{"id":22372,"date":"2009-01-13T18:52:43","date_gmt":"2009-01-13T18:52:43","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22372"},"modified":"2009-01-13T18:52:43","modified_gmt":"2009-01-13T18:52:43","slug":"ainda-a-internet-e-os-imperios-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22372","title":{"rendered":"Ainda a internet e os imp\u00e9rios da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Chamo aten&ccedil;&atilde;o para os que n&atilde;o o notaram: no post anterior, sobre a trag&eacute;dia criada por Israel em Gaza, acrescentei um remendo para dar cr&eacute;dito (omitido na vers&atilde;o original) a uma hist&oacute;ria e &agrave; foto que a ilustrava. Em coment&aacute;rio, um leitor cobrou a informa&ccedil;&atilde;o e respondi. N&atilde;o fiz a mesma coisa em rela&ccedil;&atilde;o a outra foto excelente (espero fazer ainda, com a ajuda de algu&eacute;m), limitando-me a explicar como a recebi.<\/p>\n<p>A veicula&ccedil;&atilde;o na internet de fotos e ilustra&ccedil;&otilde;es em geral (para n&atilde;o falar na reprodu&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios textos, informa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es) tornou-se rotina e traz um complicador. Envolve quest&otilde;es de autoria e copyright insuficientemente definidos. Na pr&aacute;tica parece prevalecer o consenso de que portais e sites comerciais, que faturam com an&uacute;ncios, t&ecirc;m de remunerar tal uso; os outros apenas divulgam e promovem.<\/p>\n<p>A caracter&iacute;stica principal da nova m&iacute;dia &eacute; que a maioria esmagadora dos dedicados a ela n&atilde;o tem sequer fonte m&iacute;nima de recursos para garantir a sobreviv&ecirc;ncia do esfor&ccedil;o, muito menos para obter algum lucro (o <em>Daily Kos<\/em> e o <em><u>Drudge Report<\/u><\/em>, exce&ccedil;&otilde;es &agrave; esquerda e &agrave; direita, s&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es que celebrizaram Markos Moulitsas e Matt Drudge). Isso cria uma &aacute;rea cinzenta que tende a ser alvo de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Hoje j&aacute; existem acordos especiais na m&iacute;dia corporativa, com pacotes que incluem os diferentes ve&iacute;culos &ndash; o que &eacute; apenas um ponto de partida.<\/p>\n<p>De certa forma, estou dos dois lados. Antes da experi&ecirc;ncia na internet j&aacute; via textos meus reproduzidos na &iacute;ntegra. Cheguei a ler p&aacute;ginas de um de meus livros transcritas &ndash; sem qualquer cr&eacute;dito ou at&eacute; atribu&iacute;das a outro. Quem o faz deve levar em conta o custo e a dificuldade de a&ccedil;&otilde;es judiciais nessa &aacute;rea, j&aacute; que at&eacute; algumas editoras maiores deixam de prestar contas, sonegando o pagamento aos autores.<\/p>\n<p><strong>Os crit&eacute;rios errados e seus efeitos<\/strong><\/p>\n<p>Com a dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o de empregos no campo da m&iacute;dia, mesmo profissionais de alto n&iacute;vel s&atilde;o frequentemente prejudicados pelo crit&eacute;rio em vigor de usar estagi&aacute;rios e nivelar sal&aacute;rios por baixo. Ficam os que aceitam fazer mais (trabalho), em troca de menos (remunera&ccedil;&atilde;o). Claro que h&aacute; exce&ccedil;&otilde;es para as estrelas, mas elas n&atilde;o s&atilde;o numerosas. Resta aos profissionais a op&ccedil;&atilde;o de virar <em>free lancer<\/em>.