{"id":22281,"date":"2008-12-15T17:49:07","date_gmt":"2008-12-15T17:49:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22281"},"modified":"2008-12-15T17:49:07","modified_gmt":"2008-12-15T17:49:07","slug":"brt-oi-nao-tem-restricoes-para-venda-a-estrangeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22281","title":{"rendered":"BrT-Oi n\u00e3o tem restri\u00e7\u00f5es para venda a estrangeiros"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Nada impede que a nova tele nacional, chancelada pelo Pal&aacute;cio do Planalto com a inje&ccedil;&atilde;o de R$ 6,87 bilh&otilde;es de dinheiro p&uacute;blico e uma mudan&ccedil;a sob encomenda da legisla&ccedil;&atilde;o do setor de telefonia, seja vendida para o capital estrangeiro logo ap&oacute;s sua forma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; no decreto presidencial que permitiu a compra da Brasil Telecom pela Oi nem nos acordos de acionistas veda&ccedil;&atilde;o a um grupo estrangeiro de fora da telefonia fixa do pa&iacute;s a adquirir a gigante.<\/p>\n<p>A &uacute;nica prote&ccedil;&atilde;o contra uma transa&ccedil;&atilde;o como essa seria promover uma reestatiza&ccedil;&atilde;o branca da nova empresa por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) e dos fundos de pens&atilde;o estatais, com base no direito de prefer&ecirc;ncia estabelecido no acordo de acionistas da Telemar Participa&ccedil;&otilde;es, que controlar&aacute; a nova tele.<\/p>\n<p>Ainda assim, o governo teria somente 45 dias para confirmar o interesse em cobrir a oferta e levantar o dinheiro necess&aacute;rio para aquisi&ccedil;&atilde;o -ou seja, mais bilh&otilde;es de reais em recursos p&uacute;blicos. Do contr&aacute;rio, os dois s&oacute;cios controladores, os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte, estariam livres para vender a nova companhia.<\/p>\n<p>O ministro H&eacute;lio Costa (Comunica&ccedil;&otilde;es) chegou a defender publicamente, em 2007, que o governo tivesse uma &quot;golden share&quot;: uma classe especial de a&ccedil;&atilde;o que d&aacute; poderes de veto ao detentor em certas circunst&acirc;ncias, como a que o governo tem na Vale. Para barrar a transfer&ecirc;ncia do controle da mineradora para o capital estrangeiro, basta o governo dizer &quot;n&atilde;o&quot;, ou seja, inexiste a necessidade de cobrir eventual oferta de um terceiro interessado na empresa. Mas os empres&aacute;rios S&eacute;rgio Andrade e Carlos Jereissati, respectivamente, os donos da Andrade Gutierrez e da La Fonte, n&atilde;o aceitaram essa condi&ccedil;&atilde;o e conseguiram elimin&aacute;-la da reda&ccedil;&atilde;o final do acordo de acionistas.<\/p>\n<p>Amanh&atilde;, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) deve confirmar a autoriza&ccedil;&atilde;o formal ao neg&oacute;cio.<\/p>\n<p>O BNDES e os fundos ter&atilde;o maior participa&ccedil;&atilde;o em quest&otilde;es estrat&eacute;gicas da controladora da nova tele do que tinham antes do novo acordo de acionistas, como poder de veto em casos de emiss&otilde;es de a&ccedil;&otilde;es que ponham em risco o controle da empresa, fus&otilde;es, aquisi&ccedil;&otilde;es e gastos vultosos da controladora e das controladas relevantes. Mas o pr&oacute;prio banco estatal reconhece que o controle da tele pode ser transferido para uma multinacional.