{"id":22021,"date":"2008-10-27T16:33:56","date_gmt":"2008-10-27T16:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22021"},"modified":"2008-10-27T16:33:56","modified_gmt":"2008-10-27T16:33:56","slug":"pgo-brt-oi-convergencia-tv-paga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22021","title":{"rendered":"PGO, BrT-Oi, converg\u00eancia, TV paga&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>O Conselho Administrativo de Defesa da Concorr&ecirc;ncia (Cade) j&aacute; come&ccedil;ou a estudar o impacto concorrencial das mudan&ccedil;as regulat&oacute;rias aprovadas pela Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). <\/p>\n<p>Segundo o relator do processo de fus&atilde;o Oi\/Brasil Telecom, e presidente interino da institui&ccedil;&atilde;o, Paulo Furquim, o estudo sobre o Plano Geral de Outorgas (PGO) e o Plano Geral de Atualiza&ccedil;&atilde;o da Regulamenta&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (PGR) ficar&aacute; pronto em seis meses e ir&aacute; tratar de temas como o unbundling, separa&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil, e a efic&aacute;cia desses instrumentos para a competi&ccedil;&atilde;o. Esse ser&aacute; o primeiro resultado do grupo de trabalho sobre Mercados Regulados, um dos grupos que fazem parte da nova estrutura da institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; fus&atilde;o da Oi com a Brasil Telecom, o Cade s&oacute; ir&aacute; decidir se ir&aacute; tomar uma medida preventiva quando for publicado o Decreto Presidencial com o novo PGO.<\/em><\/p>\n<p><strong>Qual o objetivo da reformula&ccedil;&atilde;o do Cade?<\/strong><br \/>Os principais ativos do Cade s&atilde;o a sua reputa&ccedil;&atilde;o e o conhecimento das pessoas. Anteriormente, est&aacute;vamos baseados na estrutura mimetizada dos tribunais, que &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o em gabinetes. Notamos a necessidade de uma organiza&ccedil;&atilde;o horizontal. Reformulamos o Cade de uma estrutura vertical de gabinete para uma estrutura matricial, com as pessoas se vinculando a grupos tem&aacute;ticos, que j&aacute; est&atilde;o funcionando h&aacute; dois meses, e muito bem. Esses grupos v&atilde;o tamb&eacute;m produzir trabalhos &ndash; os <em>working papers<\/em> &ndash; estudos que, num primeiro momento t&ecirc;m uma circula&ccedil;&atilde;o interna, mas que tamb&eacute;m ser&atilde;o, em dado momento, divulgados externamente, no nosso site, sobre temas que o Plen&aacute;rio considere relevante.<\/p>\n<p><strong>Quais s&atilde;o os grupos formados?<\/strong><br \/>S&atilde;o quatro. De Negocia&ccedil;&atilde;o e Termos de Compromisso de Cessa&ccedil;&atilde;o. Com ele, o Cade e os administrados de um modo geral, inclusive pessoas f&iacute;sicas que estejam sendo processadas pelo Cade ou que tenham um ato de concentra&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise, visam buscar uma medida negociada, ao inv&eacute;s de uma medida unilateral. Essa solu&ccedil;&atilde;o tem uma s&eacute;rie de vantagens, pois assegura a nossa interven&ccedil;&atilde;o, mas a um custo menor e efic&aacute;cia maior. O primeiro papel desse grupo ser&aacute; disciplinar a negocia&ccedil;&atilde;o, que antes era conduzida por cada conselheiro individualmente e idiossincraticamente. Ser&aacute; criado um comit&ecirc; de negocia&ccedil;&atilde;o permanente, ao qual n&atilde;o se vinculem os conselheiros. Conselheiros v&ecirc;m e v&atilde;o, o que &eacute; considerado saud&aacute;vel. O comit&ecirc; de negocia&ccedil;&atilde;o ter&aacute; perpetuidade.