{"id":21814,"date":"2008-09-16T13:30:10","date_gmt":"2008-09-16T13:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21814"},"modified":"2014-09-07T02:56:34","modified_gmt":"2014-09-07T02:56:34","slug":"grampo-dantas-abin-tragicomedia-no-teatro-da-republica-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21814","title":{"rendered":"Grampo, Dantas, Abin: Tragicom\u00e9dia no teatro da Rep\u00fablica I"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western padrao padrao\">H&aacute; uma tragicom&eacute;dia em cartaz no teatro da Rep&uacute;blica. Encena-se um drama cujo enredo admite v&aacute;rias leituras, entre plaus&iacute;veis e ris&iacute;veis. Seria mesmo engra&ccedil;ado, n&atilde;o fosse o perigo que semeia no futuro do pa&iacute;s, a forma como alguns personagens centrais ao drama v&atilde;o nele encenando seus pap&eacute;is. Em meio ao drama o cen&aacute;rio deixa exposto, ao espectador atento, o motivo deste artigo.<\/p>\n<p>Para estudiosos das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TIC) e das transforma&ccedil;&otilde;es que elas promovem, este drama exp&otilde;e detalhes de como as TIC, suas estruturas e controles, se constituem em instrumentos cada vez mais essenciais ao exerc&iacute;cio do poder e da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em sociedades contempor&acirc;neas. E tamb&eacute;m, como a mistura desta nova ess&ecirc;ncia com velhos ran&ccedil;os e v&iacute;cios pode ser explosiva e destruidora, quando dissolvida em virtualiza&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de crescente densidade e complexidade. <\/p>\n<p>Esse potencial explosivo surge da virtualiza&ccedil;&atilde;o mesma. Para entender como, &eacute; necess&aacute;rio refletir honestamente sobre o que &eacute; o virtual. Recorro ao fil&oacute;sofo Gilles Deleuze, para quem o virtual n&atilde;o &eacute; o irreal, mas a indistinguibilidade entre o real e o irreal. Com a virtualiza&ccedil;&atilde;o, mentes se fragilizam. Tornam-se mais facilmente adestr&aacute;veis, induzidas a crer no que conv&eacute;m. At&eacute; a se portar como se cressem, naquilo que lhes pare&ccedil;a ser o que lhes conv&eacute;m crer. Por medo ou viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica, como no enredo do filme <em>Matrix<\/em>, l&aacute; pela escolha da p&iacute;lula azul. <\/p>\n<p>Come&ccedil;amos por analisar uma narrativa que de azul se urde neste drama. No dia em que comemoramos o 186&ordm; ano de independ&ecirc;ncia do pa&iacute;s, relativa ao imp&eacute;rio portugu&ecirc;s, a revista semanal que aqui mais circula relatou:<\/p>\n<blockquote><p>&ldquo;A revela&ccedil;&atilde;o de que a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Intelig&ecirc;ncia (Abin) espionou autoridades do governo, senadores da Rep&uacute;blica e ministros do Supremo Tribunal Federal provocou uma vigorosa rea&ccedil;&atilde;o institucional contra o aparato estatal que vem violando de maneira acintosa a privacidade dos cidad&atilde;os. Na semana passada, uma reportagem de VEJA mostrou que o descontrole chegou ao extremo de agentes a servi&ccedil;o da Abin terem interceptado ilegalmente uma conversa telef&ocirc;nica entre o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, a mais alta corte de Justi&ccedil;a do pa&iacute;s, e o senador Dem&oacute;stenes Torres, um dos l&iacute;deres oposicionistas no Congresso. O epis&oacute;dio s&oacute; n&atilde;o se transformou numa grave crise gra&ccedil;as &agrave; a&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e convincente das autoridades. (&#8230;) Por &uacute;ltimo, sob o comando de Lacerda, um delegado de pol&iacute;cia, servidores da ag&ecirc;ncia foram pilhados ouvindo telefones de ministros de estado, ministros do Supremo, senadores, do presidente do Congresso e at&eacute; de auxiliares pr&oacute;ximos do presidente Lula. Dono de uma teoria muito pessoal sobre o caso, ele propaga que as grava&ccedil;&otilde;es ilegais foram feitas por pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Dantas.