{"id":22341,"date":"2009-01-07T17:03:34","date_gmt":"2009-01-07T17:03:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22341"},"modified":"2009-01-07T17:03:34","modified_gmt":"2009-01-07T17:03:34","slug":"inclusao-digital-e-tarefa-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22341","title":{"rendered":"Inclus\u00e3o digital \u00e9 tarefa de todos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><a name=\"11eb1dad388ce606_m6461\"><\/a>Quando se fala em inclus&atilde;o digital, fala-se em dar acesso &agrave; tecnologia de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. E, neste contexto, &eacute; importante todos os &oacute;rg&atilde;os que lidam com a quest&atilde;o da cidadania estarem articulados. Por que raz&atilde;o o pa&iacute;s tem hoje &iacute;ndices de analfabetismo muito menores que pa&iacute;ses africanos que t&ecirc;m a mesma idade do Brasil? Porque existe uma pol&iacute;tica p&uacute;blica estatal de inclus&atilde;o das pessoas na educa&ccedil;&atilde;o. Se o pa&iacute;s n&atilde;o tivesse decidido que 25% dos or&ccedil;amentos dos estados e 30% dos or&ccedil;amentos dos munic&iacute;pios deveriam ser colocados na inclus&atilde;o das pessoas na Educa&ccedil;&atilde;o, com certeza n&atilde;o ter&iacute;amos criado uma rede de educa&ccedil;&atilde;o como h&aacute; hoje: 150 mil escolas p&uacute;blicas. Existe uma rede complementar particular? Sim, existe. Mas &eacute; complementar. Ou seja, h&aacute; uma pol&iacute;tica p&uacute;blica articulada entre Uni&atilde;o, estados e munic&iacute;pios que permite que qualquer cidad&atilde;o, de forma universal, acesse a educa&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A mesma coisa chegou para a Sa&uacute;de, com o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). &Eacute; uma pol&iacute;tica p&uacute;blica, tamb&eacute;m articulada entre munic&iacute;pios, estados e a Uni&atilde;o. Esta &uacute;ltima entra com recursos, com hospitais federais; os estados entram com hospitais estaduais e tamb&eacute;m recursos; e os munic&iacute;pios s&atilde;o respons&aacute;veis pela porta de entrada do sistema, que s&atilde;o as unidades de atendimento b&aacute;sico em sa&uacute;de, os postos de sa&uacute;de etc. <\/p>\n<p>N&atilde;o sabemos exatamente qual vai ser o padr&atilde;o do uso da tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o nas diferentes atividades profissionais daqui para frente. S&oacute; sabemos que ela estar&aacute; em todas. Portanto, ela ser&aacute; diferencial para as pessoas. Estar&atilde;o inclu&iacute;das nas atividades de trabalho as pessoas que estiverem inclu&iacute;das digitalmente. Ent&atilde;o passa a haver a necessidade de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica efetiva para isso. E que, assim como foi feito com a educa&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de, tem que ser articulada entre munic&iacute;pios, estados e Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o vem disponibilizando pontos de acesso, telecentros. Alguns projetos s&atilde;o mais audaciosos, como o Casa Brasil &mdash; projeto interministerial cuja gest&atilde;o &eacute; coordenada pela Casa Civil &mdash; e os Pontos de Cultura, desenvolvido pelo Minist&eacute;rio da Cultura. Mas eles precisam estar articulados com as situa&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o diferenciadas localmente. E s&oacute; quem lida com isso &eacute; o munic&iacute;pio: a quest&atilde;o local se estabelece atrav&eacute;s deles.