\n<p><font class=\"padrao\"><em>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007).<\/em><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; pouco menos de dois anos, escrevi para o Observat&oacute;rio da Imprensa um pequeno artigo com o t&iacute;tulo &quot;A morte anunciada da Ag&ecirc;ncia Carta Maior&quot;. 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