{"id":21840,"date":"2008-09-23T15:08:55","date_gmt":"2008-09-23T15:08:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21840"},"modified":"2008-09-23T15:08:55","modified_gmt":"2008-09-23T15:08:55","slug":"o-que-fazer-pelas-radios-comunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21840","title":{"rendered":"O que fazer pelas r\u00e1dios comunit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A pol&iacute;tica, ao contr&aacute;rio do que imaginam os fi&eacute;is jogadores deste jogo, nasceu com o italiano Nicolau Machiavel. Isso tem 500 anos, mas ainda hoje ela &eacute; jogada como estabeleceu o florentino. Quer entender o PT, o DEM, o PSDB, a Igreja Cat&oacute;lica, a grande m&iacute;dia? Leia O pr&iacute;ncipe.<\/p>\n<p>OK, v&atilde;o dizer que S&oacute;crates e, antes, Arjuna, Conf&uacute;cio e Lao Tse, e tamb&eacute;m as tribos do Xingu e os africanos, tratavam disso&#8230; Concordo. Todo mundo tem raz&atilde;o. Mas, para evitar arengas desnecess&aacute;rias, digamos que Machiavel &quot;inventou&quot; um jeito de fazer pol&iacute;tica. Um jeito sangrento e cruel, vendido at&eacute; hoje nas boas casas do ramo sem restri&ccedil;&otilde;es a faixa et&aacute;ria.<\/p>\n<p>Feito este pref&aacute;cio exorcista, vamos aos fatos.<\/p>\n<p>H&aacute; cerca de um m&ecirc;s, o ministro da Justi&ccedil;a, Tarso Genro, recebeu representantes das r&aacute;dios comunit&aacute;rias e anunciou algumas mudan&ccedil;as para o setor. N&atilde;o &eacute; a primeira vez que isto acontece. Talvez n&atilde;o seja o caso, talvez Tarso Genro, que tem um hist&oacute;rico pessoal e pol&iacute;tico exemplar, esteja de fato querendo resolver a situa&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o temos nenhuma prova de que o governo pretenda mudar sua pol&iacute;tica com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias &ndash; porque, senhoras e senhores, s&atilde;o seis anos de enrola&ccedil;&atilde;o. H&aacute; seis anos que este governo tenta engrupir aqueles que fazem r&aacute;dios comunit&aacute;rias no Brasil. Com uma m&atilde;o (pol&iacute;tica) pede calma, fala em parceria, promete mudan&ccedil;as; com a outra (pol&iacute;tica), determina ao Estado que reprima, humilhe, bata, prenda, execre, exclua&#8230;<\/p>\n<p><strong>Burrice como estrat&eacute;gia pol&iacute;tica<\/strong><\/p>\n<p>Diante desta realidade hist&oacute;rica, ao inv&eacute;s de apontar corre&ccedil;&otilde;es aqui e acol&aacute;, cumpre destacar algumas quest&otilde;es maiores para discuss&atilde;o. Nossa miss&atilde;o aqui &eacute; identificar o que pode ser feito pelas r&aacute;dios comunit&aacute;rias em alguns setores. Vamos em frente:<\/p>\n<p>O Executivo. Primeiro, parar com a enrola&ccedil;&atilde;o. Algu&eacute;m do Pal&aacute;cio do Planalto tem que ser honesto com a sociedade e firmar a palavra: &quot;N&oacute;s vamos fazer isso e o prazo &eacute; tal.&quot; Este interlocutor, por motivos &oacute;bvios, n&atilde;o pode vir do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ou da Anatel. Porque submeter os poss&iacute;veis avan&ccedil;os do setor aos interesses do empresariado da comunica&ccedil;&atilde;o, ou aos tecnocratas, aos petistas alpinistas no governo ou enroscados em entidades, os jogadores desse jogo, &eacute; garantir a continuidade da enrola&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Planalto, como &eacute; sabido, ainda n&atilde;o sabe o que &eacute; r&aacute;dio comunit&aacute;ria. &Eacute; uma burrice opcional. Porque a burrice &eacute; interessante para o jogo. Cada vez que pega fogo aqui em baixo (no meio do povo das r&aacute;dios comunit&aacute;rias) o governo monta um Grupo de Trabalho ou escala um interlocutor que se re&uacute;ne com as entidades e pergunta mais uma vez o que fazer. A gente t&aacute; sempre come&ccedil;ando do zero na rela&ccedil;&atilde;o com o governo.