{"id":22273,"date":"2008-12-12T20:00:16","date_gmt":"2008-12-12T20:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22273"},"modified":"2008-12-12T20:00:16","modified_gmt":"2008-12-12T20:00:16","slug":"mundo-digital-e-democratizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22273","title":{"rendered":"Mundo digital e democratiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>O cen&aacute;rio brasileiro de comunica&ccedil;&atilde;o social &eacute; uma quest&atilde;o que realmente merece uma discuss&atilde;o extensa, diz o professor Cesar Bola&ntilde;o no in&iacute;cio da entrevista que concedeu &agrave; <\/em><em>IHU On-Line. &Eacute; exatamente essa profundidade que os movimentos sociais, a sociedade civil organizada e muitos pesquisadores da &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m buscado fazer diante das novas possibilidades que as tecnologias digitais trouxeram. <\/p>\n<p>Bola&ntilde;o veio &agrave; Unisinos para participar do III Semin&aacute;rio de Pesquisa CEPOS &ndash; Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o como Meio de An&aacute;lise Midi&aacute;tica. Aproveitamos para conversar com ele sobre esse paradigma proposto pela inser&ccedil;&atilde;o das tecnologias digitais e as possibilidades que se criam a partir do seu desenvolvimento. Ele analisa que &quot;os mediadores sociais est&atilde;o muito iludidos com as novas tecnologias&quot; quando, na verdade, est&atilde;o sendo criadas novas formas de exclus&atilde;o a partir dessa realidade. &quot;Dever&iacute;amos pensar um pouco sobre o que estamos fazendo, qual &eacute; a realidade brasileira e como a comunica&ccedil;&atilde;o deve pensar essa realidade&quot;, relatou.<\/p>\n<p>Cesar Bola&ntilde;o &eacute; graduado em Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Jornalismo, pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), e mestre e doutor em Ci&ecirc;ncia Econ&ocirc;mica, pela Universidade Estadual de Campinas. Pela USP, obteve tamb&eacute;m o t&iacute;tulo de p&oacute;s-doutor. Atualmente, &eacute; professor da Universidade Federal de Sergipe. Tamb&eacute;m &eacute; autor de Economia pol&iacute;tica da Internet (Aracaju: Editora UFS, 2007), Qual a l&oacute;gica das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil? (S&atilde;o Paulo: Paulus, 2007) e Comunica&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o, economia e sociedade no Brasil &ndash; Desenvolvimento hist&oacute;rico, estrutura atual e os desafios do s&eacute;culo XXI (S&atilde;o Crist&oacute;v&atilde;o-Sergipe: Editora UFS, 2008), entre outros.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como o senhor analisa o cen&aacute;rio brasileiro de comunica&ccedil;&atilde;o social?<\/strong><br \/>Essa &eacute; uma quest&atilde;o que merece uma discuss&atilde;o extensa. Eu vejo a discuss&atilde;o a partir do meu pr&oacute;prio campo de pesquisa. Sabemos que o Brasil tem uma for&ccedil;a muito grande no campo da comunica&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel internacional. H&aacute; muitos cursos, p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es e uma relev&acirc;ncia dentro da Am&eacute;rica Latina. No entanto, na minha modesta percep&ccedil;&atilde;o, &eacute; um campo relativamente pouco cr&iacute;tico. &Eacute; menos cr&iacute;tico do que, por exemplo, outros campos menores que existem na Am&eacute;rica Latina, onde existe um pensamento comunicacional mais engajado. Ent&atilde;o, a nossa import&acirc;ncia no cen&aacute;rio internacional &eacute; grande, mas dever&iacute;amos pensar um pouco sobre o que estamos fazendo, qual &eacute; a realidade brasileira e como a comunica&ccedil;&atilde;o deve pensar essa realidade. No Nordeste brasileiro, por exemplo, n&atilde;o temos um programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o para discutir a quest&atilde;o do desenvolvimento, da mis&eacute;ria, da problem&aacute;tica da sociedade brasileira. Na verdade, muitas vezes est&atilde;o discutindo coisas muito esot&eacute;ricas. Esta seria a contribui&ccedil;&atilde;o da Economia Pol&iacute;tica, das Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o nessas &aacute;reas que ainda s&atilde;o minorit&aacute;rias.<\/p>\n<p><strong>E como o senhor v&ecirc; a pesquisa em comunica&ccedil;&atilde;o nas outras regi&otilde;es do pa&iacute;s?<\/strong><br \/>De modo geral, a pesquisa e os paradigmas s&atilde;o muito concentrados nas regi&otilde;es Sul e, principalmente, Sudeste. Da maneira como o campo tem se estruturado, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia &quot;natural&quot; de todas as p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es que se estabelecem fora desse eixo hegem&ocirc;nico tomarem este como espelho. Ent&atilde;o, &eacute; muito dif&iacute;cil voc&ecirc; propor algo alternativo e cr&iacute;tico de forma muito aut&ocirc;noma em fun&ccedil;&atilde;o de como a comunica&ccedil;&atilde;o se estrutura no Brasil. Acho que esse talvez seja o principal problema. Muitas vezes se reproduz aquilo que &eacute; feito em S&atilde;o Paulo, no Rio Grande do Sul ou na Bahia. S&atilde;o p&oacute;los que irradiam para o resto do Brasil, o que, em princ&iacute;pio, n&atilde;o &eacute; ruim, mas eu acho que &eacute; um problema, na medida em que nosso campo tem se caracterizado, a partir dos anos 1980, por um pensamento pouco vinculado com o pensamento social da realidade brasileira.<\/p>\n<p><strong>A internet hoje parece caminhar para uma democracia de acessos, ou seja, servi&ccedil;os que antes eram dif&iacute;ceis de trabalhar e caros hoje s&atilde;o oferecidos na rede de uma forma f&aacute;cil e gratuita. Quais os impactos trazidos pela tecnologia digital na democracia de nosso mundo contempor&acirc;neo?