{"id":22364,"date":"2009-01-12T18:44:08","date_gmt":"2009-01-12T18:44:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22364"},"modified":"2009-01-12T18:44:08","modified_gmt":"2009-01-12T18:44:08","slug":"um-ano-de-ebc-o-desafio-de-fortalecer-seu-carater-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22364","title":{"rendered":"Um ano de EBC: o desafio de fortalecer seu car\u00e1ter p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Ao completar seu primeiro ano a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o d&aacute; passos importantes para a estrutura&ccedil;&atilde;o de uma empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas o desafio continua a ser fortalecer seu car&aacute;ter p&uacute;blico, ser uma estrutura transparente a servi&ccedil;o da sociedade e, assim, construir sua legitimidade.<\/p>\n<p>A exist&ecirc;ncia de uma empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; uma causa de parte da sociedade brasileira que exige h&aacute; muito tempo o que est&aacute; escrito na Constitui&ccedil;&atilde;o: um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja estatal, mas que tamb&eacute;m n&atilde;o tenha fins comerciais, ou seja, uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, baseada no interesse p&uacute;blico e n&atilde;o no interesse do mercado, dos anunciantes ou dos governantes do momento. O desafio de avan&ccedil;ar est&aacute; agora nas m&atilde;os da atual administra&ccedil;&atilde;o da EBC, de seus trabalhadores e do Conselho Curador. <\/p>\n<p>A forma como a comunica&ccedil;&atilde;o se estruturou no pa&iacute;s, na maior parte comercial e com algumas experi&ecirc;ncias estatais, &eacute; uma dificuldade a mais. Porque o papel da EBC n&atilde;o &eacute; o mesmo dessas outras iniciativas que est&atilde;o h&aacute; muito mais tempo no imagin&aacute;rio e na realidade da sociedade brasileira. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso ainda construir uma diferencia&ccedil;&atilde;o entre aquilo que &eacute; p&uacute;blico do que &eacute; estatal, que na hist&oacute;ria de nosso pa&iacute;s foram entendidos como &ldquo;a mesma coisa&rdquo;.<\/p>\n<p>A proposta de cria&ccedil;&atilde;o da EBC foi e continua sendo pol&ecirc;mica. Porque alguns setores da sociedade s&atilde;o contra a exist&ecirc;ncia de uma empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o devido apenas aos seus pr&oacute;prios interesses econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos. Afinal, por exemplo, os recursos que agora legitimamente financiam a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica historicamente estavam apenas no setor privado. Isso sem falar no n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia brasileira e seu conseq&uuml;ente poderio na realidade pol&iacute;tica do pa&iacute;s. <\/p>\n<p>Por isso, utilizam a m&iacute;dia comercial para literalmente bombardear a necessidade de uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e da EBC. Mas ao inv&eacute;s de apresentarem propostas de mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o, para que deixe de existir a necessidade constitucional da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, preferem desqualific&aacute;-la, muitas vezes com argumentos que n&atilde;o buscam fortalec&ecirc;-la e sim acabar com essa experi&ecirc;ncia ainda recente. <\/p>\n<p>Entretanto, nem todos aqueles que apresentam sugest&otilde;es, cr&iacute;ticas e discord&acirc;ncias t&ecirc;m o mesmo objetivo. Os trabalhadores da EBC, por exemplo, mostraram ao longo de 2008 que desejam fortalecer a nova empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o. Prova disso foi a paralisa&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria da produ&ccedil;&atilde;o para mais de uma m&iacute;dia realizada por profissionais da Ag&ecirc;ncia Brasil e das r&aacute;dios. Naquele momento, exig&iacute;amos a melhoria imediata das condi&ccedil;&otilde;es em que a informa&ccedil;&atilde;o, direito do cidad&atilde;o, &eacute; produzida e o fortalecimento e valoriza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios da empresa. Mais tarde, a pr&oacute;pria dire&ccedil;&atilde;o reconheceu que as propostas apresentadas pelos trabalhadores eram necess&aacute;rias para a melhoria da qualidade do trabalho realizado.