{"id":22389,"date":"2009-01-15T19:40:39","date_gmt":"2009-01-15T19:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22389"},"modified":"2009-01-15T19:40:39","modified_gmt":"2009-01-15T19:40:39","slug":"projeto-do-executivo-descriminaliza-transmissao-sem-licenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22389","title":{"rendered":"Projeto do Executivo descriminaliza transmiss\u00e3o sem licen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">No in&iacute;cio do pen&uacute;ltimo ano do governo Lula, a equipe do presidente por fim mostra-se disposta a dar o primeiro passo para um processo de revis&atilde;o das regras que impedem o crescimento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Foi publicada hoje (15) no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o mensagem do Executivo ao Congresso Nacional enviando projeto de lei que visa descriminalizar o ato de operar servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o sem autoriza&ccedil;&atilde;o do poder concedente. <\/p>\n<p>A iniciativa responde a uma das hist&oacute;ricas demandas dos ativistas da m&iacute;dia comunit&aacute;ria. A persegui&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os reguladores e da pol&iacute;cia &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias &eacute; uma das principais reclama&ccedil;&otilde;es das entidades representativas do setor, que inclusive denunciam um acirramento desta ao longo do governo Lula.<\/p>\n<p>A vers&atilde;o final do PL s&oacute; ser&aacute; divulgada ap&oacute;s o seu acolhimento pelo Congresso, mas o texto que est&aacute; sendo trabalho pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, com apoio da Casa Civil, altera o Artigo 183 da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, excetuando de san&ccedil;&atilde;o penal a transmiss&atilde;o clandestina de telecomunica&ccedil;&otilde;es que seja identificada como radiodifus&atilde;o. O texto tamb&eacute;m revoga o Artigo 70 do C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, que criminaliza &ldquo;a instala&ccedil;&atilde;o ou utiliza&ccedil;&atilde;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es, sem observ&acirc;ncia do disposto nesta Lei e nos regulamentos&rdquo;, estabelecendo pena de um a dois anos, ampliada se houver dano a terceiros. <\/p>\n<p>Os dois artigos modificados pela proposta s&atilde;o os dispositivos utilizados para justificar a pris&atilde;o e abertura de processo criminal contra os respons&aacute;veis pelas emissoras comunit&aacute;rias. Caso sejam aprovadas as modifica&ccedil;&otilde;es, quem colocar uma r&aacute;dio no ar antes de receber a autoriza&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poder&aacute; mais ser preso ou julgado por varas criminais. <\/p>\n<p>A transmiss&atilde;o, no entanto, segue sendo considerada um il&iacute;cito civil. <span>O projeto n&atilde;o faz distin&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza da programa&ccedil;&atilde;o veiculada ou da organiza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pela emissora considerada n&atilde;o-autorizada. Ou seja, seriam abarcadas por estas modifica&ccedil;&otilde;es tanto r&aacute;dios comunit&aacute;rias, como r&aacute;dios e mesmo TVs de car&aacute;ter comercial que operem sem licen&ccedil;a apropriada.<\/span><\/p>\n<p>Segundo o secret&aacute;rio de assuntos legislativos do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, Pedro Abramovay, o PL reflete a posi&ccedil;&atilde;o do governo, apoiada em resolu&ccedil;&atilde;o Conselho Nacional de Pol&iacute;tica Criminal e Penitenci&aacute;ria, de mudar a concep&ccedil;&atilde;o atual da legisla&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Deve ser crime o que atenta contra os bens jur&iacute;dicos da humanidade. A emiss&atilde;o de onda sonora em desacordo com legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o afeta nenhum bem jur&iacute;dico relevante, nada que possa privar a pessoa da liberdade. O mero funcionamento de uma r&aacute;dio n&atilde;o pode ser considerado crime&rdquo;, argumenta. <\/p>\n<p>Seguindo esta l&oacute;gica, a proposta do governo <span>inclui no C&oacute;digo Penal o crime de opera&ccedil;&atilde;o de esta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o que coloquem pessoas em risco de vida ou sa&uacute;de ao atrapalhar ou inviabilizar o funcionamento de &ldquo;servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia, de seguran&ccedil;a p&uacute;blica ou de fins exclusivamente militares&rdquo; ou de &ldquo;equipamentos m&eacute;dico-hospitalares&rdquo;. Neste caso, tamb&eacute;m <\/span><span>poderiam ser enquadradas <\/span><span>emissoras autorizadas que provoquem interfer&ecirc;ncias consideradas danosas. <\/span><\/p>\n<p><strong>Puni&ccedil;&otilde;es mais duras<\/strong><\/p>\n<p>O aspecto positivo do projeto &ndash; retirar da esfera penal a atividade de radiodifus&atilde;o n&atilde;o-autorizada &ndash; pode ser ofuscado pelo endurecimentos das puni&ccedil;&otilde;es civis previsto na proposta. Para quem for pego transmitindo sem autoriza&ccedil;&atilde;o, o texto prop&otilde;e como san&ccedil;&otilde;es a apreens&atilde;o dos equipamentos, multa e suspens&atilde;o do processo de autoriza&ccedil;&atilde;o da outorga ou a proibi&ccedil;&atilde;o de que aquela associa&ccedil;&atilde;o possa se habilitar para um novo processo at&eacute; o pagamento da multa. <\/p>\n<p>Al&eacute;m de prever esta puni&ccedil;&atilde;o &agrave; opera&ccedil;&atilde;o sem licen&ccedil;a, o projeto aprofunda a rigidez das puni&ccedil;&otilde;es administrativas para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias autorizadas em rela&ccedil;&atilde;o a outras infra&ccedil;&otilde;es, divididas em tr&ecirc;s categorias: as regulares, graves e grav&iacute;ssimas. No primeiro grupo, est&aacute; a veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade e propaganda fora dos limites estabelecidos e o descumprimento de qualquer artigo da Lei 9.612, de 1998, que regulamenta o servi&ccedil;o. Atualmente uma emissora comunit&aacute;ria s&oacute; pode receber recursos mediante patroc&iacute;nio, na forma de apoio cultural, de estabelecimentos situados na &aacute;rea atendida. A pena para esta categoria &eacute; multa e a suspens&atilde;o do funcionamento por 30 dias.<\/p>\n<p>J&aacute; no grupo das infra&ccedil;&otilde;es graves foram inclu&iacute;dos a opera&ccedil;&atilde;o dos equipamentos fora das especifica&ccedil;&otilde;es, que atinge aquelas esta&ccedil;&otilde;es que utilizam transmissores mais potentes do que o permitido, e a perman&ecirc;ncia por mais de 30 dias sem funcionamento sem motivo justific&aacute;vel. A pena prevista &eacute; multa e, em caso de reincid&ecirc;ncia, lacra&ccedil;&atilde;o do equipamento at&eacute; a corre&ccedil;&atilde;o dos problemas.<\/p>\n<p>Dentre as infra&ccedil;&otilde;es grav&iacute;ssimas constam a transfer&ecirc;ncia da execu&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o a terceiros e a realiza&ccedil;&atilde;o de proselitisimo de qualquer natureza. A san&ccedil;&atilde;o para tais infra&ccedil;&otilde;es &eacute; a cassa&ccedil;&atilde;o da autoriza&ccedil;&atilde;o e a lacra&ccedil;&atilde;o dos equipamentos. <\/p>\n<p>De acordo com Pedro Abramovay, a maior rigidez foi inserida na proposta seguindo a l&oacute;gica de que o tratamento do desrespeito &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o deve ser feita sob uma abordagem administrativa &ldquo;Atualmente, <span>estas puni&ccedil;&otilde;es est&atilde;o baseadas no fato de que est&aacute;vamos lidando com conduta criminosa. Agora, a Anatel [Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es] tem que ter poder de coercitividade para fazer valer a regra. S&oacute; achamos que este poder n&atilde;o pode ser a pol&iacute;cia, a cadeia&rdquo;, explica.<\/p>\n<p><\/span><strong>Prioridade<br \/><\/strong><br \/>O secret&aacute;rio de assuntos legislativos do MJ afirma que o projeto ser&aacute; uma prioridade do &oacute;rg&atilde;o neste ano. &ldquo;Sabemos que o PL sofrer&aacute; resist&ecirc;ncias, mas o Executivo vai trat&aacute;-lo como prioridade&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>Esta proposta deve aumentar a pol&ecirc;mica em torno de reformas na legisla&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias no Congresso, j&aacute; instalada por conta do debate sobre o substitutivo da deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG). que reformula a Lei 9612\/1998, em tr&acirc;mite na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados. <\/p>\n<p>A CCTCI, no entanto, demonstrou no fim do ano que pelo menos a quest&atilde;o da descriminaliza&ccedil;&atilde;o encontra apoio entre os parlamentares. A comiss&atilde;o aprovou por unanimidade o substitutivo do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) a projeto que tramitava na C&acirc;mara desde 1998 sobre a anistia de r&aacute;dios comunit&aacute;rias que estejam sendo processadas por operarem sem autoriza&ccedil;&atilde;o. No novo texto, Pinheiro incluiu ainda a descriminaliza&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o feita por r&aacute;dios eminentemente comunit&aacute;rias com pot&ecirc;ncia de at&eacute; 250W, modificando exatamente os mesmos artigos do CBT e da LGT revistos no projeto do Executivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativa responde a demanda hist\u00f3rica de emissoras comunit\u00e1rias, mas amplia san\u00e7\u00f5es administrativas para a transmiss\u00e3o feita sem autoriza\u00e7\u00e3o e para comunit\u00e1rias autorizadas que atuem em desacordo com a lei<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[230],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22389"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22389\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}