{"id":22316,"date":"2008-12-19T19:40:26","date_gmt":"2008-12-19T19:40:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22316"},"modified":"2008-12-19T19:40:26","modified_gmt":"2008-12-19T19:40:26","slug":"nas-telas-uma-nova-politica-de-financiamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22316","title":{"rendered":"Nas telas, uma nova pol\u00edtica de financiamento"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><em>Historicamente, o modelo de financiamento da ind&uacute;stria do cinema e do audiovisual foi constitu&iacute;do a partir de investimentos por parte dos agentes privados mediante patroc&iacute;nio ou ren&uacute;ncia fiscal. Em 2007, segundo dados do Minist&eacute;rio da Cultura, estas fontes de receitas movimentaram mais de R$ 1 bilh&atilde;o, sendo apenas 10% deste total recursos pr&oacute;prios de empresas. Estas solu&ccedil;&otilde;es geraram um quadro calcado no controle privado dos recursos p&uacute;blicos para esta que &eacute; uma &aacute;rea vital &agrave; cultura brasileira.<\/p>\n<p><\/em><em>Ao longo do ano de 2008, especialmente a partir da entrada do novo ministro Juca Ferreira, o Minist&eacute;rio da Cultura colocou na agenda p&uacute;blica a revis&atilde;o deste modelo e dos mecanismos de financiamento da cultura no pa&iacute;s, especialmente da Lei Rouanet. Uma das a&ccedil;&otilde;es integrantes do esfor&ccedil;o de busca por um novo paradigma para os investimentos nesta &aacute;rea foi o lan&ccedil;amento do Fundo Setorial do Audiovisual, realizado no m&ecirc;s de novembro no Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>Criado por meio da Lei 11.437 de 2006 e regulamentado pelo Decreto 6.299 de 2007, o FSA &eacute; uma modalidade espec&iacute;fica do Fundo Nacional de Cultura e tem como objetivo potencializar os investimentos diretos do Estado em toda a cadeia produtiva do setor audiovisual. Com R$ 74 milh&otilde;es previstos para aplica&ccedil;&atilde;o em 2009, o fundo traz inova&ccedil;&otilde;es ao ampliar a lista de quais os agentes da cadeia a serem financiados, indo al&eacute;m do tradicional custeio da produ&ccedil;&atilde;o, e ao introduzir o elemento do risco nos projetos selecionados, desconstruindo o financiamento integral pr&eacute;vio caracter&iacute;stico de v&aacute;rias obras realizadas no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio do Audiovisual do Minist&eacute;rio da Cultura, Silvio Da-Rin, foi um dos art&iacute;fices do complexo esfor&ccedil;o de desenho da arquitetura do Fundo. Ele falou &agrave; reportagem do <\/em><em>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o sobre a relev&acirc;ncia da iniciativa e detalhou como funcionar&atilde;o as linhas, as formas de acesso aos recursos e as contrapartidas da parte dos benefici&aacute;rios.<\/em><\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a import&acirc;ncia do FSA para a cadeia produtiva do audiovisual?<\/strong><br \/>Em primeiro lugar, ele coloca um montante significativo de recursos no setor. Em segundo lugar, ele induz um maior n&iacute;vel de risco, o que gera maior responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos agentes, uma vez que n&atilde;o ser&aacute; dinheiro que entra sem compromissos e sem contrapartidas. Em terceiro lugar, ele gera maior integra&ccedil;&atilde;o entre os agentes de mercado. Outro impacto importante &eacute; uma maior previsibilidade dos investimentos, j&aacute; que a capta&ccedil;&atilde;o de recursos por incentivo fiscal &eacute; imprevis&iacute;vel. Assim, h&aacute; um fluxo cont&iacute;nuo que traz uma regularidade importante para a economia do setor para sua estabiliza&ccedil;&atilde;o.<br \/>Acredito tamb&eacute;m que o fundo induza a um aprimoramento dos modelos de neg&oacute;cio. Quando as novas linhas de financiamento come&ccedil;arem a ser operadas, teremos tamb&eacute;m outras conseq&uuml;&ecirc;ncias ben&eacute;ficas, como a maior aproxima&ccedil;&atilde;o das universidades com o mercado, porque linhas de pesquisa ser&atilde;o estimuladas, e a moderniza&ccedil;&atilde;o do parque da infra-estrutura, tanto para a reforma de salas como para laborat&oacute;rios de finaliza&ccedil;&atilde;o de imagem e som.