{"id":22090,"date":"2008-11-07T16:45:38","date_gmt":"2008-11-07T16:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22090"},"modified":"2008-11-07T16:45:38","modified_gmt":"2008-11-07T16:45:38","slug":"convergencia-a-hegemonia-do-discurso-empresarial-e-a-invisibilidade-do-interesse-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22090","title":{"rendered":"Converg\u00eancia: A hegemonia do discurso empresarial e a invisibilidade do interesse p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira (4), a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados promoveu o semin&aacute;rio &quot;O Futuro das Telecomunica&ccedil;&otilde;es&quot;. Em duas mesas de debate, representantes de empres&aacute;rios e de &oacute;rg&atilde;os estatais como os minist&eacute;rios das Comunica&ccedil;&otilde;es e da Educa&ccedil;&atilde;o, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) apresentaram an&aacute;lises acerca das tend&ecirc;ncias e dos cen&aacute;rios futuros para o setor.<\/p>\n<p>A aus&ecirc;ncia de qualquer representante de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, de entidades de defesa dos usu&aacute;rios e de sindicatos de trabalhadores da &aacute;rea em t&atilde;o importante evento revela uma triste realidade nos debates acerca do processo que &eacute; comumente conhecido como converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica: a centralidade dos interesses dos conglomerados comerciais em detrimento da discuss&atilde;o acerca dos benef&iacute;cios para o conjunto da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nas diversas falas de empres&aacute;rios e gestores p&uacute;blicos presentes ao evento, foi esbo&ccedil;ado um programa de curto e m&eacute;dio prazos para o setor. Por&eacute;m, tais argumentos devem ser problematizados de modo a estabelecer uma reflex&atilde;o mais profunda sobre qual converg&ecirc;ncia se quer para o pa&iacute;s e quais objetivos ela deve cumprir. Por tr&aacute;s de discursos aparentemente consensuais, residem interesses contradit&oacute;rios. Portanto, &eacute; fundamental que haja clareza sobre as escolhas realizadas e a serem feitas.<\/p>\n<p>H&aacute; uma premissa importante a ser ressaltada antes desta an&aacute;lise. O capitalismo &eacute; um sistema marcado pela explora&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho humana, pela acumula&ccedil;&atilde;o crescente de riqueza nas m&atilde;os de cada vez menos agentes e pela mercantiliza&ccedil;&atilde;o insaci&aacute;vel de todos os aspectos da vida. Neste sentido, &eacute; sempre relevante lembrar que, por mais complexas que pare&ccedil;am, as aspira&ccedil;&otilde;es de empresas est&atilde;o sempre ligadas &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o de recursos e ao melhor posicionamento na concorr&ecirc;ncia em que participam. Para isso, precisam de for&ccedil;a de trabalho e de consumidores para seus produtos. <\/p>\n<p>Um primeiro elemento do discurso deste segmento social &eacute; entender a simples produ&ccedil;&atilde;o de suas mercadorias como uma esp&eacute;cie de benesse ou de favor &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, seja de maneira direta ao atender as necessidades dos consumidores com seus produtos, seja de maneira indireta ao abastecer o Estado de recursos por meio dos impostos. O Estado, assim, deveria agradecer pelo benepl&aacute;cito dos empres&aacute;rios. &quot;Desde a privatiza&ccedil;&atilde;o, o setor gerou investimentos de R$ 140 bilh&otilde;es. Estes investimentos foram feitos sem a participa&ccedil;&atilde;o do Estado. O Estado n&atilde;o teve que alocar parte dos seus recursos escassos para desenvolvimento da rede de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Quando observamos recursos arrecadados, vemos que o Estado foi favorecido por todo o processo de reformula&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou Ant&ocirc;nio Carlos Valente, presidente da Telef&ocirc;nica.