<br \/>O segundo grupo &eacute; o de Relacionamento Internacional, que cuida de uma agenda intens&iacute;ssima, extremamente absorvente. O outro grupo cuida de M&eacute;todos Quantitativos em Economia. &Eacute; um instrumento quantitativo para medir qual &eacute; de fato o efeito de subir o pre&ccedil;o de um produto, com a venda de outro semelhante. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia tem grupos muito fortes nesta &aacute;rea. O Brasil, entre os pa&iacute;ses em desenvolvimento, &eacute; o que mais avan&ccedil;ou. Para avan&ccedil;ar mais, &eacute; preciso que o Cade permita que os gestores possam continuamente se dedicar a isso. Esse grupo vai produzir trabalhos de quais seriam os m&eacute;todos quantitativos que podem ser utilizados para analisar uma fus&atilde;o, as vantagens e as desvantagens de se usar esse ou aquele m&eacute;todo. Dar&aacute; seguran&ccedil;a &agrave;s empresas, antes de fazerem a fus&atilde;o, de como elas ser&atilde;o avaliadas.<br \/>Por fim, o grupo de Mercados Regulados. Esse grupo vai cuidar dos segmentos de telecom, energia el&eacute;trica at&eacute; o mercado de sa&uacute;de. De um modo geral, todos os mercados que t&ecirc;m ag&ecirc;ncias reguladoras.<\/p>\n<p><strong>Uma decis&atilde;o do Cad&ecirc; Sky\/DirecTV versou sobre conte&uacute;do audiovisual. Esse grupo tamb&eacute;m cuidaria disso?<br \/><\/strong>O audiovisual faz parte do conjunto de elementos que se relaciona com telecom. Servi&ccedil;os como TV por assinatura, por exemplo, s&atilde;o muito dependentes de telecom. O grupo cuidar&aacute; de todos os assuntos que s&atilde;o relevantes &agrave; concorr&ecirc;ncia. A discuss&atilde;o sobre se esse conte&uacute;do &eacute; dom&eacute;stico ou n&atilde;o, a princ&iacute;pio n&atilde;o &eacute; relacionado &agrave; concorr&ecirc;ncia, mas pode vir a ter implica&ccedil;&otilde;es a concorr&ecirc;ncia e por isso &eacute; importante.<br \/>Embora v&aacute;rios conselheiros vejam uma pol&iacute;tica de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica nos mais variados setores como algo importante, n&atilde;o faz parte da atribui&ccedil;&atilde;o legal do Cade. No caso Sky\/DirecTV, havia uma preocupa&ccedil;&atilde;o com eventual abuso que poderia haver com a fus&atilde;o, em determinado per&iacute;odo de tempo, com rela&ccedil;&atilde;o aos provedores desses conte&uacute;dos. Por isso as empresas foram obrigadas a manter esses contratos. <br \/>&Eacute; interessante esse mercado &ndash; n&oacute;s o chamamos de mercado de dois lados &ndash; pois a renda de uma empresa de servi&ccedil;o de conte&uacute;do vem tanto do lado do anunciante quanto daquele que adquire o servi&ccedil;o. Isso &eacute; importante e teve a ver com a decis&atilde;o sobre a Sky\/DirecTV porque, passar o programa significa gerar receita para a empresa de conte&uacute;do. Embora fosse um contrato privado, e n&atilde;o um problema de concorr&ecirc;ncia, vimos que era interessante manter o sinal para os canais serem vistos porque, ao serem vistos, geravam receita no outro mercado. Essa complexidade &eacute; interessante.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a expectativa do Cade ao criar os grupos?<\/strong><br \/>Todos eles, em seis meses, v&atilde;o apresentar um conjunto de produtos concretos. Um deles, rotineiro, &eacute; a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os pontuais solicitados pelos gabinetes. Eu sou o relator da fus&atilde;o Oi\/BrT. Se tenho alguma d&uacute;vida sobre um determinado ponto, fa&ccedil;o uma pergunta para eles estudarem a resposta. Al&eacute;m disso, os grupos v&atilde;o produzir documentos sobre quest&otilde;es gerais, que n&atilde;o s&atilde;o relativas a casos concretos. Nesse momento um dos grupos est&aacute; estudando uma quest&atilde;o formulada pelo plen&aacute;rio do Cade: qual o impacto concorrencial de uma mudan&ccedil;a regulat&oacute;ria do PGO e no PGR?