<\/p>\n<p>O Executivo poderia fazer muita coisa. Por exemplo, poderia propor ao Congresso Nacional uma lei decente para a Radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. A que est&aacute; valendo hoje, n&ordm; 9.612\/98, foi feita para impedir o funcionamento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. At&eacute; as minhocas l&aacute; de casa sabem disso. O governo j&aacute; podia ter modificado o Decreto 2.615\/98, que regulamenta a lei e &ndash; inconstitucionalmente &ndash; vai al&eacute;m dela. O que mudar na Lei e no Decreto? Se o governo n&atilde;o sabe, paci&ecirc;ncia. &Eacute; tudo &oacute;bvio. &Eacute; s&oacute; abandonar um pouco a pr&aacute;tica da burrice como estrat&eacute;gia pol&iacute;tica e ver o que todos v&ecirc;em.<\/p>\n<p><strong>O crime &eacute; querer se comunicar<\/strong><\/p>\n<p>O Executivo tamb&eacute;m poderia fazer uma Medida Provis&oacute;ria anistiando os milhares de presos pol&iacute;ticos, acusados de fazer comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; na linguagem do Estado, &quot;operar emissora sem autoriza&ccedil;&atilde;o&quot;. Porque at&eacute; as minhocas l&aacute; de casa, volto a cit&aacute;-las, sabem que raramente r&aacute;dio comunit&aacute;ria autorizada &eacute; comunit&aacute;ria. Ter um papel pregado na parede n&atilde;o quer dizer nada. Porque o papel, como j&aacute; foi mostrado em estudo realizado pelo professor Ven&iacute;cio Lima, tem sido dado pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es aos amigos e compadres pol&iacute;ticos ou religiosos.<\/p>\n<p>Outra coisa &eacute; a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). Ela foi entregue a uma pessoa do PSDB (e eu, pensando que o PSDB era oposi&ccedil;&atilde;o!), Ronald Sardenberg. Ele foi ministro da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do honor&aacute;vel presidente FHC (intelectual brilhante, garboso, elegante, inteligente, segundo a m&iacute;dia na &eacute;poca). E que ministro?! Foi ele quem fechou acordo para entregar a Base de Alc&acirc;ntara, no Maranh&atilde;o, para os norte-americanos, que pretendiam fazer por l&aacute; uma base militar. S&oacute; n&atilde;o deu certo porque os movimentos sociais fizeram um barulho arretado e o Congresso Nacional vetou. Mas isso &eacute; outra hist&oacute;ria. Pois bem, essa Anatel, eficiente em fechar r&aacute;dios n&atilde;o autorizadas, nem deveria existir, mas se temos que engolir, pelo menos que se atualize. &Eacute; preciso ensinar aos agentes sobre direitos humanos, por exemplo. O crach&aacute;, acreditam alguns, lhes d&aacute; o direito de humilhar os pobres.<\/p>\n<p>A Pol&iacute;cia Federal tamb&eacute;m precisar aprender muito sobre a quest&atilde;o. Alguns agentes, diga-se a bem da verdade, se sentem constrangidos em fazer esse &quot;trabalhinho&quot; de pegar r&aacute;dio &quot;pirata&quot;; eles sabem que &eacute; uma covardia botar fuzil e metralhadora no peito de pobre de ficha limpa na pol&iacute;cia. Mas boa parcela da PF ainda usa e abusa do poder, humilha e constrange. S&atilde;o os que reproduzem a mentira de que r&aacute;dio pirata derruba avi&atilde;o e tratam os que est&atilde;o na r&aacute;dio n&atilde;o autorizada como se fossem marginais da pior esp&eacute;cie. Na verdade, o grande crime dessa gente &eacute; querer exercer o direito humano de se comunicar.