{"id":21818,"date":"2008-09-17T17:59:11","date_gmt":"2008-09-17T17:59:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21818"},"modified":"2014-09-07T02:56:34","modified_gmt":"2014-09-07T02:56:34","slug":"grampo-dantas-abin-tragicomedia-no-teatro-da-republica-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21818","title":{"rendered":"Grampo, Dantas, Abin: Tragicom\u00e9dia no teatro da Rep\u00fablica II"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western padrao\" align=\"left\">(&#8230;)<\/p>\n<p class=\"western padrao\">No papel de Ministro da Defesa, o que esse personagem defende s&oacute; podemos especular. O que seria impr&oacute;prio. Mas em pap&eacute;is anteriores, encarnados pelo mesmo personagem podemos averiguar. O que &eacute; assombroso. Quando parlamentar constituinte, ainda um quase desconhecido, ao meter a m&atilde;o do gato no fechamento da Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/%7Epedro\/trabs\/fraudeac_files\/anexos.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">no mesmo s&aacute;bado das suas primeiras p&aacute;ginas amarelas<\/a> na <em>Veja<\/em>, em 27 de agosto de 1988 &ndash; o interesse mais premiado na manobra, <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/%7Epedro\/trabs\/fraudeac.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">desvelada 18 anos depois<\/a>, foi o da agiotagem internacional, que na &eacute;poca asfixiava nossa economia. Ainda n&atilde;o havia o pr&eacute;-sal, nem a crise global de alimentos e outros recursos, mas j&aacute; atuava, como desde sempre, a gan&acirc;ncia dos rica&ccedil;os, em seguidas crises financeiras pelas veias abertas da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>Em pap&eacute;is encenados sob negra toga, sua marca n&atilde;o foi menor. Talvez at&eacute; mais sinistra. Quando a viola&ccedil;&atilde;o do painel de vota&ccedil;&atilde;o do Senado revelou, em 2001, um caso exemplar de virtualidade deleuziana, produzindo no refluxo uma lei que exigia o registro material do voto para possibilitar recontagens manuais, por eleitores fiscais quando necess&aacute;rio em elei&ccedil;&otilde;es gerais (Lei n&ordm; 10.408\/02), ele <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u41712.shtml\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">urdiu a derrubada da lei<\/a>, enquanto presidia o TSE e depois o STF. Algo que levou dois anos, ritos e exorcismos para a p&iacute;lula azul apagar o painel da mem&oacute;ria, canalizados numa nova lei (Lei n&ordm; 10.740\/03), aprovada sem nenhum debate t&eacute;cnico, por acordo entre os poderes, com irregularidades na tramita&ccedil;&atilde;o, batizada pelo senador que nos legou o Valerioduto e sacramentada pela <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/%7Epedro\/trabs\/urnas_pt.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">seita do santo byte<\/a>. <\/p>\n<p>Esta seita tem entre seus relic&aacute;rios a urna eletr&ocirc;nica inaudit&aacute;vel, entre seu alto clero autoridades republicanas, e por h&oacute;stia a p&iacute;lula azul de <em>Matrix<\/em>, ingerida pelos olhos e ouvidos no altar das audi&ecirc;ncias e tiragens. Ela sustenta o <em>status quo<\/em>, alimentando a f&eacute; que demoniza a maleta da Abin mas confia cegamente na urna de Jobim. Um resultado &eacute; palp&aacute;vel: na &uacute;nica democracia ocidental que atualmente virtualiza a contagem e impede totalmente a recontagem manual de votos, h&aacute; pol&iacute;ticos e parapol&iacute;ticos cada vez mais descarados e atrevidos no que tange &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, operada por cons&oacute;rcios cada vez mais poderosos de mil&iacute;cias engravatadas (as de rica&ccedil;os). Para se imaginar onde isso vai dar, quando o tr&acirc;nsito ferrado ao TSE chegar, seguimo-lo enquanto passa pelo Conselho Nacional de Justi&ccedil;a (CNJ), para conhecer seus frutos.