{"id":22133,"date":"2008-11-17T18:22:45","date_gmt":"2008-11-17T18:22:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22133"},"modified":"2008-11-17T18:22:45","modified_gmt":"2008-11-17T18:22:45","slug":"relatores-da-onu-e-oea-reforcam-necessidade-de-midia-plural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22133","title":{"rendered":"Relatores da ONU e OEA refor\u00e7am necessidade de m\u00eddia plural"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Ao longo do s&eacute;culo XX, a amplia&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o de massa constituiu um ambiente que trouxe novas barreiras &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o. T&atilde;o importante quanto poder falar, passou a ser fundamental ter os meios para se expressar em condi&ccedil;&otilde;es de ser efetivamente ouvido no debate p&uacute;blico, feito sobretudo pela m&iacute;dia. Com esta nova configura&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e da cultura, aprofundada nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, o conceito de liberdade de express&atilde;o tem de ser ampliado, incorporando especialmente a necessidade de garantia da pluralidade e da diversidade dos e nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a opini&atilde;o dos relatores para a Liberdade de Express&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) e da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Ambos participaram dos debates do semin&aacute;rio &ldquo;Morda&ccedil;as Invis&iacute;veis: Novas e Velhas Barreiras &agrave; Diversidade na Radiodifus&atilde;o&rdquo;, promovido pela Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias em Buenos Aires, nos dias 13 e 14 deste m&ecirc;s.<\/p>\n<p>&quot;O guarda-chuva da liberdade de express&atilde;o se ampliou. O direito come&ccedil;ou protegendo os indiv&iacute;duos e sofreu um giro conceitual importante. O que protege hoje a liberdade de express&atilde;o &eacute; a possibilidade de que exista debate p&uacute;blico, vigoroso, aberto, plural. N&atilde;o s&oacute; poder falar, mas ter os meios para falar. S&oacute; este debate permite a liberdade de exerc&iacute;cio da liberdade e autodetermina&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&quot;, defendeu a colombiana Catalina Botero, relatora da OEA. <\/p>\n<p>De acordo com Frank LaRue, jornalista guatemalteco hoje ocupando o posto de relator da ONU para a Liberdade de Express&atilde;o, o conceito surgiu de uma vis&atilde;o liberal de direitos civis e pol&iacute;ticos. O desafio atualmente &eacute; superar a no&ccedil;&atilde;o do direito individual, atrelada a esta vis&atilde;o antiga, e fazer dele um direito coletivo, que permita aos povos falar seu idioma, expressar sua cultura e ter garantida qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o coletiva p&uacute;blica. &quot;&Eacute; muito importante ampliar esta vis&atilde;o. A liberdade de express&atilde;o &eacute; fundamental como baluarte da democracia mas tamb&eacute;m &eacute; importante como direito da cidadania, pois deve lidar com a presen&ccedil;a de sistemas plurais&quot;, argumentou.<\/p>\n<p>Ele destacou que esta amplia&ccedil;&atilde;o implica em uma mudan&ccedil;a substancial da vis&atilde;o sobre o papel do Estado. Se antes ele era o principal violador da liberdade de express&atilde;o dos agentes privados, e, portanto, o inimigo a ser contido e combatido, agora a situa&ccedil;&atilde;o se inverteu: enquanto o Estado torna-se o principal ente que pode garantir uma regula&ccedil;&atilde;o promotora de ambientes plurais e diversos na comunica&ccedil;&atilde;o de massa, os grupos privados comerciais &ndash;  cada vez mais organizados em conglomerados e monop&oacute;lios &ndash; transformaram-se em um obst&aacute;culo &agrave; efetiva&ccedil;&atilde;o deste direito.<\/p>\n<p>&ldquo;Hoje, para garantir liberdade de express&atilde;o, &eacute; preciso um Estado atuante&quot;, apontou LaRue. Isso n&atilde;o significa, continua, esperar do Estado a resolu&ccedil;&atilde;o para que sejam extintas todas as barreiras &agrave; diversidade, mas v&ecirc;-lo como arena que deve ser disputada pelas for&ccedil;as progressistas e que t&ecirc;m na pluralidade uma bandeira. Desta forma, as regula&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o refletir estas concep&ccedil;&otilde;es, em detrimento de seguirem protegendo a flexibilidade de a&ccedil;&atilde;o dos grandes grupos de m&iacute;dia.