{"id":22142,"date":"2008-11-19T16:50:51","date_gmt":"2008-11-19T16:50:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22142"},"modified":"2008-11-19T16:50:51","modified_gmt":"2008-11-19T16:50:51","slug":"justica-diz-que-troca-de-metas-de-universalizacao-e-obscura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22142","title":{"rendered":"Justi\u00e7a diz que troca de metas de universaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 obscura"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">No in&iacute;cio desta semana, uma decis&atilde;o da Justi&ccedil;a trouxe &agrave; tona novamente a pol&ecirc;mica sobre a mudan&ccedil;a das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o para as concession&aacute;rias de telefonia fixa. Em abril deste ano, o governo federal publicou o Decreto 6.424, que substituiu a obriga&ccedil;&atilde;o das operadoras de instalar Postos de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (PSTs) em todas as localidades do pa&iacute;s pela exig&ecirc;ncia de disponibiliza&ccedil;&atilde;o de uma infra-estrutura de tr&aacute;fego de dados em alta velocidade (banda larga), denominada backhaul, at&eacute; a entrada de todos os munic&iacute;pios brasileiros. <br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\">A ju&iacute;za federal substituta da 6&ordf; Vara do Distrito Federal, Maria Cec&iacute;lia de Marco Rocha, suspendeu o termo aditivo com as novas metas at&eacute; que haja o julgamento do m&eacute;rito da a&ccedil;&atilde;o que vai definir sobre a reversibilidade do backhaul, ou seja, se ap&oacute;s o fim do per&iacute;odo de uma concess&atilde;o, em caso de sua n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o, esta infra-estrutura possa ser declarada como propriedade do Estado. A decis&atilde;o da ju&iacute;za foi motivada por uma a&ccedil;&atilde;o do Instituto ProTeste, entidade de defesa dos direitos dos consumidores que ocupa uma das cadeiras no Conselho Consultivo da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e que, nesta inst&acirc;ncia, vinha sistematicamente criticando o acordo que resultou no novo Plano Geral de Metas de Universaliza&ccedil;&atilde;o (PGMU).<\/p>\n<p>Segundo a ju&iacute;za, a quest&atilde;o da reversibilidade do backhaul n&atilde;o est&aacute; clara nos contratos atuais. Em um contrato de concess&atilde;o de servi&ccedil;o telef&ocirc;nico fixo (STFC), para um bem ser revers&iacute;vel &agrave; Uni&atilde;o deve ser considerado essencial &agrave; presta&ccedil;&atilde;o deste servi&ccedil;o. No entanto, a ju&iacute;za apoiou-se em diversas manifesta&ccedil;&otilde;es de operadoras que atestam a n&atilde;o essencialidade desta infra-estrutura e refor&ccedil;am o conseq&uuml;ente entendimento de que n&atilde;o teria validade legal sua reapropria&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o vencimento das licen&ccedil;as.<\/p>\n<p><strong>Preju&iacute;zo certo<\/strong><\/p>\n<p>Em um terreno jur&iacute;dico obscuro, argumenta a ju&iacute;za, a execu&ccedil;&atilde;o das novas metas poderia trazer dois tipos de preju&iacute;zos consider&aacute;veis ao er&aacute;rio p&uacute;blico. Mantida a l&oacute;gica definida pelo governo e seja confirmada a reversibilidade, as empresas telef&ocirc;nicas poderiam pedir ressarcimento pelo fato de terem contado com este bem em seu patrim&ocirc;nio e por tal medida n&atilde;o ter sido explicitada no termo aditivo aos contratos. Na reda&ccedil;&atilde;o inicial do documento constava artigo afirmando o car&aacute;ter revers&iacute;vel dos backhauls, mas o dispositivo foi suprimido um dia antes da aprova&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o final.