<\/p>\n<p><strong>O que motivou o movimento do governo federal e da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine) de cria&ccedil;&atilde;o do fundo?<br \/><\/strong>As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de fomento da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual s&atilde;o implementadas desde 1993, desde quando o Presidente da Rep&uacute;blica sancionou a Lei do Audiovisual. O Artigo 1&ordm; instituiu a possibilidade de patroc&iacute;nio por empresas que gostariam de transferir para produ&ccedil;&atilde;o de obras impostos que deixavam de pagar. O Artigo 3&ordm; estava aberto apenas para distribuidores estrangeiros que passaram a poder investir, tornando-se s&oacute;cios do produtor, at&eacute; 70% do imposto que eles teriam que recolher por esta remessa de direitos de royalties &agrave;s suas matrizes no exterior. <br \/>Estes, que tornaram-se os dois principais mecanismos, e mais outros como os Funcines resultaram em um processo de terceiriza&ccedil;&atilde;o, no qual o Estado delega aos respons&aacute;veis pelo marketing cultural e aos distribuidores estrangeiros a prerrogativa de decidir quais ser&atilde;o so filmes brasileiros produzidos. Como os resultados comerciais do cinema brasileiro t&ecirc;m se mostrado aqu&eacute;m dos recursos que governo tem colocado para produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, evidenciou-se a import&acirc;ncia do investimento direto do Executivo Federal sem extinguir nenhum dos mecanismos vigentes que foram sendo refinados. <br \/>Sem a cria&ccedil;&atilde;o de nenhum outro imposto, de nenhuma nova taxa, criou-se um fundo setorial para o audiovisual que &eacute; resultado de longo esfor&ccedil;o de diagn&oacute;stico do setor audiovisual resultante em um planejamento de linhas de financiamento que possam gradualmente ir superando os pontos de estrangulamento com vistas a uma econ&ocirc;mica setorial sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>Qual ser&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o do Fundo no universo do fomento ao audiovisual?<\/strong><br \/>O Brasil tem um total anual de investimentos no audiovisual de cerca de R$ 250 milh&otilde;es, se tomarmos todos os mecanismos, incluindo a&iacute; a Lei do Audiovisual, Funcines, investimentos diretos feitos pela Secretaria de Auviodisual do Minc, editais de pequenos volumes de recuross feitos pela Ancine, al&eacute;m dos recursos investidos por estados e munic&iacute;pios via leis, programas e editais. H&aacute; uma diversidade grande de mecanismos criados pelo governo que possibilitaram a transfer&ecirc;ncia deste montante. Se tomado o total de recursos que j&aacute; est&atilde;o no Fundo e que ser&atilde;o arrecadados, cerca de R$ 168 milh&otilde;es, teremos um peso bastante grande do FSA neste conjunto de instrumentos de financiamento vigentes. <\/p>\n<p><strong>Quais receitas ir&atilde;o sustentar o fundo e quanto ser&aacute; injetado no setor?<\/strong><br \/>O montante de verbas do Fundo vem da Contribui&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento da Ind&uacute;stria Cinematogr&aacute;fica Nacional (Condecine) e do Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel). No caso da Condecine, o governo assumiu as despesas da Ancine para que os recursos da contribui&ccedil;&atilde;o ficassem liberados apenas para o Fundo. <br \/>Para o ano de 2009, est&atilde;o previstos para aplica&ccedil;&atilde;o R$ 74 milh&otilde;es, divididos em R$ 37 no primeiro semestre e R$ 37 no segundo. Como j&aacute; h&aacute; R$ 94 milh&otilde;es arrecadados, entre os recursos j&aacute; obtidos e esperados para o pr&oacute;ximo ano teremos um total de R$ 168 milh&otilde;es. A verba excedente poder&aacute; incrementar os R$ 74 milh&otilde;es previstos para as linhas, mas tamb&eacute;m poder&aacute; ser destinada a outras linhas, como infra-estrutura, constru&ccedil;&atilde;o de salas de cinema ou conte&uacute;dos brasileiros em m&iacute;dias m&oacute;veis. Elas ser&atilde;o objeto de novas reuni&otilde;es do comit&ecirc; gestor do Fundo, que definir&aacute; novas prioridades e valores para investimento nestas modalidades ainda n&atilde;o contempladas, a serem lan&ccedil;adas ao longo do ano de 2009 e 2010. <\/p>\n<p><strong>Onde estes recursos ser&atilde;o aplicados?