{"id":22141,"date":"2008-11-18T17:07:52","date_gmt":"2008-11-18T17:07:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22141"},"modified":"2008-11-18T17:07:52","modified_gmt":"2008-11-18T17:07:52","slug":"omissao-da-midia-sobre-o-acordo-com-o-vaticano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22141","title":{"rendered":"Omiss\u00e3o da m\u00eddia sobre o acordo com o Vaticano"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">&Eacute; grave e clamoroso o sil&ecirc;ncio da imprensa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; assinatura do acordo entre o Executivo brasileiro e a Santa S&eacute;. Como &eacute; grave a atitude de, ao dar a mat&eacute;ria, meramente divulgar informa&ccedil;&otilde;es oficiais do governo brasileiro ou do Vaticano, que obviamente tentam minimizar a amea&ccedil;a &agrave; laicidade do Estado, que est&aacute; presente. N&atilde;o fosse por outro motivo, seria de se esperar aten&ccedil;&atilde;o da imprensa, pelo vigor renovado das rea&ccedil;&otilde;es de tantos setores, a cada nova amea&ccedil;a ao Estado laico.<\/p>\n<p>&Eacute; bom lembrar que h&aacute; exatos dois anos tornou-se p&uacute;blico que a Santa S&eacute; pressionava o presidente Lula para assinar um acordo bilateral (tratado ou concordata), amea&ccedil;ando o princ&iacute;pio da laicidade, o que ocasionou rea&ccedil;&otilde;es fortes e justificadas de amplos setores. Em continuidade a movimento que remonta aos prim&oacute;rdios da Rep&uacute;blica, s&atilde;o pessoas de muitas e diversas origens que t&ecirc;m se dedicado a demonstrar e reafirmar como o princ&iacute;pio da laicidade do Estado &eacute; indissol&uacute;vel da democracia, como consagrado na Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p><strong>Mera reprodu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Ora, a opini&atilde;o p&uacute;blica merece respeito e &agrave; imprensa cabe cumprir seu papel de informar, em particular quando o gesto que &eacute; pol&iacute;tico &ndash; como reconhecido, em busca de seu pr&oacute;prio benef&iacute;cio, pela Santa S&eacute; &ndash; amea&ccedil;a a liberdade de consci&ecirc;ncia e de cren&ccedil;a dos pertencentes a outros grupos ideol&oacute;gicos e religiosos. O sil&ecirc;ncio da imprensa h&aacute; de ser tomado como presumidamente auto-imposto, j&aacute; que n&atilde;o se pode imaginar que tipo de press&atilde;o as partes contratantes do acordo poderiam fazer, estando, como estamos, em uma democracia.<\/p>\n<p>Vale mencionar, primeiramente, que o porta-voz da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Marcelo Baumbach, fez an&uacute;ncio da viagem do presidente a Roma, &quot;a caminho de Washington&quot;. Era 6 de novembro, uma semana antes da data agendada para a assinatura, ou seja, com tempo apertado, por&eacute;m suficiente, para explorar o anunciado. Assim, seria de se esperar o debate pela imprensa, em particular por toda a pol&ecirc;mica em ocasi&otilde;es anteriores em que o tema veio &agrave; tona, fosse diretamente, ou por riscos a que se viu exposto o Estado laico, como no caso da pesquisa com c&eacute;lulas-tronco.<\/p>\n<p>Mas houve at&eacute; ve&iacute;culos que simplesmente suprimiram o an&uacute;ncio da assinatura do acordo, mencionando apenas que, &quot;durante o encontro, Lula e Bento 16 podem discutir temas como combate &agrave; fome, direitos humanos e solidariedade entre os povos&quot;. Outros, como o UOL, ofereceram, sem destaque, o an&uacute;ncio completo: &quot;Na reuni&atilde;o reservada com o papa, Lula deve assinar um tratado com o Vaticano sobre a atua&ccedil;&atilde;o da Igreja Cat&oacute;lica no Brasil&quot; (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u465000.shtml\" target=\"_blank\">ver aqui<\/a> ); recortaram em particular a fala do porta-voz da Presid&ecirc;ncia: &quot;O importante &eacute; que o acordo preserve o preceito constitucional de liberdade religiosa. N&atilde;o ser&aacute; discutido credo, mas os direitos e deveres da entidade religiosa.&quot; Ponto final, sem cr&iacute;ticas, &quot;outros lados&quot;, ou quaisquer an&aacute;lises, mera reprodu&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Brasil.