<\/p>\n<p><strong>Acesso dos segmentos exclu&iacute;dos<\/strong><\/p>\n<p>Para Catalina Botero, a revers&atilde;o deste quadro passa primeiramente por regular a forma&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios que concentram a produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es nas m&atilde;os de poucos grupos. &ldquo;Por que n&atilde;o h&aacute; leis anti-monop&oacute;lio para esta mercadoria vital? Devem existir leis deste tipo espec&iacute;ficas para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Um primeiro caminho &eacute; este.&rdquo;<\/p>\n<p>No entanto, a relatora acrescentou que apenas assegurar a exist&ecirc;ncia de competidores n&atilde;o &eacute; suficiente, pois n&atilde;o garante que sejam distintos. Para que haja uma efetiva diversidade, coloca-se como um imperativo viabilizar o acesso de segmentos marginalizados e minorizados da sociedade &agrave; arena midi&aacute;tica, o que passa atualmente pela opera&ccedil;&atilde;o de canais de r&aacute;dio e TV por estes grupos.<\/p>\n<p>Botero apresentou o que, para ela, seria uma distribui&ccedil;&atilde;o justa no espectro de radiofreq&uuml;&ecirc;ncias: dividir os canais igualmente entre operadores comerciais, organiza&ccedil;&otilde;es destes setores exclu&iacute;dos e emissoras p&uacute;blicas. Os segundos cumpririam o papel de fomentar as vozes que normalmente n&atilde;o s&atilde;o contempladas nos meios de massa, enquanto os terceiros contemplariam conte&uacute;dos que n&atilde;o s&atilde;o nem rent&aacute;veis, nem representa&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o de segmento espec&iacute;fico, mas que s&atilde;o importantes para o debate democr&aacute;tico.<\/p>\n<p>Tanto a relatora da OEA quanto Frank LaRue bateram na tecla da import&acirc;ncia das r&aacute;dios comunit&aacute;rias e na urg&ecirc;ncia de promover o seu fortalecimento. Para isso, &eacute; necess&aacute;rio incentivo &agrave; sua apropria&ccedil;&atilde;o por minorias, bem como o combate &agrave;s legisla&ccedil;&otilde;es e arbitrariedades de Estados nacionais que marginalizam esta modalidade de m&iacute;dia.<\/p>\n<p><strong>Sentido cl&aacute;ssico<\/strong><\/p>\n<p>Frank LaRue destacou que, se h&aacute; este novo e dif&iacute;cil programa do pluralismo e da diversidade a ser perseguido, o sentido cl&aacute;ssico da liberdade de express&atilde;o n&atilde;o pode ser esquecido. O relator citou casos de censura e abuso do poder estatal, freq&uuml;entes ainda no Oriente M&eacute;dio e na &Aacute;sia, e de viol&ecirc;ncia contra jornalistas, existente em todo o mundo mas acentuada em zonas de guerra e conflito. <\/p>\n<p>Uma das quest&otilde;es mais delicadas relacionadas &agrave; liberdade de expressar-se em sentido estrito &eacute; o conjunto de limita&ccedil;&otilde;es impostas por regimes com alta penetra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as religiosas. &quot;Os conflitos religiosos t&ecirc;m que incrementar a liberdade de express&atilde;o, e n&atilde;o reduzi-la&quot;, defendeu. &quot;O Estado nunca deve meter-se no conte&uacute;do da comunica&ccedil;&atilde;o salvo estabelecer limita&ccedil;&otilde;es, como frear os casos de discrimina&ccedil;&atilde;o e incita&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia.&quot; <\/p>\n<p>Os dois relatores citaram a Am&eacute;rica Latina como um campo fecundo de experi&ecirc;ncias que podem ser utilizadas como exemplo para o resto do mundo. Infelizmente, entre o rol de iniciativas a serem vistas como modelo est&atilde;o n&atilde;o apenas as experi&ecirc;ncias de luta pela diversidade, mas tamb&eacute;m os ambientes e a&ccedil;&otilde;es de governos e do mercado que obstaculizam o alcance de uma efetiva diversidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no continente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Superar a l\u00f3gica do direito individual e garantir que, coletivamente, a sociedade seja beneficiada pela pluralidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 o desafio para os Estados e os movimentos sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[90],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22133"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22133\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}