&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"western padrao padrao\"><strong>D<\/strong><strong>rible da vaca<\/p>\n<p><\/strong>Ex-banqueiro? Um claro e virtual enigma, no que se quer induzir com o &quot;ex&quot;. Com que roupa esse personagem do drama vai se apresentar agora? Com as que ele tem encenado, &quot;ex&quot; parece s&oacute; colar virtualmente. No comando da Brasil Telecom (BrT), por exemplo: quando o seu controle sobre a empresa que abocanhou a telefonia fixa de Bras&iacute;lia era oficial, era atrav&eacute;s de um arranjo societ&aacute;rio em que seu banco detinha apenas 1% das a&ccedil;&otilde;es; distribu&iacute;das com farto dinheiro p&uacute;blico para viabilizar o tal arranjo, que, hoje, se alega desfeito. Ou n&atilde;o, j&aacute; que outros envolvidos <u><a href=\"http:\/\/www.anapar.com.br\/memorial\/memorial.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">n&atilde;o entendem como<\/a><\/u>, pois pedem &agrave; Justi&ccedil;a que esclare&ccedil;a. Mas, a qual Justi&ccedil;a? <\/p>\n<p>&quot;Ex-banqueiro&quot; porque ele teria transferido as opera&ccedil;&otilde;es do seu banco (Opportunity) a um tal BNY Mellon, o que antes significa mais pendengas para sua folha corrida. <u><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18454\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">Isso s&oacute; se justificaria<\/a> <\/u>para evitar, nesse momento, um volume importante de saques, como opina o jornalista Paulo Amorim. Os fundos <em>offshore <\/em>do seu banco s&atilde;o tipicamente &quot;D+30&quot; ou &quot;D+60&quot; (uma ordem de saque &eacute; cumprida 30 ou 60 dias depois). Sua primeira pris&atilde;o no Brasil foi em 8 de julho, portanto, o dia da &quot;transfer&ecirc;ncia&quot; para o Mellon (8 de setembro) era &quot;D+60&quot;. Nesse dia &eacute; publicada uma reportagem &quot;investigativa&quot;, assinada pelo mesmo jornalista que vazou a opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha.<\/p>\n<p>A <u><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/brasil\/fc0909200818.htm\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">reportagem informa<\/a><\/u>: &quot;Dantas dribla Receita com recursos judiciais &ndash; Fisco s&oacute; conseguir&aacute; analisar 670 das 24 mil opera&ccedil;&otilde;es financeiras do disco r&iacute;gido do Opportunity apreendido pela PF em 2004&quot;. O personagem estaria conseguindo, com recursos judiciais e estratagemas na Justi&ccedil;a, livrar 23.330 investidores que aplicaram em seus fundos de forma ilegal. Ilegal porque esses fundos, uma das maquina&ccedil;&otilde;es do fernandismo, s&atilde;o para &quot;n&atilde;o residentes&quot; e os investidores residem no Brasil. Ou seja, a tal &quot;reportagem&quot; pode ser lida, segundo <u><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18454\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">Paulo Henrique Amorim<\/a><\/u>, assim: &quot;Al&ocirc;, al&ocirc; rapaziada, fique tranq&uuml;ila. N&atilde;o saque seu dinheiro do Opportunity. O Dantas deu o drible da vaca nos ot&aacute;rios do Fisco.&quot; <\/p>\n<p>E como seria esse drible da vaca? Em c&acirc;mera lenta, pode-se acompanhar o lance a partir daquela apreens&atilde;o, durante a opera&ccedil;&atilde;o Chacal. Tal opera&ccedil;&atilde;o investigava a massiva espionagem praticada por agentes da Kroll, multinacional de arapongagem pilhada em 2004 com e-mails privados de autoridades do governo. Nela o dono do Opportunity, e controlador da BrT, surgiu como mandante. Por&eacute;m, sob o argumento de que Daniel Dantas talvez n&atilde;o fosse Daniel Dantas, a <u><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18139\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">mais suprema ministra bloqueou<\/a><\/u>, por mais de quatro anos, a coleta de provas nos discos apreendidos. Inclusive provas de crimes fiscais, que prescrevem em cinco anos. Um exemplo did&aacute;tico de virtualidade deleuziana.