<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) De Sanctis [<em>o juiz que autorizou a opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha<\/em>] sofreu investidas de [<em>Gilmar<\/em>] Mendes j&aacute; no julgamento dos dois habeas corpus, que libertaram Dantas. Al&eacute;m de considerar o fato de De Sanctis ter considerado a pris&atilde;o com base no risco de que o investigado pudesse alterar provas contra si um &quot;rematado absurdo&quot; &ndash; sabe-se l&aacute; por que &eacute; t&atilde;o absurdo isso &ndash;, Mendes mandou o segundo pedido de pris&atilde;o para o CNJ e para a Corregedoria da Justi&ccedil;a Federal &ndash; e s&oacute; n&atilde;o fez uma representa&ccedil;&atilde;o formal contra o juiz porque houve uma revolta dos magistrados. Mas, de qualquer forma, na m&iacute;dia, De Sanctis foi para o banco dos r&eacute;us. <\/p>\n<p>Na sexta-feira passada (5\/9\/2008), em conversas com integrantes da CPI dos Grampos, Mendes apontou o dedo acusador para todas as varas de Justi&ccedil;a especializadas em crimes financeiros. As varas foram criadas em 2003 a partir da constata&ccedil;&atilde;o de que os ju&iacute;zes das varas comuns n&atilde;o tinham conhecimento especializado para investigar esses crimes. Disse Mendes aos parlamentares que os ju&iacute;zes que atuam nessas varas especializadas, junto com delegados e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico tamb&eacute;m especializados, formam uma esp&eacute;cie de &quot;cons&oacute;rcio&quot; que pode agir como &quot;mil&iacute;cia&quot;. As varas de Justi&ccedil;a, os policiais e os promotores especializados foram, todos, de uma bandejada, para a cadeira de r&eacute;us.<\/p>\n<p>Uma den&uacute;ncia de que, ap&oacute;s o segundo habeas corpus, o ministro teria sido grampeado, fez com que posicionasse suas baterias contra a Abin &ndash; suposta autora do grampo de uma conversa telef&ocirc;nica entre Mendes e o senador Dem&oacute;stenes Torres, em parceria com a PF. A &uacute;ltima semana foi perdida numa discuss&atilde;o intermin&aacute;vel sobre se os equipamentos da Abin s&atilde;o apropriados para fazer grampos ou apenas fazem varreduras de escutas. Na d&uacute;vida, e antes da comprova&ccedil;&atilde;o da den&uacute;ncia, a Abin foi para o banco dos r&eacute;us. (&#8230;).<\/p>\n<p>Passados dois meses da pris&atilde;o de Dantas, todas as institui&ccedil;&otilde;es que trabalharam no seu inqu&eacute;rito foram julgadas por Mendes &ndash; e os ju&iacute;zos de valor feitos pelo presidente do STF de cada uma delas, generosamente estampados pelos jornais. N&atilde;o fossem as elei&ccedil;&otilde;es, o presidente do Supremo teria sido o pautador hegem&ocirc;nico da m&iacute;dia nesse per&iacute;odo, sem que fossem necess&aacute;rias informa&ccedil;&otilde;es mais consistentes do que acusa&ccedil;&otilde;es entre aspas do presidente da mais alta Corte para condenar institui&ccedil;&otilde;es que exercem o seu papel na democracia brasileira, tal qual o STF. (Maria In&ecirc;s Nassif, &quot;<a href=\"http:\/\/www.google.com\/notebook\/public\/03904464067865211657\/BDR12SgoQpu-0h8Uj\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">As institui&ccedil;&otilde;es e as brigas de botequim<\/a>&quot;, 11\/09\/08) <\/p><\/blockquote>\n<p class=\"western padrao\"><strong>Pela &aacute;rvore, os frutos<\/p>\n<p><\/strong>Pela &aacute;rvore dos fatos e vers&otilde;es, conheceremos seus frutos. Come&ccedil;ando pela supracitada <a href=\"http:\/\/www.google.com\/notebook\/public\/03904464067865211657\/BDR12SgoQpu-0h8Uj\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">mat&eacute;ria publicada<\/a> no jornal <em>Valor Econ&ocirc;mico<\/em>, onde a jornalista conclui:<\/p>\n<blockquote>\n<div align=\"left\"><span class=\"padrao\">(&#8230;) O sistema judicial tem problemas estruturais que devem ser debatidos seriamente. &Eacute; imposs&iacute;vel, todavia, que todo o sistema seja ineficiente ou corrompido. Os casos de desvios criminosos devem ser investigados pela pol&iacute;cia e julgados pela Justi&ccedil;a. &Eacute; imposs&iacute;vel tamb&eacute;m que, em toda a cadeia que forma o sistema policial e judicial, apenas Mendes e Dantas sejam inocentes. O discurso politicamente correto de zelar para que o pa&iacute;s n&atilde;o se torne um Estado policial &eacute; um instrumento para mobilizar todo o sistema pelo conflito e, por meio dele, obter hegemonia incondicional. (Maria In&ecirc;s Nassif, 11\/09\/08) <\/span><\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"western padrao\">Tal hegemonia incondicional, que alguns buscam, &eacute; o que aqui chamamos de estado judicialesco. A express&atilde;o foi cunhada por um dos esteios de lucidez neste drama, juiz aposentado e especialista em combate ao crime organizado, <a href=\"http:\/\/www.ibgf.org.br\/index.php?data%5Bid_secao%5D=2&amp;data%5Bid_materia%5D=1767\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">W&aacute;lter Maierovitch<\/a>, em artigo publicado por uma revista que n&atilde;o se vendeu a vesgos vestais do Estado de Direito, aos que agora s&oacute; enxergam riscos &agrave; ordem e abusos de poder no pr&oacute;prio Estado, e s&oacute; no seu poder executivo ou inst&acirc;ncias subalternas. Com o intuito de seguir conhecendo os frutos da &aacute;rvore judicialista citamos mais dois depoimentos, agora de &quot;milicianos&quot; (dos n&atilde;o-rica&ccedil;os), come&ccedil;ando pelo <a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8928\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">juiz federal da vara especializada em crimes de lavagem de dinheiro<\/a> de Curitiba.<\/p>\n<p>(&#8230;)&quot;At&eacute; ontem, as capas das revistas diziam que o Brasil era o pa&iacute;s da impunidade. Agora, falam que o Brasil &eacute; um Estado policial. Tenho a sensa&ccedil;&atilde;o de que perdi alguma coisa, de que dormi cinco anos e n&atilde;o vi essa transforma&ccedil;&atilde;o t&atilde;o r&aacute;pida de um estado para o outro&quot;. (S&eacute;rgio Fernando Moro, 12\/09\/2008) <\/p>\n<p>Moro tamb&eacute;m v&ecirc; retrocesso na tentativa de limitar os m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o. Considera preocupante isso ocorrer dentro do atual &quot;cen&aacute;rio de intimida&ccedil;&atilde;o dos magistrados&quot;. Defende, junto com sua <a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/static\/text\/69587,1\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">associa&ccedil;&atilde;o de classe<\/a>, o uso de m&eacute;todos especiais para o combate ao crime organizado, como as escutas telef&ocirc;nicas legais, para desmontar estruturas criminosas cada vez mais sofisticadas. Estruturas que, na g&iacute;ria do tr&acirc;nsito ferrado, seriam cons&oacute;rcios de mil&iacute;cias de rica&ccedil;os e potentes, &agrave; margem virtual da Lei. O CNJ, tamb&eacute;m presidido por Mendes, havia aprovado a centraliza&ccedil;&atilde;o pelo &oacute;rg&atilde;o dos pedidos de escutas telef&ocirc;nicas em todo o