{"id":22120,"date":"2008-11-13T13:29:26","date_gmt":"2008-11-13T13:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22120"},"modified":"2008-11-13T13:29:26","modified_gmt":"2008-11-13T13:29:26","slug":"investigacoes-e-vazamentos-como-desqualificar-a-funcao-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22120","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00f5es e vazamentos: Como desqualificar a fun\u00e7\u00e3o da imprensa"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O que ocorre neste momento nos escal&otilde;es superiores dos &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a (PF e ABIN) pode ser adjetivado como kafkiano &ndash; pesadelo, exacerba&ccedil;&atilde;o do absurdo. No entanto, a qualifica&ccedil;&atilde;o mais apropriada para este epis&oacute;dio tamb&eacute;m deriva do nome de um g&ecirc;nio da literatura: dantesco. <\/p>\n<p>Sob o ponto de vista institucional, pol&iacute;tico e funcional o Brasil vive um inferno. Verdadeiro caos. Com a Pol&iacute;cia Federal investigando simultaneamente a pr&oacute;pria Pol&iacute;cia Federal e a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (ABIN, &oacute;rg&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica), o menos que se pode dizer &eacute; que estamos &agrave;s v&eacute;speras de uma perigosa ruptura, estimulada por um lado pela vaidade de magistrados do Supremo Tribunal Federal e, por outro, pelas habituais trapalhadas do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. <\/p>\n<p>O pecado original come&ccedil;a na imprensa. Em primeiro lugar porque no in&iacute;cio da Satiagraha nossos jornal&otilde;es se comportaram de forma irrespons&aacute;vel, divulgando sem qualquer suporte investigativo os primeiros relat&oacute;rios produzidos pelos encarregados da opera&ccedil;&atilde;o policial. Aquilo n&atilde;o foi vazamento, foi inunda&ccedil;&atilde;o criminosa. Um telejornalismo que s&oacute; se movimenta com dicas de policiais produz no m&aacute;ximo reality-shows e encena&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Sob a &oacute;tica do jornalista, vazamentos s&atilde;o leg&iacute;timos desde que os seus teores sejam devidamente checados antes da publica&ccedil;&atilde;o. Sob a &oacute;tica do governo &eacute; leg&iacute;timo investigar os funcion&aacute;rios &ndash; de qualquer escal&atilde;o &ndash; que vazam para a imprensa informa&ccedil;&otilde;es sigilosas. Este confronto de legitimidades s&oacute; conseguir&aacute; ser esclarecido atrav&eacute;s do debate.<\/p>\n<p><strong>Sem esclarecer<\/strong><\/p>\n<p>Quando estourou a opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha, colaboradores deste <em>Observat&oacute;rio da Imprensa <\/em>repudiaram as pr&aacute;ticas que colocam os jornalistas na condi&ccedil;&atilde;o de meros caudat&aacute;rios e subordinados dos &oacute;rg&atilde;os policiais. Nenhum ve&iacute;culo, nenhum jornalista, nenhum opinionista teve a coragem de aproveitar a deixa para discutir com serenidade os procedimentos que desqualificam a fun&ccedil;&atilde;o da imprensa.<\/p>\n<p>O segundo pecado da m&iacute;dia consiste em manter na penumbra a deplor&aacute;vel situa&ccedil;&atilde;o em que se encontram hoje os &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a. O notici&aacute;rio desses dias n&atilde;o &eacute; &quot;hol&iacute;stico&quot;, mas apenas incidental.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; nova. Descende do Dossi&ecirc; Vedoin, comprado de chantagistas para ser infiltrado no seman&aacute;rio Isto&Eacute;. A PF mostra-se rigorosamente &quot;republicana&quot; quando sua comprovada efici&ecirc;ncia n&atilde;o amea&ccedil;a figuras do governo e dos partidos do governo. Quando seus investigadores farejam trapalhadas nas altas esferas, num passe de m&aacute;gica evapora-se a sua compet&ecirc;ncia e a PF passa a comportar-se de forma tosca e provinciana.<\/p>\n<p>A partir do momento em que o ent&atilde;o diretor-geral da PF Paulo Lacerda foi transferido para ABIN, e o ent&atilde;o ministro da Justi&ccedil;a M&aacute;rcio Thomaz Bastos confessou publicamente a exist&ecirc;ncia de um di&aacute;rio guardado num cofre que s&oacute; seria aberto dentro de algumas d&eacute;cadas, evidenciou-se que a verdade estava sendo omitida. <\/p>\n<p>A dram&aacute;tica trapalhada de agora &eacute; apenas a continua&ccedil;&atilde;o da outra, a dos aloprados, que t&atilde;o cedo n&atilde;o ser&aacute; esclarecida. Sobretudo porque nossa imprensa s&oacute; chega &agrave; verdade atrav&eacute;s de vazamentos.<\/p>\n<p><em>* Alberto Dines &eacute; editor-respons&aacute;vel do Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que ocorre neste momento nos escal&otilde;es superiores dos &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a (PF e ABIN) pode ser adjetivado como kafkiano &ndash; pesadelo, exacerba&ccedil;&atilde;o do absurdo. No entanto, a qualifica&ccedil;&atilde;o mais apropriada para este epis&oacute;dio tamb&eacute;m deriva do nome de um g&ecirc;nio da literatura: dantesco. 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