<\/p>\n<p><strong>Teoria e pr&aacute;tica<\/p>\n<p><\/strong>As cenas com esse personagem d&atilde;o vertigem, pois propagam virtualidades. No palco da CPI dos grampos, por exemplo, onde ele confirmou que responde a a&ccedil;&atilde;o judicial pela contrata&ccedil;&atilde;o da Kroll, alegou que <u><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Politica\/0,,MUL722614-5601,00-KROLL+NAO+REALIZOU+GRAMPOS+DIZ+DANTAS.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">n&atilde;o foi ele o respons&aacute;vel<\/a><\/u>: &quot;N&atilde;o contratei a Kroll, a Brasil Telecom contratou&quot;. Ent&atilde;o, t&aacute;. Sem mais perguntas dos deputados. E se mais perguntas houvessem, outro habeas corpus havia para ali ele calar-se. Como j&aacute; se calou alhures a justi&ccedil;a Brit&acirc;nica, e aqui desde sempre a m&iacute;dia corportativa, sobre condena&ccedil;&otilde;es por <u><a href=\"http:\/\/observatorio.ultimosegundo.ig.com.br\/artigos.asp?cod=498JDB003\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">atos que incluem o de fraudar processo<\/a><\/u> em que era r&eacute;u, nas ilhas Caymann, com virtualiza&ccedil;&otilde;es que c&aacute; ele chama de &quot;encruar&quot;. L&aacute;, condenado em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, caso encerrado.<\/p>\n<p>Aqui, caso aberto com a fonte de seus infames habeas corpus, frutos at&eacute; de processo virtual (mas n&atilde;o eletr&ocirc;nico). A suprema fonte teria sido espionada e grampeada pela Abin! Tal &eacute; a teoria que se quer revelar, por acusa&ccedil;&atilde;o que &eacute; fruto duma fonte virtual (no sentido de oculta). Ningu&eacute;m ouviu, viu, ou d&aacute; conta da realidade ou da origem do tal grampo. Nenhuma prova ou ind&iacute;cio da grava&ccedil;&atilde;o, de um di&aacute;logo que teve testemunhas. De cuja publica&ccedil;&atilde;o mais se fartam os pr&oacute;prios &quot;grampeados&quot;, pelo uso que depois fazem dela, para <u><a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/opovo\/opiniao\/818263.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">exorbit&acirc;ncias e desatinos<\/a><\/u> com fulcro em acusa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o a&ccedil;odada quanto vazia. Enquanto agentes da m&iacute;dia se esgoelam para tentar colar o &ocirc;nus da prova na acusada. <\/p>\n<p>Dessa teoria &ndash; e pr&aacute;tica &ndash; sobre o caso, as conseq&uuml;&ecirc;ncias pedem escrut&iacute;nio. Come&ccedil;ando pela autoria. O dono dessa teoria muito pessoal sobre o caso &eacute; um <u><a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8898\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">veterano parteiro de teorias muito pessoais<\/a><\/u> obre casos semelhantes, tamb&eacute;m virtuais. Tal pr&aacute;tica pode estar associada, nele e seus patr&otilde;es, &agrave; s&iacute;ndrome da mosca azul, neles manifesta por confus&otilde;es mentais. Confundem lucratividade com credibilidade, tiragem com coragem, etc.<em> <\/em>A narrativa acima mostrou que o descontrole chegou ao extremo desses agentes, a servi&ccedil;o de seus pap&eacute;is no drama, terem confundido ilogicamente fato com boato, objetivo com subjetivo, acusa&ccedil;&atilde;o com prova, racioc&iacute;nio com espasmo iracundo. A segunda tentativa de parir a teoria serviu de senha para um <u><a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/2008\/09\/01\/lula_quer_demissao_de_responsaveis_por_escuta_1611105.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">coro de leviandades<\/a><\/u>, doutros atores. Mas os grampeados, esses n&atilde;o querem ir ao palco da CPI.