{"id":22263,"date":"2008-12-12T17:56:51","date_gmt":"2008-12-12T17:56:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22263"},"modified":"2008-12-12T17:56:51","modified_gmt":"2008-12-12T17:56:51","slug":"rede-digital-unica-fortalece-oferta-de-tvs-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22263","title":{"rendered":"Rede digital \u00fanica fortalece oferta de TVs p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O Brasil tem um sistema de televis&atilde;o marcado historicamente pela hegemonia do modelo comercial. Os ve&iacute;culos de r&aacute;dio e TV com finalidade lucrativa hoje comp&otilde;em 80% dos canais, 95% do faturamento do setor e 95% da audi&ecirc;ncia.  Assinado recentemente, o protocolo para a constru&ccedil;&atilde;o de uma infra-estrutura comum de transmiss&atilde;o no sinal digital que abrigar&aacute; seis canais do chamado campo p&uacute;blico configura-se como uma iniciativa capaz de alterar este quadro, de in&iacute;cio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; oferta e, potencialmente, nos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A rede digital servir&aacute; para transmitir os sinais da TV Brasil, da TV C&acirc;mara, da TV Senado e da TV Justi&ccedil;a, mais um canal de responsabilidade do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e um do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. Estes dois &uacute;ltimos ainda n&atilde;o est&atilde;o em funcionamento, mas est&atilde;o previstos no decreto que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (5820\/2006) sob as denomina&ccedil;&otilde;es de Canal da Educa&ccedil;&atilde;o e Canal da Cidadania. <\/p>\n<p>O plano de parte das emissoras ou &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis &eacute; veicular mais de uma programa&ccedil;&atilde;o em seus canais, modelo conhecido por multiprograma&ccedil;&atilde;o. A TV Brasil pretende carregar as educativas estaduais. O Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o quer veicular a TV escola (hoje distribu&iacute;da por sat&eacute;lite), um canal para os professores, outro com conte&uacute;dos das TVs universit&aacute;rias e um quarto ainda em defini&ccedil;&atilde;o. J&aacute; a TV C&acirc;mara deve utilizar o seu espa&ccedil;o para viabilizar a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede legislativa com os canais de Assembl&eacute;ias Legislativas e C&acirc;maras de Vereadores.<\/p>\n<p>Segundo a respons&aacute;vel pelo projeto na TV C&acirc;mara e vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TVs Legislativas (Astral), Evelin Maciel, h&aacute; um grande interesse das assembl&eacute;ias e c&acirc;maras na viabiliza&ccedil;&atilde;o de seus canais no sinal digital. De qualquer forma, a composi&ccedil;&atilde;o do uso do canal destinado &agrave; TV C&acirc;mara em cada cidade ser&aacute; resultado da articula&ccedil;&atilde;o entre a C&acirc;mara dos Deputados com os legislativos estaduais. As Assembl&eacute;ias, por sua vez, ir&atilde;o organizar a participa&ccedil;&atilde;o das C&acirc;maras de Vereadores. <\/p>\n<p>J&aacute; a TV Brasil n&atilde;o tem planos para criar uma outra programa&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m do carregamento do sinal das educativas estaduais. A TV Senado e o Canal da Cidadania, cuja cria&ccedil;&atilde;o est&aacute; at&eacute; agora sob responsabilidade do Minicom, s&atilde;o outros que tamb&eacute;m n&atilde;o sinalizaram o lan&ccedil;amento de outras programa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No caso deste &uacute;ltimo, ainda h&aacute; esta possibilidade, uma vez que n&atilde;o h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o clara de como funcionar&aacute; este canal. &ldquo;Os atuais comunit&aacute;rios, que s&atilde;o veiculados pela TV a cabo, ser&atilde;o part&iacute;cipes como produtores de conte&uacute;do, mas n&atilde;o vamos apenas fazer a migra&ccedil;&atilde;o deles para o sinal aberto. O canal ser&aacute; uma outorga da Uni&atilde;o, mas com gest&atilde;o realizada por meio de um conselho com a participa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios segmentos&rdquo;, explica Marcelo Bechara, consultor jur&iacute;dico do minist&eacute;rio. <\/p>\n<p><strong>Sistema misto<\/strong><\/p>\n<p>Em uma proje&ccedil;&atilde;o, os seis canais p&uacute;blicos poder&atilde;o veicular cerca de 12 programa&ccedil;&otilde;es. Se considerarmos que os radiodifusores comerciais ocupam cerca de 10 canais na maioria das grandes e m&eacute;dias cidades hoje, entre as seis redes mais conhecidas e novas emissoras em UHF, poderemos ter em alguns anos quantidade semelhante ou at&eacute; superior de programa&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dias p&uacute;blicas na televis&atilde;o aberta brasileira. <\/p>\n<p>A esta previs&atilde;o, acrescenta-se o fato de os operadores comerciais terem perspectiva muito reduzida de optar pela multiprograma&ccedil;&atilde;o. At&eacute; agora, tem demonstrado resist&ecirc;ncia por considerarem que esta traz impactos negativos a seus modelos de neg&oacute;cio em raz&atilde;o da pulveriza&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia que ela gera. Portanto, o n&uacute;mero de canais desta modalidade de m&iacute;dia deve se manter praticamente o mesmo no cen&aacute;rio digital.