<\/p>\n<p><\/span><span class=\"padrao\"><strong>Cobrando gratid&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><span class=\"padrao\">Nesta afirma&ccedil;&atilde;o, o presidente da Telef&ocirc;nica faz parecer que a privatiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi o resultado de uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de for&ccedil;as se degladiando no interior do Estado. N&atilde;o meciona, todavia, que, ao fazer esta op&ccedil;&atilde;o, o Estado entregou a pre&ccedil;os muito abaixo do mercado uma robusta infra-estrutura instalada, que poupou o esfor&ccedil;o b&aacute;sico de investimento na planta de transmiss&atilde;o de dados &agrave;s beneficiadas no leil&atilde;o da Telebr&aacute;s. E n&atilde;o cita que o modelo da privatiza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m impediu o surgimento de concorrentes de fato &agrave;s concession&aacute;rias que obtiveram o esp&oacute;lio do sistema estatal de telefonia. Por &uacute;ltimo, o presidente da Telef&ocirc;nica curiosamente esquece que uma outra op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica foi fundamental para o rendimento das operadoras de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (STFC): a libera&ccedil;&atilde;o para cobran&ccedil;a de uma assinatura b&aacute;sica &#8211; cujo valor, hoje, &eacute; de mais de R$ 40 -, respons&aacute;vel por cerca de metade das receitas destas companhias.<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o dos executivos, os cidad&atilde;os tamb&eacute;m deveriam ser gratos a estas empresas pelo fato de existirem e prestarem seus servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es. As obriga&ccedil;&otilde;es decorrentes do modelo de privatiza&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso da universaliza&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o vistas como um feito extraordin&aacute;rio delas e n&atilde;o como contrapartidas &agrave; concess&atilde;o que obtiveram junto ao Estado. Isso faz com que seja estranho a seus dirigentes a cobran&ccedil;a de que n&atilde;o h&aacute; universaliza&ccedil;&atilde;o real, pois as linhas passam na frente da casa das pessoas, mas estas n&atilde;o t&ecirc;m renda para adquirir o servi&ccedil;o. Frente &agrave; alega&ccedil;&atilde;o dos altos pre&ccedil;os, a resposta ou relativiza este obst&aacute;culo, ou vincula o problema novamente ao Estado. &quot;Muitas vezes as compara&ccedil;&otilde;es s&atilde;o um pouco injustas, mas poucos pa&iacute;ses do mundo t&ecirc;m a carga tribut&aacute;ria que o Brasil tem&quot;, disse Ant&ocirc;nio Carlos Valente.<\/p>\n<p>Ainda segundo este ponto de vista, a supera&ccedil;&atilde;o deste muro que separa a popula&ccedil;&atilde;o entre os inclu&iacute;dos e exclu&iacute;dos do acesso aos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deveria vir da redu&ccedil;&atilde;o da margem de lucro, montante de riquezas apropriadas pelas empresas, mas novamente de mais benef&iacute;cios do Estado. &quot;Acho que dev&iacute;amos ter a obstina&ccedil;&atilde;o de desenvolver propostas para algumas classes sociais e para algumas regi&otilde;es, ainda que durante um intervalo, acho que dev&iacute;amos pensar em ter produtos com redu&ccedil;&atilde;o de impostos com contrapartidas das empresas&quot;, prop&otilde;e Valente.<\/p>\n<p>O racioc&iacute;nio &eacute; simples: a presta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o, mesmo que a partir da privatiza&ccedil;&atilde;o de um sistema estatal, &eacute; apenas m&eacute;rito das operadoras; estas cumprem sua fun&ccedil;&atilde;o social pela simples oferta de seus produtos, mesmo que estes n&atilde;o sejam realmente acess&iacute;veis &agrave; popula&ccedil;&atilde;o; a &uacute;nica concep&ccedil;&atilde;o de melhoria envolvida nesta l&oacute;gica seria a amplia&ccedil;&atilde;o da cobertura destes servi&ccedil;os, cujo &ecirc;xito &eacute; amea&ccedil;ado com qualquer contrapartida existente que mexa um cifr&atilde;o nas receitas auferidas.