<\/p>\n<p>A verborragia s&oacute; n&atilde;o se transformou numa grave crise intestinal, naqueles com mais de dois neur&ocirc;nios ativos, gra&ccedil;as &agrave; a&ccedil;&atilde;o freudiana do inconsciente nessas sumidades midi&aacute;ticas: elas acharam &uacute;til adjetivar a rea&ccedil;&atilde;o de certas autoridades, como o fizeram. Num surto de fraqueza psicol&oacute;gica, tra&iacute;ram sua autoconfian&ccedil;a. Duvidaram que uma tiragem maior que milh&atilde;o bastasse para ali firmar verdades. E disseram, ent&atilde;o, que a vigorosa rea&ccedil;&atilde;o institucional de autoridades, a qual evitou grave crise, foi r&aacute;pida e &quot;convincente&quot;. Para quem? Se a performance dos atores no palco foi mesmo convincente para a plat&eacute;ia, n&atilde;o precisava dizer. Bastava ao leitor v&ecirc;-la. Veja! Cad&ecirc; o &aacute;udio? E se foi autogrampo?<\/p>\n<p><strong>Dela&ccedil;&atilde;o patriotada<\/p>\n<p><\/strong>Alguns talvez nunca vejam o final desse drama. Apenas a ele sucumbam, at&ocirc;nitos. Se essa teoria muito pessoal, erguida sobre fonte virtual em montanhas de tiragens reais, for mesmo s&oacute; isso e n&atilde;o a verdade buscada, a trama midi&aacute;tica dos agentes decr&eacute;pitos desse enredo seguir&aacute; pelo surreal, alimentada pela p&iacute;lula azul de Matrix. Os &quot;fartos documentos&quot; que comprovariam a teoria nunca vir&atilde;o &agrave; tona, s&oacute; mais forjas. Como nas outras teorias semelhantes, sobre contas de Lula em fundos <em>offshore,<\/em>sobre d&oacute;lares de Fidel Castro para sua campanha, etc. Ou, como na pretensa &quot;comprova&ccedil;&atilde;o&quot; da origem do suposto grampo, centro das aten&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rios momentos desse drama, prov&aacute;vel arma&ccedil;&atilde;o do mesmo araponga privado (Jairo) que muitas vezes j&aacute; trouxe o mesmo rep&oacute;rter e a mesma revista para &quot;<u><a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8929\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">dentro do assunto<\/a><\/u>&quot;.<\/p>\n<p>Aquele na capa da edi&ccedil;&atilde;o 2027 da revista <em>Isto&Eacute;<\/em> (Ambr&oacute;sio), acusado de ser o agente da Abin que comandou a grampeagem de autoridades, n&atilde;o pertence aos quadros da Abin e nada comandou. Ex-servidor da Aeron&aacute;utica, esteve no SNI, do qual se aposentou em 1998, portanto antes da cria&ccedil;&atilde;o da Abin, em 1999. Desde que se aposentou, n&atilde;o participou de qualquer atividade da Abin, informa a sua Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Mas poderia ter perambulado por l&aacute;, ou pela delegacia de Prot&oacute;genes Queiroz, insinua a &quot;<u><a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8929\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">den&uacute;ncia<\/a><\/u>&quot;, enquanto sua participa&ccedil;&atilde;o na opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha limitou-se &agrave; de classificar planilhas. Como se o Art. 4&ordm; do C&oacute;digo de Processo Penal n&atilde;o permitisse ao delegado, ou demandasse se boicotado, recrutar quem ele quisesse para lhe auxiliar nas investiga&ccedil;&otilde;es. Como se a lei 9.883\/99 que criou a Abin, e instituiu o Sisbin (Sistema Brasileiro de Intelig&ecirc;ncia) em 2002, n&atilde;o permitisse opera&ccedil;&otilde;es conjuntas com Abin, PF e outras for&ccedil;as.