{"id":22110,"date":"2008-11-12T16:56:28","date_gmt":"2008-11-12T16:56:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22110"},"modified":"2008-11-12T16:56:28","modified_gmt":"2008-11-12T16:56:28","slug":"audiencia-na-camara-avalia-cobertura-do-caso-eloa-pelas-tvs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22110","title":{"rendered":"Audi\u00eancia na C\u00e2mara avalia cobertura do caso Elo\u00e1 pelas TVs"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O sensacionalismo n&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica nova no jornalismo brasileiro. No caso da televis&atilde;o, o impacto das imagens faz com que tal atitude seja potencializada em nome de ganhos de pontos de audi&ecirc;ncia &agrave;s custas da espetaculariza&ccedil;&atilde;o da mis&eacute;ria e da desgra&ccedil;a humana. A dramatiza&ccedil;&atilde;o constitui uma narrativa emocional em cima de um determinado epis&oacute;dio de modo &agrave; manter a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas ligada &agrave; tela. Mesmo que os fatos reais ocorram em velocidade aqu&eacute;m do necess&aacute;rio para manter uma transmiss&atilde;o incessante, &quot;esquenta-se&quot; o tema com repercuss&otilde;es e atualiza&ccedil;&otilde;es sem novidades. <\/p>\n<p>O mais recente caso do uso deste recurso foi o acompanhamento das redes de TV do seq&uuml;estro da jovem Elo&aacute; Pimentel, em Santo Andr&eacute;, pelo seu ex-namorado, e que terminou com o assassinato da menina. Em audi&ecirc;ncia realizada na C&acirc;mara dos Deputados nesta ter&ccedil;a-feira (11) para discutir a atua&ccedil;&atilde;o das emissoras comerciais neste epis&oacute;dio, pesquisadores e deputados criticaram duramente a atua&ccedil;&atilde;o destes grupos n&atilde;o s&oacute; nas not&iacute;cias produzidas como na interfer&ecirc;ncia em seu desfecho. Para parte dos presentes, diferente de outros casos de seq&uuml;estro, neste os ve&iacute;culos estabeleceram uma rela&ccedil;&atilde;o direta com o autor, Lindemberg Alves Fernandes, com recorrentes entrevistas e conversas ao vivo, criando uma esp&eacute;cie de &quot;media&ccedil;&atilde;o paralela&quot;.<\/p>\n<p>&quot;A cobertura teve participa&ccedil;&atilde;o indireta neste assassinato&quot;, sentenciou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). Uma das formas desta incid&ecirc;ncia teria sido a intensa transmiss&atilde;o das imagens ao vivo, o que teria dado &agrave; Lindemberg um status de celebridade. &quot;Tivemos uma grande cena de <em>big brother<\/em><span style=\"font-style: normal\">,<\/span> onde houve vigil&acirc;ncia constante em tempo real&quot;, acrescentou a psic&oacute;loga Maria Luiza Oliveira, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Crian&ccedil;a e do Adolescente (Conanda). Para o deputado Luis Bassuma (PT-BA), a veicula&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do caso em tempo real teria feito com que Lindemberg dilatasse o seq&uuml;estro. &quot;Ao se ver o tempo todo assediado, [o seq&uuml;estrador] provocou um prolongamento daquilo que me pareceu uma cena de prazer m&oacute;rbido&quot;, disse o parlamentar. <\/p>\n<p><strong>Apologia &agrave; viol&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de M&iacute;dia e Pol&iacute;tica da Universidade de Bras&iacute;lia, Ven&iacute;cio Lima, a cobertura do &quot;caso Elo&aacute;&quot; est&aacute; inserida dentro de um contexto mais amplo de apologia &agrave; viol&ecirc;ncia e promo&ccedil;&atilde;o da cultura do sucesso. &quot;A viol&ecirc;ncia passa a ser naturalizada e tratada como algo banal. Parece ter criminoso que se inspira na m&iacute;dia, que se fortalece na certeza que se tornar&aacute; em celebridade disputado por c&acirc;meras, sair&aacute; do anonimato impotente e se tornar&aacute; estrela&rdquo;, comentou Lima. &ldquo;J&aacute; a cultura de sucesso faz com que pessoas n&atilde;o estejam preparadas para receber um &#39;n&atilde;o&#39;, como, no caso, ser rejeitado pela namorada.&rdquo; Estes dois aspectos da produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e cultura nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o teriam, segundo o pesquisador, atuado diretamente sobre os envolvidos no epis&oacute;dio.<\/p>\n<p>O promotor de justi&ccedil;a de S&atilde;o Paulo Augusto Rossini, que participou da &uacute;ltima etapa da negocia&ccedil;&atilde;o com Lindemberg Alves, tamb&eacute;m esteve presente na audi&ecirc;ncia. Rossini afirmou em uma entrevista &agrave; Rede Record que as redes influenciaram de fato no desfecho do seq&uuml;estro. Para al&eacute;m dos aspectos levantados por outros presentes, o promotor citou interfer&ecirc;ncias operacionais como a dificuldade da pol&iacute;cia falar com o seq&uuml;estrador por conta das linhas de telefone em seu poder estarem ocupadas pelas conversas com a imprensa.