{"id":21852,"date":"2008-09-25T17:53:11","date_gmt":"2008-09-25T17:53:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21852"},"modified":"2008-09-25T17:53:11","modified_gmt":"2008-09-25T17:53:11","slug":"com-ou-sem-diploma-regulamentacao-precisa-ser-revista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21852","title":{"rendered":"Com ou sem diploma, regulamenta\u00e7\u00e3o precisa ser revista"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t       <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A guerra de trincheiras entre os batalh&otilde;es contra e a favor da obrigatoriedade do diploma de curso superior espec&iacute;fico para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de jornalista deve ser transferida para o campo aberto nos pr&oacute;ximos meses. A batalha campal vir&aacute; independente do resultado do iminente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre o m&eacute;rito de a&ccedil;&atilde;o que contesta a exig&ecirc;ncia do diploma. O sim ou n&atilde;o dos ministros do STF poder&aacute; apenas estabelecer uma diretriz legal para a rediscuss&atilde;o da regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o de jornalista que se imp&otilde;e seja por iniciativas de &oacute;rg&atilde;os do governo federal, seja pela ineg&aacute;vel reconfigura&ccedil;&atilde;o do jornalismo em tempos de converg&ecirc;ncias tecnol&oacute;gicas e reestrutura&ccedil;&otilde;es do mercado de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A pendenga jur&iacute;dica a ser decidida pelo Supremo arrasta-se desde 2001, quando uma a&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal contestando a exig&ecirc;ncia foi julgada procedente pela Justi&ccedil;a Federal. Mas o debate sobre o m&eacute;rito da quest&atilde;o arrasta-se a quase 40 anos, desde a edi&ccedil;&atilde;o do Decreto-Lei 972 pela Junta Militar que governava o pa&iacute;s em 1969 e que regulamentou o exerc&iacute;cio profissional do jornalismo. Em todo este longo per&iacute;odo, o tema poucas vezes deixou as rodas de conversa entre jornalistas ou os c&iacute;rculos sindical e patronal para ganhar status de debate p&uacute;blico. Nestas ocasi&otilde;es, quase sempre motivadas pelas idas e vindas de a&ccedil;&otilde;es judiciais contra e a favor do decreto-lei, a discuss&atilde;o tomou ares de fla-flu: ou se apoiava a obrigatoriedade do diploma, ou se pregava a desregulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o. <\/p>\n<p>A imin&ecirc;ncia do julgamento do STF parecia recolocar o debate nestes termos mais uma vez, a despeito de seguidas manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de profissionais do campo do jornalismo tentando abrir o debate sobre uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o e mesmo de iniciativas deste porte em outros pa&iacute;ses. A mudan&ccedil;a de rumos na guerra foi iniciada com a cria&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho do Minist&eacute;rio do Trabalho para a rever a regulamenta&ccedil;&atilde;o e demarcada de vez com as declara&ccedil;&otilde;es do ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad, sobre o assunto. O MEC deve criar uma comiss&atilde;o para rever os curr&iacute;culos e a organiza&ccedil;&atilde;o dos cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e o ministro aproveitou para sugerir novos par&acirc;metros para o registro profissional.<\/p>\n<p>A Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) segue defendendo que mesmo uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o tenha como ponto de partida a exig&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o superior espec&iacute;fica. &ldquo;Nossa posi&ccedil;&atilde;o &eacute; refor&ccedil;ar a quest&atilde;o do diploma e incluir a fun&ccedil;&atilde;o de assessoria de imprensa como atividade exclusiva de jornalistas, o que ainda n&atilde;o est&aacute; previsto na regulamenta&ccedil;&atilde;o atual&rdquo;, diz Jos&eacute; Carlos Torves, diretor da federa&ccedil;&atilde;o. A Fenaj tem tratado as discuss&otilde;es dentro do GT do Minist&eacute;rio do Trabalho como uma atualiza&ccedil;&atilde;o das regras institu&iacute;das em 69.<\/p>\n<p><strong>Prote&ccedil;&atilde;o ou liberdade<\/p>\n<p><\/strong>Para a entidade sindical, segue valendo o argumento de que a exig&ecirc;ncia do diploma d&aacute; cobertura aos problemas corporativos da profiss&atilde;o e tamb&eacute;m o interesse social. &ldquo;&Eacute; uma garantia de prote&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o e da qualidade da informa&ccedil;&atilde;o. A forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica d&aacute; conta de um compromisso com a informa&ccedil;&atilde;o de qualidade, que &eacute; o que &eacute; importante para a sociedade&rdquo;, resume Torves.