<br \/>Conforme o conte&uacute;do do documento produzido, que vai para o plen&aacute;rio, os conselheiros decidem quais informa&ccedil;&otilde;es do documento s&atilde;o de circula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica ou n&atilde;o. Qualquer coisa que implique antecipa&ccedil;&atilde;o de uma decis&atilde;o do conselho, n&atilde;o podemos tornar p&uacute;blico. Nos pr&oacute;ximos seis meses, essa &eacute; a atividade do grupo.<\/p>\n<p><strong>Quanto tempo para o grupo responder essa primeira pergunta?<\/strong><br \/>S&atilde;o seis meses para apresenta&ccedil;&atilde;o da resposta. O contrato teve in&iacute;cio na primeira semana de outubro. Isso n&atilde;o significa que o documento estar&aacute; no site ao final desse prazo. A estimativa &eacute; de que ele se torne p&uacute;blico em oito meses, depois de passar pelo crivo dos conselheiros.<\/p>\n<p><strong>O Cade vai adotar qualquer medida antecipat&oacute;ria quanto &agrave; fus&atilde;o BrT-Oi?<\/strong><br \/>O Cade n&atilde;o fez ainda qualquer pedido de cautelar e n&atilde;o chegou ao Cade, por parte de nenhum concorrente, pedido dessa natureza. A medida cautelar tem como pr&eacute;-requisito que o tempo traz um preju&iacute;zo ao ambiente. Esperar at&eacute; a decis&atilde;o final pode gerar um custo que torna a decis&atilde;o ineficaz. Se a decis&atilde;o fosse instant&acirc;nea, n&atilde;o existiriam esses problemas. Por isso, o <em>periculum in mora<\/em>. <br \/>Na an&aacute;lise de casos complexos, a decis&atilde;o demora um ano. E nesse tempo, o mercado pode se alterar de tal forma que, at&eacute; o Cade decidir, a decis&atilde;o &eacute; ineficaz. In&ecirc;s &eacute; morta.<br \/>Nesse caso concreto, n&atilde;o h&aacute; esse risco no momento, porque a opera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser feita por causa do PGO. S&oacute; existe o fundamento para uma medida desse tipo quando houver a mudan&ccedil;a do PGO, e a&iacute;, sim, as empresas v&atilde;o se fundir. Se o Cade entender que elas n&atilde;o podem se fundir, que elas t&ecirc;m que aguardar a decis&atilde;o do Cade para realmente se fundir, a institui&ccedil;&atilde;o pode entrar com uma medida cautelar. Neste momento, n&atilde;o posso traduzir absolutamente nenhuma inten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O Cade n&atilde;o tem que se manifestar antes da decis&atilde;o?<\/strong><br \/>O Cade foi notificado da opera&ccedil;&atilde;o porque duas empresas se comprometem a se fundir, mesmo que esse compromisso possa n&atilde;o se realizar por um evento de terceiros. Diferentes empresas tem trazido informa&ccedil;&otilde;es e o Cade tem buscado informa&ccedil;&atilde;o por conta pr&oacute;pria. O Cade est&aacute; estudando o assunto por uma quest&atilde;o de antecipa&ccedil;&atilde;o. Quando a mudan&ccedil;a do PGO de fato ocorrer, n&oacute;s j&aacute; vamos conhecer muito bem a opera&ccedil;&atilde;o, e se for necess&aacute;rio uma medida imediata, que a gente j&aacute; pode adot&aacute;-la.<br \/>A empresa tamb&eacute;m pode nos procurar para, temendo uma a&ccedil;&atilde;o unilateral, antecipadamente fazer um acordo com o Cade. Ela corre o risco, se n&atilde;o fizer esse acordo, que, no dia seguinte da mudan&ccedil;a do PGO, exista alguma medida cautelar bloqueando a opera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O Cade precisa ser provocado para estabelecer uma medida cautelar?