{"id":21815,"date":"2008-09-17T17:00:51","date_gmt":"2008-09-17T17:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21815"},"modified":"2008-09-17T17:00:51","modified_gmt":"2008-09-17T17:00:51","slug":"mp-investiga-ilegalidade-na-negociacao-entre-operadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21815","title":{"rendered":"MP investiga ilegalidade na negocia\u00e7\u00e3o entre operadoras"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Em 25 de abril de 2008, foi anunciada a venda da Brasil Telecom para a Oi por  R$ 5,8 bilh&otilde;es. O neg&oacute;cio, no entanto, encontrava obst&aacute;culo legal pelo fato de o Plano Geral de Outorgas (PGO) proibir que uma concession&aacute;ria de telefonia fixa adquirisse exploradora de mesmo servi&ccedil;o em outra regi&atilde;o. A mudan&ccedil;a desta norma, condi&ccedil;&atilde;o para a concretiza&ccedil;&atilde;o da transa&ccedil;&atilde;o, foi apontada como um empecilho a ser contornado. Pouco tempo depois, em 16 de junho, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel), colocou em consulta p&uacute;blica a proposta de novo PGO, que flexibilizava o impedimento &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade estabelecido na vers&atilde;o atual.<\/p>\n<p>O que &ndash; pela l&oacute;gica das gigantes das telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; seria algo simples, at&eacute; agora n&atilde;o teve solu&ccedil;&atilde;o. O novo texto do PGO foi colocado em consulta e agora est&aacute; sendo novamente debatido no interior da Anatel. Assim, a fus&atilde;o BrT-Oi encontra-se em situa&ccedil;&atilde;o ilegal at&eacute; o presente momento. <\/p>\n<p>Com base nestes fatos, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal do Rio Grande do Sul abriu um Inqu&eacute;rito Civil para apurar se a compra efetivamente ocorreu. A iniciativa foi motivada por representa&ccedil;&atilde;o do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Sinttel) do Rio Grande do Sul, que questiona a fus&atilde;o. Caso o neg&oacute;cio tenha acontecido, estaria caracterizada uma ilegalidade que poderia resultar em san&ccedil;&otilde;es para as duas companhias envolvidas e para a pr&oacute;pria Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es por n&atilde;o ter atuado para coibir a opera&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O alvo das investiga&ccedil;&otilde;es est&aacute; na averigua&ccedil;&atilde;o da efetividade da fus&atilde;o. No an&uacute;ncio do neg&oacute;cio, coexistiram informa&ccedil;&otilde;es d&uacute;bias a respeito de sua realiza&ccedil;&atilde;o. Embora a compra tenha sido anunciada, foi tamb&eacute;m indicado que esta s&oacute; se concretizaria ap&oacute;s a mudan&ccedil;a do PGO. No entanto, o acordo firmado foi um contrato de compra, o que poderia sugerir a exist&ecirc;ncia real do neg&oacute;cio, e, portanto, sua ilegalidade.<\/p>\n<p><strong>Desvio acion&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com not&iacute;cias de jornais e de ag&ecirc;ncias &agrave; &eacute;poca, este problema teria sido contornado com a ado&ccedil;&atilde;o de um caminho intermedi&aacute;rio, utilizando o banco Credit Suisse. Assim, a institui&ccedil;&atilde;o financeira iniciaria a aquisi&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es da Brasil Telecom e a tomada do controle da companhia. Quando o PGO fosse alterado, ela repassaria as a&ccedil;&otilde;es para a Oi, efetivando a transa&ccedil;&atilde;o. O contrato assinado estipulou um prazo para completar o neg&oacute;cio de 240 dias, cujo descumprimento incorreria em multa de cerca de R$ 500 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Segundo o procurador autor do Inqu&eacute;rito Civil, Jos&eacute; Osmar Pumes, se a venda ocorreu, &ldquo;a Anatel teria de sancionar&rdquo;. Como a ag&ecirc;ncia n&atilde;o apresentou qualquer tipo de contesta&ccedil;&atilde;o &agrave; opera&ccedil;&atilde;o, pode ser punida caso o resultado do inqu&eacute;rito constate a realiza&ccedil;&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o. J&aacute; as operadoras podem at&eacute; perder sua concess&atilde;o para execu&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de telefonia fixa comutada (STFC). <\/p>\n<p>O procurador ir&aacute; realizar dilig&ecirc;ncias a &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e solicitar informa&ccedil;&otilde;es do Executivo e das empresas. &ldquo;Endere&ccedil;amos of&iacute;cio &agrave; CVM [Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios] para ver a evolu&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria da Telemar e para analisar se adquiriu a&ccedil;&otilde;es da Brasil Telecom j&aacute; visando controle acion&aacute;rio, ou se a CVM viu algum movimento at&iacute;pico&rdquo; , informa Pumes. <\/p>\n<p>Um dos ind&iacute;cios de que o neg&oacute;cio teria ocorrido seria a multa estipulada para a concretiza&ccedil;&atilde;o da transa&ccedil;&atilde;o em at&eacute; 240 dias. Na avalia&ccedil;&atilde;o de Pumes, al&eacute;m de suspeita, a cl&aacute;usula &eacute; anti-jur&iacute;dica. &ldquo;Essa cl&aacute;usula &eacute; completamente nula. &Eacute; absurda e indica inten&ccedil;&atilde;o de pressionar o governo, porque poderia ser argumento para fazer mudan&ccedil;a sair&rdquo;, argumenta.