<\/p>\n<p><strong>Um relat&oacute;rio metaf&iacute;sico<\/strong><\/p>\n<p>Ainda com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Anatel, se o governo quer fazer algo pelas r&aacute;dios e acabar com a enrola&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso botar um freio nesta institui&ccedil;&atilde;o transg&ecirc;nica. A ag&ecirc;ncia tem feito de tudo para impedir o funcionamento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias (vide &quot;O fim da Anatel&quot; e &quot;A lei troncha faz dez anos&quot;, aqui no Observat&oacute;rio). Ainda recentemente colocou para consulta p&uacute;blica (n&ordm; 27, com prazo at&eacute; 22\/08) proposta de exclus&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias do dial. Isso mesmo, a Anatel considera que fica melhor para as comunit&aacute;rias operarem abaixo da freq&uuml;&ecirc;ncia de 88 MHz &ndash; isto &eacute;, fora do espectro de radiodifus&atilde;o, que vai de 88 a 108 MHz. <\/p>\n<p>Por que uma proposta como esta, que os tecnocratas da Anatel defendem publicamente (acredite, caro leitor, sem nenhum tra&ccedil;o de vergonha na cara), n&atilde;o &eacute; feita a uma grande rede? Ora, porque nenhuma emissora se submeteria a isso. Claro. Empurraram essa sobre o povo porque ele n&atilde;o tem poder nem capacidade de enfrentamento. Ta&iacute;, se o governo quer fazer alguma coisa, muda essa Anatel, muda a perspectiva da Anatel, muda a pol&iacute;tica da Anatel; n&atilde;o permita que coisas esquisitas e vergonhosas, como esta &quot;consulta&quot;, se tornem p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>O Executivo tamb&eacute;m tem que tomar ju&iacute;zo e aprender o m&iacute;nimo sobre comunica&ccedil;&atilde;o. Diz o professor Luiz Gonzaga Motta: &quot;N&atilde;o h&aacute; poder sem imprensa, nem imprensa sem poder&quot; (Imprensa e Poder, UnB, 2002). Mas isso &eacute; uma parte da li&ccedil;&atilde;o. Ele tamb&eacute;m diz no mesmo texto: &quot;&Eacute; a imprensa que seleciona, tipifica, descontextualiza, estrutura e referencia o real&quot;. Se &eacute; assim, se o monop&oacute;lio da m&iacute;dia constr&oacute;i esse real, o real que lhe interessa, por que n&atilde;o investir nas m&iacute;dias alternativas? <\/p>\n<p>Se o governo quer fazer algo de verdade, aproveite a primeira parte do Relat&oacute;rio do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), conclu&iacute;do em agosto de 2005, e conhe&ccedil;a a realidade da radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria. A segunda parte, onde est&atilde;o as propostas do GTI, jogue no lixo ou mande incinerar &ndash; o que tem l&aacute; &eacute; rid&iacute;culo. Ah, sim, este relat&oacute;rio tem um qu&ecirc; de metaf&iacute;sico &ndash; todo mundo conhece, mas ainda &eacute; tratado como sigiloso.<\/p>\n<p><strong>&quot;Fun&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio &eacute; fazer justi&ccedil;a&quot;<\/strong><\/p>\n<p>O Judici&aacute;rio. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o rachada: uma banda acha que a r&aacute;dio n&atilde;o autorizada n&atilde;o deve ser criminalizada; a outra banda defende que o caso &eacute; de cadeia. Os minist&eacute;rios p&uacute;blicos estaduais est&atilde;o na mesma situa&ccedil;&atilde;o: uma turma para c&aacute;, a outra para l&aacute;.