<\/strong><br \/>Dois s&atilde;o os mecanismos principais para uma medida cautelar. O Cade, por conta pr&oacute;pria, ou SDE [Secretaria de Direito Econ&ocirc;mico do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a] ou a Seae [Secretaria de Acompanhamento Econ&ocirc;mico do Minist&eacute;rio da Fazenda] &ndash; que s&atilde;o as entidades do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorr&ecirc;ncia, que est&atilde;o com o processo, podem pedir ao Cade a ado&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o. Outro mecanismo s&atilde;o as empresas concorrentes ou consumidores ou qualquer entidade civil pode entrar com um pedido de cautelar, e o Cade &eacute; obrigado a dar uma resposta.<br \/>Uma a&ccedil;&atilde;o desse tipo poderia acontecer agora. Muito provavelmente a Embratel, que j&aacute; se manifestou como interessada nessa opera&ccedil;&atilde;o e participar&aacute; de tudo, recebendo todos os documentos apresentados ao Cade, poderia pedir isso, mas n&atilde;o o fez at&eacute; agora.<br \/>Se a Embratel entrar com uma medida cautelar, n&oacute;s teremos que deliberar sobre ela, dando provimento ou n&atilde;o, esclarecendo os motivos da decis&atilde;o. Normalmente, a justificativa para a cautelar precisa de duas condi&ccedil;&otilde;es: <em>periculum in mora<\/em>, o risco de n&atilde;o se decidir agora, e &ldquo;fuma&ccedil;a do bom direito&rdquo;, que quer dizer: ainda n&atilde;o se analisou a quest&atilde;o profundamente, mas pelas informa&ccedil;&otilde;es iniciais, ela &eacute; preocupante.<\/p>\n<p><strong>A Embratel apresentou algum documento sobre a fus&atilde;o BrT-Oi?<\/strong><br \/>A Embratel n&atilde;o apresentou estudos sobre a opera&ccedil;&atilde;o, mas a Telcomp [Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Prestadoras de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es Competitivas] sim. De qualquer forma, as medidas antecipat&oacute;rias no Cade se justificam somente depois da publica&ccedil;&atilde;o do PGO.<\/p>\n<p><strong>No caso da BrT-Oi, o Cade vai analisar o impacto regulat&oacute;rio?<\/strong><br \/>O cade vai analisar a opera&ccedil;&atilde;o. O estudo do grupo de trabalho de Mercados Regulados seria feito independentemente da fus&atilde;o BrT-Oi. Se a opera&ccedil;&atilde;o vier a ser abortada por qualquer motivo, o grupo de trabalho continua o estudo.<br \/>&Eacute; preciso ver a opera&ccedil;&atilde;o como um todo porque essa unifica&ccedil;&atilde;o pode afetar a an&aacute;lise de outros mercados. Na constitui&ccedil;&atilde;o do mercado relevante, por exemplo, uma coisa &eacute; banda larga, outra coisa liga&ccedil;&atilde;o local. A princ&iacute;pio, s&atilde;o mercados relevantes distintos, mas o fato de haver uma concentra&ccedil;&atilde;o no mercado A pode afetar sua an&aacute;lise do mercado B, sobretudo quando essas empresas oferecem servi&ccedil;os conjuntos, em pacote.<br \/>N&oacute;s analisamos, em resumo, o efeito esperado de uma fus&atilde;o. No primeiro momento, os efeitos sobre as condi&ccedil;&otilde;es de concorr&ecirc;ncias e , num segundo momento, dado os efeitos nas condi&ccedil;&otilde;es de concorr&ecirc;ncias, se houver efeitos negativos, se s&atilde;o superiores ao bem-estar do consumidor final.<br \/>Os efeitos negativos da concorr&ecirc;ncia podem ser eventualmente compensados, como prev&ecirc; a nossa lei, se houver grandes ganhos de efici&ecirc;ncia e que sejam espec&iacute;fico da opera&ccedil;&atilde;o, quer dizer, n&atilde;o podem ser obtidos de outro modo, e que sejam transferidos ao consumidor final. <br \/>Nossa rotina de olhar os mercados separadamente ou n&atilde;o &eacute; um mecanismo de responder a essa grande quest&atilde;o: se o contrato fere a concorr&ecirc;ncia e prejudica o consumidor final. Normalmente a efici&ecirc;ncia est&aacute; relacionada a uma queda de custo, gera mais renda para a empresa? Ela poderia ser obtida de outra forma ou &eacute; espec&iacute;fica da opera&ccedil;&atilde;o? Poderia ser gerada pela fus&atilde;o de outras empresas, que n&atilde;o implicasse tantos preju&iacute;zos competitivos?