{"id":21994,"date":"2008-10-21T20:20:31","date_gmt":"2008-10-21T20:20:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21994"},"modified":"2008-10-21T20:20:31","modified_gmt":"2008-10-21T20:20:31","slug":"a-imprensa-pode-servir-a-interesses-civicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21994","title":{"rendered":"A imprensa pode servir a interesses c\u00edvicos?"},"content":{"rendered":"<p><em>Silvio Waisbord &eacute; um dos convidados do 6&ordm; Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. Professor na School of Media and Public Affairs da George Washington University, Waisbord &eacute; autor de &quot;Watchdog Journalism in South AmericaI&quot; e de diversos artigos que tratam de jornalismo e sociedade civil. Nesta entrevista exclusiva, o pesquisador, que edita o peri&oacute;dico &quot;International Journal of Press\/Politics&quot;, fala de suas expectativas para o congresso da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Jornalismo (SBPJor) e sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre imprensa e poder.<\/em><\/p>\n<p><strong>Qual a sua expectativa com rela&ccedil;&atilde;o ao encontro anual da SBPJor? O senhor j&aacute; conhecia a associa&ccedil;&atilde;o e as pesquisas desenvolvidas no Brasil?<\/strong><br \/>Sim, conhe&ccedil;o a SBPJOR e suas atividades. Minha expectativa &eacute; participar do encontro para me familiarizar com o trabalho de meus colegas no Brasil e conversar sobre possibilidades de colabora&ccedil;&atilde;o futura. O Brasil tem una tradi&ccedil;&atilde;o forte de investiga&ccedil;&atilde;o no jornalismo, distribu&iacute;da em v&aacute;rios pontos do pa&iacute;s e com interesses amplos.<\/p>\n<p><strong>A sua palestra no nosso encontro anual ser&aacute; sobre sociedade civil e jornalismo. Na sua opini&atilde;o, as pesquisas em nosso campo t&ecirc;m sido capazes de compreender esta rela&ccedil;&atilde;o t&atilde;o complexa? Por qu&ecirc;?<br \/><\/strong>Creio que esta rela&ccedil;&atilde;o se compreende em parte. Por um lado, h&aacute; bastantes trabalhos no Brasil e na Am&eacute;rica Latina sobre o v&iacute;nculo da imprensa com o mercado e o Estado. Por&eacute;m, n&atilde;o se h&aacute; posto &ecirc;nfase suficiente sobre a pergunta como a sociedade civil e a imprensa se vinculam atualmente. H&aacute; trabalhos sobre imprensa comunit&aacute;ria e alternativa, mas n&atilde;o necessariamente vistas de uma perspectiva que pretende compreender se &eacute; poss&iacute;vel que a grande imprensa reforce sua rela&ccedil;&atilde;o com diferentes grupos da sociedade civil. Isso &eacute; importante porque, apesar de freq&uuml;entemente se entender a imprensa como uma institui&ccedil;&atilde;o supostamente ancorada na sociedade civil, em nossos pa&iacute;ses suas origens est&atilde;o firmemente vinculadas &agrave; luta pelo poder no Estado e sua posterior consolida&ccedil;&atilde;o no mercado. Se a imprensa contribui para o aprimoramento democr&aacute;tico, deve ser uma institui&ccedil;&atilde;o que permita expressar e vincular a sociedade civil entre si e com os espa&ccedil;os para a tomada de decis&atilde;o e de pol&iacute;ticas, que &eacute; o Estado. As inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas das &uacute;ltimas d&eacute;cadas fazem mais importante essa pergunta ao colocar em quest&atilde;o se a grande imprensa cumpre com expectativas de catalizar\/promover discuss&otilde;es amplas sobre uma variedade de temas que competem aos cidad&atilde;os, ou se, pelo contr&aacute;rio, privilegia seus la&ccedil;os com o estado e o mercado. Em resumo, a pergunta &eacute; se a imprensa, uma institui&ccedil;&atilde;o que tipicamente privilegia seus la&ccedil;os com o Estado e o mercado pode, ao mesmo tempo, servir a interesses c&iacute;vicos? Minha exposi&ccedil;&atilde;o &eacute; sobre este dilema e quero sugerir formas de abordar esta pergunta.<\/p>\n<p><strong>Na Am&eacute;rica Latina temos vivido um momento bastante peculiar no que tange &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre o jornalismo e o poder e, em muitos pa&iacute;ses, a posi&ccedil;&atilde;o dos pol&iacute;ticos frente &agrave; imprensa tem sido duramente criticada &#8211; como na Argentina e na Venezuela, por exemplo. Como o senhor avalia esta situa&ccedil;&atilde;o? Quais suas conseq&uuml;&ecirc;ncias? Os pesquisadores do campo est&atilde;o atentos a este fen&ocirc;meno?