<\/p>\n<p>&ldquo;Penso que a reserva de mercado para formandos em cursos de jornalismo &eacute; indefens&aacute;vel, n&atilde;o s&oacute; por conta da fragilidade dos cursos, mas por afrontar a liberdade de opini&atilde;o &ndash; ponto essencial da nossa Constitui&ccedil;&atilde;o&rdquo;, rebate o soci&oacute;logo e professor da Universidade de S&atilde;o Paulo Ricardo Musse. Ele ainda contesta a id&eacute;ia de que a restri&ccedil;&atilde;o da corpora&ccedil;&atilde;o possa ser &uacute;til &agrave; defesa da profiss&atilde;o. &ldquo;Sou, por princ&iacute;pio contra a ordem corporativa. N&atilde;o se dignifica uma profiss&atilde;o limitando o rol dos poss&iacute;veis jornalistas, mas sim por um exame rigoroso.&rdquo;<\/p>\n<p>A afronta ao direito fundamental da liberdade de express&atilde;o lembrada por Musse faz parte da argumenta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico na a&ccedil;&atilde;o original contra o Decreto 972. Para a Fenaj, entretanto, o que est&aacute; em jogo no STF n&atilde;o &eacute; o m&eacute;rito constitucional da exig&ecirc;ncia do diploma, mas sim se o Decreto-Lei da Junta Militar foi ou n&atilde;o recepcionado pela ordem jur&iacute;dica p&oacute;s-Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. Por esta raz&atilde;o, Torves afirma que a atualiza&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sendo feita pelo GT do minist&eacute;rio vai sanar uma poss&iacute;vel decis&atilde;o desfavor&aacute;vel do Supremo. Seria uma substitui&ccedil;&atilde;o de um mecanismo ultrapassado por uma nova lei.<\/p>\n<p>No entanto, os ministros do STF podem decidir avaliar a constitucionalidade da obrigatoriedade da forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Ou seja, h&aacute; a possibilidade de que o julgamento vire do avesso a pretendida atualiza&ccedil;&atilde;o da Fenaj. <\/p>\n<p><strong>Nenhum diploma<br \/><\/strong><br \/>Como este cen&aacute;rio tem sido evitado mesmo como possibilidade pela principal promotora do debate, as propostas de regulamenta&ccedil;&atilde;o sem a exig&ecirc;ncia do diploma de Bacharel em Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Habilita&ccedil;&atilde;o Jornalismo ganham destaque apenas agora. O jornalista Maur&iacute;cio Tuffani, editor do blog Laudas Cr&iacute;ticas, tem sido dos poucos a esbo&ccedil;ar diretrizes para uma outra regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o de jornalista.<\/p>\n<p>Na sua opini&atilde;o, em primeiro lugar, uma nova regula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode conflitar com o livre acesso ao exerc&iacute;cio do jornalismo, o que contraria a Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos e outros pactos internacionais. &ldquo;&Eacute; importante tamb&eacute;m assegurar que, seja qual for a forma de regulamenta&ccedil;&atilde;o a ser estabelecida, um compromisso formal dos profissionais e tamb&eacute;m das empresas jornal&iacute;sticas com o c&oacute;digo deontol&oacute;gico do jornalismo. Essa &eacute; uma exig&ecirc;ncia n&atilde;o cerceadora do livre acesso&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o de Tuffani &eacute; com a distin&ccedil;&atilde;o entre o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o na atividade de imprensa e as fun&ccedil;&otilde;es hoje tamb&eacute;m ocupadas por jornalistas no mundo corporativo e institucional. Para ele, os registros profissionais poderiam ser diferenciados.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses como a Fran&ccedil;a e Portugal, onde n&atilde;o h&aacute; exig&ecirc;ncia do diploma, considera-se para fins de registro profissional que apenas aqueles que atuam na imprensa, seja em que tipo de m&iacute;dia for, podem ser considerados jornalistas. No estatuto portugu&ecirc;s, h&aacute; ressalvas espec&iacute;ficas para aqueles que exer&ccedil;am atividades de tratamento de informa&ccedil;&atilde;o em publica&ccedil;&otilde;es com intuito &ldquo;predominantemente promocional&rdquo; ou &ldquo;segundo oportunidade comercial ou industrial&rdquo;. O estatuto ainda diz que n&atilde;o poder&atilde;o obter o registro profissional quem exercer &ldquo;fun&ccedil;&otilde;es remuneradas de marketing, rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, assessoria de imprensa e consultoria em