<br \/>Esses ganhos t&ecirc;m que ser transferidos ao consumidor final. Obviamente, n&oacute;s n&atilde;o conseguimos prever exatamente como esses ganhos ser&atilde;o repassados, mas precisamos que as condi&ccedil;&otilde;es estruturais do mercado sejam tais que &eacute; poss&iacute;vel dizer que o consumidor final n&atilde;o ser&aacute; prejudicado e, melhor ainda, vai receber esses benef&iacute;cios. Normalmente a gente usa alguns modelos para fazer esse tipo de predi&ccedil;&atilde;o.<br \/><strong><br \/>O PGO n&atilde;o afeta apenas a Oi e BrT, mas permitiria, na teoria, a fus&atilde;o da Telef&ocirc;nica com a Embratel&#8230;<\/strong><br \/>O estudo do grupo tem&aacute;tico n&atilde;o &eacute; relacionado a uma opera&ccedil;&atilde;o, &eacute; a resposta a uma pergunta geral: quais s&atilde;o os efeitos concorrenciais da mudan&ccedil;a do PGO e do PGR. <em>Unbundling<\/em>, separa&ccedil;&atilde;o cont&aacute;bil, qual a efic&aacute;cia desses instrumentos em termos de concorr&ecirc;ncia, de competi&ccedil;&atilde;o. Vamos estudar os temas que s&atilde;o regulat&oacute;rios, mas que t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es concorrenciais. O PGO &eacute; um deles e o grupo vai estudar a implica&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as regulat&oacute;rios que est&atilde;o se avizinhando e que s&atilde;o relevantes para o caso BrT-Oi, mas que s&atilde;o relevantes tamb&eacute;m para outros casos, que eventualmente venham a ocorrer.<br \/>O grupo tem&aacute;tico &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um conhecimento aprofundado sobre um setor que tem nos colocados desafios, n&atilde;o apenas por uma opera&ccedil;&atilde;o complicada, &eacute; o setor mesmo que se transformou em uma tal intensidade, que exige um novo conhecimento. E esse &eacute; o prop&oacute;sito do grupo.<\/p>\n<p><strong>Converg&ecirc;ncia, concentra&ccedil;&atilde;o de empresas, o que preocupa o Cade?<\/strong><br \/>O tema da converg&ecirc;ncia &eacute; um belo exemplo. O mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es tem passado por transforma&ccedil;&otilde;es muito grandes. Esse setor passa por mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas muito profundas. H&aacute; mudan&ccedil;a n&atilde;o s&oacute; de empresas, mas tamb&eacute;m de mercados. Mercados que n&atilde;o existiam e passaram a existir. Defini&ccedil;&otilde;es, portanto, do que &eacute; o mercado, qual &eacute; a fronteira desse marcado, qual o grau de inter-rela&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o quest&otilde;es novas, que nunca foram debatidas, n&atilde;o existe uma jurisprud&ecirc;ncia e por isso o Cade sentiu a necessidade de aprofundamento.<br \/>O documento sobre converg&ecirc;ncia feito pelo Cade &eacute; a s&iacute;ntese de das discuss&otilde;es realizadas nas audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas, mas n&atilde;o &eacute; um documento vinculativo, ou seja, n&atilde;o significa que o Cade decidir&aacute; o caso, por exemplo, TVA\/Telef&ocirc;nica, considerando que tudo &eacute; um mercado s&oacute;. Ao contr&aacute;rio, das decis&otilde;es do Cade, a melhor refer&ecirc;ncia &eacute; a de plen&aacute;rio, e a &uacute;ltima semelhante foi sobre o caso Oi\/WayTV.