{"id":22048,"date":"2008-11-03T11:42:53","date_gmt":"2008-11-03T11:42:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22048"},"modified":"2008-11-03T11:42:53","modified_gmt":"2008-11-03T11:42:53","slug":"mulheres-realizam-seminario-para-debater-imagem-na-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22048","title":{"rendered":"Mulheres realizam semin\u00e1rio para debater imagem na m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Em parceria com a Secretaria Especial de Pol&iacute;ticas para as Mulheres (SPM), acontece em S&atilde;o Paulo, entre os dias 27 e 30 de novembro, o semin&aacute;rio nacional &ldquo;O Controle Social da Imagem da Mulher na M&iacute;dia&rdquo;. Organizado por dezenas de entidades do movimento feminista, reunidas em torno da Articula&ccedil;&atilde;o Mulher &amp; M&iacute;dia, o evento reunir&aacute; 150 lideran&ccedil;as do movimento de mulheres e tem como objetivo principal construir uma rede de controle social, enraizada em todos os estado da federa&ccedil;&atilde;o. As inscri&ccedil;&otilde;es para o semin&aacute;rio est&atilde;o abertas at&eacute; o dia 7 atrav&eacute;s do e-mail: seminariomulheremidia@uol.com.br.<\/p>\n<p>O semin&aacute;rio responde a uma demanda de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas relativas ao Cap&iacute;tulo 8 do II Plano Nacional de Pol&iacute;ticas para as Mulheres: &ldquo;Cultura, Comunica&ccedil;&atilde;o e M&iacute;dia igualit&aacute;rias, democr&aacute;ticas e n&atilde;o discriminat&oacute;rias&rdquo;. Aprovado na 2a Confer&ecirc;ncia Nacional de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, ocorrida em agosto de 2007, o novo eixo foi resultado da luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; m&iacute;dia, pela defini&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios transparentes para outorga ou renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es e pelo controle social da imagem da mulher veiculada nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, t&ecirc;m sido in&uacute;meras as iniciativas do movimento feminista em favor do desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es no campo do controle social. Em v&aacute;rios estados, as mulheres t&ecirc;m promovido atividades de forma&ccedil;&atilde;o e debate sobre o tema. No Distrito Federal, a Sapataria &#8211; Coletivo de Mulheres L&eacute;sbicas e Bissexuais do DF e o Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social realizaram, em agosto, a oficina &ldquo;Mulher e m&iacute;dia: participa&ccedil;&atilde;o e controle social&rdquo;. Muito foi discutido acerca das propagandas de cerveja e da participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na campanha que pede democracia e transpar&ecirc;ncia nas concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV. <\/p>\n<p>No Recife, o semin&aacute;rio &ldquo;Democratizar a Comunica&ccedil;&atilde;o para democratizar a vida social&rdquo;, realizado pela entidade SOS Corpo, construiu propostas que apontam para a necessidade das mulheres ocuparem ainda mais espa&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do e de tomada de decis&atilde;o pol&iacute;tica no setor das comunica&ccedil;&otilde;es. Em Porto Alegre, aconteceu o Semin&aacute;rio Estadual &ldquo;Controle Social da Imagem da Mulher na M&iacute;dia&rdquo;. Foram debatidos o sucesso da a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica movido contra o grupo Furac&atilde;o 2000 pela letra da m&uacute;sica &ldquo;Um tapinha n&atilde;o d&oacute;i&rdquo; e o papel da mulher jovem na sociedade de consumo, entre outros temas. <\/p>\n<p><strong>A&ccedil;&otilde;es contra o machismo na m&iacute;dia<\/strong><\/p>\n<p>Nas &uacute;ltimas semanas, diversas e diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es do machismo nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;aram, na avalia&ccedil;&atilde;o do movimento de mulheres, a import&acirc;ncia da pr&aacute;tica do controle social. &Agrave;s v&eacute;speras do segundo turno das elei&ccedil;&otilde;es municipais, o portal Estad&atilde;o publicou uma enquete nada engra&ccedil;ada perguntando aos leitores que reivindica&ccedil;&otilde;es femininas fariam ao prefeito(a) eleito(a) no domingo. Na capital paulista, o segundo turno tinha Marta Suplicy como candidata. <\/p>\n<p>A pergunta feita pelo site era &ldquo;Se todos os problemas estruturais da cidade j&aacute; estivessem resolvidos (Educa&ccedil;&atilde;o, Sa&uacute;de, Transporte, Seguran&ccedil;a &#8230;) que reivindica&ccedil;&otilde;es femininas voc&ecirc; faria?