{"id":21910,"date":"2008-10-06T12:55:03","date_gmt":"2008-10-06T12:55:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21910"},"modified":"2008-10-06T12:55:03","modified_gmt":"2008-10-06T12:55:03","slug":"candidatos-a-prefeito-nas-capitais-desconsideram-as-politicas-de-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21910","title":{"rendered":"Candidatos a prefeito nas capitais desconsideram as pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Pol&iacute;ticas municipais de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um tema praticamente desconhecido pelas candidaturas &agrave;s prefeituras das 26 capitais brasileiras ou n&atilde;o est&atilde;o entre as suas preocupa&ccedil;&otilde;es. Eles n&atilde;o conseguem discernir, de modo geral, as medidas necess&aacute;rias para, por exemplo, adotar planejamento e programas que estimulem e viabilizem a consolida&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dios comunit&aacute;rias, o fortalecimento das pequenas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o para a m&iacute;dia, o esbo&ccedil;o de formas de controle p&uacute;blico sobre a m&iacute;dia local ou o uso dos recursos de comunica&ccedil;&atilde;o em finalidades que n&atilde;o as estritamente governamentais. &Eacute; o que se pode deduzir do levantamento feito pelo FNDC, em consulta a 106 candidaturas representantes dos maiores partidos concorrentes em cada capital.<\/p>\n<p>Os contatos foram feitos nos &uacute;ltimos 60 dias, por telefone e por e-mails. Apenas 11 candidaturas responderam &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o sobre a exist&ecirc;ncia e o conte&uacute;do das pol&iacute;ticas municipais de comunica&ccedil;&atilde;o nos seus programas de governo.<\/p>\n<p><strong>Proposi&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas<\/strong><\/p>\n<p>Manifestaram-se os representantes de tr&ecirc;s candidaturas do PMDB (Recife, Curitiba e Porto Alegre), dois do PT (S&atilde;o Paulo e Porto Alegre), dois do PSOL (Curitiba e Porto Alegre), dois do DEM (S&atilde;o Lu&iacute;s e Salvador), um do PCB (Rio de Janeiro) e um do PPS (Vit&oacute;ria).<\/p>\n<p>Entrevistada pelo <em>e-F&oacute;rum<\/em>, Maria Helena Weber, doutora em Comunica&ccedil;&atilde;o, professora do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e reconhecida pesquisadora da &aacute;rea, considerou &ldquo;surpreendente&rdquo; que 10,37% das candidaturas tenham pensado algo sobre o tema. Ela acrescenta: &ldquo;Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o inexistem em n&iacute;vel federal e estadual. Como esperar que elas ocorram em n&iacute;vel municipal?&rdquo;<\/p>\n<p>As respostas obtidas pelo FNDC (<a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/arquivos\/Propostas_candidatos_capitais.pdf\">resumidas, podem ser lidas aqui<\/a> ) s&atilde;o gen&eacute;ricas. De modo geral, &ldquo;pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; compreendida como acesso digital aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, inclus&atilde;o digital, governo eletr&ocirc;nico. Essa &eacute; a compreens&atilde;o dos candidatos do PMDB e do DEM, cujos programas discorrem exclusivamente, por exemplo, sobre a moderniza&ccedil;&atilde;o dos sistemas informatizados das prefeituras, incluindo as redes escolares, oferta de banda larga para incrementar o desenvolvimento econ&ocirc;mico ou a instala&ccedil;&atilde;o de lan houses nas periferias. <\/p>\n<p>O mesmo ocorre nas candidaturas do PT em S&atilde;o Paulo e do PPS, em Vit&oacute;ria. A inclus&atilde;o digital e o governo eletr&ocirc;nico foram referidos com &ecirc;nfases variadas em todas as respostas obtidas, menos na elaborada pelo PCB\/RJ. <\/p>\n<p><strong>Confer&ecirc;ncia ignorada<\/strong><\/p>\n<p>&Agrave; exce&ccedil;&atilde;o do PT\/Porto Alegre, a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, foi ignorada pelas candidaturas ouvidas. A proposta mobiliza em todo o pa&iacute;s centenas de entidades, pesquisadores, movimentos sociais preocupados com a democratiza&ccedil;&atilde;o do setor (<a href=\"http:\/\/www.proconferencia.com.br\/\">acesse aqui o site da Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia<\/a> ). Os petistas ga&uacute;chos asseguram apoio &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia e a realiza&ccedil;&atilde;o de sua etapa municipal. Menciona os Conselhos Municipais de Comunica&ccedil;&atilde;o, reconhecido pelos especialistas como um espa&ccedil;o adequado para a elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Propostas de reativa&ccedil;&atilde;o e\/ou fortalecimento de meios de comunica&ccedil;&atilde;o municipais, para uso da administra&ccedil;&atilde;o municipal ou da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; inclu&iacute;dos a&iacute; &ldquo;espa&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o alternativa aos monop&oacute;lios&rdquo; &#8211; est&atilde;o contidas, com abordagens diversas, nas proposi&ccedil;&otilde;es do PT\/Porto Alegre, do PSOL\/Porto Alegre e Curitiba, do PCB\/Rio de Janeiro. As mesmas candidaturas prometem defender e promover as r&aacute;dios comunit&aacute;rias, mas seus programas n&atilde;o especificam minimamente como isso ocorrer&aacute;, ou quais recursos humanos ou econ&ocirc;micos ser&atilde;o destinados para a concretiza&ccedil;&atilde;o das propostas.