<\/p>\n<p>Para o professor da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) e autor de livro sobre TV Digital C&eacute;sar Bola&ntilde;o, caso haja a concretiza&ccedil;&atilde;o deste operador de rede com este conjunto de programa&ccedil;&otilde;es, cria-se no Brasil um antes impens&aacute;vel sistema dual, comercial e p&uacute;blico de televis&atilde;o. &ldquo;Com uma pol&iacute;tica estruturada de garantia de condi&ccedil;&otilde;es para transmiss&atilde;o de cinco ou mais canais p&uacute;blicos em multiprograma&ccedil;&atilde;o, poderemos ter em pouco tempo um sistema misto de radiodifus&atilde;o, pelo menos na oferta de programa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, afirmou. <\/p>\n<p>A ressalva justifica-se porque a exist&ecirc;ncia do mesmo n&uacute;mero de canais n&atilde;o significar&aacute;, pelo menos no curto e m&eacute;dio prazo, uma divis&atilde;o da audi&ecirc;ncia como ocorre na Europa, onde os canais p&uacute;blicos foram os precursores e operaram sob a forma de monop&oacute;lio durante d&eacute;cadas. Mas, acrescenta Bola&ntilde;o, abre-se um cen&aacute;rio radicalmente diferente e que pode gerar altera&ccedil;&otilde;es estruturais na televis&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Evelin Maciel, a rede &uacute;nica digital dos canais p&uacute;blicos federais ser&aacute; um &ldquo;divisor de &aacute;guas&rdquo;. &ldquo;O principal diferencial ser&aacute; na diversidade de conte&uacute;do. Hoje, a gente tem seis canais abertos e vamos multiplicar, tornando a oferta muito grande&rdquo;, analisa. Para a representante da TV C&acirc;mara, a complementaridade entre os sistemas p&uacute;blico, estatal e privado, prevista no Artigo 223 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, finalmente &ldquo;pode sair do papel&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Redu&ccedil;&atilde;o de custos e PPP<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o coordenador da &aacute;rea de migra&ccedil;&atilde;o para a TV Digital da TV Brasil, Delorgel Kaiser, a op&ccedil;&atilde;o por este tipo de infra-estrutura compartilhada foi motivada pela redu&ccedil;&atilde;o de custos que ela proporciona. &ldquo;Se cada uma fosse operar a sua estrutura, a sua torre, gerador de energia etc., o custo para a Uni&atilde;o seria muito caro, porque estar&iacute;amos multiplicando despesas. Optamos ent&atilde;o por este modelo para poupar recursos, otimizar investimentos e para podermos implantar de forma mais r&aacute;pida o sinal digital das emissoras p&uacute;blicas&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o da rede e a sua opera&ccedil;&atilde;o ser&aacute; feita mediante uma parceria p&uacute;blico-privada (PPP) com uma empresa que ser&aacute; escolhida em licita&ccedil;&atilde;o prevista para o in&iacute;cio do pr&oacute;ximo ano. Segundo Kaiser, a escolha do instrumento da PPP se deveu ao fato de as licita&ccedil;&otilde;es comuns n&atilde;o poderem contemplar contratos de longo prazo, mas de apenas cinco anos. &ldquo;Este &eacute; um projeto que dever&aacute; estender-se por 20 ou 25 anos, uma vez que estamos buscando atender a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o. Ele ir&aacute; demorar em fun&ccedil;&atilde;o dos investimentos&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>O contrato deve prever a cobertura de todas as capitais e de 230 cidades com mais de 100 mil habitantes. Ao final do longo per&iacute;odo, a infra-estrutura constru&iacute;da retornar&aacute; como patrim&ocirc;nio &agrave; Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o. A estimativa de custos &eacute; de R$ 10 milh&otilde;es por ano para cada um dos seis &oacute;rg&atilde;os federais que encabe&ccedil;am a iniciativa. <\/p>\n<p>No entanto, embora o projeto contemple a presen&ccedil;a de todos os entes elencados anteriormente, ele ser&aacute; implantado em m&oacute;dulos, com arranjos diferenciados para cada cidade a partir da disposi&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os e dos limites de recursos de cada um deles. &ldquo;Se algum dos parceiros n&atilde;o quiser ter programa&ccedil;&atilde;o, ele vai poder modular isso. Poder&aacute; contratar os servi&ccedil;os e com parte dos recursos para entrar s&oacute; nas capitais, ou em cidades X ou Y&rdquo;, diz o dirigente da TV Brasil. <\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o das estruturas de transmiss&atilde;o seguir&aacute; o cronograma definido pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es de migra&ccedil;&atilde;o ao sinal digital. &ldquo;Em primeiro lugar, implantaremos nas capitais e em seguida vamos para as cidades&rdquo;, conta Kaiser. Hoje, j&aacute; h&aacute; transmiss&otilde;es em sete capitais (S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goi&acirc;nia, Curitiba, Porto Alegre e Salvador), al&eacute;m da cidade de Campinas. A expectativa &eacute; que em dois anos o operador de rede p&uacute;blico j&aacute; esteja na maioria das capitais brasileiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Infra-estrutura comum para levar sinal digital de seis canais de car\u00e1ter p\u00fablico \u00e0s capitais e cidades com at\u00e9 100 mil habitantes, associada \u00e0 multiprograma\u00e7\u00e3o, modifica quadro de hegemonia do sistema privado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[163],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22263"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}