<\/p>\n<p>A primeira greve dos trabalhadores da empresa n&atilde;o reivindicava apenas melhorias &#8211; leg&iacute;timas &#8211; no acordo coletivo e no Plano de Cargos e Sal&aacute;rios (que, at&eacute; aquele momento, sequer havia sido enviado para conhecimento dos trabalhadores). O ponto central era o modelo de gest&atilde;o a ser implementado na nova empresa. Ou seria algo efetivamente participativo e democr&aacute;tico, incorporando a experi&ecirc;ncia e demandas dos trabalhadores e da sociedade, ou seria uma gest&atilde;o verticalizada e centralizada. E foi a partir da greve, por exemplo, que avan&ccedil;amos para um di&aacute;logo direto entre trabalhadores e a presidente da empresa. <\/p>\n<p>Em seguida, apresentamos a proposta para a realiza&ccedil;&atilde;o do I Encontro dos Trabalhadores e Dire&ccedil;&atilde;o da EBC. O objetivo era que coletivamente realiz&aacute;ssemos um balan&ccedil;o do primeiro ano e apresent&aacute;ssemos sugest&otilde;es para o futuro, al&eacute;m de termos acesso ao planejamento das a&ccedil;&otilde;es em curso da diretoria.<\/p>\n<p>E foi justamente durante o encontro em dezembro que os trabalhadores puderam apresentar um conjunto de contribui&ccedil;&otilde;es. Defendemos a necessidade de investimentos em comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Comemoramos o fato de que, em 2008, a nova empresa executou um or&ccedil;amento superior a R$ 300 milh&otilde;es, necess&aacute;rios para os investimentos represados h&aacute; anos. <\/p>\n<p>Destacamos que a sociedade brasileira esta est&aacute; cada vez mais cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o a linha editorial dos grupos de m&iacute;dia do pa&iacute;s. &Eacute; s&oacute; ler o que &eacute; publicado na internet em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;dia. E esperamos que esteja tamb&eacute;m cada vez mais cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o que fazemos na EBC.<\/p>\n<p>Reiteramos que o desafio da EBC &eacute; produzir uma comunica&ccedil;&atilde;o diferenciada. Porque se queremos fazer como as outras, talvez seja melhor deixarmos que elas continuem fazendo a sua mesmice. A partir disso, nossos par&acirc;metros n&atilde;o devem ser as empresas comerciais de comunica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o precisamos copiar modelos e formatos. Temos que inovar, dar espa&ccedil;o ao novo. Nesta empresa n&atilde;o deve haver espa&ccedil;o para exposi&ccedil;&atilde;o privilegiada de certas opini&otilde;es em detrimento de outras, muitas vezes disfar&ccedil;adas de jornalismo. Tamb&eacute;m aqui n&atilde;o deve haver promo&ccedil;&atilde;o de apenas algumas pessoas ou determinados grupos e opini&otilde;es. Afinal, isso &eacute; utiliza&ccedil;&atilde;o de um bem p&uacute;blico para fins privados ou particulares.<\/p>\n<p>Para isso, a EBC precisa enfrentar o desafio de rapidamente abrir um debate amplo para definir e documentar os crit&eacute;rios que norteiam a produ&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o de cada um de seus ve&iacute;culos e programas. Ter a sua linha editorial. Isso &eacute; fundamental para que tanto os trabalhadores, mas tamb&eacute;m a sociedade tenham claro qual &eacute; a miss&atilde;o e crit&eacute;rios de cada um dos ve&iacute;culos, orienta&ccedil;&otilde;es objetivas, fazendo com que a qualquer momento o trabalhador que produz esta comunica&ccedil;&atilde;o possa recorrer a estes valores e princ&iacute;pios que n&atilde;o devem, em uma empresa p&uacute;blica, ficarem &agrave; merc&ecirc; do chefe do momento, como acontece na maior parte das m&iacute;dias comerciais e tamb&eacute;m nas estatais. <\/p>\n<p>E n&atilde;o h&aacute; como definir a linha editorial de cada um dos ve&iacute;culos sem a participa&ccedil;&atilde;o daqueles que fazem a empresa funcionar, ou seja, os trabalhadores. Esta &eacute; uma demanda urgente, para a qual estamos dispostos a participar.