{"id":22399,"date":"2009-01-19T19:28:31","date_gmt":"2009-01-19T19:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22399"},"modified":"2009-01-19T19:28:31","modified_gmt":"2009-01-19T19:28:31","slug":"cenario-de-incertezas-para-as-comunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22399","title":{"rendered":"Cen\u00e1rio de incertezas para as comunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>Murilo Ramos acompanha o setor das comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras desde a &eacute;poca da ditadura militar. Professor da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) j&aacute; no in&iacute;cio dos anos 1980, integrou o time de grandes pesquisadores daquela universidade formado por Salom&atilde;o Amorim, Marco Ant&ocirc;nio Dias, Luiz Gonzaga Motta e Ven&iacute;cio Lima que tornou-se uma refer&ecirc;ncia na discuss&atilde;o sobre as pol&iacute;ticas nacionais de comunica&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o, em especial na constituinte.<\/p>\n<p>&Agrave; frente do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB (Lapcom), Ramos consolidou-se como um analista de um vasto escopo de temas, que vai da TV e do r&aacute;dio &agrave;s novas tecnologias. Ao tra&ccedil;ar perspectivas para o ano de 2009, nem a vasta experi&ecirc;ncia e o bom tr&acirc;nsito em diversos ambientes, o que lhe garante informa&ccedil;&otilde;es qualificadas, fazem o agora professor aposentado &ldquo;cravar&rdquo; previs&otilde;es. Ao contr&aacute;rio, Murilo pinta um cen&aacute;rio movedi&ccedil;o e fluido, causado pela intensidade dos processos de mudan&ccedil;a, que colocam mais perguntas do que respostas.<\/p>\n<p>As incertezas atingem principalmente a radiodifus&atilde;o e os servi&ccedil;os de TV paga, rec&eacute;m-entrantes no mundo digital. Os &uacute;ltimos, em especial, s&atilde;o a atual fronteira da batalha da converg&ecirc;ncia, manifestada na revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o em discuss&atilde;o pela tramita&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei 29\/2007. Mas neste caso, Ramos v&ecirc; pouca chance de progresso com a sa&iacute;da de seu principal patrocinador, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), do Parlamento. <\/p>\n<p>A TV aberta, se n&atilde;o deve passar por uma reformula&ccedil;&atilde;o em seu marco legal, corre para um futuro incerto por conta dos reposicionamentos provocados pela migra&ccedil;&atilde;o para o sistema digital e pelas estrat&eacute;gias de alguns atores, em especial a Rede Record. J&aacute; as telecomunica&ccedil;&otilde;es apresentam tend&ecirc;ncias mais vis&iacute;veis a partir da reestrutura&ccedil;&atilde;o da telefonia fixa e da compra da Brasil Telecom pela Oi realizadas neste ano.<\/em><\/p>\n<p><strong>O que deve movimentar a agenda da radiodifus&atilde;o brasileira em 2009?<\/strong><br \/>Pensar perspectivas para 2009 na comunica&ccedil;&atilde;o social, na radiodifus&atilde;o em especial, te coloca mais perguntas do que respostas, diferentemente das telecomunica&ccedil;&otilde;es. No Brasil, h&aacute; uma inc&oacute;gnita sobre o futuro da TV aberta. Na transi&ccedil;&atilde;o para a TV digital, o caso dos Estados Unidos &eacute; um exemplo importante para considerarmos no Brasil. Vale a pena mencionar que uma das primeiras decis&otilde;es de [Barack] Obama ser&aacute; negociar com o Congresso a prorroga&ccedil;&atilde;o do prazo do apag&atilde;o anal&oacute;gico, marcado para 15 de fevereiro. <br \/>Isso nos ensina as dificuldades que esta transi&ccedil;&atilde;o no modelo comercial nos traz em rela&ccedil;&atilde;o ao seu ritmo. Uma amostra delas &eacute; a indefini&ccedil;&atilde;o nos dados referentes &agrave; penetra&ccedil;&atilde;o e ao n&uacute;mero de domic&iacute;lios recebendo o sinal digital de TV. As associa&ccedil;&otilde;es industriais t&ecirc;m apresentado dados diferentes. No caso de Bras&iacute;lia, por exemplo, o cronograma de transi&ccedil;&atilde;o ir&aacute; atrasar porque o governo encomendou uma antena-monumento ao escrit&oacute;rio do Oscar Niemeyer. A evolu&ccedil;&atilde;o do processo no Brasil refor&ccedil;a a dificuldade vista nos EUA, e isso pode ser fatal do ponto de vista do modelo de neg&oacute;cios que est&aacute; sendo desenvolvido. <\/p>\n<p><strong>E na TV paga, prevalece tamb&eacute;m o quadro de incertezas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regula&ccedil;&atilde;o deste setor, que se mostra central nas estrat&eacute;gias de expans&atilde;o de mercado e converg&ecirc;ncia de servi&ccedil;os adotadas pelas teles?