<\/p>\n<p>Eles mudam o status voluntariamente ou por decis&atilde;o de empresas determinadas a n&atilde;o assumir os encargos trabalhistas. Tudo isso, bem ou mal, afeta o trabalho de quem decide aderir &agrave; internet, ainda que em car&aacute;ter experimental, como uma esp&eacute;cie de teste. Os blogs s&atilde;o o melhor exemplo disso, j&aacute; que permitem a qualquer pessoa tentar trabalho fascinante e criativo, defender uma causa ou montar um neg&oacute;cio.<\/p>\n<p>Entre os problemas est&atilde;o as regras fluidas. &Agrave;s vezes elas surgem no pr&oacute;prio desdobramento da atividade. Se uma grande empresa de m&iacute;dia acolhe voc&ecirc; no portal dela, &eacute; diferente. Voc&ecirc; passa a relacionar-se com ela de forma n&atilde;o muito distante das rela&ccedil;&otilde;es entre empresa e empregado contratado (ou free lancer). Muitas vezes h&aacute; um contrato.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, tornou-se freq&uuml;ente agora o trabalho com a empresa incluir, mesmo em car&aacute;ter informal ou n&atilde;o expl&iacute;cito, tamb&eacute;m um blog no portal do ve&iacute;culo. Com isso o profissional fatura a imagem de blog independente (status cobi&ccedil;ado mais pela experi&ecirc;ncia ins&oacute;lita dos que se tornaram celebridades em v&aacute;rios pa&iacute;ses), apesar de ter plena consci&ecirc;ncia de estar sujeito, at&eacute; na pr&oacute;pria opini&atilde;o, a autoridade superior.<\/p>\n<p>A variante disso &eacute; algo como o blog de Ricardo Noblat. Teve sucesso ao nascer independente, depois de Noblat deixar o <em style=\"text-decoration: none\">Correio Braziliense <\/em>(dos Di&aacute;rios Associados) e ser cooptado pelo portal do <em>Estad&atilde;o<\/em> e, depois, por <em>O Globo<\/em>. Hoje o v&iacute;nculo expl&iacute;cito (coluna no jornal e tudo) nega a independ&ecirc;ncia &ndash; como escancararam sua ades&atilde;o &agrave; campanha anti-Lula em 2006 e a an&aacute;lise de Gilson Caroni Filho no caso &quot;Gilmar Mendes&quot;.<\/p>\n<p><strong>Os ombudsmans e a transpar&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Comecei com uma quest&atilde;o pr&aacute;tica dos blogs (cr&eacute;dito, uso de trabalhos alheios) e sa&iacute; da rota com dois ou tr&ecirc;s atalhos e digress&otilde;es. &Eacute; que o surpreendente aumento das visitas a este blog me obriga a dar explica&ccedil;&otilde;es aos que o distinguem. Considero-me, de certa forma, pioneiro na defesa de uma m&iacute;dia mais transparente &ndash; desde que entrevistei um Ombudsman na reda&ccedil;&atilde;o do <em>Washington Post<\/em>.<\/p>\n<p>Foi em 1978. A entrevista saiu no ano seguinte em n&uacute;mero especial do jornal do Sindicato dos Jornalistas do Rio, do qual eu ent&atilde;o era vice-presidente. Num texto paralelo, defendi o exerc&iacute;cio da autocr&iacute;tica pela m&iacute;dia e a cria&ccedil;&atilde;o de ombudsmans nas reda&ccedil;&otilde;es &ndash; o que se tornaria realidade em muitas reda&ccedil;&otilde;es. Mas de l&aacute; para c&aacute;, deixei de alimentar ilus&otilde;es sobre transpar&ecirc;ncia na m&iacute;dia corporativa.<\/p>\n<p>Enquanto tinha ilus&otilde;es, escrevia cartas &agrave; reda&ccedil;&atilde;o &ndash; como ainda faz Rold&atilde;o Simas. Escrevi ao <em>Jornal do Brasil<\/em>, onde tinha trabalhado duas vezes, <em>Veja<\/em>, <em>Folha de S.Paulo<\/em>, <em>O Globo<\/em>, onde trabalhei em tr&ecirc;s ocasi&otilde;es diferentes. Eram jornais que lia (nem sempre por prazer). O JB da melhor fase publicava todas. J&aacute; decadente, passou a censur&aacute;-las. A Folha, pilhada num escorreg&atilde;o, vetou uma. N&atilde;o escrevi mais.