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><strong>Estado ausente<\/strong><\/p>\n<p>Conforme Maria Helena Weber &ndash; que &eacute; autora do livro &ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o e Espet&aacute;culos da Pol&iacute;tica&rdquo; e atualmente desenvolve a pesquisa &ldquo;A comunica&ccedil;&atilde;o dos poderes e o poder da m&iacute;dia brasileira&rdquo; &ndash; a &ecirc;nfase em aspectos como a dissemina&ccedil;&atilde;o da banda larga, por exemplo, &ldquo;n&atilde;o representa uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas uma a&ccedil;&atilde;o. No caso, &ldquo;favorecida pela estrutura do meio, a internet&rdquo;. <\/p>\n<p>Ela observa que &ldquo;a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre encarada, na &aacute;rea pol&iacute;tica, como instrumental. Ajuda a aparecer, a fazer campanha, al&ccedil;ando pessoas, coisas, governos. Os governos nunca pensam como essa pol&iacute;tica pode servir ao Estado, embora isso seja paradoxal&rdquo;. Os projetos de uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o, para a pesquisadora, &ldquo;deveriam responder aos direitos fundamentais do cidad&atilde;o&rdquo;, pois &ldquo;a democracia depende desses direitos&rdquo; &ndash; e isso n&atilde;o tem sido relevante para o Estado brasileiro, na sua opini&atilde;o.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel municipal depende, de acordo com Maria Helena, &ldquo;de uma seq&uuml;&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es vinda do plano federal, mas isso n&atilde;o existe&rdquo;. Por isso, elas s&oacute; ocorrer&atilde;o em rar&iacute;ssimas e excepcionais ocasi&otilde;es, como foi o caso do governo municipal do PT em Porto Alegre nos anos 90, quando foi implantada uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o formulada e inicialmente dirigida por Daniel Herz (jornalista, posteriormente um dos fundadores e principal mentor do FNDC, falecido em maio de 2006). &ldquo;Havia um pensamento sobre um modo de fazer comunica&ccedil;&atilde;o, criaram-se m&iacute;dias espec&iacute;ficas, criou-se o Conselho Municipal de Comunica&ccedil;&atilde;o. Mas isso &eacute; t&atilde;o raro que virou tese, objeto de estudo&rdquo;, constata a professora. <\/p>\n<p><strong>Comunidade preterida<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m do Conselho &ndash; que foi o primeiro do pa&iacute;s e acabou sendo posto de lado ainda pelos governos petistas &ndash; tamb&eacute;m foi fundada, com decisivo apoio municipal, a primeira TV Comunit&aacute;ria do pa&iacute;s. Outras pr&aacute;ticas daquele per&iacute;odo continuam sendo objetos de estudo, como o programa de TV &ldquo;Cidade Viva&rdquo;, renovador da linguagem de programas do g&ecirc;nero, refletindo o esp&iacute;rito ent&atilde;o vigente de uma cidadania participativa, estimulada pela ado&ccedil;&atilde;o do Or&ccedil;amento Participativo por parte do governo municipal. <\/p>\n<p>As realiza&ccedil;&otilde;es dos referidos governos petistas porto-alegrenses na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o foram feitas a partir de uma Coordena&ccedil;&atilde;o de Comunica&ccedil;&atilde;o com status de secretaria. Pouco adotadas na &eacute;poca, as secretarias municipais de comunica&ccedil;&atilde;o existem atualmente em 15 das 26 prefeituras de capitais. As demais mant&ecirc;m estruturas denominadas assessorias, basicamente.<\/p>\n<p>Um exame dos seus sites (<a href=\"http:\/\/www.fndc.org.br\/arquivos\/Estruturas_municipais_comunicacao__capitais.pdf\">veja rela&ccedil;&atilde;o aqui<\/a> ), entretanto, n&atilde;o permite discernir quaisquer evid&ecirc;ncias de que, com base nessas estruturas, os governos municipais estejam desenvolvendo pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o propriamente ditas. Apenas a prefeitura de Recife (PT) apresenta em seu site conte&uacute;dos voltados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. Em Recife h&aacute; uma Diretoria de R&aacute;dio e Comunica&ccedil;&atilde;o Popular.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos recursos multim&iacute;dia &ndash; o que revelaria uma desej&aacute;vel familiaridade com as novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o, supostamente em benef&iacute;cio da democracia &ndash; eles est&atilde;o presentes apenas nos sites das prefeituras de S&atilde;o Paulo (DEM), Rio de Janeiro (DEM), Recife e Porto Alegre (PMDB). Todos os sites s&atilde;o utilizados para a divulga&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias e informa&ccedil;&otilde;es dos governos municipais, de modo predominante.<\/p>\n<p><strong>Academia esquecida<\/strong><\/p>\n<p>Maria Helena salienta que no Brasil h&aacute; muita produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica sobre comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas esse debate n&atilde;o chega aos governos, permanece na academia, entre os pesquisadores. &ldquo;E n&atilde;o s&atilde;o esses pesquisadores, mesmo engajados, que v&atilde;o fazer campanha pol&iacute;tica. Tem a&iacute; uma dissocia&ccedil;&atilde;o. Falta maior proximidade, falta a pol&iacute;tica se debru&ccedil;ar um pouco sobre a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, que &eacute; atualizada, interessante, din&acirc;mica, tem estudos de caso. H&aacute; um reposit&oacute;rio imenso de material na universidade&rdquo;, enfatiza.<\/p>\n<p>As elei&ccedil;&otilde;es municipais escolher&atilde;o, neste m&ecirc;s entre 15.438 candidatos (dados do Tribunal Superior Eleitoral), 5.564 novos prefeitos.<\/p>\n<p><em>Com pesquisa de Fabiana Reinholtz e Candice Cresqui.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol&iacute;ticas municipais de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um tema praticamente desconhecido pelas candidaturas &agrave;s prefeituras das 26 capitais brasileiras ou n&atilde;o est&atilde;o entre as suas preocupa&ccedil;&otilde;es. 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