<\/strong><br \/>A TV paga, encarnada hoje no PL-29 e apensados e seus substitutivos, tamb&eacute;m est&aacute; mais no campo das indefini&ccedil;&otilde;es do que das respostas. Aquilo que parecia natural, o ano terminando com a vota&ccedil;&atilde;o do projeto na CCTCI [Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica], acabou com a remessa do projeto &agrave; CDC [Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor]. O relator, Jorge Bittar (PT-RJ), assumiu uma secretaria no munic&iacute;pio do Rio de Janeiro, o que embaralha a discuss&atilde;o. Sem o PL-29, n&atilde;o se resolve quem pode ofertar o servi&ccedil;o nem os condicionantes do mercado. Em rela&ccedil;&atilde;o ao progresso dele este ano no Congresso, se eu fosse fazer uma previs&atilde;o, correndo o risco de estar errado, eu diria que nada acontecer&aacute; e o impasse vai persistir. O relat&oacute;rio que ser&aacute; produzido na CDC sair&aacute; expurgado de tudo aquilo referente ao fomento. Resta saber se, ao voltar para a CCTCI, onde h&aacute; um comprometimento com os trabalhos do Jorge Bittar, deputados como Pinheiro [Walter Pinheiro, PT-BA] e Semeghini [J&uacute;lio Semeghini, PSDB-SP], que estavam comprometidos com trabalho de Bittar, patrocinar&atilde;o a aprova&ccedil;&atilde;o dele. <br \/>A grande quest&atilde;o &eacute; resolver a pol&ecirc;mica entre distribui&ccedil;&atilde;o e fomento. Como na distribui&ccedil;&atilde;o os interessados j&aacute; est&atilde;o se ajustando, poderemos terminar 2009 sem que nada aconte&ccedil;a nesta &aacute;rea. A Oi j&aacute; obteve as outorgas da Way TV em Minas Gerais (a partir de uma brecha da legisla&ccedil;&atilde;o que permite a oferta de servi&ccedil;o de cabodifus&atilde;o por teles em locais onde n&atilde;o haja interesse de mais nenhuma operadora), a Telef&oacute;nica e a Embratel lan&ccedil;aram sistemas de DTH. A partir desta acomoda&ccedil;&atilde;o na distribui&ccedil;&atilde;o, ouso dizer que acabaremos o ano sem uma nova lei para a TV por assinatura. <\/p>\n<p><span style=\"font-style: normal\"><strong>A dificuldade de realizar reformas regulat&oacute;rias parciais n&atilde;o traz &agrave; tona a necessidade de um novo marco regulat&oacute;rio para a &aacute;rea?<\/strong><\/span><em><strong><br \/><\/strong><\/em>A atualiza&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio &eacute; outra inc&oacute;gnita. De 1994 para c&aacute;, houve quatro tentativas de se iniciar um processo de &ldquo;re-regulamentar&rdquo; a radiodifus&atilde;o. Se for por iniciativa do Legislativo, isso n&atilde;o acontecer&aacute;. H&aacute; o processo da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, gestado h&aacute; dois anos, mas falta a certeza de que o poder Executivo convoque. Apesar dos &uacute;ltimos movimentos, acredito que a confer&ecirc;ncia sair&aacute; pelo Legislativo pela demora do governo federal em convocar de fato este processo. A&iacute;, se pode pensar para no primeiro ano do mandato do novo presidente [2011-2014] um projeto neste sentido, pois 2010 &eacute; um ano improv&aacute;vel para este tipo de mudan&ccedil;a. <\/p>\n<p><strong>Como voc&ecirc; v&ecirc; as perspectivas para a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, em especial para a evolu&ccedil;&atilde;o da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), para este ano?