{"id":22168,"date":"2008-11-24T19:29:22","date_gmt":"2008-11-24T19:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22168"},"modified":"2008-11-24T19:29:22","modified_gmt":"2008-11-24T19:29:22","slug":"imprensa-regional-a-grande-usina-de-absurdos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22168","title":{"rendered":"Imprensa regional: A grande usina de absurdos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Pense num absurdo, na Bahia tem precedente. Essa frase do ex-governador Oct&aacute;vio Mangabeira &eacute; t&atilde;o real e triste que ainda assusta alguns baianos que n&atilde;o perderam o poder da indigna&ccedil;&atilde;o. Os absurdos na &quot;boa-terra&quot; s&atilde;o t&atilde;o comuns quanto o acaraj&eacute; da esquina. Em geral, s&atilde;o produzidos pela pol&iacute;tica e a imprensa.<\/p>\n<p>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o baianos sempre foram marcados pela fort&iacute;ssima influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Em geral, numa polariza&ccedil;&atilde;o entre carlistas e seus opositores. Mas, pol&iacute;tica &agrave; parte, falemos da grande usina de absurdos locais. A imprensa.<\/p>\n<p>Temos em nosso quadro de jornalistas figuras inusitadas, que n&atilde;o dificilmente fariam o sucesso em qualquer outro lugar do mundo, mas aqui disputam picos de audi&ecirc;ncia. O carism&aacute;tico Z&eacute; Bin &eacute; um dos exemplos cl&aacute;ssicos. Em seu programa Que venha o povo descobre figuras engra&ccedil;adas no meio da rua, visita favelas, dan&ccedil;a de forma desajeitada e usa chav&otilde;es rid&iacute;culos para definir a situa&ccedil;&atilde;o de detentos entrevistados por ele nas delegacias. Como exemplo, a c&eacute;lebre frase &quot;acabou o milho&quot;, &agrave; qual os presos respondem &quot;acabou a pipoca&quot;.<\/p>\n<p>Subindo um canal no controle remoto, sa&iacute;mos da Aratu-SBT e entramos na Record Bahia, onde Z&eacute; Eduardo comanda o &ldquo;Se liga, Boc&atilde;o&rdquo;. Uma c&oacute;pia do programa anterior, idealizado pelo pr&oacute;prio Boc&atilde;o antes de mudar de emissora, com &ecirc;nfase nas discuss&otilde;es de vizinhos, confus&otilde;es, baixarias e as mesmas entrevistas com bandidos presos. Nesse ponto, ele supera o seu ex-parceiro. A pergunta ao detento &eacute; ainda mais rid&iacute;cula: o fumo entrou?<\/p>\n<p><strong>Apoio aos perdedores<\/strong><\/p>\n<p>Mas passemos ao grande campe&atilde;o de audi&ecirc;ncia da Bahia, Raimundo Varela, mais conhecido como &quot;Seu Valera&quot;. Usando o formato de programa que consagrou o antigo apresentador Fernando Jos&eacute;, que virou prefeito de Salvador, Seu Valera usa e abusa do populismo, ainda mais que todos os outros. Seu programa, Balan&ccedil;o Geral, virou padr&atilde;o nacional na Rede Record por influ&ecirc;ncia do presidente da emissora, Alexandre Raposo, ex-parceiro de Varela na TV Itapoan, quando Raposo era o diretor da emissora baiana. Homem de muita vis&atilde;o, Raposo viu a for&ccedil;a do formato do programa e o distribuiu por todo o pa&iacute;s. Deu certo.<\/p>\n<p>Varela na Bahia &eacute; o novo pai dos pobres. Denuncia os descasos administrativos, a corrup&ccedil;&atilde;o, o abandono das periferias locais e se diz n&atilde;o-pol&iacute;tico. Essas caracter&iacute;sticas criaram sobre esse personagem &iacute;mpar uma imagem quase santificada junto ao povo carente. Infelizmente, isso n&atilde;o se reverteu em votos e Varel&atilde;o apoiou dois candidatos perdedores nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de Salvador esse ano. No 1&ordm; turno apoiou ACM Neto, do Democratas, e perdeu. Pulou fora dessa coliga&ccedil;&atilde;o e passou a apoiar, pasmem, Walter Pinheiro, do PT. Mas o pior ainda est&aacute; por vir.