{"id":22347,"date":"2009-01-08T15:56:30","date_gmt":"2009-01-08T15:56:30","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22347"},"modified":"2009-01-08T15:56:30","modified_gmt":"2009-01-08T15:56:30","slug":"futuro-da-internet-se-desenha-em-muitas-linguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22347","title":{"rendered":"Futuro da internet se desenha em muitas l\u00ednguas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo da world wide web n&atilde;o ser&aacute; apenas escrito em ingl&ecirc;s. A &Aacute;sia j&aacute; possui o dobro de usu&aacute;rios de internet da Am&eacute;rica do Norte, e at&eacute; 2012 ter&aacute; o triplo. Atualmente, mais de metade das buscas feitas no Google vem de fora dos Estados Unidos. <\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o da web inspirou empreendedores como Ram Prakash Hanumanthappa, engenheiro dos arredores de Bangalore, &Iacute;ndia. Ram Prakash aprendeu ingl&ecirc;s quando adolescente, mas ainda prefere se comunicar com amigos e familiares em sua l&iacute;ngua nativa kannada. Mas usar o kannada na internet envolve mapas de teclado de computador que mesmo Ram Prakash considera dif&iacute;ceis.<\/p>\n<p>Por isso em 2006, ele desenvolveu o Quillpad, um servi&ccedil;o online para digita&ccedil;&atilde;o em dez l&iacute;nguas sul-asi&aacute;ticas. Os usu&aacute;rios soletram palavras de l&iacute;nguas locais foneticamente em letras romanas e a ferramenta preditiva do Quillpad as converte para a grafia da l&iacute;ngua local. Blogueiros e autores est&atilde;o entusiasmados com o servi&ccedil;o, que atraiu o interesse da fabricante de celulares Nokia e chamou a aten&ccedil;&atilde;o do Google Inc., que desde ent&atilde;o introduziu sua pr&oacute;pria ferramenta de translitera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ram Prakash disse que empresas de tecnologia ocidentais n&atilde;o entenderam bem o cen&aacute;rio ling&uuml;&iacute;stico da &Iacute;ndia, onde o ingl&ecirc;s &eacute; falado com profici&ecirc;ncia por apenas cerca de um d&eacute;cimo da popula&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo diversos indianos com n&iacute;vel superior preferem os contornos de suas l&iacute;nguas nativas para a comunica&ccedil;&atilde;o do dia-a-dia. &quot;Temos que dar a eles a oportunidade de se expressar corretamente, ao inv&eacute;s de agirmos como tolos e for&ccedil;&aacute;-los a usar o ingl&ecirc;s,&quot; ele disse.<\/p>\n<p>No entanto, faltam conte&uacute;dos e aplicativos em l&iacute;nguas diferentes do ingl&ecirc;s. Por isso, gigantes americanos da tecnologia est&atilde;o gastando centenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares a cada ano para construir e desenvolver websites e servi&ccedil;os em l&iacute;nguas estrangeiras &#8211; antes que empresas locais como Quillpad saiam na frente e lucrem. <\/p>\n<p>&quot;J&aacute; se foram os dias em que voc&ecirc; podia lan&ccedil;ar uma p&aacute;gina em ingl&ecirc;s e presumir que os leitores do mundo inteiro iriam notar simplesmente por causa do conte&uacute;do fornecido,&quot; disse Zia Daniell Wigder, analista s&ecirc;nior da JupiterResearch, uma empresa de pesquisa online com sede em Nova York. <\/p>\n<p>Em nenhum outro lugar, os obst&aacute;culos, ou recompensas em potencial, est&atilde;o mais aparentes do que na &Iacute;ndia, cuja popula&ccedil;&atilde;o online se tornar&aacute; a terceira maior do mundo, depois da China e dos Estados Unidos at&eacute; 2012, segundo a Jupiter. Os indianos podem falar em uma l&iacute;ngua com o chefe, em outra com a esposa e em uma terceira com os pais. Na comunica&ccedil;&atilde;o casual, as palavras podem vir de uma s&eacute;rie de l&iacute;nguas.