<\/p>\n<p><span>Para Ivan Valente, as redes de televis&atilde;o infringiram o C&oacute;digo de &Eacute;tica dos Jornalistas, especialmente em seu Artigo 11&ordm;, que pro&iacute;be o jornalista de divulgar informa&ccedil;&otilde;es &quot;de car&aacute;ter m&oacute;rbido, sensacionalista ou contr&aacute;rio aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes&quot;. O deputado questionou diretamente os dois representantes das emissoras presentes &agrave; audi&ecirc;ncia, da Recod e da Globo, como viam sua atua&ccedil;&atilde;o no epis&oacute;dio e se haviam feito alguma auto-cr&iacute;tica sobre ela.<\/p>\n<p><\/span><strong>Auto-complac&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p><span>Os dirigentes das redes Globo e Record esquivaram-se dos questionamentos a afirmaram que suas emissoras n&atilde;o foram sensacionalistas nem trabalharam fora dos preceitos &eacute;ticos. &quot;N&oacute;s n&atilde;o tivemos nenhum benef&iacute;cio de audi&ecirc;ncia e n&atilde;o perseguir&iacute;amos isso em nenhuma hip&oacute;tese. Como normas gerais, temos no nosso jornalismo para eventos onde h&aacute; sinais de banditismo noticiar tudo sempre, mas mantendo e tendo em vista a integridade das v&iacute;timas potenciais e tamb&eacute;m a investiga&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia&quot;, afirmou Evandro Guimar&atilde;es, vice-presidente institucional das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo.<\/p>\n<p><\/span>Incomodado com a ret&oacute;rica de Guimar&atilde;es, Ivan Valente perguntou diretamente o que o executivo achava das entrevistas com o Lindemberg durante o seq&uuml;estro, pr&aacute;tica apontada como a mais efetivamente influente no curso do epis&oacute;dio. &quot;N&atilde;o me cabe este julgamento de m&eacute;rito. O que posso lhe garantir &eacute; que estamos avaliando tudo o que foi feito&quot;, respondeu o representante da Rede Globo. <\/p>\n<p>M&aacute;rcio Novaes, da Record, afirmou que sua emissora tamb&eacute;m pautou-se pelos princ&iacute;pios da &eacute;tica e que a avalia&ccedil;&atilde;o interna &eacute; uma pr&aacute;tica cotidiana. Para ele, h&aacute; um desafio em encontrar pontos de equil&iacute;brio entre o que &eacute; correto e inadequado, especialmente pelo fato de &quot;n&atilde;o terem inventado at&eacute; hoje uma faculdade de bom senso&quot;. Um dos limites que garantiria este bom senso seria a legisla&ccedil;&atilde;o, que na opini&atilde;o de Novaes foi respeitada pelas redes na cobertura do caso. O representante da Record tamb&eacute;m apelou para a recorrente justificativa da import&acirc;ncia dos grupos de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s ao utilizarem sua liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Controle social e regulamenta&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador Ven&iacute;cio Lima rebateu, afirmando que o debate n&atilde;o tratava de liberdade de express&atilde;o, mas de &quot;controle social sobre situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de cobertura&quot;. Sendo imposs&iacute;vel confiar unicamente &agrave;s emissoras o julgamento sobre o correto, defendeu a necessidade de estabelecer limites e mecanismos de controle da sociedade sobre o conte&uacute;do veiculado. &quot;O mercado n&atilde;o pode ser o &uacute;nico crit&eacute;rio de regula&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea do conte&uacute;do da m&iacute;dia de massa. A exemplo de outros pa&iacute;ses, &eacute; inadi&aacute;vel que se cumpra a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e se construam formas de controle social que impe&ccedil;am a cobertura que a m&iacute;dia fez no seq&uuml;estro de Santo Andr&eacute;.&rdquo;<\/p>\n<p><span>O promotor Augusto Rossini defendeu a regulamenta&ccedil;&atilde;o do sigilo em casos de investiga&ccedil;&atilde;o ou atua&ccedil;&atilde;o policial como uma forma de evitar a interfer&ecirc;ncia prejudicial da cobertura neste tipo de epis&oacute;dio, em especial a influ&ecirc;ncia que os relatos possuem sobre os agentes do sistema de justi&ccedil;a e seguran&ccedil;a (como ju&iacute;zes e jurados) para o julgamento dos casos. &quot;H&aacute; de se fazer regulamenta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o d&aacute; para pedir ao juiz isen&ccedil;&atilde;o. H&aacute; influ&ecirc;ncia sim e isso tem de ser fortemente tratado. Decretando-se o sigilo, ningu&eacute;m pode quebr&aacute;-lo&quot;, prop&ocirc;s.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas e deputados apontaram abusos e defenderam cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de controle social que possam evitar epis\u00f3dios semelhantes; Globo e Record dizem que fazem &#8220;auto-avalia\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[272],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22110"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22110"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22110\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}