{"id":22317,"date":"2008-12-19T19:51:59","date_gmt":"2008-12-19T19:51:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22317"},"modified":"2008-12-19T19:51:59","modified_gmt":"2008-12-19T19:51:59","slug":"exercicio-de-futurologia-o-que-esperar-de-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22317","title":{"rendered":"Exerc\u00edcio de futurologia: O que esperar de 2009"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Aproveitando a mudan&ccedil;a de calend&aacute;rio e seguindo uma velha praxe, tenho feito um &quot;balan&ccedil;o&quot; seletivo do setor de comunica&ccedil;&otilde;es quando o janeiro seguinte se aproxima. Na verdade, no final de 2007, exagerei na medida e cometi tr&ecirc;s longos textos cobrindo 16 &aacute;reas e dedicando um artigo inteiro a manifesta&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;as internacionais sobre o papel da m&iacute;dia [ver &quot;Balan&ccedil;o 2007: As cr&iacute;ticas de Gore e Blair &agrave; grande m&iacute;dia&quot;, &quot;Mais recuos do que avan&ccedil;os&quot; e &quot;Algumas novidades e poucos progressos&quot;].<\/p>\n<p>Depois de reler os balan&ccedil;os anteriores decidi que &eacute; hora de quebrar essa seq&uuml;&ecirc;ncia: eles come&ccedil;aram a ficar repetitivos. Apesar das intensas mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas e, at&eacute; mesmo, de alguns poucos avan&ccedil;os institucionais, n&atilde;o me parece que tenha havido altera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica significativa no setor.<\/p>\n<p>No ano em que se celebraram (ou n&atilde;o?) os &quot;200 anos da Imprensa no Brasil&quot; e os &quot;20 anos da Constitui&ccedil;&atilde;o&quot;, a reflex&atilde;o cr&iacute;tica dominante foi exatamente de que a maioria dos atores que historicamente &quot;d&atilde;o as cartas&quot; na formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a maioria dos problemas das comunica&ccedil;&otilde;es continuam basicamente os mesmos.<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s de &quot;balan&ccedil;o de final de ano&quot; decidi, ent&atilde;o, olhar para frente, fazer prospec&ccedil;&atilde;o, futurologia. Claro, isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel a partir de uma avalia&ccedil;&atilde;o do presente. Claro tamb&eacute;m que se erra menos quando se avalia o que passou. No entanto, como o futuro do passado tem sido irritantemente parecido, talvez antecipar o futuro do presente n&atilde;o seja t&atilde;o imposs&iacute;vel. <\/p>\n<p>De qualquer maneira, a&iacute; v&atilde;o minhas primeiras especula&ccedil;&otilde;es, listadas aleatoriamente. O que n&atilde;o acontecer, para o bem ou para o mal, fica apenas na conta de mais uma previs&atilde;o que fracassou. <\/p>\n<p><strong>1. O futuro dos &quot;jornal&otilde;es&quot;<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; verdade: na contram&atilde;o do que acontece em pa&iacute;ses como os EUA, houve entre n&oacute;s um crescimento importante da chamada imprensa popular na esteira da vigorosa inclus&atilde;o de setores das classes C e D ao mercado de consumo, nos &uacute;ltimos anos. No que se refere aos &quot;jornal&otilde;es&quot; da grande m&iacute;dia, no entanto, nunca foi t&atilde;o verdadeira a frase de Bernardo Kucinski escrita anos atr&aacute;s:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;&#8230;a elite dominante &eacute; ao mesmo tempo a fonte, a protagonista e a leitora das not&iacute;cias; uma circularidade que exclui a massa da popula&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o escrita do espa&ccedil;o p&uacute;blico definido pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa&quot;. <\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Os &quot;jornal&otilde;es&quot; est&atilde;o, cada vez mais, falando para si mesmos. Da&iacute; a enorme perda do seu poder de &quot;formar opini&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p>Ser&aacute; poss&iacute;vel prosseguir contando amanh&atilde; a not&iacute;cia que todos j&aacute; conhecem hoje? A m&iacute;dia impressa ter&aacute; obrigatoriamente que se reinventar e repensar seu papel na sociedade e, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, a sua credibilidade passar&aacute; a ser um fator determinante na batalha da sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>2. O laborat&oacute;rio dos novos conceitos jur&iacute;dicos<\/strong><\/p>\n<p>No ano que termina tornaram-se presentes no debate p&uacute;blico conceitos