<br \/><\/strong>A cria&ccedil;&atilde;o da EBC &#8211; que come&ccedil;ou errado, como uma tentativa governamental de criar um ant&iacute;doto seu ao poderio da radiodifus&atilde;o comercial, e que acabou convergindo com o que vinha sendo feito pelo Minist&eacute;rio da Cultura &#8211; significou um embri&atilde;o de uma rede p&uacute;blica a partir da fus&atilde;o da TVE Rede Brasil e da Radiobr&aacute;s, sendo a maior novidade na &aacute;rea desde a Lei do Cabo. Hoje, a TV Brasil &eacute; uma novidade, ela tem muito a fazer para se afirmar, mas conceitualmente ela est&aacute; bem constru&iacute;da neste momento. Inclusive na disposi&ccedil;&atilde;o de se tornar uma rede e de se somar &agrave;s emissoras estatais para compartilhar uma infra-estrutura comum para transmiss&atilde;o no sinal digital, o que tende a ser uma perspectiva de pol&iacute;tica setorial em 2009. &Eacute; fundamental que, tanto do ponto de vista da programa&ccedil;&atilde;o quanto do financiamento e da estrutura&ccedil;&atilde;o, a ECB se consolide para que n&atilde;o sofra descontinuidade ou revers&atilde;o com um novo governo. <\/p>\n<p><strong>Mas voc&ecirc; avalia que h&aacute; espa&ccedil;o para um debate de fato sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o da complementaridade entre os sistemas p&uacute;blico, privado e estatal, prevista no Artigo 223 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal?<br \/><\/strong>Esta &eacute; outra quest&atilde;o importante que a EBC trouxe e que, do ponto de vista regulat&oacute;rio, vai ser cada vez mais evidente em 2009: a necessidade de debater que complementaridade &eacute; esta entre os sistemas p&uacute;blico, privado e estatal. O que &eacute; fundamental nisso, hoje, &eacute; aprofundar o debate conceitual sobre o que vem a ser cada um destes sistemas. Na minha opini&atilde;o, n&atilde;o existe sistema privado de radiodifus&atilde;o; o que existe &eacute;, por concess&atilde;o, o Estado autorizar o privado a explorar comercialmente o servi&ccedil;o p&uacute;blico de TV e r&aacute;dio, utilizando, para isso, o instituto da concess&atilde;o, permiss&atilde;o e autoriza&ccedil;&atilde;o. <br \/>Esta suposta complementaridade acabou sendo armadilha, porque aparenta ter um sistema privado. Quando se trata de outorga de concess&atilde;o e permiss&atilde;o, n&atilde;o existe. J&aacute; na autoriza&ccedil;&atilde;o, pode-se admiti-lo, uma vez que ela difere dos demais institutos em rela&ccedil;&atilde;o ao equil&iacute;brio entre direitos e deveres. Advogando a exist&ecirc;ncia do sistema privado, os radiodifusores comerciais querem a m&aacute;xima seguran&ccedil;a jur&iacute;dica com m&aacute;xima liberdade de mercado. Vai se avan&ccedil;ar mais na discuss&atilde;o, mas ela s&oacute; poder&aacute; ser completada no &acirc;mbito da confer&ecirc;ncia [Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o] e de uma revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Esta liberdade de que gozam os radiodifusores, no cen&aacute;rio de desregula&ccedil;&atilde;o do setor, tamb&eacute;m foi uma pol&ecirc;mica colocada nas diversas discuss&otilde;es sobre o uso das concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV, que vem sendo puxadas com alguma regularidade j&aacute; desde 2007. Elas deve prosseguir em 2009?<\/strong><br \/>De fato, a partir da migra&ccedil;&atilde;o digital, do t&eacute;rmino do prazo de outorga das principais concession&aacute;rias em 2007 e do trabalho iniciado em 2007 pela Sub-comiss&atilde;o de Outorgas da CCTCI, esta discuss&atilde;o ganhou visibilidade, devendo continuar e ser aprofundada. O meu entendimento &eacute; que a inseguran&ccedil;a gerada pela transi&ccedil;&atilde;o digital para a radiodifus&atilde;o e a press&atilde;o da sociedade por regras mais claras para as outorgas vai fazer com que, seja na confer&ecirc;ncia ou em uma nova lei, o pr&oacute;prio empresariado da radiodifus&atilde;o se preocupe com a exist&ecirc;ncia de uma nova legisla&ccedil;&atilde;o que substitua o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p><strong>Neste contexto, como deve ficar o mercado de TV aberta em 2009?