{"id":21770,"date":"2008-09-08T14:34:06","date_gmt":"2008-09-08T14:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21770"},"modified":"2008-09-08T14:34:06","modified_gmt":"2008-09-08T14:34:06","slug":"fabrica-de-semicondutores-no-brasil-ainda-depende-de-investimentos-de-us-6-bilhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21770","title":{"rendered":"F\u00e1brica de semicondutores no Brasil ainda depende de investimentos de US$ 6 bilh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>A chegada de uma f&aacute;brica de semicondutores no Brasil foi dada como certa na &eacute;poca da escolha do padr&atilde;o de TV digital no Pa&iacute;s. Ao optar pelo modelo japon&ecirc;s (ISDB), o governo usou como justificativa a promessa de constru&ccedil;&atilde;o de uma f&aacute;brica por empresas nip&ocirc;nicas, mas isso n&atilde;o chegou nem perto de acontecer.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo cap&iacute;tulo da novela semicondutores, o Senado aprovou a transforma&ccedil;&atilde;o para empresa p&uacute;blica do Centro Nacional de Tecnologia Eletr&ocirc;nica Avan&ccedil;ada (Ceitec), apontada como o embri&atilde;o da f&aacute;brica de semicondutores brasileira. O centro prometeu, inclusive, uma f&aacute;brica de semicondutores no Brasil em 2009.<\/p>\n<p>Falta de infra-estrutura e alta carga tribut&aacute;ria s&atilde;o apontados como os principais entraves para o Brasil receber o investimento para cria&ccedil;&atilde;o dessas f&aacute;bricas, que gira em torno de 6 bilh&otilde;es de d&oacute;lares.<\/p>\n<p>A ansiedade em torno do tema se justifica facilmente. Bilion&aacute;rio, o mercado de semicondutores pode ser considerado um dos mais atrativos entre todos os setores. E h&aacute; mais do que retornos financeiros.<\/p>\n<p>Essa ind&uacute;stria gera ganhos em cascata para diversos segmentos da economia. &ldquo;A m&atilde;o-de-obra em uma f&aacute;brica de semicondutores &eacute; altamente qualificada. S&atilde;o profissionais que precisam ser os melhores em suas &aacute;reas, abrangendo desde f&iacute;sicos e matem&aacute;ticos at&eacute; bi&oacute;logos&rdquo;, explica Roberto Brand&atilde;o, gerente de tecnologia da AMD.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a ind&uacute;stria de eletroeletr&ocirc;nicos, s&oacute; no primeiro semestre de 2008, importou mais de 2 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de semicondutores, segundo dados da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Ind&uacute;stria El&eacute;trica e Eletr&ocirc;nica (Abinee).<\/p>\n<p>Com a expectativa da Abinee &eacute; 18% de crescimento em 2008 para a ind&uacute;stria de telecom e de 14% de crescimento para a de inform&aacute;tica, &eacute; poss&iacute;vel ter uma id&eacute;ia do tamanho desse mercado s&oacute; no Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo considerando os ganhos que o Pa&iacute;s teria e a aparente vontade do governo, o Brasil ainda precisa trilhar um longo caminho para realizar o sonho. E resolver todos os entraves neste governo, ou mesmo no pr&oacute;ximo, n&atilde;o &eacute; uma aposta fact&iacute;vel.<\/p>\n<p>Problemas estruturais<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma vergonha n&atilde;o termos uma f&aacute;brica de semicondutores, mas perdemos o momento&rdquo;, afirma Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). &ldquo;&Eacute; uma iniciativa que colocaria o Brasil no centro de uma ind&uacute;stria de ponta, que estamos de fora&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o tribut&aacute;ria, segundo ele, &eacute; o menor obst&aacute;culo . &ldquo;O que ainda &eacute; muito caro &eacute; o ICMS sobre o investimento, mas os estados podem conceder incentivos que equiparam as condi&ccedil;&otilde;es brasileiras com as de outros pa&iacute;ses&rdquo;, afirma. O maior problema, na realidade, est&aacute; mesmo na infra-estrutura.<\/p>\n<p>Fabricar um semicondutor exige tr&ecirc;s grandes passos, explica Brand&atilde;o, da AMD. O primeiro &eacute; obter e dar forma ao sil&iacute;cio cristalino, principal mat&eacute;ria prima dos chips. O segundo &eacute;, em cima do sil&iacute;cio, construir os processadores. Esta &eacute; a etapa mais importante e complexa. Por &uacute;ltimo, vem a parte de encapsulamento e conex&otilde;es el&eacute;tricas.