<br \/><\/strong>Esse &eacute; um tema fundamental, porque a quest&atilde;o das tecnologias &eacute; chave, &eacute; central, mas talvez n&atilde;o tenha sido discutida ainda na extens&atilde;o que deveria em termos do desenvolvimento social, dos problemas fundamentais do povo brasileiro. N&oacute;s, da economia pol&iacute;tica, temos uma vis&atilde;o um pouco diferente, pois temos discutido as tecnologias a partir dos processos de domina&ccedil;&atilde;o, de concentra&ccedil;&atilde;o e a quest&atilde;o do seu potencial democratizante e liberador de forma mais realista, menos ut&oacute;pica. De modo geral, se discute as tecnologias de uma forma muito desvinculada da problem&aacute;tica brasileira. A meu ver, &eacute; uma quest&atilde;o-chave. No entanto, precisa ser pensada na perspectiva da democratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, dos problemas de concentra&ccedil;&atilde;o de poder que existe na comunica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel imaginar que a exist&ecirc;ncia da internet tenha resolvido, como muitas vezes se imagina, o problema do controle da m&iacute;dia no Brasil. De certa maneira, a reflex&atilde;o sobre as tecnologias surge, muitas vezes, para mascarar a realidade. Muitas vezes, o pensamento, ao inv&eacute;s de esclarecer, acaba referendando uma tend&ecirc;ncia de encobrimento ideol&oacute;gica, t&iacute;pica do desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Em sua opini&atilde;o, que estrat&eacute;gias de pol&iacute;ticas comunicacionais devem ser tra&ccedil;adas a partir do desenvolvimento que o digital permite?<br \/><\/strong>Em primeiro lugar, &eacute; preciso pensar que a linha central do desenvolvimento do digital apresenta como objetivo ampliar a exclus&atilde;o social. N&oacute;s t&iacute;nhamos formas de exclus&atilde;o social anteriores, no caso do Brasil muito graves, e a elas se agregou uma nova forma de exclus&atilde;o. Isso porque, para voc&ecirc; ter, hoje, condi&ccedil;&otilde;es de participar soberanamente da esfera p&uacute;blica, &eacute; preciso estar inclu&iacute;do digitalmente, o que faz com que, ao mesmo tempo, a imensa parte da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o esteja. &Eacute; necess&aacute;rio estar com inclus&atilde;o digital na perspectiva da universaliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, acesso universal de qualidade com banda larga para todos. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel imaginar uma sociedade na qual alguns t&ecirc;m a capacidade de acesso dom&eacute;stico em banda larga, enquanto outros precisem ir para uma lan house controlada pelo crime organizado da favela para ficar jogando videogame. Ali&aacute;s, &eacute; poss&iacute;vel imaginar sim, pois &eacute; essa a realidade que vivemos. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que cria mais exclus&atilde;o social, por isso &eacute; preciso que o governo tenha uma pol&iacute;tica de inclus&atilde;o digital em termos de infra-estrutura e de capital simb&oacute;lico. Muitos dos nossos colegas est&atilde;o iludidos com essas possibilidades, ou seja, muitas vezes os mediadores sociais est&atilde;o muito iludidos com as novas tecnologias.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que a popula&ccedil;&atilde;o latino-americana esteja preparada para receber as novas tecnologias digitais quando ainda vive situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais t&atilde;o adversas?<br \/><\/strong>A meu ver, ningu&eacute;m est&aacute; preparado para isso. A tecnologia digital &eacute; uma coisa a mais, e o importante &eacute; desmistific&aacute;-la. A juventude tem uma facilidade para receber e adaptar novos meios. Nesse sentido, os jovens que est&atilde;o lidando com esses meios n&atilde;o t&ecirc;m uma vis&atilde;o t&atilde;o mistificada quanto os mais antigos, que viram nas tecnologias digitais uma coisa, digamos, muito importante. Quem j&aacute; est&aacute; sendo criado nesse contexto j&aacute; sabe quais os limites desse processo. Se voc&ecirc; for conversar com os garotos e garotas, ver&aacute; que existe uma consci&ecirc;ncia das possibilidades das tecnologias digitais. O problema &eacute; que eles n&atilde;o t&ecirc;m a consci&ecirc;ncia de at&eacute; que ponto est&atilde;o sendo manipulados. Essa &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o do educador, &eacute; o nosso papel, o qual, talvez, n&atilde;o estejamos cumprindo adequadamente.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor v&ecirc; essa mobiliza&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sendo criada para atentar para a import&acirc;ncia da realiza&ccedil;&atilde;o de uma primeira Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>A Confer&ecirc;ncia &eacute; o objeto principal da luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o hoje. Acredito que todas as a&ccedil;&otilde;es pontuais t&ecirc;m a sua import&acirc;ncia, mas est&aacute; &eacute; reduzida pela maneira como se organizam hoje as for&ccedil;as sociais nesse campo. Aqui, agora, no segundo mandato do governo Lula, eu n&atilde;o creio que a luta parlamentar, por exemplo, como aconteceu agora com o PL-29, seja capaz de organizar isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador ressalta exclus\u00f5es associadas \u00e0s novas tecnologias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[935],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}