<\/p>\n<p>Outro foco de preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; com o apoio do Executivo ao neg&oacute;cio, que estaria expresso no financiamento de R$ 2,5 bilh&otilde;es dado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria da Oi que permitiu a compra. Mais do que um financiador, o BNDES teve papel protagonista na &ldquo;costura&rdquo;  do acordo, segundo not&iacute;cias de ve&iacute;culos especializados veiculadas em agosto de 2007. <\/p>\n<p><strong>Cr&iacute;ticas ao m&eacute;rito da fus&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>Apesar de o objeto do Inqu&eacute;rito Civil ser a ilegalidade da fus&atilde;o frente &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o atual, a representa&ccedil;&atilde;o do Sinttel-RS &eacute; mais ampla e critica o processo de mudan&ccedil;a do PGO e o m&eacute;rito da fus&atilde;o em si. Segundo o documento, a altera&ccedil;&atilde;o do plano atenderia apenas a interesses privados e teria como finalidade apenas &ldquo;viabilizar o monop&oacute;lio privado na Regi&atilde;o I, II e III&rdquo; das operadoras de telefonia, o que seria um desrespeito &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e um atentado &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Segundo o atual Plano Geral de Outorgas, a regi&atilde;o I &eacute; composta por 16 estados (todos da regi&atilde;o Nordeste; todos do Sudeste, com exce&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo e os do Norte, exceto Acre e Rond&ocirc;nia) e o servi&ccedil;o de telefonia fixa est&aacute; concedido &agrave; Oi. A regi&atilde;o II tem 10 estados (toda a regi&atilde;o Sul, todo o Centro-oeste, mais o Acre e Rond&ocirc;nia) e est&aacute; concedida &agrave; Brasil Telecom. A regi&atilde;o III &eacute; composta pelo estado de S&atilde;o Paulo e tem como concession&aacute;ria a Telef&ocirc;nica.<\/p>\n<p>O sindicato contesta a fus&atilde;o, afirmando que esta s&oacute; trar&aacute; concentra&ccedil;&atilde;o ao mercado de telefonia fixa e de telecomunica&ccedil;&otilde;es. O novo cen&aacute;rio, ao reduzir a competitividade no setor, estaria novamente em desconformidade com a Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, que estabelece como princ&iacute;pios o acesso ao servi&ccedil;o em condi&ccedil;&otilde;es adequadas e a livre concorr&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>&ldquo;Na medida em que haja fus&atilde;o e uma &uacute;nica empresa passe a operar em duas regi&otilde;es, teremos uma empresa maior ainda com aus&ecirc;ncia ainda maior de competi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, concorda o procurador Jos&eacute; Osmar Pumes. No entanto, a ilegalidade da fus&atilde;o e da mudan&ccedil;a legal que pode viabiliz&aacute;-la n&atilde;o foram acatados na abertura do inqu&eacute;rito. &ldquo;N&atilde;o estamos apurando a mudan&ccedil;a do PGO. O foco principal &eacute; verificar se a fus&atilde;o de fato n&atilde;o aconteceu ainda&rdquo;, explica. <\/p>\n<p><strong>Ansiedade governamental<\/strong><\/p>\n<p>Embora n&atilde;o esteja sob investiga&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito aberto pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Rio Grande do Sul, a altera&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Outorgas continua sob intensa press&atilde;o dos empres&aacute;rios e at&eacute; do governo federal. Na posse da nova integrante do Conselho Diretor da Anatel, Em&iacute;lia Ribeiro, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es cobrou a finaliza&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a, afirmando que ela j&aacute; passou do prazo. A declara&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi endossada pelo presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, que afirmou n&atilde;o haver cronograma algum para encaminhar a altera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Atualmente, a proposta de novo plano est&aacute; na consultoria jur&iacute;dica da ag&ecirc;ncia. Ap&oacute;s a elabora&ccedil;&atilde;o do parecer, o que deve ocorrer no in&iacute;cio da pr&oacute;xima semana, a previs&atilde;o &eacute; que em at&eacute; 20 dias o Conselho Diretor chegue &agrave; reda&ccedil;&atilde;o final do texto. Depois disso, o projeto vai para a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, a quem cabe publicar a vers&atilde;o final do novo PGO como Decreto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MP-RS vai averiguar se compra da Brasil Telecom pela Oi foi concretizada, o que tornaria a transa\u00e7\u00e3o ilegal, uma vez que as regras atuais para o servi\u00e7o de telefonia n\u00e3o permitem a fus\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[859],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21815"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}