<\/p>\n<p>Mas defendemos que a sociedade tamb&eacute;m precisa ser consultada, afinal &eacute; dela que vem os mais de R$ 300 milh&otilde;es do or&ccedil;amento desta empresa e &eacute; para atender ao seu direito de ser informada que trabalhamos. Se a proposta &eacute; produzir uma comunica&ccedil;&atilde;o diferenciada, com foco de fato no cidad&atilde;o e n&atilde;o no consumidor, faz mais sentido a produ&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o compartilhada, como &eacute; o caso do quadro &ldquo;Outro Olhar&rdquo; da TV Brasil, ou deve se dar destaque &agrave; cota&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar na p&aacute;gina principal da Ag&ecirc;ncia Brasil? <\/p>\n<p>A sociedade quer ver na EBC an&aacute;lises subjetivas produzidas por pessoas de nossas equipes sobre o resultado de uma elei&ccedil;&atilde;o municipal e o impacto na futura elei&ccedil;&atilde;o presidencial ou quer uma cobertura do processo eleitoral em si, com os fatos e dados, sem adjetivos e suposi&ccedil;&otilde;es futurol&oacute;gicas? <\/p>\n<p>H&aacute; espa&ccedil;o para a opini&atilde;o daqueles que fazem a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica? E esta opini&atilde;o reflete as id&eacute;ias de quem? Da dire&ccedil;&atilde;o da empresa? Do profissional de comunica&ccedil;&atilde;o que escreve ou fala? De toda a sociedade &eacute; imposs&iacute;vel, j&aacute; que n&atilde;o existe consenso em rela&ccedil;&atilde;o a praticamente nenhum assunto. <\/p>\n<p>Em que casos devemos utilizar <em>off<\/em>? Uma empresa p&uacute;blica deve informar ao cidad&atilde;o que &ldquo;segundo uma qualificada fonte do governo o corte no or&ccedil;amento em 2009 ser&aacute; de&#8230;&rdquo;? Em quais casos pode ser admitido um <em>off<\/em>? Em mat&eacute;rias sobre economia ou pol&iacute;tica? Para servir a quais interesses? <\/p>\n<p>O que para a EBC &eacute; pauta e not&iacute;cia? Trabalhamos de fato para o cidad&atilde;o, aquele que tem diversos direitos humanos previstos no papel que &eacute; a Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira? &Eacute; fun&ccedil;&atilde;o da EBC, ent&atilde;o, cobrir as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que deveriam garantir os seus direitos ou devemos cobrir as a&ccedil;&otilde;es comerciais de empresas que mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es com seus acionistas e consumidores? <\/p>\n<p>Queremos disputar a audi&ecirc;ncia repetindo os mesmos formatos e as mesmas fontes? Uma empresa p&uacute;blica deve ter, ent&atilde;o, porta-vozes de certas opini&otilde;es tendo figuras da m&iacute;dia tradicional? Uma empresa p&uacute;blica deve buscar a audi&ecirc;ncia com a superficialidade ou espetaculariza&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia? Refor&ccedil;aremos a l&oacute;gica do entretenimento vazio? Entraremos em coberturas sensacionalistas? Refor&ccedil;aremos ou questionaremos os preconceitos existentes na sociedade? <\/p>\n<p>Este debate precisa ent&atilde;o acontecer, interna e externamente, porque significa responder a in&uacute;meras outras perguntas, que v&atilde;o do jornalismo, passando pelas r&aacute;dios, pela programa&ccedil;&atilde;o e chegando at&eacute; os servi&ccedil;os prestados pela empresa. E as respostas precisam ser constru&iacute;das a partir de reflex&otilde;es coletivas, n&atilde;o encaminhadas por um email ou documento de cima pra baixo. Todas essas perguntas tem rela&ccedil;&atilde;o direta com o dia-a-dia dos trabalhadores e do cidad&atilde;o, mesmo que em alguns momentos a aliena&ccedil;&atilde;o do processo de produ&ccedil;&atilde;o e de acesso &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nos permitam perceber.