pa&iacute;s. &quot;A d&uacute;vida que existe, dentro desse cen&aacute;rio de intimida&ccedil;&atilde;o, &eacute; o que ser&aacute; feito no futuro com as informa&ccedil;&otilde;es sobre o n&uacute;mero [pedidos] de escutas de cada magistrado&quot;, completa Moro. <\/p>\n<p>O juiz <a href=\"http:\/\/acertodecontas.blog.br\/clipagem\/de-sanctis-ve-exagero-no-debate-sobre-grampo\/\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">De Sanctis acrescenta<\/a>: <\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) &quot;&Eacute; muita ingenuidade achar que o inqu&eacute;rito policial tradicional v&aacute; combater o crime organizado. &Eacute; preciso surpreender a criminalidade. O Brasil &eacute; o segundo pa&iacute;s mais violento do mundo. N&oacute;s vivemos sob terrorismo. Presidi&aacute;rios usam t&eacute;cnicas de terrorismo. Nossa criminalidade usa t&eacute;cnicas de terrorismo. Ou a gente p&otilde;e o dedo na ferida e enfrenta isso com base nas leis ou vamos fingir que a coisa n&atilde;o acontece. Mas n&atilde;o sei fingir. N&atilde;o sou ator. N&atilde;o faz sentido a id&eacute;ia de que falta respaldo legal &agrave;s &quot;t&eacute;cnicas especiais de investiga&ccedil;&atilde;o&quot;, entre as quais inclui-se a intercepta&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica. Al&eacute;m da lei da intercepta&ccedil;&atilde;o, o Brasil &eacute; signat&aacute;rio de pelo menos quatro conven&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que tratam dessas quest&otilde;es: as conven&ccedil;&otilde;es de Viena, de Palermo, de M&eacute;rida e de Vars&oacute;via. Mas todo mundo come&ccedil;a a questionar a t&eacute;cnica de investiga&ccedil;&atilde;o e esquece o crime&quot;. (Fausto de Sanctis, juiz federal que autorizou a opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha, 12\/08\/08)<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"western padrao\"><strong>Doutrina do choque<\/p>\n<p><\/strong>A ingenuidade pode ser s&oacute; virtual. Cabe analisar como esse tipo de hegemonia incondicional se instala, e como &eacute; poss&iacute;vel sinergizar esse tipo de estranhamento, expresso por ju&iacute;zes cuja retid&atilde;o de car&aacute;ter os leva &agrave; leg&iacute;tima milit&acirc;ncia de cumprir o dever. Recorremos a uma estudiosa do assunto, a jornalista Naomi Klein, que num livro descreve a estrat&eacute;gia pol&iacute;tica do processo, em termos do que ela chama de <a href=\"http:\/\/www.naomiklein.org\/shock-doctrine\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">doutrina do choque<\/a>. Essa estrat&eacute;gia explora momentos em que as pessoas se desesperam na busca de solu&ccedil;&otilde;es para crises, quando se inclinam a acreditar em curas m&aacute;gicas. A estrat&eacute;gia se vale desses momentos dram&aacute;ticos, ou os insufla, para esparramar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas impopulares que, no lugar de resolver o problema, antes o camufla com difusa inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, mas que s&atilde;o muito lucrativas para corpora&ccedil;&otilde;es ou cart&eacute;is monopolistas. Quais?