{"id":22119,"date":"2008-11-13T13:28:33","date_gmt":"2008-11-13T13:28:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22119"},"modified":"2008-11-13T13:28:33","modified_gmt":"2008-11-13T13:28:33","slug":"obama-e-o-negro-na-tv-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22119","title":{"rendered":"Obama e o negro na TV brasileira"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A vit&oacute;ria de Barack Obama traz a felicidade da batalha vencida contra os absurdos da experi&ecirc;ncia humana. Os EUA v&atilde;o ter que conviver eternamente com a sonoridade do nome do presidente eleito, que remete a Osama, o Bin Laden, o sat&acirc;nico algoz daquela na&ccedil;&atilde;o. O fato hist&oacute;rico remete &agrave; reflex&atilde;o sobre o papel do negro na sociedade, na perspectiva de nova ordem mundial e, por analogia, aqui, ao aproveitamento dos atores negros na TV brasileira.<\/p>\n<p>Desde as primeiras imagens de atores brancos interpretando negros com pesado <em>make-up <\/em>a S&eacute;rgio Cardoso, no estilo black face, vivendo com soberba compet&ecirc;ncia um negro na novela A Cabana de Pai Tom&aacute;s, baseada no romance H.B. Stowe, adaptada por Edy Maia, produzida em 1969, pela TV Globo, que n&atilde;o alcan&ccedil;ou o sucesso esperado, a presen&ccedil;a da negritude espelhada por brancos causou estranheza no p&uacute;blico e na classe art&iacute;stica.<\/p>\n<p>Na caricatura musical, assistiu-se a atores brancos rebocados de preto cantando &ldquo;Boneca de pixe&rdquo;, ou o cl&aacute;ssico &ldquo;N&ecirc;ga do cabelo duro&rdquo; ou saudando o carnaval com &ldquo;O teu cabelo n&atilde;o nega&rdquo; ou &ldquo;Mulata assanhada&rdquo;. O espa&ccedil;o para os afro-descendentes na TV limita-se &agrave; cozinha, prost&iacute;bulo ou senzala. Poucos se destacam no futebol e outros enchem a telinha de luz, magia e cores no carnaval. Enriquecem as emo&ccedil;&otilde;es de cenas de assaltos, crimes hediondos ou com a faveliza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea da programa&ccedil;&atilde;o. Sim, a grande audi&ecirc;ncia da programa&ccedil;&atilde;o da TV aberta est&aacute; concentrada na periferia das grandes cidades e, por isso, a favela e o negro viram personagens do hor&aacute;rio nobre.<\/p>\n<p><strong>Esperan&ccedil;a de igualdade<\/strong><\/p>\n<p>Aqui, como l&aacute;, a diferen&ccedil;a social traz o preconceito revelado com anos de escravatura. O primeiro an&uacute;ncio da propaganda brasileira descreve um feitor procurando &quot;um negro fugidio, de bunda grande&quot;. Outros eram identificados por furos, cortes e cicatrizes no rosto, o que caracterizou essa irracionalidade do mundo. Nos jornais de 1850, aparece &quot;vende-se uma preta cozinheira de forno e fog&atilde;o, boa lavadeira e mascata&quot;. Outras &quot;pretas&quot; eram alugadas para amamentar. Vendiam o n&eacute;ctar da vida que a senhorinha n&atilde;o tinha&#8230;<\/p>\n<p>No universo da ind&uacute;stria cultural onde predomina o olho azul e a pele clara, o branco, os atores cor de chocolate, colored, ou protagonistas do cinema feijoada (iniciativa da associa&ccedil;&atilde;o de diretores e atores negros) s&atilde;o eternamente figurantes, pano de fundo, que pontuam a solidariedade, no estar por tr&aacute;s, para ser verdadeira a vida da cena. Embaixadores da dor silenciosa, capacidade camale&ocirc;nica de renova&ccedil;&atilde;o de personagens, escravos, capangas ou pol&iacute;ticos corrupto s&atilde;o refer&ecirc;ncias epis&oacute;dicas. E aquele sem n&uacute;meros de rostos conhecidos, sem identifica&ccedil;&atilde;o nos cr&eacute;ditos, que promovem a verossimilhan&ccedil;a nas novelas com ambienta&ccedil;&atilde;o rural, na escravid&atilde;o ou favela? Ainda est&atilde;o sem o reconhecimento das empresas produtoras e n&atilde;o garantem lugar no mercado de trabalho. Outros s&atilde;o humilhados nos programas de humor. Sem citar a gera&ccedil;&atilde;o deserdada dos atores desaparecidos.<\/p>\n<p>Mas o que Obama tem a ver com o universo da produ&ccedil;&atilde;o televisiva brasileira? O presidente eleito pela expressiva vota&ccedil;&atilde;o popular traz signos que representam a esperan&ccedil;a de igualdade, de se escrever o novo cap&iacute;tulo da novela da vida, que Luther King idealizou para a hist&oacute;ria progredir: &quot;Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crian&ccedil;as v&atilde;o um dia viver em uma na&ccedil;&atilde;o onde elas n&atilde;o ser&atilde;o julgadas pela cor da pele, mas pelo conte&uacute;do de seu car&aacute;ter&quot; Que os atores negros possam sobreviver e semear sonhos num mercado de brancos.<\/p>\n<p><em>* Robson Terra &eacute; jornalista, professor universit&aacute;rio e mestrando em Comunica&ccedil;&atilde;o e Tecnologia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vit&oacute;ria de Barack Obama traz a felicidade da batalha vencida contra os absurdos da experi&ecirc;ncia humana. 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