{"id":21776,"date":"2008-09-09T13:16:39","date_gmt":"2008-09-09T13:16:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21776"},"modified":"2014-09-07T02:56:30","modified_gmt":"2014-09-07T02:56:30","slug":"conceito-ainda-busca-espaco-no-mundo-academico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21776","title":{"rendered":"Conceito ainda busca espa\u00e7o no mundo acad\u00eamico"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Uma busca em sistemas de publica&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas pelo termo &ldquo;direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; n&atilde;o ir&aacute; apresentar muitos resultados. Apesar deste conceito ter surgido h&aacute; cerca 30 anos, seu emprego ainda &eacute; mais freq&uuml;ente por entidades da sociedade civil do que no mundo universit&aacute;rio. No entanto, para pesquisadores entrevistados pelo <strong>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong>, este quadro vem mudando nos &uacute;ltimos anos e o termo j&aacute; encontra seu espa&ccedil;o nos estudos cr&iacute;ticos do campo. <\/p>\n<p>Idealizado no final dos anos 1970 nos debates sobre uma Nova Ordem Mundial da Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o, o entendimento da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano s&oacute; veio a ser retomado no in&iacute;cio dos anos 2000, resgatado por organiza&ccedil;&otilde;es envolvidas na luta por uma m&iacute;dia mais democr&aacute;tica. &ldquo;&Eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o muito mais da sociedade civil do que da Academia&rdquo;, afirma Adilson Cabral, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do tema.<\/p>\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; compartilhada pela jornalista Aline Lucena, autora da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado <em>A comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano: um conceito em constru&ccedil;&atilde;o<\/em>. &ldquo;At&eacute; aqui, o conceito da comunica&ccedil;&atilde;o como direito humano ainda est&aacute; sendo constru&iacute;do sob argumentos mais pol&iacute;ticos que cient&iacute;ficos. Os estudos que existem sobre as teorias da comunica&ccedil;&atilde;o citam os debates internacionais sobre o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o como um momento de milit&acirc;ncia e articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, n&atilde;o como uma tentativa de estabelecer novos marcos epistemol&oacute;gicos para o campo das ci&ecirc;ncias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, conclui em seu trabalho. <\/p>\n<p>Segundo Murilo Ramos, professor da disciplina Legisla&ccedil;&atilde;o e Direito &agrave; Comunca&ccedil;&atilde;o na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), um dos impulsos a esta recupera&ccedil;&atilde;o foi a cria&ccedil;&atilde;o da campanha internacional Communication Rights in the Information Society (Cris &#8211; Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o na Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o), que reuniu organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil para intervir na C&uacute;pula Mundial da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o (CMSI), realizada em duas etapas, nos anos de 2003 e 2005.<\/p>\n<p>No Brasil, continua Ramos, o uso deste conceito foi impulsionado pela cria&ccedil;&atilde;o de um cap&iacute;tulo nacional da campanha Cris e pelo surgimento do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, que elegeu o tema como bandeira principal de suas a&ccedil;&otilde;es. Durante este per&iacute;odo, o termo passou a ser utilizado, ainda de maneira incipiente, na Academia, incentivado por pesquisadores que retomaram o ide&aacute;rio do <em>Relat&oacute;rio McBride <\/em>25 anos ap&oacute;s seu lan&ccedil;amento. <\/p>\n<p><strong>Evolu&ccedil;&atilde;o gradual<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a coordenadora do N&uacute;cleo de Pesquisa (NP) de Pol&iacute;ticas e Estrat&eacute;gias de Comunica&ccedil;&atilde;o da Sociedade Interdisciplinar de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o (Intercom), Ada Machado, at&eacute; 2004 houve um ou outro trabalho relacionado ao tema inscrito nos congressos de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o. O ex-coordenador do n&uacute;cleo e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Edgard Rebou&ccedil;as, lembra que houve tentativas de aproxima&ccedil;&atilde;o por parte do NP com as entidades envolvidas na campanha Cris Brasil, mas isso n&atilde;o se refletiu em eleva&ccedil;&atilde;o imediata da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica.  De qualquer forma, foi neste momento, na virada da d&eacute;cada, que Ada Machado identifica o aumento das pesquisas de campo com men&ccedil;&atilde;o ao conceito. <\/p>\n<p>Para Murilo Ramos, pode-se dizer que o uso da no&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano foi ampliado, especialmente nos grupos e n&uacute;cleos de pesquisa voltados ao estudo das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. Adilson Cabral acrescenta que o conceito transbordou este tipo de estudo e chegou at&eacute; as pesquisas relacionadas a novas pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas e cidad&atilde;s de comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente os meios comunit&aacute;rios e as iniciativas de movimentos sociais e Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais (ONGs).<\/p>\n<p>De acordo com Cabral, a no&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o como direito humano estaria gerando novas intersec&ccedil;&otilde;es dentro e fora do campo da comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A &aacute;rea do Direito passou a se debru&ccedil;ar sobre estas quest&otilde;es&rdquo;, exemplifica Murilo Ramos. Hoje, j&aacute; h&aacute; pesquisadores do campo jur&iacute;dico trabalhando com o termo em universidades de Bras&iacute;lia, Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Recife. <\/p>\n<p><strong>Direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Adilson Cabral, o ganho de espa&ccedil;o da no&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o como um direito significou um deslocamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; perspectiva da democracia na comunica&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ent&atilde;o vinha sendo corrente nos espa&ccedil;os voltados &agrave; an&aacute;lise de pol&iacute;ticas para m&iacute;dia e de pr&aacute;ticas cidad&atilde;s. &ldquo;Esta no&ccedil;&atilde;o &eacute; mais interessante, pois gera uma interlocu&ccedil;&atilde;o com outros atores a partir da compreens&atilde;o de que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; processo e que a aus&ecirc;ncia de agendas de determinados setores sociais &eacute; tamb&eacute;m determinada pela configura&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia hoje&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>J&aacute; para Edgard Rebou&ccedil;as, o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; an&aacute;logo ao conceito de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Como existia um desconhecimento da utiliza&ccedil;&atilde;o deste conceito de direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, falava-se em democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. Mas, no fundo, se formos fazer uma ruptura epistemol&oacute;gica e analisar os conceitos, &eacute; a mesma coisa.&rdquo;<\/p>\n<p>Murilo Ramos discorda desta vis&atilde;o. &ldquo;O direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; suced&acirc;neo para quest&atilde;o de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, porque tem marca mais acad&ecirc;mica, &eacute; mais conceitual e tem dimens&atilde;o te&oacute;rica importante&rdquo;, opina.<\/p>\n<p><strong>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/strong><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21777\">Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o: Conceito foi definido em relat&oacute;rio da Unesco na d&eacute;cada de 70<\/a> <\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\" background=\"images\/site\/fundo.jpg\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"left\"><font class=\"padrao\"><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"titulo2\" width=\"100%\" align=\"left\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhecida como um resultado da luta da sociedade civil por mudan\u00e7as no setor, a no\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o como um direito humano passou a fazer parte da produ\u00e7\u00e3o da Academia apenas nesta d\u00e9cada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[327],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21776"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21776"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21776\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27897,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21776\/revisions\/27897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}