&rdquo;. E as op&ccedil;&otilde;es apresentadas foram as seguintes:<br \/>&ldquo;- Banheiros p&uacute;blicos femininos cheirosos e com secador de cabelo<br \/>&#8211; Vai e vem para o shopping, sobretudo na &eacute;poca das compras de Natal<br \/>&#8211; Programa &ldquo;m&atilde;e paulistana em forma&rdquo;. Junto com o enxoval vem a &ldquo;bolsa malha&ccedil;&atilde;o&rdquo;<br \/>&#8211; Kit maquiagem em casa, distribu&iacute;do no dia de seu anivers&aacute;rio<br \/>&#8211; Vale-chapinha para usar em emerg&ecirc;ncias, como os compromissos de &uacute;ltima hora<br \/>&#8211; Bilhete m&uacute;ltiplo aceito em todas as cl&iacute;nicas de est&eacute;tica<br \/>&#8211; Manicures poupa-tempo em pontos estrat&eacute;gicos: dentro do &ocirc;nibus, na fila do banco&#8230;&rdquo;<\/p>\n<p>Duzentas pessoas responderam &agrave; enquete, cujo resultado foi divulgado no &ldquo;Jornal da Tarde&rdquo;, que pertence ao mesmo grupo. O &ldquo;Estad&atilde;o&rdquo; n&atilde;o divulgou, no entanto, os diversos e-mails com cr&iacute;ticas que recebeu &agrave; brincadeira de p&eacute;ssimo gosto. Para Alessandra Terribili, integrante da Secretaria de Mulheres do PT, a enquete foi uma l&aacute;stima. Em carta enviada aos editores do portal, ela afirmou que a iniciativa rotulou as mulheres como f&uacute;teis, vazias, com preocupa&ccedil;&atilde;o exclusiva com sua apar&ecirc;ncia, e lembrou que a demanda por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute; alt&iacute;ssima entre esta parcela da popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&ldquo;As mulheres ganham menos que os homens por mesmo trabalho, mesmo tendo mais tempo de escolaridade. Muitas mulheres ainda sofrem viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e sexual todos os dias na nossa cidade. As mulheres ainda cumprem dupla jornada, sendo responsabilizadas pelo trabalho dom&eacute;stico e de cuidados, sem ganhar nada por isso, como se fosse sua pura e simples obriga&ccedil;&atilde;o&rdquo;, escreveu. &ldquo;As mulheres querem creches, querem pol&iacute;ticas efetivas de combate &agrave; viol&ecirc;ncia, de constru&ccedil;&atilde;o da autonomia, de inser&ccedil;&atilde;o qualificada no mercado de trabalho. As mulheres querem sa&uacute;de, inclusive quando n&atilde;o s&atilde;o m&atilde;es. As mulheres querem acesso a educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, a transporte p&uacute;blico, a cultura e lazer. Enfim. As mulheres querem ser tratadas de igual pra igual. Sem preconceitos de nenhuma ordem&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p><strong>Viol&ecirc;ncia banalizada em revista e na TV<\/strong><\/p>\n<p>Na mesma semana, mais de cem entidades haviam enviado um pedido de direito de resposta &agrave; reda&ccedil;&atilde;o da revista TRIP, diante da coluna publicada pelo cineasta Henrique Goldman, em que ele &ldquo;pede desculpas p&uacute;blicas &agrave; empregada da fam&iacute;lia com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos&rdquo;. Para as entidades signat&aacute;rias, ao legitimar a viol&ecirc;ncia contra a mulher, a coluna viola os princ&iacute;pios da normativa nacional e internacional de direitos humanos e qualquer par&acirc;metro &eacute;tico na comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&ldquo;Revistas como a TRIP e quaisquer outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem seguir se furtando &agrave;s suas responsabilidades sociais com o teor do que veiculam, pois s&atilde;o conhecedoras do poder que t&ecirc;m, da pol&ecirc;mica que geram e, com isso, do quanto mais vendem e ganham &agrave;s custas da humilha&ccedil;&atilde;o da dignidade alheia, diga-se, em especial, das mulheres. Isso beiraria &agrave; leviandade e m&aacute;-f&eacute;&rdquo;, afirma o texto. Para o movimento de mulheres, a coluna de Goldman evidencia a banalidade da viol&ecirc;ncia contra a mulher: &ldquo; &#39;Transar contra a vontade dela&#39; nada mais &eacute; do que um eufemismo para o conhecido verbo &#39;estuprar&#39; (&#8230;). Ademais, esperar que &#39;Luisa&#39; possa &#39;rir do que aconteceu&#39; mostra o quanto essas pr&aacute;ticas violentas ainda s&atilde;o tratadas como piadas no Brasil &ndash; apesar da conquista da Lei Maria da Penha&rdquo;, afirmam. <\/p>\n<p>Por fim, as mulheres estudam agora uma resposta &agrave; cobertura feita pela imprensa do caso do seq&uuml;estro em Santo Andr&eacute;, que resultou na morte da adolescente Elo&aacute; Cristina Pimentel da Silva. O assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento n&atilde;o foi, na avalia&ccedil;&atilde;o do movimento, tratado pela m&iacute;dia como deveria ser: o resultado de uma vis&atilde;o que ainda prevalece na cultura brasileira da domina&ccedil;&atilde;o do homem sobre a mulher. Trata-se, na opini&atilde;o do movimento, de um caso de feminic&iacute;dio, um crime de &oacute;dio e de poder, realizado sempre com crueldade, que inclui v&aacute;rias formas de viol&ecirc;ncia, como as que sofreu Elo&aacute;.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evento acontece em S\u00e3o Paulo, em novembro, e reunir\u00e1 150 lideran\u00e7as do movimento feminista de todo o Brasil para construir uma rede de controle social; inscri\u00e7\u00f5es podem ser feitas at\u00e9 dia 7<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[900],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22048"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22048\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}