<\/p>\n<p>&quot;Al&eacute;m do direito de prefer&ecirc;ncia e do poder de veto acima referidos, ainda que venha a ocorrer a venda de participa&ccedil;&otilde;es acion&aacute;rias ou a entrada de empresa estrangeira no bloco de controle da Telemar, obrigatoriamente seria necess&aacute;ria, nos termos do acordo de acionistas, a ades&atilde;o do novo s&oacute;cio a esse instrumento, o que o vincular&aacute; &agrave;s regras de governan&ccedil;a da companhia, que prev&ecirc;em o exerc&iacute;cio compartilhado do controle com a BNDESPar [bra&ccedil;o de participa&ccedil;&otilde;es do banco] e os fundos de pens&atilde;o&quot;, informou o BNDES, em resposta a perguntas encaminhadas pela <em>Folha<\/em>.<\/p>\n<p>Mais: a palavra final no comando da companhia ser&aacute; sempre dos s&oacute;cios privados, que t&ecirc;m direito a indicar a maioria dos conselheiros e preval&ecirc;ncia na escolha do presidente e da maior parte dos diretores da controladora e das controladas.<\/p>\n<p><strong>Lei sob medida<\/strong><\/p>\n<p>Os acionistas da Oi e da BrT assinaram os acordos que selaram a venda da segunda empresa para a primeira (no dia 25 de abril) sete meses antes de o governo mudar a legisla&ccedil;&atilde;o sob medida para que a opera&ccedil;&atilde;o pudesse ser sacramentada.<\/p>\n<p>O presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva regulamentou as altera&ccedil;&otilde;es no Plano Geral de Outorgas no dia 20 do m&ecirc;s passado. Antes do ajuste no PGO, uma empresa s&oacute; podia ter uma concession&aacute;ria por regi&atilde;o &#8211; ou seja, a Oi, operadora da regi&atilde;o 1 (RJ, MG, ES, mais Regi&atilde;o Nordeste e os Estados de PA, AP, AM e RR), n&atilde;o poderia comprar a BrT &#8211; regi&atilde;o 2 (Centro-Oeste, mais RS, SC, PR e TO, RO e AC).<\/p>\n<p>Para justificar a altera&ccedil;&atilde;o do PGO, Lula dizia que a transa&ccedil;&atilde;o s&oacute; seria realizada se houvesse &quot;travas&quot; que impedissem a venda da nova tele para o capital estrangeiro. O presidente teria recebido estudos mostrando que os pre&ccedil;os praticados pelas multinacionais em outros pa&iacute;ses, principalmente a mexicana Telmex, est&atilde;o muito acima das tarifas do Brasil.<\/p>\n<p>No PGO, o governo incluiu uma limita&ccedil;&atilde;o quanto ao n&uacute;mero de regi&otilde;es em que uma concession&aacute;ria pode operar. Para permitir a compra da BrT pela Oi, o governo autorizou uma mesma companhia a deter concession&aacute;rias em at&eacute; duas das quatros regi&otilde;es em que o sistema de telefonia fixa do pa&iacute;s foi subdividido.<\/p>\n<p>Assim, as novas regras n&atilde;o permitiriam hoje que a Telmex, controladora da regi&atilde;o 4 (cobertura nacional de longa dist&acirc;ncia), ou que a espanhola Telef&oacute;nica (regi&atilde;o 3, Estado de S&atilde;o Paulo) comprassem a nova tele, pois isso significaria deter tr&ecirc;s regi&otilde;es -a menos que se desfizessem de suas atuais concess&otilde;es. No caso da Telef&oacute;nica isso seria muito improv&aacute;vel, pois o Estado de S&atilde;o Paulo &eacute; o mais rent&aacute;vel da telefonia brasileira.<\/p>\n<p>Para outros grupos estrangeiros, contudo, n&atilde;o h&aacute; restri&ccedil;&otilde;es. Das 10 maiores companhias de telefonia do mundo (exclu&iacute;das as duas estatais chinesas), 7 n&atilde;o operam no Brasil. A esse n&uacute;mero podem ser acrescidas Portugal Telecom e Telecom Italia, que n&atilde;o atuam em telefonia fixa no pa&iacute;s, portanto tamb&eacute;m est&atilde;o fora do enquadramento do PGO.