<\/p>\n<p>Caso prevale&ccedil;a o argumento da irreversibilidade, &quot;o Estado ter&aacute; gasto uma fortuna em recursos p&uacute;blicos para construir bem privado&quot;. Isso porque com a troca das metas, manteve-se o direito das operadoras de cobran&ccedil;a da assinatura b&aacute;sica, cobrada na conta de telefone para custear as metas de universaliza&ccedil;&atilde;o da rede de telefonia fixa. <\/p>\n<p>O valor da assinatura est&aacute; hoje na casa dos R$ 40 e sua cobran&ccedil;a foi mantida nesta renova&ccedil;&atilde;o de contratos. Isso permite que as empresas financiem a expans&atilde;o de suas redes de tr&aacute;fego de dados para utiliz&aacute;-las depois com finalidade lucrativa, vendendo a capacidade dos backhauls a operadores de servi&ccedil;o de acesso &agrave; internet nas cidades, com dinheiro que deveria ser usado para expandir a rede de presta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o p&uacute;blico.<\/p>\n<p><span><strong>Minist&eacute;rio contesta decis&atilde;o<\/strong><\/span> <\/p>\n<p>O m&eacute;rito da decis&atilde;o judicial foi criticado pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. Ao notici&aacute;rio &ldquo;TeleTime&rdquo;, o consultor jur&iacute;dico da pasta, Marcelo Bechara, desqualificou a liminar emitida pela ju&iacute;za por ela estar baseada nas opini&otilde;es dos concession&aacute;rios. &quot;As empresas, quando colocaram d&uacute;vidas sobre a reversibilidade, o fizeram em uma consulta p&uacute;blica. Consulta p&uacute;blica serve para que as empresas digam o que querem. Mas o que vale efetivamente &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o da Anatel, e esta posi&ccedil;&atilde;o &eacute; clara: backhaul &eacute; bem revers&iacute;vel&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Para a ju&iacute;za, no entanto, a posi&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; clara nem s&oacute;lida. No texto da decis&atilde;o, ela julga contradit&oacute;rio o parecer da Anatel, &quot;j&aacute; que se consignou a reversibilidade e acolheram-se os argumentos em sentido contr&aacute;rio, calcados na tese de que o backhaul n&atilde;o &eacute; essencial ao STFC&quot;. O laudo t&eacute;cnico do &oacute;rg&atilde;o, ao justificar o por qu&ecirc; da retirada da cl&aacute;usula que explicitava a reversibilidade da infra-estrura, assume que o bem foi incorporado ao servi&ccedil;o por ocasi&atilde;o das trocas das metas, sendo, portanto, algo novo. Mas toma como autom&aacute;tica a compreens&atilde;o de que ele integra o servi&ccedil;o de STFC. <\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; norma ou estudo t&eacute;cnico especificando o que &eacute; o backhaul. Ent&atilde;o como ele pode ser bem essencial &agrave; presta&ccedil;&atilde;o do STFC ?&quot;, indaga Fl&aacute;via Lef&eacute;vre, do Instituto ProTeste e membro do Conselho Consultivo da Anatel. A entidade tamb&eacute;m foi alvo, indiretamente, das cr&iacute;ticas do Minicom. Na avalia&ccedil;&atilde;o de Marcelo Bechara, a iniciativa e a decorrente liminar s&oacute; beneficiam as empresas, que desejariam uma decis&atilde;o em favor da irreversibilidade do backhaul.<\/p>\n<p><strong>Banda larga em regime p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao Programa Banda Larga nas Escolas, criado como grande contrapartida das concession&aacute;rias &agrave; troca das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, Bechara afirmou que sua implanta&ccedil;&atilde;o torna-se mais dif&iacute;cil. Entretanto, o assessor do minist&eacute;rio garantiu que a suspens&atilde;o das novas obriga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o significa barrar o provimento de acesso &agrave; internet a 55 mil escolas p&uacute;blicas previsto no projeto.