<\/p>\n<p>Tal sentimento pode ser exemplificado por uma fala de Jos&eacute; Fernandes Pauletti, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Concession&aacute;rias de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix), em audi&ecirc;ncia no Conselho Consultivo da Anatel: &quot;N&atilde;o d&aacute; para se pegar o que as concession&aacute;rias fazem de bom, atua&ccedil;&atilde;o em todas a localidades, e transformar em cr&iacute;tica. N&atilde;o se pode penalizar empresas porque fazerm sua obriga&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p><\/span><span class=\"padrao\"><strong>Converg&ecirc;ncia e sinergia<br \/><\/strong><\/span><span class=\"padrao\"><br \/>Na discuss&atilde;o central do momento, a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica e os caminhos para a massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga, tal posi&ccedil;&atilde;o reaparece adaptada &agrave; tem&aacute;tica. Segundo a dire&ccedil;&atilde;o da Anatel e do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, h&aacute; um imperativo no mundo que deve ser adotado no Brasil na &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es: a tend&ecirc;ncia de converg&ecirc;ncia dos servi&ccedil;os, das plataformas que os disponibilizam e dos agentes que os ofertam (a chamada sinergia). A partir dela, as empresas supostamente teriam mais condi&ccedil;&otilde;es de reduzir custos de produ&ccedil;&atilde;o, oferecendo produtos mais baratos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em uma das mesas do semin&aacute;rio, Ant&ocirc;nio Bedran, integrante do Conselho Diretor da Anatel, afirmou que, para seguir este caminho, s&atilde;o necess&aacute;rias medidas para &quot;dinamizar o mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es e ampliar os benef&iacute;cios econ&ocirc;micos&quot; e &quot;estimular plataformas comuns&quot; que devem passar pela &quot;elimina&ccedil;&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias&quot;. Para Roberto Pinto Martins, secret&aacute;rio de telecomunica&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, as pol&iacute;ticas de governo devem atuar para minimizar as &quot;incertezas e riscos&quot; para os neg&oacute;cios da &aacute;rea. &quot;Ningu&eacute;m tem d&uacute;vida que, no futuro, oferta tem de ser integrada. E para isso precisa de licen&ccedil;as amplas para prestar servi&ccedil;os&quot;, endossou Jo&atilde;o de Deus, diretor de Planejamento Executivo da Oi.<\/p>\n<p>Muitas vezes, um argumento repetido &agrave; exaust&atilde;o pode ser apreendido como verdade. E a necessidade de sinergia &#8211; neste caso, bem espec&iacute;fica entre a Oi e a Brasil Telecom &#8211; foi a tese central na base do processo de altera&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Outorgas que permitiu a fus&atilde;o conhecida como BrT-Oi. &Eacute; fundamental lembrar que o nome sinergia &eacute; uma denomina&ccedil;&atilde;o sofisticada para processos de concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade, pois a combina&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os sempre vem acompanhada da fus&atilde;o entre seus produtores.<\/p>\n<p>Diversos estudos dentro da teoria econ&ocirc;mica mostram os impactos dos fen&ocirc;menos de oligopoliza&ccedil;&atilde;o. No in&iacute;cio, h&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o geral dos pre&ccedil;os, como ocorre com os recentes pacotes de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es oferecidos pelas empresas (telefonia, internet em banda larga e TV por assinatura), numa pr&aacute;tica conhecida como <\/span><span class=\"padrao\"><em>triple play<\/em><\/span><span class=\"padrao\">. Mas, &agrave; medida em que se constitui uma domina&ccedil;&atilde;o oligop&oacute;lica do mercado, a arbitrariedade sobre o pre&ccedil;o conduz a uma eleva&ccedil;&atilde;o do mesmo pelo simples fato disso ser uma das caracter&iacute;sitcas b&aacute;sicas de uma empresa no capitalismo: a valoriza&ccedil;&atilde;o de seus ativos e rendimentos. Ou, em outras palavras: uma empresa nunca deixar&aacute; de ganhar mais dinheiro quando puder.