<\/p>\n<p>Quanto a esse tipo de dela&ccedil;&atilde;o, ela poderia dar cadeira el&eacute;trica por trai&ccedil;&atilde;o, no pa&iacute;s que seus autores nos vendem como modelo, se p&otilde;e em risco a seguran&ccedil;a do Estado. Aqui, talvez s&oacute; grampo ou algema em banqueiro corruptor daria, se tal decrepitude correr solta, ao p&ocirc;r em risco a blindagem paralegal do <u><a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=500IPB006\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\"><em>sottogoverno<\/em><\/a><\/u>. Se algu&eacute;m comandou ou n&atilde;o uma opera&ccedil;&atilde;o que teria produzido grampos, grava&ccedil;&otilde;es que ningu&eacute;m ouviu, viu ou delas d&aacute; conta, grampos cujo vazamento s&oacute; beneficia a grampeados, e se para isso ele agiu usando ou n&atilde;o depend&ecirc;ncias da Abin ou da PF, a quest&atilde;o que cabe ao real (verdadeiro) jornalismo &eacute;: a servi&ccedil;o de quem, e por que, essa coisas se cogitam. <\/p>\n<p>Agir de forma a que a a&ccedil;&atilde;o pare&ccedil;a ter outra raz&atilde;o ou origem, at&eacute; opostas, &eacute; t&aacute;tica bem manjada na espionagem e na pol&iacute;tica. Eficaz se executada na espuma das ondas de intrigas, efeito alcan&ccedil;&aacute;vel em massa com a p&iacute;lula azul. Cabe ent&atilde;o voltar ao enredo para mais detalhes. Alguns revelam como seus autores e atores presumem a imbecilidade do espectador que tome a cena ao p&eacute; da letra, ou como os agentes decr&eacute;pitos envolvidos oferecem sua hipocrisia, &agrave;queles na plat&eacute;ia que prefiram se embebedar com ela. Um exemplo: o preju&iacute;zo ao er&aacute;rio com o bloqueio dos discos r&iacute;gidos, para a Rede Globo n&atilde;o &eacute; not&iacute;cia; j&aacute; o custo de 52 auxiliares para investigar esse e outros preju&iacute;zos, sim [<u><a href=\"http:\/\/jornalnacional.globo.com\/Telejornais\/JN\/0,,MUL755628-10406,00-ABIN+TEVE+PARTICIPACAO+NA+SATIAGRAHA.html\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\"><em>Jornal Nacional<\/em><\/a><\/u>, 10\/9\/2008].<\/p>\n<p><strong>Agentes decr&eacute;pitos<\/strong><\/p>\n<p class=\"western padrao\"><span class=\"padrao\">Nos outros exemplos, essa presun&ccedil;osa decrepitude pode ter chegado ao fundo do po&ccedil;o com a trama da maleta. Quem n&atilde;o est&aacute; no <u><a href=\"http:\/\/br.youtube.com\/watch?v=Spti-M6nJf8\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">pau-de-arara<\/a><\/u> [14] quer saber se o dono da trama mentiu. Quando, em reuni&atilde;o na qual seu <u><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18917\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">ex-funcion&aacute;rio<\/a><\/u> chamou &agrave;s falas o chefe de governo, o atual ministro da Defesa afirmou que a Abin possu&iacute;a aparelhos para grampear celulares, mostrando nota fiscal do aparelho e acenando com a possibilidade de uma crise institucional, para que fosse afastado o diretor da Abin. Afirma&ccedil;&atilde;o depois <u><a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8885\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">desmentida at&eacute; pelo fabricante<\/a><\/u> da exposta maleta, retrucado com intrigas de que o equipamento pode ser usado para grampo se acoplado a uma &quot;extens&atilde;o&quot; pr&oacute;pria a isso.<\/p>\n<p>Assim foi descartado quem viabilizou, com coopera&ccedil;&atilde;o institucional de praxe, a opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha, para em seu lugar ser instalado um ex-funcion&aacute;rio do principal investigado. Este, banqueiro corruptor e &quot;ex-&quot;controlador da telefonia fixa de Bras&iacute;lia, e aquele, <u><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/app\/materia.jsp?a=2&amp;a2=8&amp;i=1993\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">subordinado na BrT a quem foi flagrado<\/a><\/u> na investiga&ccedil;&atilde;o tentando subornar a PF. Poss&iacute;veis raz&otilde;es para aspas em &quot;ex&quot; ser&atilde;o adiante ventiladas, mas antes aquelas para o tal descarte. A nota fiscal e a intriga foram brandidas quando o supremo ministro de tr&acirc;nsito ferrado, em atropelosa audi&ecirc;ncia marcada por desrespeitosa intimida&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, chamou o presidente da Rep&uacute;blica &agrave;s falas. Depois do descarte, a assombra&ccedil;&atilde;o da maleta foi lan&ccedil;ada sobre a m&iacute;dia, que a so&ccedil;obrou sobre a plat&eacute;ia da p&iacute;lula azul. Finalmente acordada, aos berros, para o fim da privacidade.