como liberdade de express&atilde;o comercial e teses como a que desobriga o sistema privado de m&iacute;dia de sua responsabilidade em rela&ccedil;&atilde;o ao interesse p&uacute;blico. O atendimento deste seria tarefa apenas dos sistemas p&uacute;blico e estatal. <\/p>\n<p>O laborat&oacute;rio de &quot;bal&otilde;es de ensaio&quot; jur&iacute;dico continuar&aacute; a funcionar a todo vapor em 2009. O que seus patrocinadores desejam &eacute; transformar esses conceitos e teses em novas normas legais. N&atilde;o &eacute; simples, mas tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel que aconte&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>3. O avan&ccedil;o da internet <\/strong><\/p>\n<p>A inclus&atilde;o digital continuar&aacute; a surpreender positivamente. A informa&ccedil;&atilde;o online &ndash; de todo tipo &ndash; estar&aacute; cada vez mais dispon&iacute;vel a pre&ccedil;os acess&iacute;veis tanto nos computadores como nos celulares que, ali&aacute;s, j&aacute; se transformaram em minicomputadores port&aacute;teis. Milh&otilde;es e milh&otilde;es de brasileiros(as) j&aacute; fazem parte de uma gera&ccedil;&atilde;o socializada com a presen&ccedil;a (dominante?) da internet: em casa, no vizinho, no amigo, no trabalho, nas lan-houses, nos centros de cultura, nas igrejas etc., etc.<\/p>\n<p>Um exemplo: as not&iacute;cias n&atilde;o chegam mais pelo jornal impresso no caf&eacute; da manh&atilde; ou pelo telejornal da TV, &agrave; noite. Escolhe-se o assunto e a operadora de telefonia m&oacute;vel, diretamente ou atrav&eacute;s de parceria com uma ag&ecirc;ncia noticiosa, envia para o celular do assinante torpedos SMS com as informa&ccedil;&otilde;es selecionadas, 24 horas por dia. <\/p>\n<p>As conseq&uuml;&ecirc;ncias dessa imensa revolu&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o foram totalmente &quot;digeridas&quot; pela m&iacute;dia impressa ou pela televis&atilde;o (o r&aacute;dio &quot;corre por fora&quot; e sobre ele falaremos depois).<\/p>\n<p><strong>4. A batalha das id&eacute;ias<\/strong><\/p>\n<p>Os concession&aacute;rios privados de radiodifus&atilde;o continuar&atilde;o a recorrer ao fantasma da censura e da amea&ccedil;a &agrave; liberdade de express&atilde;o como forma de interditar o debate sobre os avan&ccedil;os necess&aacute;rios na democratiza&ccedil;&atilde;o do setor. Essa tem sido a forma recorrente de se estabelecer a confus&atilde;o sobre o que de fato est&aacute; em quest&atilde;o.<\/p>\n<p>Assistiremos, simultaneamente, a um revigoramento da defesa do status quo midi&aacute;tico que, ali&aacute;s, j&aacute; est&aacute; em andamento. Porta-vozes intelectualmente sofisticados defendem bandeiras h&aacute; d&eacute;cadas caducas, por interm&eacute;dio de colunas, artigos e coment&aacute;rios. Claro, essa defesa continuar&aacute; a proteger os interesses daqueles que resistem historicamente &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es entre n&oacute;s.<\/p>\n<p><strong>5. O fator Obama<\/strong><\/p>\n<p>Se Barack Obama cumprir as promessas de campanha para o setor de comunica&ccedil;&otilde;es, sua posse na presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 2009, dever&aacute; ter repercuss&otilde;es positivas, inclusive, no Brasil. Espera-se que sejam criadas novas regras para (1) garantir acesso aberto &agrave; internet para todos os domic&iacute;lios e empresas, urbanas e rurais, ricas e pobres; (2) impedir maior concentra&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia e, ao mesmo tempo, incentivar e fortalecer a m&iacute;dia local independente &ndash; jornais, emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o; e (3) financiar a m&iacute;dia p&uacute;blica e comunit&aacute;ria, assim como a outros grupos n&atilde;o-comerciais. <\/p>\n<p>O &quot;efeito demonstra&ccedil;&atilde;o&quot; potencial que a ado&ccedil;&atilde;o dessas pol&iacute;ticas nos EUA teria no Brasil n&atilde;o deve ser subestimado. Os atores locais eternamente contr&aacute;rios &agrave;s medidas democratizantes perderiam uma de suas principais refer&ecirc;ncias<\/p>\n<p><em>[Continua na pr&oacute;xima edi&ccedil;&atilde;o.]<br \/><\/em><br \/><em>* Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproveitando a mudan&ccedil;a de calend&aacute;rio e seguindo uma velha praxe, tenho feito um &quot;balan&ccedil;o&quot; seletivo do setor de comunica&ccedil;&otilde;es quando o janeiro seguinte se aproxima. 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