<\/strong><br \/>Ele dever&aacute; sofrer mudan&ccedil;as com o decl&iacute;nio da Globo e a ascens&atilde;o da Record. Isso vem ocorrendo e j&aacute; vem sendo sentido h&aacute; mais de cinco anos, quando a rede de Edir Macedo n&atilde;o tinha posi&ccedil;&atilde;o t&atilde;o central quanto tinha antes. Isso n&atilde;o sinaliza mudan&ccedil;a est&eacute;tica ou de qualidade, mas uma altera&ccedil;&atilde;o no mercado, com a Record com programa&ccedil;&atilde;o clonada da Globo com mais apelo junto &agrave;s classes C e D, uma vez que os p&uacute;blicos A e B est&atilde;o migrando para a TV paga e dever&atilde;o tamb&eacute;m se informar cada vez mais por meio da banda larga. A Band, com o CQC e com a recria&ccedil;&atilde;o da Escolinha Muito Louca do Sidney Magal mostra que a vulnerabilidade da Globo vai ser acentuada. N&atilde;o d&aacute; para prever quando isso ir&aacute; mudar, mas imaginar que, em um n&uacute;mero de anos, a Globo possa perder a lideran&ccedil;a n&atilde;o &eacute; mais del&iacute;rio e o processo vai continuar em 2009.<br \/>E n&atilde;o sei se isso [a modifica&ccedil;&atilde;o do mercado de TV aberta] converge para a alta defini&ccedil;&atilde;o, porque o que est&aacute; acontecendo hoje tem pouco a ver com o HD [High Definition], ent&atilde;o n&atilde;o d&aacute; para afirmar que ela ser&aacute; um diferencial. A portabilidade e a mobilidade colocam-se em um futuro mais adiante, e n&atilde;o sei se estas est&atilde;o mais pr&oacute;ximas da TV paga do que da TV aberta. Elas implicam em formatos muito diferentes da grade cont&iacute;nua da TV aberta. <\/p>\n<p><strong>E na &aacute;rea das telecomunica&ccedil;&otilde;es, 2009 ter&aacute; tantas inc&oacute;gnitas?<\/strong><br \/>As quest&otilde;es s&atilde;o menos dif&iacute;ceis de prever. Os &oacute;rg&atilde;os bem-intencionados de defesa da concorr&ecirc;ncia, CADE [Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica] e a SEAE [Secretaria de Acompanhamento Econ&ocirc;mico do Minist&eacute;rio da Fazenda], v&atilde;o se deparar com a an&aacute;lise da compra da Brasil Telecom pela Oi. Neste ano, teremos tamb&eacute;m um rearranjo da rela&ccedil;&atilde;o fixo-m&oacute;vel, com as operadoras de telefonia fixa aproximando-se das m&oacute;veis: a Oi da Vivo e a Telef&oacute;nica da TIM. Haver&aacute; uma reacomoda&ccedil;&atilde;o oligop&oacute;lica dos mercados das telecomunica&ccedil;&otilde;es. <br \/>Nesta perspectiva, &eacute; inquietante a fragilidade crescente da Anatel [Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es]. N&atilde;o d&aacute; para admitir um &oacute;rg&atilde;o regulador de um setor essencialmente privado que passou os &uacute;ltimos seis anos com o Conselho Diretor funcionando sem um ou dois membros. Isso vai fragilizando o &oacute;rg&atilde;o. Com o mercado &#8211; oligop&oacute;lio por defini&ccedil;&atilde;o &#8211; construindo seus caminhos de concentra&ccedil;&atilde;o, seria necess&aacute;ria uma a&ccedil;&atilde;o forte e aut&ocirc;noma do &oacute;rg&atilde;o regulador, mas a ag&ecirc;ncia est&aacute; fragilizada. Politicamente, porque a influ&ecirc;ncia do governo &eacute; muito maior do que devia. Outro problema &eacute; o fato do conselho estar a merc&ecirc; de presidentes que t&ecirc;m mandato de um ano, sem falar na amea&ccedil;a constante de mudan&ccedil;as com projetos que alteram o funcionamento das ag&ecirc;ncias no Congresso. <\/p>\n<p><strong>Discute-se muito a morte da telefonia fixa, hoje o &uacute;nico servi&ccedil;o p&uacute;blico de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Este debate tende a crescer em 2009?<br \/><\/strong>&Eacute; poss&iacute;vel prever um movimento de fragiliza&ccedil;&atilde;o da id&eacute;ia de servi&ccedil;o p&uacute;blico nas telecomunica&ccedil;&otilde;es, hoje atrelada &agrave; altamente questionada telefonia fixa comutada. O que &eacute; conhecido tradicionalmente como servi&ccedil;o p&uacute;blico est&aacute; sendo empurrado ao ostracismo pela apropria&ccedil;&atilde;o feita pelos interesses comerciais da evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, uma vez que interessa a ele n&atilde;o ter condicionantes, press&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es. Fala-se em banda larga p&uacute;blica. Para mim, a preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; pensar a dimens&atilde;o prestacional do servi&ccedil;o, ou seja, garantir que haja um servi&ccedil;o p&uacute;blico que chegue ao cidad&atilde;o, seja uma nova roupagem do SCM [Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia] ou uma esp&eacute;cie de servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o pessoal. Em rela&ccedil;&atilde;o a isso, a fragilidade da Anatel e do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es no campo de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas nesta &aacute;rea &eacute; preocupante.