<\/p>\n<p>Segundo Fl&aacute;via Lef&eacute;vre, h&aacute; um movimento de desqualifica&ccedil;&atilde;o da liminar baseado no argumento de que ela traz riscos &agrave; massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga no pa&iacute;s. &quot;Os fins n&atilde;o justificam os meios. As politicas p&uacute;blicas devem ser feitas com a observ&acirc;ncia da lei e com observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio da impessoalidade&quot;, responde. &quot;Se o governo considera que o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados, banda larga, &eacute; t&atilde;o essencial, porque n&atilde;o o incluir entre os servi&ccedil;os de interesse coletivo no regime p&uacute;blico? O artigo 18 da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es concede prerrogativa &agrave; Uni&atilde;o para fazer isso&quot;, desafia Fl&aacute;via. <\/p>\n<p><span>Outra medida que teria muito mais impacto na expans&atilde;o do acesso &agrave; internet em alta velocidade, acrescenta, seria o cumprimento da diretriz expressa na LGT de desagrega&ccedil;&atilde;o das redes das concession&aacute;rias. Segundo Fl&aacute;via, a medida &ldquo;abriria o mercado para outros operadores e agentes e estimularia a redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o, bem como a melhoria da qualidade&quot;.<\/p>\n<p>Ela tamb&eacute;m discorda da alega&ccedil;&atilde;o de que a decis&atilde;o da Justi&ccedil;a beneficia as empresas e lembra que as facilidades &agrave;s concession&aacute;rias v&ecirc;m sendo concedidas pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e pela Anatel. Entre estas facilidades, a advogada da Pro Teste cita o prorrogamento do prazo para cumprimento das metas de universaliza&ccedil;&atilde;o, a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de terminais p&uacute;blicos a serem constru&iacute;dos e, agora, a garantia de as empresas custearem a expans&atilde;o das redes de banda larga com a assinatura b&aacute;sica.<\/p>\n<p><\/span><strong>Rea&ccedil;&atilde;o conflituosa<\/strong><\/p>\n<p>Marcelo Bechara afirmou ao site &ldquo;Telecom OnLine&rdquo; que o Minist&eacute;rio ir&aacute; entrar com recurso para reverter a decis&atilde;o. &quot;Vamos recorrer junto com a Procuradora da Uni&atilde;o, &oacute;rg&atilde;o da Advocacia Geral da Uni&atilde;o (AGU), para derrubar esta liminar. A argumenta&ccedil;&atilde;o &eacute; confusa e impede que o benef&iacute;cio da banda larga chegue &agrave; popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o disp&otilde;e do servi&ccedil;o&quot;. Procurada pela reportagem do <strong>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong>, a assessoria da Anatel apenas afirmou que espera ser oficialmente notificada para tomar provid&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><span>Um obst&aacute;culo &agrave; rea&ccedil;&atilde;o do governo contra a liminar &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de telefonia fixa. Embora tenham sido aliadas na articula&ccedil;&atilde;o do acordo que resultou na troca das metas, a pol&ecirc;mica sobre reversibilidade op&otilde;e operadoras e Executivo Federal. Ao contr&aacute;rio do governo, as empresas defendem que o bakchaul n&atilde;o &eacute; bem revers&iacute;vel, j&aacute; tendo manifestado sua posi&ccedil;&atilde;o na consulta p&uacute;blica sobre o tema realizada antes da altera&ccedil;&atilde;o dos contratos. <\/p>\n<p>Com isso, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es pode perder um importante aliado na tentativa de garantir os termos aprovados no decreto publicado em abril. A reportagem do <\/span><span><strong>Observat&oacute;rio<\/strong><\/span><span> procurou a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Concession&aacute;rias do Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix), mas n&atilde;o obteve retorno.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liminar expedida esta semana susta execu\u00e7\u00e3o de novas obriga\u00e7\u00f5es pelas concession\u00e1rias e explicita preju\u00edzos resultantes da troca de postos de servi\u00e7o por infra-estrutura para banda larga no PGMU<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[645],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22142"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}