{"id":21813,"date":"2008-09-16T13:14:27","date_gmt":"2008-09-16T13:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21813"},"modified":"2008-09-16T13:14:27","modified_gmt":"2008-09-16T13:14:27","slug":"a-ilusao-de-controle-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21813","title":{"rendered":"A ilus\u00e3o de controle na internet"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A imprensa tradicional &eacute; um instrumento de organiza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o de redes sociais. Mas funciona praticamente em m&atilde;o &uacute;nica, mesmo quando utiliza as novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo 21. Para alguns analistas, a imprensa inventada por Gutenberg parece deslocada na &eacute;poca contempor&acirc;nea porque tenta se apropriar da amplitude potencial da internet sem abrir m&atilde;o dos controles possibilitados pela m&iacute;dia impressa e pela televis&atilde;o n&atilde;o-interativa, que n&atilde;o se abrem para a interven&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico. Ali&aacute;s, a pr&oacute;pria id&eacute;ia de &quot;p&uacute;blico&quot; s&oacute; faz sentido no teatro, no cinema e nas m&iacute;dias n&atilde;o-interativas, uma vez que quando o sistema se abre para a co-autoria, os pap&eacute;is acabam se misturando em algum ponto do processo. O leitor se torna co-editor.<\/p>\n<p>Mesmo que determinado movimento seja iniciado em um blog, de autoria definida, quando a interatividade se expande a mensagem inicial passa por um processo de muta&ccedil;&otilde;es constantes, submetendo-se ao arb&iacute;trio de todos que tenham acesso a ela. A imprensa tradicional n&atilde;o parece preparada para essa democracia toda. Afinal, parte do seu neg&oacute;cio se baseia na promessa de influenciar a fatia mais opinativa da popula&ccedil;&atilde;o, aquela que supostamente &eacute; mais bem informada e mais articulada, e isso implica assegurar certo controle sobre a agenda desse &quot;p&uacute;blico&quot;. <\/p>\n<p>Os blogs de jornais e revistas e os portais de emissoras de televis&atilde;o tentam conter a interatividade em determinado c&iacute;rculo. Quanto mais pr&oacute;ximo do n&uacute;cleo de opini&atilde;o se situar o limite desse c&iacute;rculo, mais restrita ser&aacute; a participa&ccedil;&atilde;o do &quot;p&uacute;blico&quot; e mais distante estar&aacute; essa m&iacute;dia das potencialidades das novas tecnologias. <\/p>\n<p><strong>Id&eacute;ias inovadoras<\/strong><\/p>\n<p>Acontece que a sociedade est&aacute; mudando. Segundo a Technorati, que monitora conte&uacute;dos postados em blogs de v&aacute;rios idiomas, o explosivo crescimento do n&uacute;mero de blogs em todo o mundo est&aacute; sendo acompanhado por um grande amadurecimento no uso dessa ferramenta, o que leva ao surgimento de m&iacute;dias alternativas de grande reputa&ccedil;&atilde;o, algumas das quais compar&aacute;veis a grandes jornais. <\/p>\n<p>A caracter&iacute;stica principal desses ve&iacute;culos &eacute; que eles nasceram como pontos de informa&ccedil;&atilde;o e debate, passando por um per&iacute;odo de funcionamento ca&oacute;tico, e acabam se consolidando como fontes de informa&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel e de qualidade para quem aprende a selecionar.<\/p>\n<p>Esse fen&ocirc;meno est&aacute; alterando o modo como as pessoas se informam e partilham suas convic&ccedil;&otilde;es e suas demandas. Alguns blogs criados por empresas como ferramentas de relacionamento com clientes evolu&iacute;ram para plataformas de capta&ccedil;&atilde;o de opini&otilde;es sobre produtos e servi&ccedil;os, sele&ccedil;&atilde;o de futuros colaboradores e fonte de id&eacute;ias inovadoras. Mas essa evolu&ccedil;&atilde;o exige que a empresa esteja aberta a certos riscos, como a amplifica&ccedil;&atilde;o de queixas, que de outra forma ficariam localizadas, e o questionamento de seus processos de comunica&ccedil;&atilde;o com o mercado.<\/p>\n<p><strong>Oportunidade perdida<\/strong><\/p>\n<p>Dif&iacute;cil imaginar que uma empresa tradicional de comunica&ccedil;&atilde;o se arrisque a abrir completamente seus conte&uacute;dos para coment&aacute;rios e contribui&ccedil;&otilde;es de leitores, sem interfer&ecirc;ncia de qualquer ordem. Isso poderia subverter a hierarquia que determina os processos de capta&ccedil;&atilde;o e edi&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias, fazendo com que parte do material jornal&iacute;stico acabe adquirindo formas e significados diferentes daqueles que orientaram a pauta. No entanto, isso j&aacute; est&aacute; acontecendo de certa forma, quando as redes de relacionamento se apropriam de not&iacute;cias de jornais, revistas e da TV e as reproduzem com novas abordagens.<\/p>\n<p>Dito de outra forma, o que se pode constatar &eacute; que, por mais que resistam &agrave; avalancha de mudan&ccedil;as, os meios tradicionais acabam perdendo o controle sobre o destino do conte&uacute;do que produzem, quando eles caem no ambiente ca&oacute;tico das redes. Se tivessem uma estrat&eacute;gia de engajamento real nas novas tend&ecirc;ncias, abandonando a ilus&atilde;o do controle, seriam a vanguarda da comunica&ccedil;&atilde;o no s&eacute;culo 21, agregando &agrave; reputa&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da no s&eacute;culo passado a confian&ccedil;a de uma rela&ccedil;&atilde;o mais aberta com a sociedade.<\/p>\n<p><em>*  Luciano Martins Costa &eacute; jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa tradicional &eacute; um instrumento de organiza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o de redes sociais. Mas funciona praticamente em m&atilde;o &uacute;nica, mesmo quando utiliza as novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo 21. 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