<\/p>\n<p>A pergunta nos leva de volta ao drama, ou melhor, &agrave;s atividades do personagem no epicentro do enredo. Quais s&atilde;o suas atividades, ou suas &quot;ex-&quot;? As duas j&aacute; citadas bastam, para tecermos um fio de Ariadne neste caso. Tal fio &eacute; necess&aacute;rio para navegarmos no labirinto desse choque. Nessa transforma&ccedil;&atilde;o t&atilde;o r&aacute;pida, de pa&iacute;s da impunidade para &quot;Estado policial&quot;, provocada pelo pavio Satiagraha. Aceso pela imagem algemada de um banqueiro fals&aacute;rio e corruptor, disso condenado alhures em &uacute;ltima inst&acirc;ncia e aqui tratado como intoc&aacute;vel, por fariseus nos quatro poderes (talvez clientes ou ref&eacute;ns). Fio necess&aacute;rio pois, no labirinto desse choque, &eacute; muito f&aacute;cil se perder. Por exemplo, ao ler mat&eacute;rias incessantes sobre <a href=\"http:\/\/clipping.planejamento.gov.br\/Noticias.asp?NOTCod=456510\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">grampeagem descontrolada<\/a>, como a da <em>Folha de S.Paulo<\/em> intitulada &quot;&Oacute;rg&atilde;os do governo ter&atilde;o que entregar maletas de grampo&quot;.<\/p>\n<p>Para quem prefere a outra cor da p&iacute;lula, essa mat&eacute;ria &eacute; um bom exemplo de como as do seu cond&atilde;o informam: onde distorcem e escondem. O t&iacute;tulo sugere que &oacute;rg&atilde;os do governo n&atilde;o mais poder&atilde;o usar as tais maletas. Seria ilegal a esses &oacute;rg&atilde;os possu&iacute;rem-nas? Por&eacute;m, o corpo da mat&eacute;ria dir&aacute; que a entrega &eacute; para cumprir intima&ccedil;&atilde;o judicial, expedida pela primeira vara da Justi&ccedil;a Federal do DF, para submet&ecirc;-las a per&iacute;cia da Anatel, a pedido do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, acionado por agentes da m&iacute;dia, que identificaram e informaram quais &oacute;rg&atilde;os as possuem, para investigar se o uso das mesmas tem sido ilegal. Em seguida, o subt&iacute;tulo informa: <\/p>\n<blockquote><p>&quot;Equipamento &eacute; capaz de fazer escutas em celulares sem depender de operadoras e, por isso, sem necessidade de uma autoriza&ccedil;&atilde;o judicial&quot;.<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"western padrao\">O contexto da mat&eacute;ria passa ent&atilde;o a conotar o seguinte: entre &oacute;rg&atilde;os do governo, a Abin; entre pr&eacute;vias acusa&ccedil;&otilde;es contra a mesma, uma reiterada mas vazia suspei&ccedil;&atilde;o; e entre os silogismos de suas manchetes, uma impl&iacute;cita, absoluta, repentina e inexplicada idoneidade. <\/p>\n<p>Quem s&oacute; l&ecirc; as manchetes, engole a p&iacute;lula azul. No corpo da mat&eacute;ria, a Abin n&atilde;o aparece. Nem sua maleta afamada, uma OSCOR 5000. Dez vezes mais barata que as ali citadas (Rohde &amp; Schwarz), capaz de fazer s&oacute; varreduras, e n&atilde;o escutas telef&ocirc;nicas, <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=17946\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">segundo o fabricante<\/a>. Mas se for capaz, poderia faz&ecirc;-las legalmente, tanto quanto as ali citadas. E h&aacute; casos, como lembra o general F&eacute;lix, que doutra forma n&atilde;o faria sentido fazer escuta. Quando se investiga, por exemplo, uma operadora. Mas para simplificar, em manchetes: &quot;&oacute;rg&atilde;os de governo&quot; e &quot;ilegal&quot;, ser&aacute; que cola? Por fim a pedra de toque, por onde aponta o fio de Ariadne: por acaso as operadoras, das quais dependem os sem-maleta para escutas autorizadas, tamb&eacute;m n&atilde;o teriam aparelhos que podem ser &quot;usados efetivamente para intercepta&ccedil;&otilde;es&quot;? Simplicando: s&oacute;.