<\/p>\n<p><strong>Falha imperdo&aacute;vel<\/strong><\/p>\n<p>Pode-se at&eacute; entender a posi&ccedil;&atilde;o do porta-voz de, no an&uacute;ncio, tentar neutralizar a pol&ecirc;mica, buscando garantir que estariam assegurados os direitos de todos, o que ganhava relev&acirc;ncia em face de ser a primeira vez que clara e oficialmente era assumida pelo governo a exist&ecirc;ncia de negocia&ccedil;&otilde;es antigas, como dado no UOL: &quot;Segundo Baumbach, o Brasil e o Vaticano negociam h&aacute; alguns anos a reda&ccedil;&atilde;o de um documento sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre os dois pa&iacute;ses&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; sabido que diferentes minist&eacute;rios do governo federal foram chamados a se manifestar sobre a proposta do Vaticano em diferentes rodadas ao longo desses anos; ou seja, n&atilde;o foi gesto isolado do presidente, que bem poderia ter tido e ouvido algum de seus colaboradores a aconselhar a abertura do debate, que s&oacute; teria a ganhar vindo &agrave; luz, protegendo a autoridade republicana da press&atilde;o indevida. Mas n&atilde;o foi assim, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel compreender como a imprensa n&atilde;o rastreou o processo. Sabe-se ainda que s&atilde;o fortes as press&otilde;es da Santa S&eacute; reivindicando sigilo nas negocia&ccedil;&otilde;es, como chegou a ser anunciado em 2007, quando da visita do papa ao Brasil.<\/p>\n<p>Por isso, n&atilde;o surpreende que o presidente Lula tenha sido &quot;convidado&quot; a assinar esse documento longe dos olhos do Brasil. J&aacute; com o presidente de Portugal havia sido usado esse artif&iacute;cio em 2004, para assinar, no Vaticano, em sigilo, uma concordata, l&aacute; noticiada apenas a posteriori. Essa estrat&eacute;gia &eacute; da Igreja Cat&oacute;lica que, como qualquer institui&ccedil;&atilde;o humana, procura fazer valer seus interesses; aceit&aacute;-la, &eacute; problema do governo, atitude question&aacute;vel, mas do mundo da pol&iacute;tica; calar e n&atilde;o investigar &eacute; falha imperdo&aacute;vel da imprensa.<\/p>\n<p><strong>Sem ouvir nem informar<\/strong><\/p>\n<p>Ou seja, paradoxalmente, mesmo sob press&atilde;o, quem at&eacute; tentou avisar foi o presidente &ndash; de forma limitada, no &uacute;ltimo momento, mas avisou. Por isso &eacute; imposs&iacute;vel compreender por que a imprensa se furtou ao debate, quando houvera o an&uacute;ncio por parte do Pal&aacute;cio do Planalto daquela agenda, ainda que de &uacute;ltima hora. Seria o tempo para informar a opini&atilde;o p&uacute;blica, oferecer debates, dados t&eacute;cnicos sobre o que s&atilde;o acordos bilaterais, peculiaridades da Santa S&eacute; como Estado, a diferen&ccedil;a entre a quest&atilde;o pol&iacute;tica e as quest&otilde;es de cren&ccedil;a, o que poderia significar frente &agrave; ordem constitucional brasileira, em que afetaria ou n&atilde;o afetaria a vida da cidadania em geral etc.<\/p>\n<p>Haveria a oferecer ao p&uacute;blico o aporte do amplo arco de grupos que se mobiliza em favor da laicidade do Estado. Deixaram de ouvir fontes respeit&aacute;veis, que t&ecirc;m importantes e diversas contribui&ccedil;&otilde;es a oferecer: minorias religiosas, em sua imensa diversidade no Brasil, monote&iacute;stas e polite&iacute;stas, ateus e agn&oacute;sticos; defensores e defensoras dos direitos sexuais e reprodutivos; movimento de mulheres e dos setores GBLTT; grupos acad&ecirc;micos dedicados ao estudo do Estado laico; associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas; e defensores da liberdade de express&atilde;o, para citar apenas alguns segmentos.<\/p>\n<p>A representatividade e for&ccedil;a desses setores &eacute; sua profunda heterogeneidade, sem qualquer centraliza&ccedil;&atilde;o ou hierarquia, indicadora das m&uacute;ltiplas e diversas manifesta&ccedil;&otilde;es da pluralidade humana, base da democracia, como tanto indicaram cientistas pol&iacute;ticos e fil&oacute;sofos como Arendt e Bobbio e outros. A imprensa nem se serviu dessas fontes para analisar e, antes ainda, nem informou, deixando igualmente de servir a todos e de cumprir sua miss&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Carta-manifesto<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; na ocasi&atilde;o da visita do papa Bento 16 ao Brasil, em 2007, a cobertura da imprensa deixara a desejar, como analisamos neste Observat&oacute;rio (<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=432JDB006\" target=\"_blank\">ver &quot;A imprensa em falta com o Brasil&quot;<\/a> ). Naquela oportunidade, a maior parte da imprensa adotou atitude que extrapolava o respeito e a aten&ccedil;&atilde;o &ndash; naturalmente devidas &#8211; &agrave; significativa e respeit&aacute;vel popula&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica no Brasil, para adotar cobertura que ignorou a pluralidade religiosa e o car&aacute;ter laico do Estado brasileiro. Ali, a imprensa foi positivamente surpreendida pelo gesto do presidente Lula, que naquele momento teve coragem para cumprir seu juramento de defesa da Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira e reafirmou a laicidade diretamente ao papa Bento 16, dizendo que n&atilde;o assinaria qualquer acordo bilateral, por ser o Brasil um Estado laico. Alberto Dines destacou no OI a contradi&ccedil;&atilde;o entre uma imprensa recolhida e o presidente assertivo (<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=432JDB010\" target=\"_blank\">ver &quot;Catequese da m&iacute;dia contraria Estado laico&quot;<\/a> ).