<br \/>O processo &eacute; extremamente complicado por conta da miniaturiza&ccedil;&atilde;o dos componentes necess&aacute;rios. &ldquo;Qualquer gr&atilde;o de areia ganha a dimens&atilde;o de uma enorme rocha&rdquo;, explica o gerente da AMD. Por esse motivo, uma f&aacute;brica de chips precisa de um ambiente especial. Em alguns casos, o processo de corte do sil&iacute;cio &eacute; feito dentro d&rsquo;&aacute;gua, que, necessariamente, precisa ser extremamente limpa.<\/p>\n<p>Al&eacute;m deste ambiente, a f&aacute;brica precisa produzir em larga escala. Isso porque os investimentos necess&aacute;rios s&atilde;o alt&iacute;ssimos. &ldquo;Para come&ccedil;ar a produzir, demanda cerca de 6 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de investimentos e sem contar a parte da m&atilde;o-de-obra&rdquo;, explica Brand&atilde;o. Ou seja, mais do que ter a tecnologia, um pa&iacute;s precisa oferecer uma s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es para se tornar atrativo a essa ind&uacute;stria.<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m est&aacute; disposto a investir essa quantidade de dinheiro sem ter certeza do retorno. &ldquo;N&atilde;o d&aacute; para pensar em instalar uma f&aacute;brica de semicondutores no Brasil. N&atilde;o h&aacute; infra-estrutura. N&atilde;o &eacute; s&oacute; instalar a planta, precisa de gente para produzir insumos, de fabricantes de roupas especiais, produtos de limpeza, precisa melhorar a log&iacute;stica&rdquo;, alerta Henrique Miguel, coordenador geral de microeletr&ocirc;nica da Secretaria de Pol&iacute;ticas de Inform&aacute;tica do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT).<\/p>\n<p>Ambiente favor&aacute;vel<\/p>\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o, segundo ele, &eacute; come&ccedil;ar a criar um ecossistema favor&aacute;vel a atra&ccedil;&atilde;o de investimentos nessa &aacute;rea.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o governo agiu bem ao transformar em empresa p&uacute;blica o Ceitec. A empresa ter&aacute; sede em Porto Alegre (RS) e ficar&aacute; vinculada ao MCT. Segundo Miguel, o Ceitec &eacute; parte de um esfor&ccedil;o para criar um ambiente favor&aacute;vel &agrave; ind&uacute;stria de chips. &ldquo;J&aacute; foi tentado isso no passado, mas sem sucesso&rdquo;, disse o coordenador.<\/p>\n<p>Com capacidade de produzir de 200 a 300 l&acirc;minas por semana com tecnologia CMOS (complementary metal-oxide-semiconductor) e em 0,6 micr&ocirc;metros, a f&aacute;brica vai funcionar como uma formadora de m&atilde;o-de-obra especializada e suprir algumas necessidades do mercado interno.<\/p>\n<p>Por mais que ainda esteja bem longe das plantas de empresas como a AMD e a Intel, o Ceitec pode ser considerado uma iniciativa importante para a inclus&atilde;o do Brasil no mapa da alta tecnologia.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; um novo horizonte. Em outros pa&iacute;ses tamb&eacute;m foi assim, come&ccedil;ando de baixo&rdquo;, afirma Miguel. &ldquo;Com o Ceitec vamos produzir quantidades e tipos de semicondutores que n&atilde;o seriam vi&aacute;veis em f&aacute;bricas maiores&rdquo;, comemora Humberto Barbato, presidente da Abinee. A tecnologia dispon&iacute;vel atualmente permite produzir diversos tipos de chips, mas n&atilde;o chega ao patamar necess&aacute;rio para a fabrica&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias e processadores, explica Miguel.<\/p>\n<p>Com o Ceitec, espera-se que, aos poucos, o Brasil passe a ter toda uma ind&uacute;stria em torno da empresa p&uacute;blica. Dessa forma, o Pa&iacute;s passaria a chamar aten&ccedil;&atilde;o dos grandes fabricantes e, daqui a alguns anos, ter condi&ccedil;&otilde;es de se candidatar a entrar de fato no mercado. Resta saber se n&atilde;o v&atilde;o surgir obst&aacute;culos novos durante o processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chegada de uma f&aacute;brica de semicondutores no Brasil foi dada como certa na &eacute;poca da escolha do padr&atilde;o de TV digital no Pa&iacute;s. Ao optar pelo modelo japon&ecirc;s (ISDB), o governo usou como justificativa a promessa de constru&ccedil;&atilde;o de uma f&aacute;brica por empresas nip&ocirc;nicas, mas isso n&atilde;o chegou nem perto de acontecer. 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