<\/p>\n<p>Se colocarmos hoje um telecentro em uma comunidade ind&iacute;gena, queremos que essa comunidade entenda a internet, considerando que hoje 80% do conte&uacute;do da rede &eacute; em ingl&ecirc;s e s&oacute; 3% &eacute; escrito em portugu&ecirc;s e n&atilde;o h&aacute; praticamente nada em guarani? Ou queremos que a comunidade possa usar a facilidade de comunica&ccedil;&atilde;o, de interliga&ccedil;&atilde;o que pode estabelecer, por exemplo, com as 280 comunidades ind&iacute;genas brasileiras espalhadas por esse continente que &eacute; o Brasil, e se comunicar na sua l&iacute;ngua, mostrar as diferen&ccedil;as culturais e mostrar o que elas s&atilde;o, colocar o seu conhecimento?<\/p>\n<p>Um outro exemplo: queremos colocar telecentro em uma favela para que as pessoas de l&aacute; recebam um modelo das elites brasileiras? Ou queremos que eles entrem em um telecentro e mostrem o que fazem de cultura, de hip hop e as outras coisas fant&aacute;sticas que h&aacute; l&aacute;, evitando que s&oacute; se ressalte o que h&aacute; de ruim nessas comunidades?<\/p>\n<p>Para mudar isso &eacute; preciso colocar conte&uacute;do na rede &mdash; e isso &eacute; um trabalho local, do munic&iacute;pio. Neste contexto, o diferencial se dar&aacute; na medida em que, se o munic&iacute;pio articular, vai conseguir colocar as pessoas em fun&ccedil;&atilde;o das necessidades locais, da cultura local. Essa fun&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental, pois sen&atilde;o teremos uma inclus&atilde;o digital que nada mais ser&aacute; que a transmiss&atilde;o e a replica&ccedil;&atilde;o de conhecimento das elites, gerando homogeneiza&ccedil;&atilde;o e padroniza&ccedil;&atilde;o. Outro fator importante para a inclus&atilde;o digital &eacute; a capacita&ccedil;&atilde;o &mdash; e a&iacute; sim a Uni&atilde;o tem uma import&acirc;ncia grande, com as a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, articulando universidades, etc. <\/p>\n<p>Por isso insisto na import&acirc;ncia na articula&ccedil;&atilde;o Uni&atilde;o-estados-munic&iacute;pios, pois cada um tem um papel nesse processo. E, se conseguirmos desenhar bem o papel de cada um, vamos criar uma possibilidade de crescimento da sociedade. E n&atilde;o da sociedade ser mais uma vez abafada com a tecnologia.<\/p>\n<p>Precisamos pensar em projetos da constru&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s, baseada em conceitos republicanos, em vez de continuarmos pensando em modelos que est&atilde;o muito mais ligados a projetos partid&aacute;rios. E, segundo os conceitos republicanos, a Uni&atilde;o deve tratar de todos os munic&iacute;pios e estados de maneira &uacute;nica, preservadas, obviamente, suas diferen&ccedil;as ambientais, sociais, econ&ocirc;micas, etc. <\/p>\n<p>Temos que construir uma pol&iacute;tica aderida a um conceito de Estado, e n&atilde;o a um conceito de governo. O munic&iacute;pio tem que ter financiamento, independentemente de tamanho e de articula&ccedil;&otilde;es para conseguir fundos. Tem que existir uma pol&iacute;tica do pa&iacute;s, e n&atilde;o uma pol&iacute;tica do governo. Precisamos de um modelo &mdash; permeado por toda a cultura do pa&iacute;s &mdash; de fontes de financiamento, de projetos de conte&uacute;do e de inclus&atilde;o das pessoas, modelo esse n&atilde;o imposto pelo governo federal, mas sim negociado entre os diversos entes.<\/p>\n<p>Em resumo, temos de pensar em um Plano Nacional de Inclus&atilde;o Digital, que n&atilde;o &eacute; responsabilidade exclusiva da Uni&atilde;o, tampouco do Estado brasileiro, e sim da sociedade brasileira. Assim como a educa&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de, que hoje n&atilde;o s&atilde;o responsabilidade apenas do Estado brasileiro, e sim da na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>* Marcos Mazoni &eacute; presidente do Servi&ccedil;o Federal de Processamento de Dados (Serpro).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em inclus&atilde;o digital, fala-se em dar acesso &agrave; tecnologia de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. 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