<\/p>\n<p><strong>A quest&atilde;o de fundo<\/p>\n<p><\/strong>Ent&atilde;o a quest&atilde;o de fundo passa a ser: por que essas investiga&ccedil;&otilde;es s&oacute; v&atilde;o checar maletas? Por que n&atilde;o v&atilde;o checar se as escutas feitas pelas operadoras foram autorizadas? Seria porque as operadoras, (ex-?)vil&atilde;s no Procon, acabam de adquirir a auto-idoneidade, dos vesgos vestais? Seria porque elas n&atilde;o s&atilde;o &oacute;rg&atilde;os de(sse) governo? Ou porque s&atilde;o autoridades judiciais? Ou auto-judicantes? Seriam elas ap&ecirc;ndices, ou &oacute;rg&atilde;os do <em>sottogoverno<\/em>? Se a pedra de toque n&atilde;o encaixa, se a narrativa ficou confusa, basta trocar &quot;operadoras&quot; por &quot;maletas&quot; na manchete da <em>Folha<\/em>. Manobra que seria, por sinal, um ato de justi&ccedil;a po&eacute;tica se desprezarmos o diminutivo. Ou ler <em>1984<\/em>, de George Orwell. Aos que ainda n&atilde;o entenderem, talvez seja &uacute;til antes vomitar a p&iacute;lula azul, fixar por um tempo a vista nas imagens correspondentes (centrais de comuta&ccedil;&atilde;o) e ler:<\/p>\n<p>&quot;Equipamento (das operadoras) &eacute; capaz de fazer escutas em celulares sem depender de <strike>operadoras<\/strike> maletas, (extens&otilde;es de maletas, ju&iacute;zes, leis, etc.) e, por isso, sem necessidade de uma autoriza&ccedil;&atilde;o judicial&quot;.<\/p>\n<p>O pr&oacute;prio personagem epic&ecirc;ntrico nos lembra, do palco da CPI dos grampos, numa cena sobre a opera&ccedil;&atilde;o Chacal: a operadora da telefonia fixa de Bras&iacute;lia sob seu controle contratou a Kroll para investigar. O que, exatamente, a opera&ccedil;&atilde;o Chacal fala nos autos. Com mais discernimento e eloq&uuml;&ecirc;ncia do que fora deles falam os nobres e os supremos iracundos vestais. A grampeagem ilegal de operadoras, obtidas com simples comandos de teclado em suas centrais computadorizadas, precisa ser complementada com arapongagem de campo, para suprir competitivamente a ind&uacute;stria do suborno e da corrup&ccedil;&atilde;o, e a montagem de cons&oacute;rcios e mil&iacute;cias engravatadas no <em>sottogoverno<\/em>. De fato, a trajet&oacute;ria p&uacute;blica desse personagem come&ccedil;ou j&aacute; &agrave; sombra de um dos <a href=\"http:\/\/www2.correioweb.com.br\/cw\/EDICAO_20030219\/pri_tmd_190203.htm\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">peso-pesados nacionais<\/a> desta subdoutrina do choque. <\/p>\n<p>Se nas opera&ccedil;&otilde;es Chacal e Satiagraha isto s&oacute; <a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8890\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">aparece virtualmente<\/a> nos autos, esvaziados de efic&aacute;cia probante por manipula&ccedil;&otilde;es casu&iacute;sticas do princ&iacute;pio jur&iacute;dico da <em>reformacio in melius<\/em>, manobras que a pot&ecirc;ncia explosiva das opera&ccedil;&otilde;es <a href=\"http:\/\/noticias.pgr.mpf.gov.br\/noticias-do-site\/geral\/reforma-do-codigo-de-processo-penal-pode-piora-lo\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">inflaciona<\/a>, <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u423581.shtml\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">exorbita<\/a> e esparrama, por outro lado isto est&aacute; evidente noutros palcos da pol&iacute;tica global que o drama ecoa. Dentre as crises que revelam esta subdoutrina, a mais espetacular j&aacute; vista guarda semelhan&ccedil;as com a primeira. Ambas alvejaram um governo popular, com a f&uacute;ria fan&aacute;tica do paganismo neoliberal. Ambos espionados atrav&eacute;s de seus servi&ccedil;os telef&ocirc;nicos. Ambas arapongagens armadas com empresas terceirizadas. Ambas abafadas conforme a cartilha da doutrina do choque. Diferindo, em ess&ecirc;ncia, s&oacute; no papel de quem controla a operadora envolvida.