<br \/><\/strong>O que vemos a partir de governos neoconservadores ou populistas &eacute; a continua&ccedil;&atilde;o de uma abordagem tradicional na regi&atilde;o, de ver a imprensa como ap&ecirc;ndice do Estado, como porta-voz oficial, e n&atilde;o como canal de express&atilde;o cidad&atilde;. Pensamos que haja poucos pa&iacute;ses na regi&atilde;o que mudaram leis fundamentais aprovadas em &eacute;pocas ditatoriais. Isso se justifica tanto por uma &oacute;tica pol&iacute;tica como por uma l&oacute;gica a partir dos meios que privilegia, para apoiar ou opor-se, as pol&iacute;ticas oficiais. O Estado segue sendo foco de aten&ccedil;&atilde;o por raz&otilde;es econ&ocirc;micas que pouco t&ecirc;m que ver com objetivos democr&aacute;ticos. Existe uma cumplicidade entre os pol&iacute;ticos e as grandes empresas na maior parte dos pa&iacute;ses. Por outro lado, seria surpreendente esperar que aqueles que ascendem ao poder pensem de outra maneira que n&atilde;o seja uma forma manique&iacute;sta sobre o papel dos meios (de apoio ou de oposi&ccedil;&atilde;o). A mudan&ccedil;a somente pode acontecer se existir interesse por parte da sociedade civil de mudar a forma &agrave; qual o Estado e os meios se vinculam. Felizmente, existe muito interesse entre os acad&ecirc;micos em estudar este tema, que segue sendo vigente e importante para compreender a comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na regi&atilde;o. N&atilde;o estou seguro se os paradigmas que utilizamos seguem sendo &uacute;teis para entender este cen&aacute;rio parecido com o passado, mas oferece novidades dada a complexidade e diversidade do que &eacute; a cena midi&aacute;tica hoje em dia.<\/p>\n<p><strong>Alguns l&iacute;deres como Hugo Ch&aacute;vez, por exemplo, costumam criticar duramente a imprensa. Por outro lado, temos, de um modo geral, uma cobertura bastante incompleta dos temas inerentes &agrave; Am&eacute;rica Latina, tanto em jornais locais quanto nos estrangeiros. O p&uacute;blico est&aacute; atento a isto? E a quest&atilde;o da credibilidade do jornalismo, em momentos como estes, como o senhor avalia?<br \/><\/strong>Os l&iacute;deres em geral criticam a imprensa. T&ecirc;m pele fina demais para sustentar as cr&iacute;ticas, al&eacute;m do tom ou inten&ccedil;&atilde;o que estas tenham. Criticam o que os desagrada, apesar de ter apoio un&acirc;nime do resto dos meios. A cultura vigente pol&iacute;tica de lideran&ccedil;as verticais e a critica da imprensa (ou de outras fontes) n&atilde;o se levam pela m&atilde;o. Em geral, creio que o p&uacute;blico busque da imprensa, dos meios menos do que dizem comumente os te&oacute;ricos sobre a democracia. N&atilde;o se espera que a imprensa seja somente ou principalmente uma fonte ou um canal para permitir funcionarmos melhor como cidad&atilde;os na democracia, sendo que tamb&eacute;m se utiliza para outros fins (entretenimento, sociabilidade, sentido de ordem cotidiano, empatia social). Por&eacute;m, &eacute; importante indicar a crescente consci&ecirc;ncia sobre o papel dos meios na vida pol&iacute;tica, a cr&iacute;tica popular aos meios, que coincidem com o auge dos meios na vida cotidiana na regi&atilde;o. Isso se demonstra em observat&oacute;rios c&iacute;vicos, a ativa participa&ccedil;&atilde;o de leitores em sites de internet, atos p&uacute;blicos contra os meios, a seletividade dos movimentos sociais e outros grupos de cidad&atilde;os mobilizados para aproximar-se dos meios, e outros exemplos. Isso sugere uma maior aten&ccedil;&atilde;o ao que ocorre com os meios, o que n&atilde;o necessariamente faz com que os meios sejam mais cr&iacute;veis. &Eacute; dif&iacute;cil generalizar sobre a credibilidade dos meios, j&aacute; que, na minha opini&atilde;o, a fragmenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica\/ideol&oacute;gica como assim tamb&eacute;m a fragmenta&ccedil;&atilde;o de meios que perseguem diversos fins, fazem dif&iacute;cil generalizar se a cidadania &quot;cr&ecirc;&quot; ou &quot;n&atilde;o cr&ecirc;&quot; nos meios. H&aacute; credibilidade segmentada em meios que encaixam\/fortalecem interesses e vis&otilde;es particulares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador fala sobre os hist\u00f3ricos la\u00e7os entre imprensa, Estado e mercado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[893],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21994"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21994"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21994\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}