<\/p>\n<p>Muitos ju&iacute;zes decidiram pela insignific&acirc;ncia da atividade e arquivaram processos; eles n&atilde;o ca&iacute;ram no engodo de que r&aacute;dio comunit&aacute;ria derruba avi&atilde;o ou atrapalha os servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a, como soam boatos insistentemente por a&iacute;.<\/p>\n<p>Os legalistas n&atilde;o precisam se irritar. Afinal, &eacute; fato que a legisla&ccedil;&atilde;o tem tido diversas leituras: h&aacute; ju&iacute;zes que consideram crime operar emissora sem autoriza&ccedil;&atilde;o e outros que (com base na Constitui&ccedil;&atilde;o e nos direitos humanos) n&atilde;o v&ecirc;em nada disso. Os dois seguem a lei. Ou algu&eacute;m acredita que algum juiz desobede&ccedil;a a lei? Portanto, &eacute; uma fal&aacute;cia dos agentes da Anatel ou da PF afirmarem que seguem a lei ao fazer a repress&atilde;o. Fosse assim, muitos ju&iacute;zes deveriam estar na cadeia por n&atilde;o reconhecerem como crime a opera&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio comunit&aacute;ria sem autoriza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Na verdade, os atos da Anatel e da Pol&iacute;cia Federal s&atilde;o pol&iacute;ticos. Se a Anatel fosse t&atilde;o ciosa no cumprimento da lei, como diz, deveria fechar as centenas de emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o com outorga vencida. Somente em S&atilde;o Paulo, conforme estudo feito pelo Intervozes, 90% das r&aacute;dios comerciais s&atilde;o piratas. Mas a Anatel n&atilde;o parece interessada nesta ilegalidade. Ilegalidade de rico &eacute; diferente, meu caro leitor.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que o Judici&aacute;rio, e em especial o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, est&aacute; sendo experimentado nessa quest&atilde;o. Se a lei &eacute; contra o povo, o Judici&aacute;rio deve seguir a lei? O Minist&eacute;rio P&uacute;blico deve obedecer ao Estado mesmo quando seus agentes repressores s&atilde;o acionados para servir aos interesses de uma minoria? O juiz federal Paulo Fernando Silveira, de Uberaba, Minas Gerais, tem uma posi&ccedil;&atilde;o bem clara: &quot;A fun&ccedil;&atilde;o do Judici&aacute;rio n&atilde;o &eacute; seguir a lei, mas fazer justi&ccedil;a.&quot;<\/p>\n<p><strong>Menos gan&acirc;ncia e manipula&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Se queremos um novo pa&iacute;s, temos que repensar a Justi&ccedil;a. Seguindo por este caminho, fica a pergunta: &eacute; justo que a comunidade tenha um ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o? &Eacute; justo que o povo seja exclu&iacute;do de um espa&ccedil;o (eletromagn&eacute;tico) que lhe pertence? &Eacute; justo que homens e mulheres, trabalhadores ou aposentados, sejam presos e algemados como criminosos por quererem se comunicar? &Eacute; justo que o Estado fa&ccedil;a uma leitura da lei reproduzindo uma opress&atilde;o de cinco s&eacute;culos sobre esse povo?<\/p>\n<p>As igrejas. Elas precisam ser mais crist&atilde;s. Isto &eacute;, reduzir a gula, a usura, a gan&acirc;ncia, que as levam a acumular bens, em especial emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o. Diz uma entidade da Igreja cat&oacute;lica, a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Cat&oacute;lica das R&aacute;dios Comunit&aacute;rias, Ancarc, que possui mais de 200 r&aacute;dios comunit&aacute;rias autorizadas. A Ancarc est&aacute; associada &agrave; CNBB. Isso mesmo, faz parte da tal linha &quot;progressista&quot; da Igreja cat&oacute;lica. N&atilde;o me espanta. A gan&acirc;ncia demon&iacute;aca pelo poder levou a Igreja a montar um dos maiores latif&uacute;ndios da comunica&ccedil;&atilde;o do Brasil. Os n&uacute;meros s&atilde;o dif&iacute;ceis de obter porque a propriedade &eacute; camuflada junto ao Executivo.