<\/p>\n<p><strong>O filho da ditadura<\/strong><\/p>\n<p>Como se n&atilde;o bastassem esses exemplos vamos agora ao maior de todos os absurdos: o senhor M&aacute;rio Kert&eacute;sz, ex-prefeito nomeado pela ditadura e afilhado pol&iacute;tico do finado senador Antonio Carlos Magalh&atilde;es. Carreira pol&iacute;tica a parte, o senhor Kert&eacute;sz comprou uma esta&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio em Salvador onde apresenta tr&ecirc;s programas diariamente. Pois bem, no dia 28\/10, ao ser questionado por um ouvinte sobre o porqu&ecirc; de s&oacute; abrir espa&ccedil;o para os coment&aacute;rios pol&iacute;ticos do democrata Paulo Souto e n&atilde;o colocar outros pol&iacute;ticos de outras tend&ecirc;ncias no ar, o comunicador chamou o ouvinte de asno &ndash; literalmente e enfatizando sua express&atilde;o. Defendeu-se dizendo ser democr&aacute;tico e afirmando que o seu programa entrevista pessoas de diversas correntes.<\/p>\n<p>Mas entre entrevistar e colocar no ar semanalmente a opini&atilde;o pol&iacute;tica de um &uacute;nico partido existe uma grande diferen&ccedil;a. Segundo Kert&eacute;sz, atitudes como a desse ouvinte, tentam &quot;censurar o seu programa, &eacute; uma completa burrice, uma asneira sem tamanho, coisa de asno mesmo&quot;. Essas doces palavras do radialista destinadas a um ouvinte s&atilde;o um exemplo cl&aacute;ssico dos absurdos a que s&atilde;o submetidos os baianos.<\/p>\n<p>Mas, c&aacute; entre n&oacute;s, ser chamado de burro n&atilde;o &eacute; o pior. O pior &eacute; continuar ouvindo as zurradas desse &quot;senhor da verdade&quot;. Esse exemplo de democracia e toler&acirc;ncia pol&iacute;tica foi apenas uma das demonstra&ccedil;&otilde;es da postura &eacute;tica desse comunicador baiano. Por&eacute;m se vivemos alimentando essas figuras que se alimentam da mis&eacute;ria e da ignor&acirc;ncia do povo, como questionar o argumento do filho da ditadura?<\/p>\n<p><strong>A &quot;boa terra&quot;<\/strong><\/p>\n<p>Ser&aacute; que devemos ser como os tr&ecirc;s macaquinhos? N&atilde;o ouvir r&aacute;dio, n&atilde;o ver TV e muito menos nos pronunciar? Ser&aacute; essa a regra na Bahia dos absurdos?  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Certo mesmo estava o meu ilustr&iacute;ssimo conterr&acirc;neo Greg&oacute;rio de Matos quando, muitos anos atr&aacute;s, em uma prof&eacute;tica poesia, definiu a &quot;Boa Terra&quot; com uma profunda verdade que se arrasta a dezenas de anos:<\/p>\n<p>&quot;Triste Bahia! Oh qu&atilde;o dessemelhante<br \/>Est&aacute;s, e estou do nosso antigo estado!<br \/>Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,<br \/>Rica te vejo eu j&aacute;, tu a mi abundante.&quot;<\/p>\n<p><em>* <\/em><span><em>Erick da Silva Cerqueira &eacute; estudante de Marketing da Faculdade 2 de Julho, em Salvador.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pense num absurdo, na Bahia tem precedente. Essa frase do ex-governador Oct&aacute;vio Mangabeira &eacute; t&atilde;o real e triste que ainda assusta alguns baianos que n&atilde;o perderam o poder da indigna&ccedil;&atilde;o. 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