<\/p>\n<p>As respostas, com suas devidas justificativas, precisam estar dispon&iacute;veis para conhecimento do cidad&atilde;o. Para que, com esses crit&eacute;rios muito bem definidos, ele possa sim nos perguntar se estamos ou n&atilde;o cumprindo aquilo para o qual existimos enquanto empresa p&uacute;blica e para o qual est&atilde;o nos financiando.<\/p>\n<p>Defendemos mais investimentos e as mudan&ccedil;as legais necess&aacute;rias para que os 190 milh&otilde;es de brasileiros possam ver e ouvir as programa&ccedil;&otilde;es e conte&uacute;dos da EBC. Somente assim a empresa ter&aacute; condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de estabelecer um verdadeiro di&aacute;logo com a sociedade. Mas para isso tamb&eacute;m &eacute; importante fortalecer internamente espa&ccedil;os como a Ouvidoria da EBC, que deve acompanhar todos os ve&iacute;culos desta empresa e abrir espa&ccedil;o interno e externo para levantar a forma como a sociedade est&aacute; vendo a comunica&ccedil;&atilde;o que produzimos. E a partir da&iacute; precisaremos dar respostas. E que sejam muitas tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>N&atilde;o temos apenas que colar nos murais os elogios, que devem servir de est&iacute;mulos, mas sim as mais diversas opini&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao resultado final do que produzimos. Inclusive as cr&iacute;ticas. E que sejam muitas, porque elas nos fazem pensar, refletir. E com isso esperamos que a EBC possa avan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental ainda ser uma empresa transparente, tanto interna quanto externamente. Devem ser transparentes os atos normativos, chegando at&eacute; a pr&oacute;pria linha editorial dos ve&iacute;culos. A transpar&ecirc;ncia inclusive evita a desinforma&ccedil;&atilde;o que existe dentro e fora da EBC, que pode servir para prejudic&aacute;-la. Portanto, precisamos investir na comunica&ccedil;&atilde;o interna e tamb&eacute;m na externa de nossas a&ccedil;&otilde;es. Mas os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o podem ser utilizados para veicula&ccedil;&atilde;o promocional da empresa, como aconteceu na Ag&ecirc;ncia Brasil durante a greve. Para isso, devem existir os espa&ccedil;os institucionais da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Reivindicamos que o Conselho Curador e o Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o sejam transparentes tamb&eacute;m. Afinal, s&atilde;o inst&acirc;ncias decis&oacute;rias desta empresa. Todo cidad&atilde;o deve ter ferramentas para poder saber o que discutem, o que cada um que est&aacute; l&aacute; defende e as suas delibera&ccedil;&otilde;es. Afinal, as informa&ccedil;&otilde;es de uma empresa p&uacute;blica s&atilde;o necessariamente p&uacute;blicas. Infelizmente, nem os trabalhadores, nem a sociedade t&ecirc;m vaga no Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o, respons&aacute;vel por decis&otilde;es tamb&eacute;m estrat&eacute;gicas. <\/p>\n<p>Para isso, &eacute; necess&aacute;rio a realiza&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas em que a sociedade poder&aacute; participar para opinar em rela&ccedil;&atilde;o a EBC. Mas &eacute; preciso democratizar o acesso ao conjunto de reuni&otilde;es realizadas pelo Conselho Curador. Acaba de ser eleito o representante dos trabalhadores neste espa&ccedil;o. Ele ser&aacute; um aliado tamb&eacute;m da sociedade na defesa de uma empresa p&uacute;blica e de um conselho participativo e em contato permanente com a sociedade. Um conselho que fiscalize e participe ativamente da gest&atilde;o da empresa. <\/p>\n<p>No encontro, defendemos a realiza&ccedil;&atilde;o da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Momento em que toda a sociedade