{"id":22156,"date":"2008-11-20T16:51:02","date_gmt":"2008-11-20T16:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22156"},"modified":"2008-11-20T16:51:02","modified_gmt":"2008-11-20T16:51:02","slug":"quem-pode-mais-no-pl-29","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22156","title":{"rendered":"Quem pode mais no PL 29?"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">Mexendo em casa de maribondo. Esta m&aacute;xima popular, que alerta para os perigos de se envolver em algo arriscado, est&aacute; perfeitamente adequada para ilustrar o texto substitutivo do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) ao projeto de lei n&ordm; 29\/07 (PL 29). S&atilde;o tantos os atores de olho na reda&ccedil;&atilde;o final do projeto que a tramita&ccedil;&atilde;o vai se estendendo no Congresso Nacional at&eacute; tentar alcan&ccedil;ar um texto palat&aacute;vel para as partes envolvidas. Por&eacute;m, tal busca por consenso tende a inviabilizar poss&iacute;veis conquistas da sociedade civil, perseguidas h&aacute; muito tempo.<\/p>\n<p class=\"padrao\">O projeto regulamenta os servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual social eletr&ocirc;nica de acesso condicionado no Brasil, hoje separados em v&aacute;rios instrumentos legais. Em um primeiro plano, a polaridade se d&aacute; entre o interesse p&uacute;blico e o privado. De um lado, a sociedade civil cobra a inclus&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas no campo da televis&atilde;o paga. J&aacute; do outro, as empresas de TV por assinatura exigem liberdade de mercado; mas, paradoxalmente, temem a concorr&ecirc;ncia com as poderosas redes de telefonia fixa na disputa pelo consumidor, configurando, assim, um segundo plano de diverg&ecirc;ncias.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>Fomentar o audiovisual<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Para an&aacute;lise, os dois lados podem ser representados, respectivamente, pelos posicionamentos do F&oacute;rum Nacional de Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) e da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o por Assinatura (ABTA). O FNDC cobra uma maior interven&ccedil;&atilde;o da sociedade no mercado, atrav&eacute;s do fortalecimento do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CCS) e da aguardada Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Com o apoio da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (Abra&ccedil;o), a principal reivindica&ccedil;&atilde;o do FNDC &eacute; de que as conquistas da Lei do Cabo sejam ampliadas ou pelo menos mantidas, destacando-se, entre elas, os conceitos de rede p&uacute;blica e rede &uacute;nica.<\/p>\n<p class=\"padrao\">De fato, o texto do substitutivo de Bittar n&atilde;o reflete o ac&uacute;mulo dos movimentos sociais pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, pois, apesar do razo&aacute;vel di&aacute;logo com v&aacute;rios atores da m&iacute;dia brasileira, s&atilde;o as empresas de telefonia e de televis&atilde;o paga que acabaram se tornando as maiores beneficiadas. Com exce&ccedil;&atilde;o de alguns avan&ccedil;os, o capital novamente se sobrep&otilde;e &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o civil, a exemplo do que ocorreu na escolha do modelo de TV digital no Brasil.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Foram justamente os poucos avan&ccedil;os do substitutivo que fizeram a ABTA se manifestar contra o texto. Atrav&eacute;s de um discurso neoliberal, suas considera&ccedil;&otilde;es solicitam a retirada do projeto de qualquer men&ccedil;&atilde;o que traga mais &ocirc;nus ao servi&ccedil;o, como a inclus&atilde;o de cotas para a produ&ccedil;&atilde;o nacional, os canais obrigat&oacute;rios e o novo tributo destinado &agrave; fomenta&ccedil;&atilde;o de audiovisual: a Contribui&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento da Ind&uacute;stria Cinematogr&aacute;fica Nacional (Condecine).