<\/strong> <br \/>Foram avaliadas e priorizadas quatro linhas para serem lan&ccedil;adas em 2008. A linha &quot;A&quot; contempla investimentos em produ&ccedil;&atilde;o de filmes longa-metragem para cinema, incluindo a co-produ&ccedil;&atilde;o internacional. H&aacute; uma prioridade, de cerca de 70% dos recursos, para complementa&ccedil;&atilde;o de obras, porque a id&eacute;ia &eacute; botar o que est&aacute; travado para fora. H&aacute; v&aacute;rios filmes que n&atilde;o conseguiram completar a capta&ccedil;&atilde;o de recursos e ficaram no meio do caminho. <br \/>Esta linha ter&aacute; R$15 milh&otilde;es no primeiro semestre de 2009 e R$ 15 milh&otilde;es para o segundo semestre. Haver&aacute; duas modalidades de sele&ccedil;&atilde;o dos projetos. Uma &eacute; a dos editais, caracterizada pela avalia&ccedil;&atilde;o por um comit&ecirc; dos projetos inscritos. Al&eacute;m destas chamadas peri&oacute;dicas haver&aacute; a modalidade de fluxo cont&iacute;nuo, na qual as propostas chegam e s&atilde;o analisadas. <br \/>A linha &quot;B&quot; ser&aacute; voltada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o para TV de todo tipo. Ela contemplar&aacute; produtoras e tem R$ 14 milh&otilde;es para o ano, sendo metade no primeiro semestre e metade no segundo. Nesta linha de TV, a sele&ccedil;&atilde;o ser&aacute; por meio do processo de fluxo cont&iacute;nuo. Um aspecto importante &eacute; que 5% do montante s&atilde;o apoio, recursos a fundo perdido. <br \/>A linha &quot;C&quot; ir&aacute; beneficiar a aquisi&ccedil;&atilde;o de direitos de distribui&ccedil;&atilde;o de obras cinematogr&aacute;ficas. Nela, os distribuidores poder&atilde;o captar, tomando recursos do Fundo e assumindo a responsabilidade de fazer retorno. Eles devem trazer a obra em fase de produ&ccedil;&atilde;o, ou seja, se quiser investir em uma determinada obra, ele vai adquirir os seus direitos com recursos do fundo. A linha ir&aacute; possibilitar maior intera&ccedil;&atilde;o entre o distribuidor, que est&aacute; mais ligado ao mercado, e o produtor, de maneira a otimizar o potencial comercial da obra. Est&atilde;o previstos R$ 10 milh&otilde;es para o primeiro semestre de 2009 e outros R$10 milh&otilde;es para o segundo.<br \/>A linha &quot;D&quot; ir&aacute; financiar a comercializa&ccedil;&atilde;o de obras cinematogr&aacute;ficas de longa metragem. Nesta, os distribuidores chegam com a obra e assumem a responsabilidade pelo retorno. Ao produtor, cabe apenas a posi&ccedil;&atilde;o de interveniente no contrato. Est&atilde;o destinados R$ 5 milh&otilde;es no primeiro semestre e outros R$ 5 no segundo. <\/p>\n<p><strong>Apesar de o fundo incrementar o financiamento direto estatal, ele n&atilde;o resolve a depend&ecirc;ncia dos recursos incentivados. Qual sua avalia&ccedil;&atilde;o sobre isso?<br \/><\/strong><span>N&atilde;o se pode reinventar a roda. O fundo cria mecanismos para aperfei&ccedil;oar o que existe. A aposta &eacute; que ele cada vez mais v&aacute; ser um mecanismo preferencial de investimento dos recursos p&uacute;blicos. Ele &eacute; mais maduro, ele induz a um comportamento de risco dos agentes. Ele trabalha com perspectiva de sustentabilidade, na medida em que recebe retornos de bilheteria. Eu diria que &eacute; um novo mecanismo. &Eacute; uma nova janela, important&iacute;ssima, que se abre. <\/span><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Secret\u00e1rio do MinC fala sobre a participa\u00e7\u00e3o do Estado no apoio ao audiovisual<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[825],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22316"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22316"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22316\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}