ter&aacute; a oportunidade tamb&eacute;m de debater a comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e, obviamente, o papel da EBC. <\/p>\n<p>Durante o encontro, os trabalhadores expuseram a necessidade da valoriza&ccedil;&atilde;o de todos os ve&iacute;culos da EBC, que precisa ser vista e compreendida pela sociedade como a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o. Precisamos valorizar a sua hist&oacute;ria, hist&oacute;ria esta da qual nos orgulhamos. Temos orgulho do papel das emissoras de r&aacute;dio, de todas as emissoras de TV, da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias e dos servi&ccedil;os que s&atilde;o prestados por esta empresa. <\/p>\n<p>Em 2008 a R&aacute;dio Nacional completou 50 anos. Houve uma justa homenagem e uma comemora&ccedil;&atilde;o, da qual participou a presidente Tereza Cruvinel. &Eacute; importante que cada trabalhador que entre nesta empresa seja incentivado a conhecer a hist&oacute;ria n&atilde;o s&oacute; do ve&iacute;culo ou do setor no qual ir&aacute; trabalhar, mas da empresa como um todo. Quantos livros j&aacute; foram escritos para contar hist&oacute;rias desta empresa? V&aacute;rios. Temos um setor que registre, documente e torne dispon&iacute;vel para a sociedade a sua bela hist&oacute;ria? Pois este espa&ccedil;o &eacute; sim importante. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m em 2008 uma emissora de TV operada pela EBC, a TV NBR, completou 10 anos. E o que a EBC fez para comemorar e valorizar a import&acirc;ncia desta emissora para o cidad&atilde;o brasileiro? E n&atilde;o &eacute; s&oacute; nas datas comemorativas, mas sim no cotidiano que os ve&iacute;culos devem ser tratados de forma igual, com o mesmo respeito, valor e investimentos que merecem.<\/p>\n<p>Consideramos necess&aacute;rios e urgentes os investimentos em carros, laptops, telefones celulares, r&aacute;dios comunicadores, computadores, transmissores, infra-estrutura, sede e retirarmos de condi&ccedil;&otilde;es insalubres todo os trabalhadores, em todos os setores. Mas uma empresa precisa de uma pol&iacute;tica que valorize o cidad&atilde;o que &eacute; seu funcion&aacute;rio e p&otilde;e a empresa para funcionar. E nos referimos n&atilde;o s&oacute; aos funcion&aacute;rios do quadro, aqueles concursados, mas tamb&eacute;m os demais. <\/p>\n<p>A iniciativa da recente Semana de Sa&uacute;de &eacute; um bom sinal, mas precisamos de mais. De a&ccedil;&otilde;es culturais e pedag&oacute;gicas, por exemplo. De a&ccedil;&otilde;es ambientais. Sugerimos dividir em duas categorias esse investimento no ser humano. A primeira &eacute; na infra-estrutura, nas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e na remunera&ccedil;&atilde;o que seja de fato justa para todos. Estamos longe disso nos contra-cheques da maior parte dos trabalhadores. Hoje, 2 em cada 3 dos 900 funcion&aacute;rios concursados t&ecirc;m um sal&aacute;rio-base menor do que R$ 2.000,00.<\/p>\n<p>Mas a segunda categoria &eacute; algo mais simples, mas t&atilde;o importante quanto a primeira, &eacute; algo que re&uacute;ne duas palavras: respeito e humildade. E isso vale para todos, para n&oacute;s empregados, para chefes e diretores. A arrog&acirc;ncia e a desqualifica&ccedil;&atilde;o superficial do trabalho realizado na hist&oacute;ria da antiga Radiobr&aacute;s serve apenas como est&iacute;mulo a um processo de desgaste do nosso ambiente e das rela&ccedil;&otilde;es sociais internas, que &eacute; prejudicial para todos, inclusive para o cidad&atilde;o que &eacute; informado por n&oacute;s. <\/p>\n<p>Precisamos ent&atilde;o de uma pol&iacute;tica de recursos humanos que valorize os trabalhadores, que os incentive a trabalhar tendo no&ccedil;&atilde;o de sua import&acirc;ncia para a sociedade, que os qualifique, que os incentive a permanecer na empresa, que seja um est&iacute;mulo para que cada um de n&oacute;s tenha compromisso com os recursos