{"id":21868,"date":"2008-09-29T17:12:59","date_gmt":"2008-09-29T17:12:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21868"},"modified":"2008-09-29T17:12:59","modified_gmt":"2008-09-29T17:12:59","slug":"o-futuro-passa-por-midias-sustentaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21868","title":{"rendered":"O futuro passa por m\u00eddias sustent\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A evolu&ccedil;&atilde;o do conceito de sustentabilidade empresarial j&aacute; atingiu empresas industriais e de servi&ccedil;os, no entanto passa ao largo quando se fala em sustentabilidade das empresas de m&iacute;dia. Os conceitos de sustentabilidade baseados no trip&eacute; econ&ocirc;mico, social e ambiental est&atilde;o permeando as atividades de todos os setores da economia.<\/p>\n<p>Isto tem acontecido principalmente porque as empresas est&atilde;o em permanente disputa por mercados e por consumidores cada vez mais atentos &agrave;s quest&otilde;es relacionadas &agrave; sustentabilidade. As bolsas de valores de Nova York e de S&atilde;o Paulo est&atilde;o entre as primeiras a lan&ccedil;ar indicadores de sustentabilidade em seus preg&otilde;es, e os balan&ccedil;os socioambientais est&atilde;o tornando-se companheiros insepar&aacute;veis dos balan&ccedil;os econ&ocirc;micos das empresas. Os bancos e as empresas seguradoras j&aacute; descobriram que financiar ou segurar empresas &ldquo;sustent&aacute;veis&rdquo; &eacute; mais rent&aacute;vel e oferece menor exposi&ccedil;&atilde;o ao risco. <\/p>\n<p>Os mesmos conceitos de sustentabilidade que permeiam as rela&ccedil;&otilde;es entre empresas dos mais diversos setores com a sociedade (&eacute; claro que isto ainda n&atilde;o &eacute; um comportamento generalizado), ainda n&atilde;o chegaram &agrave;s empresas de m&iacute;dia. Jornais, revistas, emissoras de r&aacute;dio e de televis&atilde;o t&ecirc;m a sustentabilidade como coisa pontual. S&atilde;o raros os exemplos de incorpora&ccedil;&atilde;o dos conceitos de respeito social e ambiental na estrutura di&aacute;ria de cobertura da m&iacute;dia, em todas as suas vertentes. Para muitos meios, ambiente ainda &eacute; pauta especial e n&atilde;o uma transversalidade. <\/p>\n<p>Mesmo sendo vanguarda da sociedade em movimentos para a garantia de direitos fundamentais, a m&iacute;dia &eacute; extremamente conservadora em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de comportamentos e conceitos que levem a transforma&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es de consumo e comportamento. Vem sempre a reboque de outros setores e normalmente reflete uma realidade institucional e social &agrave;s quais se mant&ecirc;m refrat&aacute;ria em sua estrutura interna. &Eacute; comum as p&aacute;ginas de jornais estamparem odes &agrave; modernidade empresarial enquanto em seus pr&oacute;prios balancetes os n&uacute;meros n&atilde;o se harmonizam. Em se tratando de pol&iacute;ticas de recursos humanos ent&atilde;o, ai a desafina&ccedil;&atilde;o &eacute; total. <\/p>\n<p>No quesito transpar&ecirc;ncia e governan&ccedil;a as empresas de m&iacute;dias s&atilde;o modelo de opacidade. A lei exige que a propriedade de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o seja de pessoa f&iacute;sica natural do Brasil. Mesmo com a abertura permitida para o capital estrangeiro, esta liberalidade atingiu apenas 30% do capital da empresa e n&atilde;o permitiu que este capital fosse captado em bolsa de valores, onde investidores poderiam tornar-se acionistas e, assim, com base nas regras impostas pelo mercado e pela Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios, as empresas teriam de tornar p&uacute;blicos seus balan&ccedil;os e suas mazelas.<\/p>\n<p>Um dos requisitos maiores da sustentabilidade &eacute; a transpar&ecirc;ncia e a coer&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es das empresas nos mercados. E estes s&atilde;o os pontos onde as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o pecam. E o problema vem de longe, a quebra de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o de grande porte no Brasil &eacute; end&ecirc;mica, no entanto muito pouco se sabe das causas das doen&ccedil;as que as atingem, dos sintomas.