<\/p>\n<p>Os grupos La Fonte e Andrade Gutierrez tiveram uma vit&oacute;ria importante tamb&eacute;m no tempo de exerc&iacute;cio do direito de prefer&ecirc;ncia inicialmente pretendido pelo governo. O BNDES queria um ano, o que lhes permitiria com mais folga tentar negociar novos s&oacute;cios privados nacionais para substituir os atuais ou levantar os recursos necess&aacute;rios para cobrir uma eventual oferta.<\/p>\n<p>Mas S&eacute;rgio Andrade e Carlos Jereissati impuseram 45 dias &#8211; 30 para a formaliza&ccedil;&atilde;o do interesse na aquisi&ccedil;&atilde;o e mais 15 dias para o exerc&iacute;cio efetivo do direito de compra, ou seja, a reestatiza&ccedil;&atilde;o branca. Se o prazo n&atilde;o for cumprido, o que n&atilde;o &eacute; improv&aacute;vel em um ambiente de crise global de liquidez, La Fonte e Andrade Gutierrez ficam desimpedidas para vender a empresa.<\/p>\n<p><strong>Muito dinheiro<\/strong><\/p>\n<p>O apoio do governo para a cria&ccedil;&atilde;o da nova tele ocorreu em duas etapas. Na primeira, o BNDES financiou a Andrade Gutierrez e a La Fonte para que aumentassem seu capital na Telemar Participa&ccedil;&otilde;es de modo a deter isoladamente o controle da companhia. Os dois s&oacute;cios privados tinham 10,275% cada um e passaram a contar com 19,34% individualmente. O restante da participa&ccedil;&atilde;o (11,50%) para garantir o controle (50,18%) da empresa ficou com a Fass (Funda&ccedil;&atilde;o Atl&acirc;ntico), o fundo de pens&atilde;o dos funcion&aacute;rios da Oi, cujo comando &eacute; indicado pelos controladores da Telemar Participa&ccedil;&otilde;es, ou seja, Andrade Gutierrez e La Fonte.<\/p>\n<p>O BNDES subscreveu R$ 1,239 bilh&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es preferenciais (sem direito a voto) da Telemar Participa&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m da compra de R$ 1,33 bilh&atilde;o em deb&ecirc;ntures da Andrade Gutierrez e da La Fonte, o que permitiu &agrave;s duas empresas comprar a participa&ccedil;&atilde;o de outros acionistas do bloco de controle. O segundo passo foi o empr&eacute;stimo concedido pelo Banco do Brasil de R$ 4,3 bilh&otilde;es para a Oi comprar a BrT.<\/p>\n<p>A aquisi&ccedil;&atilde;o direta da Brasil Telecom sair&aacute; por aproximadamente R$ 5,86 bilh&otilde;es. A transa&ccedil;&atilde;o, no entanto, pode ultrapassar R$ 12 bilh&otilde;es. Al&eacute;m do dinheiro empregado para a compra do controle da companhia, dever&atilde;o ser necess&aacute;rios mais R$ 3,5 bilh&otilde;es para as ofertas aos demais donos de a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias, conforme determina a lei, e mais R$ 3 bilh&otilde;es para comprar pap&eacute;is preferenciais no mercado.<\/p>\n<p>******************<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><strong>Nota da Folha de S. Paulo:<\/strong><br \/><em>ERRAMOS: A reuni&atilde;o da Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) que deve aprovar formalmente a compra da BrT pela Oi est&aacute; agendada para quarta-feira, e n&atilde;o para amanh&atilde;.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada impede que a nova tele nacional, chancelada pelo Pal&aacute;cio do Planalto com a inje&ccedil;&atilde;o de R$ 6,87 bilh&otilde;es de dinheiro p&uacute;blico e uma mudan&ccedil;a sob encomenda da legisla&ccedil;&atilde;o do setor de telefonia, seja vendida para o capital estrangeiro logo ap&oacute;s sua forma&ccedil;&atilde;o. 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