<\/p>\n<p>No caso da espionagem que penetrou a Casa Branca e o Departamento de Estado dos EUA entre 1997 a 2000, as centrais de telefonia locais (PABX) atacadas eram as mais protegidas do planeta, mas a empresa terceirizada pela operadora para fazer e manter o software de bilhetagem (Amdocs), o programa que emite as cobran&ccedil;as, teria programado a central de comuta&ccedil;&atilde;o da Bell Atlantic para <a href=\"http:\/\/www.wrmea.com\/backissues\/062000\/0006006.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">grampear e desovar escutas<\/a>, que iam parar no Mossad, servi&ccedil;o secreto de um governo &quot;aliado&quot;. No caso Kroll, investigada pela opera&ccedil;&atilde;o Chacal, a miss&atilde;o da empresa terceirizada pela BrT era a de validar, complementar ou estender as informa&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas obtidas, provavelmente, com grampos e desovas da pr&oacute;pria BrT. L&aacute;, eclodiu um esc&acirc;ndalo sexual com uma estagi&aacute;ria. Aqui, cogita-se uma luva de R$ 1bi para uma fus&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>A m&atilde;e das ciberbatalhas<\/p>\n<p><\/strong>Dada essas diferen&ccedil;as, resta indagar a quais interesses pode servir, no nosso drama, seu epic&ecirc;ntrico personagem. Neste ponto n&atilde;o conv&eacute;m especular a quais serve, pois as mais prov&aacute;veis respostas n&atilde;o evitariam conota&ccedil;&otilde;es que poderiam levantar infundada suspeita de poss&iacute;vel inten&ccedil;&atilde;o difamat&oacute;ria. Como a inten&ccedil;&atilde;o aqui n&atilde;o &eacute; esta, resta analisar, em tese, o papel que o controle das empresas de telecom representa para o exerc&iacute;cio do poder e da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nas sociedades contempor&acirc;neas. Como sugerido na introdu&ccedil;&atilde;o. Recorremos ent&atilde;o a uma autoridade no assunto, Paul Ohm, professor de Direito da Universidade do Colorado e ex-procurador federal nos EUA. Em artigo acad&ecirc;mico ele explica que, com a internet, as operadoras ganharam <a href=\"http:\/\/blog.wired.com\/27bstroke6\/2008\/09\/isps-will-all-s.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">meios, motivos e oportunidade<\/a> para virtualmente acabar com a privacidade.<\/p>\n<p>Mas a batalha da privacidade &eacute; s&oacute; o come&ccedil;o, para reconhecimento do terreno. Estat&iacute;sticas do Procom, investidas do <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=500IPB006\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">sottogoverno na esfera normativa<\/a>, e agora os atos deste drama, j&aacute; nos mostram como nela a democracia e os cidad&atilde;os se tornaram mero joguete e massa de manobra, e portanto, como esta batalha j&aacute; est&aacute; decidida. A batalha seguinte &eacute; pelo controle da infra-estrutura semiol&oacute;gica em que consiste a Internet. O cons&oacute;rcio que dela se apoderar ter&aacute; em m&atilde;os um instrumento de controle social <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/%7Epedro\/trabs\/modelos_de_confianca.pdf\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">fabuloso, in&eacute;dito e sub-rept&iacute;cio<\/a>. Nesta maior batalha, o que est&aacute; em jogo virtual s&atilde;o cora&ccedil;&otilde;es, mentes e monop&oacute;lios. Para a conquista dos primeiros, as bandeiras da privacidade, das liberdades civis e outros zumbis p&oacute;s-modernos servem, com a p&iacute;lula azul, de camuflagem eficaz para a&ccedil;&otilde;es conformes &agrave; doutrina do choque. <\/p>\n<p>A quem a re-monopoliza&ccedil;&atilde;o privada das telecomunica&ccedil;&otilde;es interessa? Ela n&atilde;o seria &uacute;til a quem queira ressuscitar zumbis p&oacute;s-modernos do direito; ao contr&aacute;rio, mesmo com o desmonte do