<\/p>\n<p>Cat&oacute;licos e evang&eacute;licos disputam a posse sobre o que &eacute; do povo. Quem tem mais poder pol&iacute;tico leva mais vantagem. A Igreja Cat&oacute;lica ganha, por enquanto: ela possui emissoras comerciais, educativas e at&eacute; &quot;comunit&aacute;rias&quot;. Talvez por circular com desenvoltura em v&aacute;rias ideologias &ndash; &eacute; esquerda ou direita, conforme a conveni&ecirc;ncia &ndash; sempre est&aacute; no poder e sempre usa este poder em seu benef&iacute;cio. Ah, em nome de Deus, claro. Machiavel escreveu O pr&iacute;ncipe com base nas pr&aacute;ticas da Igreja cat&oacute;lica da &eacute;poca, sua luta pelo poder &ndash; que, como se percebe, continua at&eacute; hoje. A gan&acirc;ncia de poder da Igreja cat&oacute;lica &eacute; tamanha que &ndash; n&atilde;o bastassem as in&uacute;meras TVs e r&aacute;dios que possui &ndash; ainda ocupa as manh&atilde;s de domingo da TV Brasil para transmitir a &quot;santa&quot; missa.<\/p>\n<p>Se as igrejas querem de fato democratizar as comunica&ccedil;&otilde;es, o m&iacute;nimo a fazer &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria e crist&atilde;: devolver as r&aacute;dios comunit&aacute;rias ao leg&iacute;timo dono, o povo. Padres e bispos, cardeais e papas, escutem meu serm&atilde;o do planalto central: sejam menos gananciosos, n&atilde;o manipulem o povo, entreguem o poder ao povo.<\/p>\n<p><strong>Um novo modelo de comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Jornalistas e radialistas. Os colegas poderiam estudar mais o assunto. Quando se fala em r&aacute;dios comunit&aacute;rias, eles reproduzem o pensamento &uacute;nico dos patr&otilde;es e associam a pr&aacute;tica ao crime. N&atilde;o se d&atilde;o ao trabalho de investigar como a r&aacute;dio funciona, questionar as autoridades, avaliar a repress&atilde;o, procurar entender a conjuntura. Regra geral, as mat&eacute;rias nos jornais, r&aacute;dios ou TVs, no Norte ou Sul do pa&iacute;s, dizem a mesma coisa: relatam o fechamento da r&aacute;dio, citam a legisla&ccedil;&atilde;o, reproduzem a fala da autoridade repressora. O rep&oacute;rter n&atilde;o se d&aacute; ao trabalho de pensar. Talvez porque saiba que este &eacute; o tipo de mat&eacute;ria que agrada ao chefe. E feita desse jeito: tendenciosa, ouvindo apenas uma fonte, sem questionamentos. Na verdade, ele faz textos de propaganda.<\/p>\n<p>O que os jornalistas podem fazer? Apenas isso: buscar a verdade. Se fizer, isso o mundo j&aacute; melhora muito.<\/p>\n<p>As entidades. Por uma s&eacute;rie de motivos, v&aacute;rias entidades da sociedade civil se aproximaram das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Elas perceberam que a democracia na comunica&ccedil;&atilde;o tem nas r&aacute;dios comunit&aacute;rias um dos instrumentos-chaves. Nem todas essas entidades atuam diretamente com comunica&ccedil;&atilde;o. Mas est&atilde;o juntas no processo de transforma&ccedil;&atilde;o; acreditam na comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para justificar sua enrola&ccedil;&atilde;o, alguns do governo (praticantes do sindicalismo medieval) afirmam que o movimento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias &eacute; confuso e n&atilde;o mobiliza. E cobram carro de som em frente ao Planalto. Como se r&aacute;dio comunit&aacute;ria fosse movimento de massa. Infelizmente alguns dirigentes do movimento das r&aacute;dios comunit&aacute;rias ainda n&atilde;o aprenderam que r&aacute;dio comunit&aacute;ria &eacute; m&iacute;dia, e uma m&iacute;dia diferente, que n&atilde;o tem dono, e que ela n&atilde;o &eacute; uma &quot;base&quot;, como existe nas categorias profissionais; e assim, mergulhados nesse equ&iacute;voco, baixam a cabe&ccedil;a e ficam frustrados porque n&atilde;o conseguem juntar povo na Pra&ccedil;a dos Tr&ecirc;s Poderes.