<\/p>\n<p>N&atilde;o fosse por outro motivo, desta vez seria de se esperar que a imprensa perguntasse ao presidente Lula: o que mudou, em 18 meses, que tornou poss&iacute;vel assinar o acordo? N&atilde;o seria de se esperar que a imprensa pedisse acesso ao documento, antes da assinatura, para submeter a an&aacute;lises e confirmar, ou n&atilde;o, as assertivas de que n&atilde;o haveria riscos &agrave; separa&ccedil;&atilde;o entre Estado e religi&otilde;es? Ou, no caso, riscos &agrave; separa&ccedil;&atilde;o entre o Estado e especificamente a Igreja Cat&oacute;lica Romana, que vigora desde o in&iacute;cio da Rep&uacute;blica, por ser mat&eacute;ria de interesse de todos?<\/p>\n<p>Ao inv&eacute;s disso, o sil&ecirc;ncio auto-obsequioso foi quase total: a CBN abriu espa&ccedil;o para o debate antes da assinatura do acordo (com base em not&iacute;cias de jornais de outros pa&iacute;ses), como alguns ve&iacute;culos independentes, blogueiros isolados ou de institui&ccedil;&otilde;es. A ONG &quot;Cat&oacute;licas pelo Direito de Decidir&quot; lan&ccedil;ou uma carta-manifesto <a href=\"http:\/\/www.catolicasonline.org.br\/ExibicaoNoticia.aspx?cod=323\" target=\"_blank\">[ver aqui]<\/a>  repercutida por diversas ONGs ligadas ao movimento de mulheres, e que n&atilde;o recebeu aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia para uma posi&ccedil;&atilde;o relevante que demonstra que entre os pr&oacute;prios cat&oacute;licos n&atilde;o h&aacute;, felizmente, expectativa un&acirc;nime de que o Estado brasileiro abdique da laicidade para se submeter a um grupo religioso.<\/p>\n<p><strong>Retrocesso, uma amea&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>Mais constrangedor ainda foi brasileiros e brasileiras precisarem consultar jornais estrangeiros, na internet, como <a href=\"http:\/\/www.clarin.com\/diario\/2008\/11\/09\/elmundo\/i-01799032.htm\" target=\"_blank\">o argentino Clar&iacute;n<\/a> , entre outros, que a partir do dia 9 de novembro detalharam aspectos do acordo, ouvindo fontes em geral n&atilde;o identificadas, trouxeram informa&ccedil;&otilde;es relativas a coletivas de que participou o presidente Lula em Roma, com o presidente italiano, em que o tema do acordo com o Vaticano foi abordado, deixando a impress&atilde;o de que os ve&iacute;culos brasileiros sequer tinham correspondentes em Roma.<\/p>\n<p>Como reagir &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de o mundo discutir uma interpreta&ccedil;&atilde;o da vida brasileira que n&atilde;o ter&iacute;amos jamais em vista, pelo absurdo, como a id&eacute;ia de que o acordo protegeria a Igreja Cat&oacute;lica at&eacute; de mudan&ccedil;as na lei brasileira? Ou mesmo informa&ccedil;&otilde;es da presen&ccedil;a de itens que, de fato, &quot;ca&iacute;ram&quot; na vers&atilde;o final do acordo? Ou com interpreta&ccedil;&atilde;o distinta dos termos depois anunciados, como pren&uacute;ncio de pr&oacute;ximas press&otilde;es?<\/p>\n<p>Resta esperar que, j&aacute; assinado o acordo, a imprensa cumpra seu dever, ainda que tardiamente, impulsionando o debate porque h&aacute; ainda o que fazer. Basta ler o artigo 20, que implicitamente traz a exig&ecirc;ncia constitucional, no lado brasileiro, de que seja ratificado pelo Congresso Nacional. Que a omiss&atilde;o n&atilde;o permane&ccedil;a como a marca hist&oacute;rica da imprensa neste momento t&atilde;o cr&iacute;tico em que a Rep&uacute;blica, em seu 119&ordm; anivers&aacute;rio, &eacute; amea&ccedil;ada de retrocesso em s&eacute;culos.<\/p>\n<p><em>* Roseli Fischmann &eacute; professora, coordenadora da &aacute;rea Filosofia e Educa&ccedil;&atilde;o da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o da USP, autora, entre outros, de Estado Laico (Memorial da Am&eacute;rica Latina), entre outras obras, coordenadora do Grupo de Pesquisa Discrimina&ccedil;&atilde;o, Preconceito, Estigma da USP; integrou a Comiss&atilde;o Especial sobre Ensino Religioso, do Estado de S&atilde;o Paulo (1995-1996).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; grave e clamoroso o sil&ecirc;ncio da imprensa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; assinatura do acordo entre o Executivo brasileiro e a Santa S&eacute;. 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