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos dois anos, Yahoo e Google introduziram mais de uma d&uacute;zia de servi&ccedil;os para incentivar os internautas indianos a participar de buscas, blogs, chats e aprender em suas l&iacute;nguas m&atilde;es. A Microsoft j&aacute; disponibilizou os diversos servi&ccedil;os online do Windows Live em sete l&iacute;nguas indianas. O Facebook recrutou centenas de volunt&aacute;rios para traduzir seu site de rede social em h&iacute;ndi e outras l&iacute;nguas regionais, e a Wikip&eacute;dia tem agora mais verbetes em l&iacute;nguas locais indianas do que em coreano.<\/p>\n<p>O servi&ccedil;o de busca do Google ficou atr&aacute;s da concorr&ecirc;ncia local na China, e isso fez com que o fornecimento de servi&ccedil;os com sabor local na &Iacute;ndia se tornasse uma prioridade para a companhia. As iniciativas do Google na &Iacute;ndia t&ecirc;m o objetivo de abrir o mercado do computador pessoal, que tem um hist&oacute;rico de crescimento lento no pa&iacute;s, e desenvolver conhecimento que o Google poder&aacute; aplicar na formula&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os para mercados emergentes ao redor do mundo.<\/p>\n<p>&quot;A &Iacute;ndia &eacute; um microcosmo do mundo,&quot; disse o doutor Prasad Bhaarat Ram, l&iacute;der de pesquisa e desenvolvimento do Google &Iacute;ndia. &quot;Ter 22 l&iacute;nguas cria um novo n&iacute;vel de complexidade no qual voc&ecirc; n&atilde;o consegue adotar a mesma abordagem que adotaria se tivesse uma l&iacute;ngua predominante e a aplicasse 22 vezes.&quot; <\/p>\n<p>Corpora&ccedil;&otilde;es globais est&atilde;o gastando centenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano, trabalhando em uma lista de l&iacute;nguas para as quais desejam traduzir seus web sites, disse Donald A. DePalma, chefe de pesquisa da Common Sense Advisory, uma consultoria de Lowell, Massachusetts, especializada em regionalizar p&aacute;ginas da internet.<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia &#8211; com e-commerce e mercado de an&uacute;ncios online relativamente subdesenvolvidos &#8211; na verdade tem menos prioridade do que a R&uacute;ssia, o Brasil e a Cor&eacute;ia do Sul, DePalma disse. <\/p>\n<p>Ram, do Google, reconheceu que as iniciativas da companhia em l&iacute;nguas locais da &Iacute;ndia ainda n&atilde;o tinham gerado receita significativa.<\/p>\n<p>Mas os investimentos, DePalma afirma, s&atilde;o inteligentes. &quot;Eles est&atilde;o potencialmente criando o mercado de an&uacute;ncios indiano,&quot; disse.<\/p>\n<p>Apenas o ingl&ecirc;s n&atilde;o ser&aacute; suficiente para se conectar ao mercado online em expans&atilde;o na &Iacute;ndia, uma li&ccedil;&atilde;o aprendida por produtores de televis&atilde;o ocidentais e fabricantes de produtos para consumidores finais, disse Rama Bijapurkar, consultora de marketing e autora de Winning in the Indian Market: Understanding the Transformation of Consumer India (&quot;Vencendo no Mercado Indiano: Entendendo a Transforma&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia Consumidora&quot;).<\/p>\n<p>&quot;Se voc&ecirc; quer alcan&ccedil;ar um bilh&atilde;o de pessoas, ou at&eacute; mesmo meio bilh&atilde;o, e criar um la&ccedil;o com elas, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; outra escolha sen&atilde;o a de usar m&uacute;ltiplas l&iacute;nguas,&quot; ela disse.<\/p>\n<p>Mesmo entre a ampla base de falantes de ingl&ecirc;s, com cerca de 50 milh&otilde;es de usu&aacute;rios na &Iacute;ndia hoje, quase tr&ecirc;s quartos preferem ler em uma l&iacute;ngua local, segundo uma pesquisa da JuxtConsult, empresa de pesquisa de mercado indiana. Muitos n&atilde;o conseguem encontrar o conte&uacute;do que procuram. &quot;Existe uma grande falta de conte&uacute;do nas l&iacute;nguas locais,&quot; disse Sanjay Tiwari, chefe-executivo da JuxtConsult.