<\/p>\n<p>N&atilde;o percebem que o governo erra ao cobrar isso. Como se para ter reconhecido o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o (ou a respirar, ou &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o), o povo precisasse se organizar, fazer passeata, berrar em frente ao Planalto e levar bordoada da pol&iacute;cia. &Eacute; claro que na cabe&ccedil;a dos sindicalistas jur&aacute;ssicos instalados no poder (qualquer poder) essa &eacute; a regra. Talvez pensando em manipular depois&#8230; Para eles, s&oacute; se reconhece direito humano se tiver organiza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o. Em tempo: Marx, t&atilde;o citado, n&atilde;o tem a nada a ver com isso. Em resumo, para estes dinossauros, um homem passando fome na rua n&atilde;o existe, ele n&atilde;o vai conseguir comida. Ele s&oacute; existe quando fundar uma associa&ccedil;&atilde;o dos famintos na rua.<\/p>\n<p>Em resumo, t&aacute; sobrando pol&iacute;tica e faltando cultura no governo. Deveria jogar menos o jogo da pol&iacute;tica (parar de olhar para as r&aacute;dios comunit&aacute;rias e para os que a fazem como pe&ccedil;as do tabuleiro e, portanto, manipul&aacute;veis ou n&atilde;o) e pensar mais em como mudar a situa&ccedil;&atilde;o. Mais cultura significa aprender. Aprender com as r&aacute;dios. Porque temos grandes e boas experi&ecirc;ncias em atividade. No sert&atilde;o da Bahia &ndash; em Santa Luz ou Valente, Len&ccedil;&oacute;is ou Itaberaba &ndash;, no interior do Goi&aacute;s, nos pampas ga&uacute;chos (Pelotas, Santa Cruz, Alvorada), na baixada fluminense, em S&atilde;o Gon&ccedil;alo ou Niter&oacute;i ou Guapimirim (Rio de Janeiro), no Alto Jos&eacute; do Pinho (Recife) ou na aldeia dos &iacute;ndios Xucuru (Pesqueira), em Manaus, em Planaltina (DF)&#8230; S&atilde;o r&aacute;dios de qualidade, r&aacute;dios decentes, r&aacute;dios feitas pelo povo. <\/p>\n<p>Aten&ccedil;&atilde;o, colegas jornalistas: elas est&atilde;o construindo um novo modelo de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; radiojornalismo, locu&ccedil;&atilde;o, participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, est&eacute;tica. Se o governo acordar para isso, o mundo pode mudar. Para melhor.<\/p>\n<p><em>* Diocl&eacute;cio Luz &eacute; jornalista, escritor, pesquisador, autor do livro A arte de pensar e fazer r&aacute;dios comunit&aacute;rias<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol&iacute;tica, ao contr&aacute;rio do que imaginam os fi&eacute;is jogadores deste jogo, nasceu com o italiano Nicolau Machiavel. Isso tem 500 anos, mas ainda hoje ela &eacute; jogada como estabeleceu o florentino. Quer entender o PT, o DEM, o PSDB, a Igreja Cat&oacute;lica, a grande m&iacute;dia? Leia O pr&iacute;ncipe. OK, v&atilde;o dizer que S&oacute;crates e, &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21840\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O que fazer pelas r\u00e1dios comunit\u00e1rias<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21840"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}