<\/p>\n<p><strong>A decis&atilde;o do Cade sobre a compra da Way TV pela Oi\/Telemar mostrou aonde est&aacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o sobre concentra&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>De um certo modo, sim. O Cade observou que a aus&ecirc;ncia das restri&ccedil;&otilde;es estabelecidas poderia viesar a concorr&ecirc;ncia de modo anticompetitivo no mercado de banda larga.<\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, o Cade est&aacute; preocupado com a competi&ccedil;&atilde;o no mercado de banda larga e n&atilde;o no de TV por assinatura?<br \/><\/strong>Naquele caso, sim. As manifesta&ccedil;&otilde;es do Cade s&atilde;o sempre sobre casos espec&iacute;ficos. Vai deixar de ser agora com os grupos tem&aacute;ticos produzindo documentos gerais, coisa que o Cade nunca fez. O Cade &eacute; um tribunal administrativo, ele funciona muito como judici&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>Mas quando o Cade julga um caso, ele est&aacute; indicando a tend&ecirc;ncia de suas preocupa&ccedil;&otilde;es.<br \/><\/strong>Perfeito. A interpreta&ccedil;&atilde;o de cada caso por parte do Cade, pode servir para analisar outros casos. &Eacute; a famosa jurisprud&ecirc;ncia. Come&ccedil;a-se a construir um modo de decidir. Mas &eacute; claro que em todo caso novo tem que se verificar se as condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o semelhantes. A preocupa&ccedil;&atilde;o do Cade &eacute; assegurar a concorr&ecirc;ncia nas novas plataformas. Se uma opera&ccedil;&atilde;o indica qualquer preju&iacute;zo &agrave; concorr&ecirc;ncia nas novas plataformas, ent&atilde;o o Cade tomar&aacute; as provid&ecirc;ncias para assegurar a concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>O caso TVA\/Telef&ocirc;nica j&aacute; chegou ao Cade?<\/strong><br \/>N&atilde;o est&aacute; no Cade. Ele veio como uma medida antecipat&oacute;ria, uma cautelar que foi solicitada, salvo engano, pela Embratel, e o Cade decidiu que tinha fuma&ccedil;a, mas n&atilde;o tinha <em>periculum in mora<\/em>. Ou seja, era uma situa&ccedil;&atilde;o que poderia gerar uma restri&ccedil;&atilde;o no futuro, mas n&atilde;o havia <em>periculum in mora<\/em>, e n&atilde;o foi determinada a cautelar.<\/p>\n<p><strong>A demora estaria relacionada com o fato de a Anatel n&atilde;o estar preparada para instruir os processos?<br \/><\/strong>O tempo de an&aacute;lise da Anatel nos atos de concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; muito variado. Pode ser muito r&aacute;pido, pode ser extremamente longo. N&atilde;o existe uma correla&ccedil;&atilde;o entre esse tempo e a complexidade do caso. J&aacute; houve casos em que a dura&ccedil;&atilde;o foi muito longa, anos, porque a Anatel n&atilde;o tem o mesmo prazo legal que da SDE.<\/p>\n<p><strong>O processo administrativo do Clube dos 13, est&aacute; h&aacute; mais de 15 anos tramitando no Sistema de Defesa da Concorr&ecirc;ncia&#8230;<br \/><\/strong>H&aacute; um aspecto jur&iacute;dico para entender porque a instru&ccedil;&atilde;o de processo administrativo &eacute; t&atilde;o demorada. Nesse caso, ningu&eacute;m comprou ningu&eacute;m, ao contr&aacute;rio dos atos de concentra&ccedil;&atilde;o. Havia uma queixa de determinados agentes a respeito dos contratos de aquisi&ccedil;&atilde;o dos direitos relativos ao campeonato brasileiro de futebol. O processo administrativo tem que seguir o rito da ampla defesa e do contradit&oacute;rio. Todos t&ecirc;m que ser notificados de tudo o que ocorre, de todos os documentos que entram, que precisam passar por todos os advogados para que possam contestar ou aprovar. A SDE tem que fazer oitivas de testemunhas e tomar uma decis&atilde;o se mant&eacute;m aquela prova ou n&atilde;o. Assim vai, o processo &eacute; muito longo.