p&uacute;blicos, que cada um seja valorizado pelas suas qualidades e auxiliado a superar fraquezas. <\/p>\n<p>Ningu&eacute;m na EBC pode ser visto como professor, muito menos perfeito ou tem valor superior aos outros, seja porque tem um ou dez anos de profiss&atilde;o, seja porque j&aacute; passou por um ou outro ve&iacute;culo, seja porque j&aacute; trabalhou com um ou outro ministro. Ningu&eacute;m &eacute; imprescind&iacute;vel nesta empresa, ela existe apenas porque h&aacute; trabalho coletivo, de muitos que est&atilde;o neste momento nos pr&eacute;dios da EBC em Bras&iacute;lia, em S&atilde;o Paulo, no Rio de Janeiro, no Maranh&atilde;o, mantendo a empresa em funcionamento. Muito menos nenhum ve&iacute;culo &eacute; mais importante que os outros. <\/p>\n<p>O fim &eacute; t&atilde;o importante quanto os meios. N&atilde;o h&aacute; setor de viagens sem que existam jornalistas, radialistas, cinegrafistas, fot&oacute;grafos viajando para produzir comunica&ccedil;&atilde;o. Sem esses, n&atilde;o h&aacute; setor de viagens. Sem o setor de viagens, n&atilde;o h&aacute; produ&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o em um pa&iacute;s como um nosso. Precisamos ent&atilde;o incentivar a solidariedade entre os setores, &aacute;reas, diretorias e profissionais. Assim, todos sair&atilde;o ganhando. Mas para isso precisamos manter sempre o respeito e a humildade.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dire&ccedil;&atilde;o, precisamos ampliar em muito os processos internos e externos de fato democr&aacute;ticos, que permitam a participa&ccedil;&atilde;o de todos e que haja respeito e tranq&uuml;ilidade para construirmos juntos, cada um com suas devidas responsabilidades, todas com a mesma import&acirc;ncia, uma empresa de comunica&ccedil;&atilde;o de fato p&uacute;blica. A realiza&ccedil;&atilde;o neste momento de reuni&otilde;es entre diretoria e empregados sobre o novo plano de cargos, uma reivindica&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, &eacute; apenas um dos exemplos de como deve se dar a gest&atilde;o da EBC.<\/p>\n<p>Da mesma forma que nossa refer&ecirc;ncia editorial n&atilde;o s&atilde;o as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o comerciais, nosso funcionamento interno ou nossas rela&ccedil;&otilde;es e processo internos tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o os mesmos das demais empresas comerciais. Na EBC, n&atilde;o temos donos e sim o cidad&atilde;o l&aacute; fora, para o qual trabalhamos. Ter esta no&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para que, a cada dia que entramos na EBC, fa&ccedil;amos com que nosso trabalho seja cada vez mais importante para aqueles que est&atilde;o l&aacute; do lado de fora, e que, para n&oacute;s que estamos do lado de dentro, seja tamb&eacute;m prazeroso e recompensador. <\/p>\n<p>N&atilde;o sabemos o que vai acontecer com a EBC daqui 1 dia ou em 2 ou 10 anos. Mas sabemos que ter os trabalhadores como defensores de uma empresa p&uacute;blica para a sociedade pode e tem condi&ccedil;&otilde;es de evitar retrocessos e pode permitir muitos avan&ccedil;os. Cada um dos trabalhadores, dentro e fora da empresa, deve ser visto como um aliado e defensor da empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>* <em>Fl&aacute;vio Gon&ccedil;alves &eacute; jornalista e representante eleito da Comiss&atilde;o dos Empregados da EBC; &eacute; membro do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao completar seu primeiro ano a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o d&aacute; passos importantes para a estrutura&ccedil;&atilde;o de uma empresa p&uacute;blica de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas o desafio continua a ser fortalecer seu car&aacute;ter p&uacute;blico, ser uma estrutura transparente a servi&ccedil;o da sociedade e, assim, construir sua legitimidade. 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