{"id":21924,"date":"2008-10-08T15:46:13","date_gmt":"2008-10-08T15:46:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21924"},"modified":"2008-10-08T15:46:13","modified_gmt":"2008-10-08T15:46:13","slug":"a-nova-cyberperiferia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21924","title":{"rendered":"A nova cyberperiferia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">O extraordin&aacute;rio crescimento do uso das tecnologias digitais pelas classes populares no Brasil vai obrigar as empresas envolvidas em toda a cadeia da comunica&ccedil;&atilde;o a repensarem as amea&ccedil;as e oportunidades de neg&oacute;cios nos pr&oacute;ximos anos. Essa foi uma das principais conclus&otilde;es do debate de Carla Barros, F&aacute;bio Seixas, Osvaldo Barbosa e Ronaldo Lemos no Digital Age 2.0 da semana passada.<\/p>\n<p>Uma an&aacute;lise do banco de dados agregados do IBGE entre 2003 e 2007 ajuda a quantificar o fen&ocirc;meno. O n&uacute;mero de domic&iacute;lios que possuem um computador com acesso &agrave; Web passou de 5,7 milh&otilde;es em 2003 para 11,3 milh&otilde;es no ano passado. <\/p>\n<p>Separando este crescimento por faixas de renda, o n&uacute;mero de domic&iacute;lios com acesso entre as camadas mais ricas (rendimento acima de 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos), passou de 3,2 milh&otilde;es para 3,8 milh&otilde;es no mesmo per&iacute;odo, chegando mesmo a diminuir entre os domic&iacute;lios que apresentam rendimentos acima de 20 sal&aacute;rios m&iacute;nimos (embora esta queda precise ser relativizada por conta do aumento real do sal&aacute;rio m&iacute;nimo no per&iacute;odo &ndash;em termos percentuais, nesta faixa de renda, passamos de 71% para 83% de domic&iacute;lios com conex&atilde;o).<\/p>\n<p>J&aacute; o n&uacute;mero de domic&iacute;lios com acesso, com rendimento at&eacute; 10 sal&aacute;rios m&iacute;nimos mais do que triplicou, passando de 2,1 milh&otilde;es para 6,8 milh&otilde;es &ndash;um crescimento de 217% em 4 anos! A esse fen&ocirc;meno precisamos adicionar tamb&eacute;m o crescimento do acesso em Lan Houses &ndash;segundo Carla Barros, da ESPM, somente na favela da Rocinha existem cerca de 150 lan-houses, incluindo quartos ou &ldquo;puxadinhos&rdquo; com 4 ou 5 computadores em cada um.<\/p>\n<p>Quando observamos os dados do Comit&ecirc; Gestor, verificamos que as classes populares apresentam um uso menos variado da Internet do que as camadas mais ricas, exceto em 2 aspectos: comunidades sociais e games. De acordo com Osvaldo Barbosa, da Microsoft, elas tamb&eacute;m utilizam menos comunicadores instant&acirc;neos como o MSN Messenger, mas ainda assim sua taxa de utiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; elevada: 60%.<\/p>\n<p>S&atilde;o justamente estas tend&ecirc;ncias que fazem prever um uso ainda mais acentuado das diversas tecnologias digitais da Web 2.0, na qual o Brasil j&aacute; &eacute; um dos l&iacute;deres: de acordo com a pesquisa &ldquo;Social Media Research&rdquo;, da Universal McCann, que entrevistou 17 mil pessoas em 29 pa&iacute;ses, o Brasil &eacute; um dos l&iacute;deres na leitura di&aacute;ria de blogs (52%, contra 31% da m&eacute;dia mundial), atualiza&ccedil;&atilde;o frequente de p&aacute;ginas pessoais em redes sociais (57% dos internautas) e upload de v&iacute;deos (68% dos internautas brasileiros j&aacute; fizeram, contra 25% dos americanos).