comunica&ccedil;&atilde;o ou imagem, bem como de orienta&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de  estrat&eacute;gias comerciais&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>V&aacute;rios diplomas<\/p>\n<p><\/strong>A proposta que parece ganhar mais corpo, entretanto, &eacute; da abertura do exerc&iacute;cio profissional do jornalismo a toda pessoa com diploma de n&iacute;vel superior, independente da carreira escolhida para os estudos. A primeira defesa p&uacute;blica da medida foi feita pelo ministro Fernando Haddad. Segundo ele, seria poss&iacute;vel que o registro profissional fosse concedido a profissionais graduados em qualquer carreira que fizessem um curso de especializa&ccedil;&atilde;o em jornalismo.<\/p>\n<p>Para o professor da USP Ricardo Musse, a exig&ecirc;ncia do n&iacute;vel superior seria &ldquo;satisfat&oacute;ria&rdquo; para atender os requisitos de conhecimento e cr&iacute;tica necess&aacute;rios ao exerc&iacute;cio do jornalismo. Por&eacute;m, o soci&oacute;logo acredita que a entrada na profiss&atilde;o poderia ser mediada por um tipo de &ldquo;exame nacional de admiss&atilde;o &agrave; carreira&rdquo;. &ldquo;Li a sugest&atilde;o do Fernando [Haddad], que como ministro valoriza o sistema de ensino, mas n&atilde;o creio que nesse caso a sele&ccedil;&atilde;o seja rigorosa. Qualquer faculdade de fundo de quintal pode vir a oferecer tais cursos.&rdquo;<\/p>\n<p>J&aacute; o jornalista L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto, editor do Jornal Pessoal, critica duramente a institui&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade do diploma espec&iacute;fico &ldquo;Em nenhum outro pa&iacute;s com imprensa de respeito h&aacute; essa exig&ecirc;ncia&rdquo;, alfineta. Ele cita como exemplo a famosa dupla que desvendou o esc&acirc;ndalo de Watergate: &ldquo;Carl Bernstein era jornalista formado, enquanto Bob Woodward fora tenente da Marinha &ndash; e Woodward se revelaria o mais competente dos dois.&rdquo;<\/p>\n<p>Por&eacute;m, entende que h&aacute; necessidade de pensar como uma outra regulamenta&ccedil;&atilde;o impactaria as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho hoje estabelecidas. &ldquo;Como o jornalismo &eacute;, hoje, uma profiss&atilde;o de n&iacute;vel superior, admito que se exija o diploma, mas qualquer diploma, apenas para prevenir rebaixamento de n&iacute;vel e de sal&aacute;rio&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p><strong>Debate enviesado<\/p>\n<p><\/strong>Os anos de embate entre a posi&ccedil;&atilde;o intransigente da Fenaj em rela&ccedil;&atilde;o ao diploma e o que se conformou como uma defesa da desregulamenta&ccedil;&atilde;o, entretanto, deixam marcas no debate que parece se abrir agora de revis&atilde;o das regras da profiss&atilde;o de jornalista. L&uacute;cio Fl&aacute;vio Pinto enxerga uma briga fratricida entre os jornalistas, com os representantes sindicais acusando quem se op&otilde;e &agrave; obrigatoriedade da forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de &ldquo;fazer o jogo dos patr&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Rafael Fortes, jornalista e doutorando em Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal Fluminense, estes anos de dicotomia enviesaram inclusive o processo institucional em que se d&aacute; o debate atual. &ldquo;A premissa b&aacute;sica &eacute; que a regulamenta&ccedil;&atilde;o tem que ser discutida pelo Congresso. Deixar para o STF decidir &eacute; complicado. Precisa haver uma discuss&atilde;o de verdade&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p>Fortes analisou em um artigo os argumentos mobilizados pelos participantes do debate sobre o diploma. &ldquo;As entidades profissionais defendem apenas o argumento t&eacute;cnico. Por exemplo, o site da Fenaj omitia o primeiro par&aacute;grafo da lei de 1969, onde se lia que os ministros militares s&atilde;o respons&aacute;veis pela regulamenta&ccedil;&atilde;o.&rdquo; Segundo ele, um sintoma de que falta dar uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica &agrave; discuss&atilde;o sobre a profiss&atilde;o de jornalista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julgamento no STF e possibilidades abertas por iniciativa do governo abrem em definitivo debate sobre novas regras e exig\u00eancias para o exerc\u00edcio profissional do jornalismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[765],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21852"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}