Estado que hoje conhecemos, mesmo em busca de qualquer quimera judicialesca. Uma luva de R$ 1bi, em grana dos contribuintes no BNDES, para o epic&ecirc;ntrico personagem &quot;deixar acontecer&quot; uma certa fus&atilde;o, cobriria e codificaria poss&iacute;veis respostas. Uma BrOi cobriria quase 80% da telefonia fixa do pa&iacute;s, e rasgaria de vez a justificativa apresentada, como lei natural travestindo um dogma neoliberal, para a privataria fernandista. Por que n&atilde;o a grana nas operadoras espelho? Talvez este seja mais um caso de algu&eacute;m que &eacute; pago para sair de um neg&oacute;cio pela porta da frente, para voltar quieto pela porta virtual dos fundos que ele mesmo preparou. <\/p>\n<p>Assim foi com o general John Poindexter nos EUA, r&eacute;u no esc&acirc;ndalo Ir&atilde;-Contras do governo Reagan, caso que deu em nada al&eacute;m de v&iacute;timas inocentes, quem atualmente controla o programa <a href=\"http:\/\/hubpages.com\/hub\/Digital-Bill-Of-Rights\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">Total Information Awareness<\/a>, hoje tocado com obscuros fluxos financeiros. Como cabe a um servi&ccedil;o de intelig&ecirc;ncia de um <em>sottogoverno<\/em> que se instala no cora&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio, e que busca recrutar, com suja e farta grana, mil&iacute;cias engravatadas para seus cons&oacute;rcios. &quot;Satiagraha&quot; quer dizer verdade buscada. A verdade foi plantada no esp&iacute;rito, revelada ao cora&ccedil;&atilde;o e registrada para quem a busca. No mais tradicional dos nossos livros. L&aacute; aprendemos que se uma opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha for derrotada, o ser&aacute; por um tempo, pois pela opera&ccedil;&atilde;o do Erro. L&aacute; tamb&eacute;m aprendemos que, ao inv&eacute;s de l&eacute;pidos Habeas Corpus, &eacute; a verdade que liberta.<\/p>\n<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\"><em>* Pedro Ant&ocirc;nio Dourado de Rezende &eacute; professor do Departamento de Ci&ecirc;ncia da Computa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia, membro do Conselho do Instituto Brasileiro de Pol&iacute;tica e Direito de Inform&aacute;tica, ex-membro do Conselho da Funda&ccedil;&atilde;o Software Livre Am&eacute;rica Latina e do Comit&ecirc; Gestor da Infra-estrutura de Chaves P&uacute;blicas Brasileira (ICP-BR), entre junho de 2003 e fevereiro de 2006, como representante da Sociedade Civil. Para conhecer sua p&aacute;gina pessoal, <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/docentes\/pedro\/sd.php\">clique aqui <\/a><\/em> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;) No papel de Ministro da Defesa, o que esse personagem defende s&oacute; podemos especular. O que seria impr&oacute;prio. Mas em pap&eacute;is anteriores, encarnados pelo mesmo personagem podemos averiguar. O que &eacute; assombroso. Quando parlamentar constituinte, ainda um quase desconhecido, ao meter a m&atilde;o do gato no fechamento da Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; no mesmo s&aacute;bado das &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21818\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Grampo, Dantas, Abin: Tragicom\u00e9dia no teatro da Rep\u00fablica II<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21818"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21818"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21818\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27902,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21818\/revisions\/27902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}