<\/p>\n<p><strong>Se a telefonia fixa est&aacute; em decl&iacute;nio, as tecnologias m&oacute;veis t&ecirc;m ganhado destaque, n&atilde;o?<br \/><\/strong>Sim. A portabilidade vai ser uma quest&atilde;o cada vez mais presente nos debates da &aacute;rea. Vai gerar pre&ccedil;os e tarifas mais baratos? N&atilde;o sei. Acima de tudo, as tecnologias sem fio estar&atilde;o na ponta da agenda pol&iacute;tico-regulat&oacute;ria, com 3G, Wi-Max e MMDS. Isso porque a expans&atilde;o da banda larga, neste momento, vai se dar mais pela rede sem fio do que pela rede f&iacute;sica, uma vez que o investimento para a implanta&ccedil;&atilde;o de redes f&iacute;sicas de alta capacidade &eacute; muito maior. Mas tamb&eacute;m &eacute; algo mais indefinido, porque estas redes sem fio possibilitar&atilde;o distribuir todo e qualquer tipo de conte&uacute;do, inclusive audiovisual. Com o avan&ccedil;o deste processo, fica cada vez menos claro quais ser&atilde;o os servi&ccedil;os ofertados e os terminais usados.<\/p>\n<p><strong>As normas que devem disciplinar este quadro est&atilde;o previstas no Plano Geral de Atualiza&ccedil;&atilde;o da Regulamenta&ccedil;&atilde;o em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (PGR). Ele deve gerar mudan&ccedil;as j&aacute; este ano?<\/strong><br \/>O PGR foi um subproduto interessante do processo de compra da Brasil Telecom pela Oi. Obrigou a Anatel a produzir um documento estrat&eacute;gico. Por mais defici&ecirc;ncias que ele tenha, &eacute; louv&aacute;vel o esfor&ccedil;o que a ag&ecirc;ncia fez. O plano organizou o mapa. Com esta Anatel, ele n&atilde;o ter&aacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia em 2009 e pode morrer. Mesmo o PGMC [Plano Geral de Metas de Competi&ccedil;&atilde;o], com esta situa&ccedil;&atilde;o da Anatel, pode n&atilde;o ser encaminhado, pois pra sair &eacute; preciso lideran&ccedil;a, e ela n&atilde;o existe nem pela Anatel, nem pelo Minicom. <\/p>\n<p><strong>Como voc&ecirc; v&ecirc; a atua&ccedil;&atilde;o do governo federal neste cen&aacute;rio?<\/strong><br \/>Sinto, hoje, que o governo federal n&atilde;o est&aacute; preparado para enfrentar estes desafios. Como eu disse, a capacidade formuladora do Minicom &eacute; muito baixa e a Anatel est&aacute; fragilizada. O minist&eacute;rio est&aacute; despido da capacidade de formula&ccedil;&atilde;o, seja por incapacidade, seja por indisposi&ccedil;&atilde;o. H&aacute; v&aacute;rias diretrizes interessantes no Decreto 4.733\/2003 [que estabelece diretrizes para as pol&iacute;ticas voltadas &agrave; &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es], mas elas foram atropeladas pela viabiliza&ccedil;&atilde;o de um neg&oacute;cio entre duas operadoras. <br \/>E a&iacute; h&aacute; compensa&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m via o CGI-Br [Comit&ecirc; Gestor da Internet do Brasil], o MCT [Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia] e da &aacute;rea de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o, amparadas pela discuss&atilde;o da inclus&atilde;o digital. Mas isso &eacute; insuficiente para dar conta de uma pol&iacute;tica de fato para uma infra-estrutura nacional de informa&ccedil;&atilde;o. Exemplo disso &eacute; o abandono e o n&atilde;o-uso dos recursos do Fust [Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador avalia que teremos \u201cmais perguntas que respostas\u201d ao longo de 2009<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[825],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}