<\/p>\n<p>Mesmo que para muitos seja fato conhecido, &eacute; relevante recordar que, se n&atilde;o traz nenhum benef&iacute;cio, a concentra&ccedil;&atilde;o gera, pelo contr&aacute;rio, uma s&eacute;rie de graves problemas &agrave; sociedade. Em primeiro lugar, ela refor&ccedil;a o poder dos capitais sobre o Estado e sobre a popula&ccedil;&atilde;o para a defini&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas da &aacute;rea em geral. Em segundo, ela corr&oacute;i a competi&ccedil;&atilde;o e a oferta diversificada de produtos aos cidad&atilde;os. E, por fim, ela cria barreiras &agrave; exist&ecirc;ncia de iniciativas e agentes produtivos n&atilde;o-comerciais, comunit&aacute;rios e p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Ou seja, com uma empresa do porte da BrT-Oi, que atuar&aacute; em 26 estados do pa&iacute;s, &eacute; muito dif&iacute;cil que sejam aprovadas pol&iacute;ticas divergentes de seus interesses ou que imponham obriga&ccedil;&otilde;es ou contrapartidas &agrave; sua expans&atilde;o. Um exemplo &eacute; o fato de, mesmo sem a supertele, a Anatel at&eacute; hoje n&atilde;o ter regulamentado a desagrega&ccedil;&atilde;o de redes prevista na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Outro &eacute; o pr&oacute;prio projeto de mudan&ccedil;a do PGO, conduzido claramente para viabilizar a fus&atilde;o entre a Brasil Telecom e a Oi e, at&eacute; agora, resultando em um ambiente regulat&oacute;rio mais permissivo e sem qualquer contrapartida que fomente a competi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span><span class=\"padrao\"><strong>Banda larga<br \/><\/strong><\/span><span class=\"padrao\"><br \/>No n&uacute;cleo do projeto de concentra&ccedil;&atilde;o do mercado est&aacute; a expans&atilde;o da base de acessos &agrave; conex&atilde;o &agrave; internet em alta velocidade. &quot;O grande desafio que n&oacute;s temos &eacute; massifica&ccedil;&atilde;o da banda larga&quot;, disse Renato Nogueira, da Tim. A&iacute; mora um dilema que enseja uma contradi&ccedil;&atilde;o. A amplia&ccedil;&atilde;o desta tecnologia &eacute; uma demanda tanto da popula&ccedil;&atilde;o quanto dos empres&aacute;rios, mas por raz&otilde;es diferentes. Enquanto os primeiros querem maior capacidade de banda a pre&ccedil;os baixos, os segundos querem condi&ccedil;&otilde;es de venda do produto que potencializem seus lucros.<\/p>\n<p>Estas condi&ccedil;&otilde;es est&atilde;o diretamente relacionadas ao modelo de neg&oacute;cios e &agrave; conforma&ccedil;&atilde;o da concorr&ecirc;ncia entre os agentes neste futuro pr&oacute;ximo. &quot;Vamos ter explos&atilde;o da banda larga m&oacute;vel nos pr&oacute;ximos meses e isso vai contribuir para minimizar o problema de acesso. Mas o usu&aacute;rio demandar&aacute; largura de banda, pois os aplicativos ir&atilde;o demandar isso&quot;, analisa Ant&ocirc;nio Carlos Valente.<\/p>\n<p>&quot;Hoje, temos 20% das linhas fixas no Brasil com banda larga, o que &eacute; rela&ccedil;&atilde;o bastante baixa. Em 2008, o n&uacute;mero de adi&ccedil;&otilde;es l&iacute;quidas da banda larga m&oacute;vel ser&aacute; igual ao das fixas. Em seis anos, o n&uacute;mero de acessos de banda larga m&oacute;vel vai ser o dobro da fixa&quot;, comentou Renato Giuquini, da TIM. No bojo das previs&otilde;es se a telefonia fixa ou m&oacute;vel ser&aacute; a grande protagonista da expans&atilde;o da banda larga, novamente a vis&atilde;o do cidad&atilde;o fica em &uacute;ltimo plano.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o adianta pessoas comprarem computador, mas n&atilde;o conseguirem acessar conte&uacute;do, pois o pre&ccedil;o e a forma de acesso &agrave; internet ainda s&atilde;o algo que n&atilde;o nos anima muito. Este instrumento tem que contribuir para resolver a chaga deste pa&iacute;s: o analfabetismo digital. Esta ferramente tem que ser utilizada para superar um dos mais graves problemas do povo brasileiro: o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura&quot; , colocou, em voz isolada no semin&aacute;rio, o presidente da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI), Walter Pinheiro (PT-BA).<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o do parlamentar baiano evidencia o lado esquecido em um debate dominado pelos interesses mercantis: a import&acirc;ncia de ver as tecnologias sob o enfoque de como podem possibilitar maior acesso &agrave; informa&ccedil;&otilde;es e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e cultura. No entanto, a maneira como os &oacute;rg&atilde;os de Estado e empres&aacute;rios lidam com o tema sequer considera o direito &agrave; fala da popula&ccedil;&atilde;o. Sinal disso &eacute; o fato de ser um consenso entre os &oacute;rg&atilde;os reguladores e as empresas que a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; telefonia foi alcan&ccedil;ada devido &agrave; exist&ecirc;ncia de 140 milh&otilde;es de celulares no pa&iacute;s, quando mais de 80% s&atilde;o pr&eacute;-pagos e 55% destes registram despesas de cerca de R$ 3 por m&ecirc;s. Ou seja, s&atilde;o utilizados apenas para receber, e n&atilde;o para falar.