<\/p>\n<p>Uma iniciativa da Microsoft, o Projeto Bhasha, coordena os esfor&ccedil;os de acad&ecirc;micos indianos, empresas locais e desenvolvedores individuais de softwares para inclus&atilde;o digital das l&iacute;nguas regionais. O site do projeto, que possui milhares de membros cadastrados, se refere &agrave; l&iacute;ngua como &quot;uma das principais respons&aacute;veis pela barreira digital,&quot; na &Iacute;ndia. <\/p>\n<p>A companhia tamb&eacute;m v&ecirc; uma demanda crescente de ag&ecirc;ncias governamentais e empresas indianas que desejam criar servi&ccedil;os p&uacute;blicos online em l&iacute;nguas locais.<\/p>\n<p>&quot;Como muitas dessas empresas desejam levar seus servi&ccedil;os a &aacute;reas rurais, cidades secund&aacute;rias ou pequenas cidades na &Iacute;ndia, &eacute; essencial que elas se comuniquem com seus clientes na l&iacute;ngua local,&quot; disse Pradeep Parappil, gerente de programa da Microsoft.<\/p>\n<p>O site do projeto, BhashaIndia.com, oferece gloss&aacute;rios em l&iacute;nguas locais, editados por usu&aacute;rios e com termos de tecnologia e g&iacute;rias usadas nas redes sociais da internet (&quot;bhasha&quot; significa l&iacute;ngua em h&iacute;ndi).<\/p>\n<p>Em dezembro passado, Yahoo e Jagran Group, uma grande editora de jornais em h&iacute;ndi, iniciaram o Jagran.com, um portal em h&iacute;ndi, l&iacute;ngua nativa de 420 milh&otilde;es de indianos.<\/p>\n<p>O Yahoo, que tamb&eacute;m oferece e-mail e outros conte&uacute;dos em diversas l&iacute;nguas indianas, diz que o Jagran.com superou suas expectativas de tr&aacute;fego de usu&aacute;rios. <\/p>\n<p>&quot;Regionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a chave do sucesso em pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia,&quot; disse Gopal Krishna, que supervisiona servi&ccedil;os para o consumidor do Yahoo &Iacute;ndia. <\/p>\n<p>O Google recentemente introduziu sites de not&iacute;cias em h&iacute;ndi e outras tr&ecirc;s importantes l&iacute;nguas sul-indianas, e uma ferramenta de translitera&ccedil;&atilde;o que permite escrever em cinco l&iacute;nguas diferentes do pa&iacute;s. Sua ferramenta de busca opera em nove l&iacute;nguas indianas e traduz resultados de pesquisas do ingl&ecirc;s para o h&iacute;ndi e vice-versa.<\/p>\n<p>Os engenheiros do Google tamb&eacute;m est&atilde;o trabalhando duro em reconhecimento de voz, tradu&ccedil;&atilde;o, translitera&ccedil;&atilde;o e leitura de textos digitais, que a empresa planeja aplicar em outros pa&iacute;ses em desenvolvimento. <\/p>\n<p>Ram Prakash disse que ficou inspirado quando amigos do Google lhe disseram que haviam comparado a ferramenta de translitera&ccedil;&atilde;o do Quillpad com a do Google. Ele disse acreditar que o uso de l&iacute;nguas locais na internet ir&aacute; aumentar, mesmo com mais indianos se esfor&ccedil;ando para aprender ingl&ecirc;s. <\/p>\n<p>&quot;&Eacute; por isso que dizemos que o ingl&ecirc;s n&atilde;o basta,&quot; Ram Prakash disse, repetindo o slogan do Quillpad. &quot;As pessoas querem ter expectativas e aprender ingl&ecirc;s. Tudo bem, mas o ingl&ecirc;s n&atilde;o basta para todas as suas necessidades.&quot;<\/p>\n<p><em>* Publicado originalmente por The New York Times<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pr&oacute;ximo cap&iacute;tulo da world wide web n&atilde;o ser&aacute; apenas escrito em ingl&ecirc;s. A &Aacute;sia j&aacute; possui o dobro de usu&aacute;rios de internet da Am&eacute;rica do Norte, e at&eacute; 2012 ter&aacute; o triplo. Atualmente, mais de metade das buscas feitas no Google vem de fora dos Estados Unidos. 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