<\/p>\n<p>Cabe indagar, ent&atilde;o, quem, al&eacute;m do banqueiro corruptor, ganha com essa trama da maleta. A Abin &eacute; o &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia de um Estado cuja import&acirc;ncia no mundo alcan&ccedil;a novos patamares com a atual crise global. &Eacute; o &oacute;rg&atilde;o de governo ao qual compete, num mundo sob o risco de colapso financeiro, energ&eacute;tico, de recursos alimentares e outros naturais, miss&atilde;o essencial para a defesa dos interesses do nosso Estado. Na defesa do agroneg&oacute;cio, da Amaz&ocirc;nia, do pr&eacute;-sal, do ur&acirc;nio e outros recursos, num jogo que a Hist&oacute;ria mostra como &eacute; sujo, trai&ccedil;oeiro e cruel. Ent&atilde;o, defende o qu&ecirc; um ministro da Defesa ao assim trat&aacute;-la? Faria sentido pol&iacute;tico se fosse a captura do seu comando, mas para qu&ecirc;?<\/p>\n<p>Se a Abin &eacute; assim tratada por quem possa almejar seu comando, se um tal comando n&atilde;o hesita em esculhamb&aacute;-la, acu&aacute;-la e acus&aacute;-la at&eacute; em p&uacute;blico, ao inv&eacute;s de proteg&ecirc;-la de trai&ccedil;&otilde;es e danosas exposi&ccedil;&otilde;es quando corruptos apaniguados se alvoro&ccedil;am, assustados com um bra&ccedil;o ainda sadio da Lei, se t&atilde;o a&ccedil;odado escracho significa maniet&aacute;-la em seu dever de espionar onde lhe caiba, de cooperar em investiga&ccedil;&otilde;es locais quando a amea&ccedil;a percorre ramifica&ccedil;&otilde;es externas, se com ele a Abin desfaria sua miss&atilde;o primeira, antes lan&ccedil;ada &agrave; lama do <em>sottogoverno<\/em> para <u><a href=\"http:\/\/www.projetobr.com.br\/web\/blog?entryId=8950\" onclick=\"NovaJanela(this.href);return false;\">defender-se como Kafka<\/a><\/u> em tribunais virtuais, ent&atilde;o, cabe indagar o qu&ecirc;, exatamente, tal personagem defende como ministro da Defesa.<\/p>\n<p><em>* Pedro Ant&ocirc;nio Dourado de Rezende &eacute; professor do Departamento de Ci&ecirc;ncia da Computa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia, membro do Conselho do Instituto Brasileiro de Pol&iacute;tica e Direito de Inform&aacute;tica, ex-membro do Conselho da Funda&ccedil;&atilde;o Software Livre Am&eacute;rica Latina e do Comit&ecirc; Gestor da Infra-estrutura de Chaves P&uacute;blicas Brasileira (ICP-BR), entre junho de 2003 e fevereiro de 2006, como representante da Sociedade Civil. Para conhecer sua p&aacute;gina pessoal, <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/docentes\/pedro\/sd.php\">clique aqui <\/a> <\/em><br \/><\/span> \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } <\/p--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; uma tragicom&eacute;dia em cartaz no teatro da Rep&uacute;blica. Encena-se um drama cujo enredo admite v&aacute;rias leituras, entre plaus&iacute;veis e ris&iacute;veis. Seria mesmo engra&ccedil;ado, n&atilde;o fosse o perigo que semeia no futuro do pa&iacute;s, a forma como alguns personagens centrais ao drama v&atilde;o nele encenando seus pap&eacute;is. Em meio ao drama o cen&aacute;rio deixa exposto, &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21814\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Grampo, Dantas, Abin: Tragicom\u00e9dia no teatro da Rep\u00fablica I<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21814"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21814"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27901,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21814\/revisions\/27901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}