<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>Gigantes da economia privada<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Na compreens&atilde;o das empresas, o problema da falta de investimento no audiovisual brasileiro est&aacute; no mau uso dos impostos pagos pelo setor privado. Segundo elas, j&aacute; h&aacute; arrecada&ccedil;&atilde;o de tributos suficiente para fomentar a produ&ccedil;&atilde;o nacional, a ponto de torn&aacute;-la competitiva com a realiza&ccedil;&atilde;o internacional. A ABTA considera injusto cobrar mais dos capitais e obrig&aacute;-los a reservar um espa&ccedil;o maior para o audiovisual brasileiro no pacote de assinatura porque encarece os custos do servi&ccedil;o, prejudicando a expans&atilde;o da TV por assinatura no pa&iacute;s. Esta, no entanto, j&aacute; vem enfrentando uma enorme dificuldade de firmar-se junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, a qual, em sua maioria, n&atilde;o reconhece valor substancial no produto.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Para piorar as perspectivas das empresas, o substitutivo tamb&eacute;m possibilita a entrada de uma terceira for&ccedil;a na discuss&atilde;o, capaz de ir aonde os atuais grupos n&atilde;o conseguiram chegar. S&atilde;o as operadoras de telefonia fixa, conhecidas como teles. Economicamente superiores &agrave;s empresas de televis&atilde;o paga e politicamente mais influentes do que os movimentos sociais, as teles aguardam autoriza&ccedil;&atilde;o do Estado para investir pesado na TV por assinatura. &Eacute; prov&aacute;vel que elas tenham mais facilidade para lidar com os desafios impostos pelo PL 29, de modo a privilegiar o seu acesso ao mercado e amea&ccedil;ar o atual oligop&oacute;lio.<\/p>\n<p class=\"padrao\">A ABTA exige medidas preventivas que permitam iguais condi&ccedil;&otilde;es de concorr&ecirc;ncia entre as empresas do setor e as companhias de telefonia fixa. Caso contr&aacute;rio, ela teme a supera&ccedil;&atilde;o dos seus associados por grupos mais estruturados, tornando-os v&iacute;timas da defendida liberdade de mercado. Em termos pr&aacute;ticos, a concentra&ccedil;&atilde;o vertical do audiovisual nas m&atilde;os da teles possibilita uma maior difus&atilde;o do servi&ccedil;o, em virtude da alta capilaridade decorrente das opera&ccedil;&otilde;es de telecomunica&ccedil;&otilde;es. No entanto, se isso acontecer, o Estado estar&aacute; dando um enorme poder a esses verdadeiros gigantes da economia privada.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>Um momento derradeiro<\/strong><\/p>\n<p class=\"padrao\">Para saber quem pode mais no PL 29, os brasileiros ter&atilde;o de esperar um pouco. O projeto, que estava prestes a ser votado na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, para, em seguida, ser encaminhado ao plen&aacute;rio da C&acirc;mara dos Deputados, foi entregue &agrave; Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor em agosto deste ano. O novo relator do PL 29, deputado Vital do R&ecirc;go (PMDB-PB), afirma que vai apresentar seu relat&oacute;rio sobre o projeto no come&ccedil;o de dezembro, por&eacute;m sem os acr&eacute;scimos de emendas, mesmo aquelas que j&aacute; foram aprovadas pela Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, no final de 2007, ou acatadas pelo substitutivo de Bittar. R&ecirc;go trabalhar&aacute; o seu relat&oacute;rio somente a partir do projeto original.<\/p>\n<p class=\"padrao\">O deputado petista, por sua vez, tenta fechar um acordo entre as lideran&ccedil;as partid&aacute;rias para viabilizar a tramita&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria em regime de urg&ecirc;ncia. Se o acordo acontecer e o pedido for aprovado, o PL 29 passar&aacute; simultaneamente pelas &uacute;ltimas duas comiss&otilde;es envolvidas, al&eacute;m da Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a. As vota&ccedil;&otilde;es internas seriam dispensadas e os pareceres apresentados diretamente no plen&aacute;rio. Portanto, vive-se um momento derradeiro para a sociedade civil, as empresas de televis&atilde;o paga e as teles testarem suas for&ccedil;as no projeto, que pode vir a ser um marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mexendo em casa de maribondo. Esta m&aacute;xima popular, que alerta para os perigos de se envolver em algo arriscado, est&aacute; perfeitamente adequada para ilustrar o texto substitutivo do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) ao projeto de lei n&ordm; 29\/07 (PL 29). 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