<\/p>\n<p><em>O Globo <\/em>foi caso &agrave; parte. S&oacute; publicava cartas com elogios. Quando o diretor Roberto Marinho fazia anivers&aacute;rio, enchia p&aacute;ginas com cartas laudat&oacute;rias. Com Evandro Carlos de Andrade &agrave; frente, a reda&ccedil;&atilde;o melhorou, mas o jornal continuou avesso a cr&iacute;tica &ndash; ou autocr&iacute;tica. E quando o Ombudsman da <em>Folha<\/em> ousava alguma cr&iacute;tica, a f&uacute;ria de <em>O Globo<\/em> era infal&iacute;vel, manifestada at&eacute; na coluna social.<\/p>\n<p>Sem dr. Roberto e Evandro, o imp&eacute;rio passou aos irm&atilde;os Marinho. H&aacute; uns tr&ecirc;s anos um amigo jurou que o jornal mudara, j&aacute; fazia corre&ccedil;&otilde;es e autocr&iacute;tica. Acreditei. Fiz uma carta citando erro que me pareceu grave. N&atilde;o saiu. Mais tarde, outra sobre tema diferente tamb&eacute;m foi vetada. Meu amigo entendera mal. Referia-se a coluna que, na p&aacute;gina 2, corrigia irrelev&acirc;ncia (&quot;faltou v&iacute;rgula aqui, acento ali&quot;), subst&acirc;ncia n&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Quando h&aacute; muito a esconder<\/p>\n<p><\/strong>Para mim, &eacute; um o equ&iacute;voco brutal de <em>O Globo<\/em>, mas h&aacute; raz&atilde;o forte. O imp&eacute;rio dos Marinho nunca reconhecer&aacute; que se fez &agrave; sombra da ditadura, aplaudindo seus crimes &ndash; como <em>El Mercurio<\/em> no Chile, cujo Roberto Marinho era Agust&iacute;n Edwards, que se reuniu pessoalmente com o diretor da CIA e recebeu dinheiro (cash) para escapar da fal&ecirc;ncia. Edwards apoiou o golpe contra Allende, virou porta-voz da ditadura e hoje a fam&iacute;lia Edwards &eacute; dona de um imp&eacute;rio &ndash; jornal, r&aacute;dio, TV, etc. Soa familiar?<\/p>\n<p>Nesses dois jornais, claro, jamais haver&aacute; transpar&ecirc;ncia, o que exigiria mea culpa e reconhecimento de erros passados. No caso dos Marinho, apoio &agrave; ditadura e &agrave; tortura, boicote das Diretas-J&aacute;, fraude contra Brizola (ProConsult), falsifica&ccedil;&atilde;o do debate Collor-Lula, etc. Basta observar o cuidado com que O Globo omitiu o pr&oacute;prio papel nas recentes reportagens a prop&oacute;sito do anivers&aacute;rio do AI-5.<\/p>\n<p>Observe-se ainda a conduta recente do imp&eacute;rio dos Marinho ao transformar em campanha torpe o notici&aacute;rio e a sele&ccedil;&atilde;o de cartas sobre a anistia de Jaguar e Ziraldo, do <em>Pasquim<\/em>, cujo papel na ditadura fora oposto ao de <em>O Globo<\/em>. A ponto de ser cinicamente sonegada aos leitores a carta contundente do jornalista Arthur Poerner, que resistira no <em>Correio da Manh&atilde;<\/em>, outro jornal destru&iacute;do pela ditadura.<\/p>\n<p>O fen&ocirc;meno dos blogs ultrajantemente independentes &eacute; um desafio ao jornalismo do imp&eacute;rio Globo. A transpar&ecirc;ncia chega com tal for&ccedil;a ao centro do palco da nova m&iacute;dia que j&aacute; se estende a portais gigantes &ndash; n&atilde;o aqui, mas em Nova York, Washington, Londres. <em>New York Times<\/em>, <em>Washington Post <\/em>e outros grandes mudam o rumo para sobreviver. Os emails ali j&aacute; s&atilde;o bem mais duros do que a carta de Poerner &ndash; ou as minhas.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamo aten&ccedil;&atilde;o para os que n&atilde;o o notaram: no post anterior, sobre a trag&eacute;dia criada por Israel em Gaza, acrescentei um remendo para dar cr&eacute;dito (omitido na vers&atilde;o original) a uma hist&oacute;ria e &agrave; foto que a ilustrava. Em coment&aacute;rio, um leitor cobrou a informa&ccedil;&atilde;o e respondi. 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