<br \/>Quando o p&uacute;blico toma ci&ecirc;ncia de que h&aacute; algum problema, o paciente j&aacute; desfila em carro f&uacute;nebre. Di&aacute;rios Associados, com sua estrela maior, a TV Tupi, Grupo Vis&atilde;o, Grupo DCI, TV Excelsior, Grupo Manchete, Gazeta Mercantil, isto s&oacute; para falar nos grandes. <\/p>\n<p>N&atilde;o existe na m&iacute;dia a no&ccedil;&atilde;o de que sustentabilidade &eacute; um processo transversal. Assim como nas reda&ccedil;&otilde;es se acredita com muita for&ccedil;a que as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o expectadores privilegiados da realidade, com muita capacidade de influenci&aacute;-la, mas imune &agrave;s suas emana&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Meio ambiente n&atilde;o est&aacute; presente na grande m&iacute;dia de forma consistente porque tamb&eacute;m n&atilde;o est&aacute; presente na estrutura de gest&atilde;o destas empresas. Grandes corpora&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais j&aacute; elevaram o tema ambiente e sustentabilidade para seu cora&ccedil;&atilde;o administrativo. As ger&ecirc;ncias de meio ambiente dos anos 90 tornaram-se as diretorias de meio ambiente neste in&iacute;cio de s&eacute;culo XXI e, em breve, deixar&atilde;o de existir para que a transversalidade ocupe todos os espa&ccedil;os ambientais nas estruturas de gest&atilde;o.<\/p>\n<p>Medo e preconceito est&atilde;o entre os motivos para que as empresas de m&iacute;dia, principalmente aquelas que t&ecirc;m vers&otilde;es impressas possam abra&ccedil;ar os conceitos de sustentabilidade em seu cotidiano. Papel &eacute; a grande mat&eacute;ria-prima. Ou seja, elas pensam n&atilde;o existir sustentabilidade em seus processos industriais. Tintas com base em chumbo j&aacute; foram abolidas, mas centenas de milhares de toneladas de papel s&atilde;o utilizadas diariamente para fazer jornais, revistas, encartes e toda a s&eacute;rie de produtos ligados ao mercado editorial. Ora, as pr&oacute;prias empresas produtoras de papel est&atilde;o entre as que buscam se enquadrar nos processos de sustentabilidade, n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para as empresas de m&iacute;dia sentirem-se acuadas neste quesito. <\/p>\n<p>Mas e os padr&otilde;es insustent&aacute;veis de consumo apregoados desde a revolu&ccedil;&atilde;o industrial e entronizados como absolutos a partir do s&eacute;culo XX? Estes sim podem ser a resposta mais coerente para o distanciamento da m&iacute;dia dos processos de sustentabilidade. Afinal, segundo uma defini&ccedil;&atilde;o universalmente aceita e apregoada pela ex-primeira Ministra da Noruega, Groo Brutland, &ldquo;ser sustent&aacute;vel &eacute; suprir as necessidades das gera&ccedil;&otilde;es atuais garantindo os recursos naturais para que as gera&ccedil;&otilde;es futuras consigam suprir suas pr&oacute;prias necessidades&rdquo;. &Eacute; tamb&eacute;m universalmente aceito que os padr&otilde;es de consumo pregados pela m&iacute;dia s&atilde;o insustent&aacute;veis para toda a popula&ccedil;&atilde;o do planeta Terra e que v&atilde;o esgotar os recursos naturais em um prazo de tempo muito curto. No entanto, o marketing rasteiro continua apostando na exaust&atilde;o dos ecossistemas. <\/p>\n<p>O caso do descompromisso do marketing com a sustentabilidade e com a &eacute;tica chega aos limites do absurdo e do crime. &Eacute; o caso de uma publicidade de um aparelho de TV Samsung que mostra e incentiva um vizinho a roubar um aparelho de TV entregue por engano em sua casa. Mas este &eacute; apenas um caso entre milhares. <\/p>\n<p>Enquanto as m&iacute;dias veicularem coisas como esta, certamente, por uma quest&atilde;o de coer&ecirc;ncia, n&atilde;o poder&atilde;o falar em sustentabilidade, governan&ccedil;a e &eacute;tica com muito conforto. <\/p>\n<p><em>* Adalberto Wodianer Marcondes &eacute; jornalista e editor da Revista Digital Envolverde.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A evolu&ccedil;&atilde;o do conceito de sustentabilidade empresarial j&aacute; atingiu empresas industriais e de servi&ccedil;os, no entanto passa ao largo quando se fala em sustentabilidade das empresas de m&iacute;dia. Os conceitos de sustentabilidade baseados no trip&eacute; econ&ocirc;mico, social e ambiental est&atilde;o permeando as atividades de todos os setores da economia. 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