<\/p>\n<p>Algumas das implica&ccedil;&otilde;es destas tend&ecirc;ncias podem ser vistas em Bel&eacute;m do Par&aacute;, onde uma pesquisa da FGV sobre Open Business Models mostrou a exist&ecirc;ncia de uma vasta rede de produ&ccedil;&atilde;o musical sustentada inteiramente na distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do gratuito. <\/p>\n<p>De acordo com Ronaldo Lemos, coordenador da pesquisa e co-autor do livro &ldquo;Tecnobrega: o Par&aacute; reinventando o neg&oacute;cio da m&uacute;sica&rdquo;, bandas deste ritmo bastante popular no Norte e entre as camadas de baixa renda das grandes cidades (a banda Calypso &eacute; a mais conhecida do Brasil, segundo outra pesquisa da FGV) distribuem CDs gratuitamente entre os camel&ocirc;s de Bel&eacute;m, para que eles os revendam por baixo pre&ccedil;o ou mesmo distribuam como &ldquo;brinde&rdquo; para seus fregueses. Esses CDs se encarregam de popularizar as bandas, que cobram entre R$ 5.000 e R$ 10.000 para fazer um show ou animar uma festa. N&uacute;mero de festas mensais realizadas no Par&aacute; com apresenta&ccedil;&otilde;es destas bandas: 850. Fa&ccedil;am as contas e repitam a pergunta que alguns destes artistas fizeram para os pesquisadores da FGV: &ldquo;quem precisa de uma gravadora?&rdquo;.<\/p>\n<p>Segundo Lemos, o mesmo modelo se repete com a ind&uacute;stria do cinema na Nig&eacute;ria, a terceira maior do mundo, depois de Hollywood e Bombaim. J&aacute; s&atilde;o mais de 20 mil (!) filmes de baixo custo, realizados com equipamentos semi-profissionais ou mesmo amadores, sem apoio de grandes est&uacute;dios, que mesclam o folclore africano com temas atuais, distribu&iacute;dos atrav&eacute;s de 5 canais diferentes para toda &Aacute;frica e Caribe.<\/p>\n<p>Outro dado interessante apresentado na discuss&atilde;o: atendente de Lan-House em favela virou formador de opini&atilde;o. Segundo Carla Barros, &eacute; comum nesses ambientes os atendentes indicarem, principalmente para pessoas de mais idade, os sites mais interessantes para visitar. E como existe um grande n&uacute;mero de pessoas com tocadores MP3 ou celulares com esta capacidade, estes atendentes tamb&eacute;m indicam as m&uacute;sicas e bandas mais interessantes para serem ouvidas. Ela mencionou o caso de uma Lan House aonde o atendente era f&atilde; de Pearl Jam e acabou por influenciar o gosto de todos os freq&uuml;entadores do estabelecimento. Al&ocirc; al&ocirc; pessoal da &aacute;rea de trade marketing de hardware, software e outros produtos consumidos por jovens de baixa renda: voc&ecirc;s j&aacute; tem uma &ldquo;ger&ecirc;ncia de canal&rdquo; para os atendentes de Lan House?<\/p>\n<p>Uma das conclus&otilde;es dos debatedores foi a de que as ferramentas digitais est&atilde;o possibilitando a essa imensa camada da popula&ccedil;&atilde;o brasileira viabilizar comercialmente produtos, servi&ccedil;os, conte&uacute;dos e formatos de distribui&ccedil;&atilde;o que ainda foram muito pouco explorados pela publicidade tradicional, ainda voltada para o modelo &ldquo;Broadcast&rdquo;. <\/p>\n<p>&Eacute; hora de come&ccedil;armos a pensar em novos paradigmas, como o &ldquo;Socialcast&rdquo;, um modelo de comunica&ccedil;&atilde;o no qual muitos falam (e dialogam) com muitos. A periferia, ao menos no mundo digital, se encaminha para o centro. Se n&atilde;o embarcarem neste movimento, como lembrou Ronaldo Lemos, quem vai acabar virando &ldquo;periferia&rdquo;, ao menos na Internet, s&atilde;o as empresas e organiza&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o ousarem desenvolver novos modelos de neg&oacute;cios.<\/p>\n<p><em>* Marcelo Coutinho &eacute; diretor de An&aacute;lise de Mercado do IBOPE Intelig&ecirc;ncia e professor do mestrado em Comunica&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o C&aacute;sper L&iacute;bero.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O extraordin&aacute;rio crescimento do uso das tecnologias digitais pelas classes populares no Brasil vai obrigar as empresas envolvidas em toda a cadeia da comunica&ccedil;&atilde;o a repensarem as amea&ccedil;as e oportunidades de neg&oacute;cios nos pr&oacute;ximos anos. 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