<\/p>\n<p><\/span><span class=\"padrao\"><strong>&quot;A&ccedil;&otilde;es sociais&quot;<\/strong><\/span><span class=\"padrao\"><\/p>\n<p>O m&aacute;ximo considerado como &quot;a&ccedil;&otilde;es sociais&quot; das operadoras, para al&eacute;m do simples fato de ofertarem seus servi&ccedil;os, s&atilde;o iniciativas como o acordo que gerou a troca das metas dos pontos de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es (PSTs) em todas as localidades por infra-estruturas de tr&aacute;fego de dados em alta velocidade que suportam a transmiss&atilde;o em banda larga (backhaul) na entrada de todos os munic&iacute;pios, o que deve garantir a conex&atilde;o &agrave; internet de 55 mil escolas. No entanto, o que n&atilde;o se diz &eacute; que este projeto nasceu em troca de o governo federal desistir da constitui&ccedil;&atilde;o de uma infra-estrutura p&uacute;blica de tr&aacute;fego de dados, que utilizaria as redes j&aacute; existentes sob sua responsabilidade e que se encontram sub-utilizadas.<\/p>\n<p>Com esta medida, os governos deixariam de depender das redes de propriedade das operadoras e poderiam montar um robusto programa de conectividade. Al&eacute;m disso, a defesa do chamado &quot;Projeto Banda Larga nas Escolas&quot;, utilizado como mostra da disposi&ccedil;&atilde;o de Estado e mercado para superar a exclus&atilde;o do acesso &agrave;s novas tecnologias no pa&iacute;s, ainda patina em uma obscura indefini&ccedil;&atilde;o sobre as caracter&iacute;sticas da tal infra-estrutura negociada com as operadoras, coisa que ainda n&atilde;o foi explicada apesar dos questionamentos de entidades de defesa do consumidor. O que &eacute; o backhaul? Ele pode ser considerado como parte do STFC, condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria &agrave; sua inclus&atilde;o como objeto de um plano de universaliza&ccedil;&atilde;o? Se a universaliza&ccedil;&atilde;o implica em fazer chegar um servi&ccedil;o ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o, porque o governo aceitou universalizar algo que n&atilde;o chega no povo, mas apenas disponibiliza infra-estrutura que pode ser usada mediante pagamento por um provedor para vender um outro servi&ccedil;o &#8211; de acesso &agrave; Internet &#8211; ao usu&aacute;rio final?<\/p>\n<p>Perguntas como estas e outras sobre a legalidade e legitimidade da fus&atilde;o da BrT-Oi, sobre os riscos da concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade, sobre a inexist&ecirc;ncia da desagrega&ccedil;&atilde;o de redes, sobre a indefini&ccedil;&atilde;o de um modelo de custos que permita &agrave; Anatel saber qual &eacute; o pre&ccedil;o justo a ser pago pela infra-estrutura s&atilde;o repert&oacute;rio repetido por entidades da sociedade civil e de organiza&ccedil;&otilde;es de defesa do consumidor freq&uuml;entemente ignorados pelos governantes de plant&atilde;o.<\/p>\n<p>Enquanto estes agentes ocupam espa&ccedil;os marginais, geralmente em &oacute;rg&atilde;os com baix&iacute;ssima incid&ecirc;ncia pol&iacute;tica, como o Conselho Consultivo da Anatel, os operadores comerciais do setor re&uacute;nem-se com altos dirigentes do n&uacute;cleo do governo e interferem diretamente nas op&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e da ag&ecirc;ncia reguladora. Ao reunir altas autoridades e empres&aacute;rios, o semin&aacute;rio realizado na C&acirc;mara dos Deputados foi uma pequena amostra da assim&eacute;trica disputa acerca do presente e do futuro das telecomunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio realizado na C\u00e2mara dos Deputados exemplifica uma realidade preocupante: o futuro das tecnologias convergentes e das pol\u00edticas p\u00fablicas a respeito delas \u00e9 definido exclusivamente pelos empres\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22090\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}