<br \/>Acho que, de um modo geral, existe um <em>trade-off<\/em> entre tempo e a qualidade t&eacute;cnica de uma decis&atilde;o. A nossa fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; ter a melhor qualidade poss&iacute;vel se isso isso significar que o processo v&aacute; demorar cinco, oito, dez anos. &Eacute; melhor termos uma qualidade t&eacute;cnica que seja at&eacute; certo ponto sacrificada, mas que seja mais r&aacute;pida. Essa &eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o do Cade, tanto que &eacute; muito raro um caso demorar aqui dentro.<\/p>\n<p><strong>No setor de telecom, o Cade &eacute; acionado, na maioria das vezes, nos atos de concentra&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc;s pretendem atuar nas quest&otilde;es de conduta desse setor?<\/strong><br \/>O projeto de lei que tramita no Congresso Nacional torna o Cade com mais capacidade para intervir tanto nos atos de concentra&ccedil;&atilde;o quanto em conduta e eu, em particular, considero muito importante os atos de concentra&ccedil;&atilde;o. Em telecomunica&ccedil;&otilde;es, n&oacute;s atuamos nas duas &aacute;reas. Houve um caso que em que a decis&atilde;o ficou empatada por tr&ecirc;s a tr&ecirc;s e, por voto de qualidade, a empresa n&atilde;o foi condenada. A empresa era a Vivo, num caso que se originou no Rio Grande do Sul. Os conselheiros do Cade se dividiram, porque era uma an&aacute;lise que dava margem a uma interpreta&ccedil;&atilde;o complexa. <br \/>Cartel &eacute; uma pr&aacute;tica mais simples de identifica&ccedil;&atilde;o. Mas diferentes estrat&eacute;gicas, como fechamento de mercados e discrimina&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o s&atilde;o discuss&otilde;es muito mais complexas. O Cade, prefere, assim, fazer os acordos pr&eacute;vios, os TCCs, para implementar a decis&atilde;o mais rapidamente.<br \/>Aconteceu no caso Net por causa do SporTV. As empresas n&atilde;o Net entraram com uma representa&ccedil;&atilde;o contra a Globosat, que se recusava vender o canal SporTV, e ficou configurado que, de fato, ela vendia em pacotes os canais Globosat para Net. E, ao inv&eacute;s de se enfrentar um processo longo, com passagem no Judici&aacute;rio, preferimos o acordo, pois percebemos que, de fato, os canais estavam com grande dificuldade de sobreviver, e, at&eacute; sair a solu&ccedil;&atilde;o do judici&aacute;rio, poderia n&atilde;o haver mais empresas. Pelo acordo, a Globo se comprometeu vender o canal nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es que vendia para a Net. E isso est&aacute; acontecendo, tanto que a TVA transmite o SporTV.<br \/>J&aacute; o caso Sky\/DirecTV resultou em uma s&eacute;rie de restri&ccedil;&otilde;es, e argumentou-se recentemente se havia descumprimento dessas restri&ccedil;&otilde;es. O caso est&aacute; na se&ccedil;&atilde;o de acompanhamento das decis&otilde;es do Cade. At&eacute; o momento, n&atilde;o se configurou o descumprimento. A retirada do canal MTV do <em>line up<\/em> &eacute; uma quest&atilde;o contratual. Quando acabou o contrato, a MTV prop&ocirc;s um aumento e a Sky disse que n&atilde;o aceitava. A restri&ccedil;&atilde;o do Cade n&atilde;o obrigava a Sky\/DirecTV a passar a MTV a qualquer pre&ccedil;o, mas sim manter as mesmas condi&ccedil;&otilde;es. Se a MTV mantivesse o pre&ccedil;o, a Sky seria obrigada a passar o canal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente interino do Cade fala sobre a atua\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o no setor de comunica\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[896],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22021"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22021\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}