{"id":21748,"date":"2008-09-02T17:26:26","date_gmt":"2008-09-02T17:26:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21748"},"modified":"2008-09-02T17:26:26","modified_gmt":"2008-09-02T17:26:26","slug":"cgi-br-recomenda-ao-governo-estudar-separacao-estrutural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21748","title":{"rendered":"CGI.br recomenda ao governo estudar separa\u00e7\u00e3o estrutural"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">A iniciativa &eacute; in&eacute;dita, mas tamb&eacute;m pol&ecirc;mica. O Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) recomendou, por meio de um documento oficial, que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) estudem a possibilidade de implantar, no Brasil, a separa&ccedil;&atilde;o estrutural das redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Nunca antes o comit&ecirc; havia tomado uma posi&ccedil;&atilde;o aberta sobre aspectos da regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor e a carta, que foi encaminhada nesta segunda-feira (1), ao ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, e ao presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg, &eacute; vista como uma vit&oacute;ria pelos representantes do terceiro setor que comp&otilde;em o comit&ecirc;. <\/p>\n<p>A comemora&ccedil;&atilde;o vem do fato de que houve uma grande resist&ecirc;ncia &agrave; id&eacute;ia de que o grupo apresentasse qualquer tipo de demanda ao governo da parte de outros membros que comp&otilde;em o CGI.br. O obst&aacute;culo transposto &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio governo no grupo. O comit&ecirc; tem uma composi&ccedil;&atilde;o mista, com representantes do governo, de entidades civis e empresas. Essa natureza tem criado tens&otilde;es dentro do grupo desde o in&iacute;cio da reforma do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es, promovida pela Anatel. Enquanto os representantes do terceiro setor defendem uma atua&ccedil;&atilde;o mais contundente do comit&ecirc; na pol&iacute;tica do setor, os representantes do governo acham que este n&atilde;o &eacute; um papel do grupo. <\/p>\n<p><strong>Nas duas pontas<\/strong><\/p>\n<p>Ind&iacute;cios desta tens&atilde;o est&atilde;o na pr&oacute;pria carta encaminhada ao governo. No documento, o consultor jur&iacute;dico do minist&eacute;rio e membro do comit&ecirc;, Marcelo Bechara, aparece como o &uacute;nico contr&aacute;rio &agrave; sugest&atilde;o. Bechara explicou que n&atilde;o &eacute; necessariamente contra a proposta de estudar a separa&ccedil;&atilde;o estrutural. O consultor discorda da necessidade de se encaminhar um pedido desses ao ministro. &ldquo;Por princ&iacute;pio, tem muita coisa que eu concordo nessa discuss&atilde;o. Sou contra o envio do documento porque n&atilde;o vejo efeito pr&aacute;tico nenhum nessa carta&rdquo;, afirmou a esta reportagem.<\/p>\n<p>Para ele, a id&eacute;ia de estudar a medida j&aacute; est&aacute; colocada na consulta p&uacute;blica do minist&eacute;rio para a cria&ccedil;&atilde;o de novas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e na proposta da Anatel de um Plano Geral de Regulamenta&ccedil;&atilde;o (PGR). Bechara tem subs&iacute;dios para considerar a carta in&oacute;cua: como consultor jur&iacute;dico do minist&eacute;rio, &eacute; em suas m&atilde;os que a carta ir&aacute; parar depois de chegar ao gabinete do ministro H&eacute;lio Costa. E Bechara antecipa que seu parecer ser&aacute; de que a medida solicitada j&aacute; est&aacute; sendo tomada pelo governo. <\/p>\n<p><strong>Pela redu&ccedil;&atilde;o de custos<\/strong><\/p>\n<p>Na carta, a justificativa de sugerir a an&aacute;lise da separa&ccedil;&atilde;o estrutural &eacute; a necessidade de ampliar a oferta de acessos &agrave; internet no Brasil. O documento compara a infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es &agrave;s demais redes que existem em outros setores, como os do setor el&eacute;trico, ferrovi&aacute;rio, rodovi&aacute;rio e de saneamento. E, por todos esses servi&ccedil;os serem tratados como monop&oacute;lios naturais, &eacute; necess&aacute;rio que o governo adote medidas que minimizem essa situa&ccedil;&atilde;o, abrindo espa&ccedil;o para outras empresas.<\/p>\n<p>O documento define a separa&ccedil;&atilde;o estrutural como a dissocia&ccedil;&atilde;o do provedor de infra-estrutura dos provedores de servi&ccedil;os, em figuras jur&iacute;dicas distintas e com controle acion&aacute;rio tamb&eacute;m distinto, impedindo que uma empresa ofere&ccedil;a o servi&ccedil;o da outra. Note-se que a separa&ccedil;&atilde;o &ldquo;de regimes&rdquo; sugerida pela Anatel no Plano Geral de Outorgas (PGO) n&atilde;o &eacute; a mesma citada pelo CGI.br. A separa&ccedil;&atilde;o de regimes constitui apenas a cria&ccedil;&atilde;o de pessoas jur&iacute;dicas diferentes para a oferta de cada servi&ccedil;o, mas permite que o mesmo grupo preste todos os servi&ccedil;os. Tamb&eacute;m n&atilde;o exige a cria&ccedil;&atilde;o de uma empresa &ldquo;prestadora de infra-estrutura&rdquo;.<\/p>\n<p>O documento tamb&eacute;m considera a possibilidade de ado&ccedil;&atilde;o de uma separa&ccedil;&atilde;o funcional, mais t&ecirc;nue do que a estrutural, mas que tamb&eacute;m tem como resultado a presta&ccedil;&atilde;o independente da infra-estrutura dos demais servi&ccedil;os. <\/p>\n<p><strong>A f&oacute;rceps<\/strong><\/p>\n<p>Para o coordenador geral do Instituto de Estudos e Projetos em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura (Indecs) e membro do Coletivo Intervozes, Gustavo Gindre, o simples encaminhamento da carta &eacute; considerado uma vit&oacute;ria das entidades n&atilde;o-governamentais que comp&otilde;em o CGI.br. &ldquo;&Eacute; um marco porque &eacute; a primeira vez que o comit&ecirc; gestor se posiciona sobre uma quest&atilde;o regulat&oacute;ria&rdquo;, afirma Gindre, que ocupa uma das vagas do terceiro setor no grupo. &ldquo;E essa posi&ccedil;&atilde;o nasceu a f&oacute;rceps&rdquo;, complementa.<\/p>\n<p>Segundo Gindre, a resist&ecirc;ncia dos representantes do governo em encaminhar o documento n&atilde;o &eacute; novidade no comit&ecirc;. Desde que teve in&iacute;cio o processo de reforma nas telecomunica&ccedil;&otilde;es, quest&otilde;es pol&ecirc;micas &#8211; a defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; backhaul e se ele &eacute; revers&iacute;vel &agrave; Uni&atilde;o, por exemplo &#8211; t&ecirc;m permeado os debates do grupo, mas nunca houve maioria das partes que defendiam um posicionamento mais contundente do CGI.br.<\/p>\n<p>Gindre n&atilde;o tem falsas ilus&otilde;es de que a carta mudar&aacute; o rumo das an&aacute;lises sobre a separa&ccedil;&atilde;o. Por enquanto, a quest&atilde;o est&aacute; entre as a&ccedil;&otilde;es de longo prazo previstas no PGR e o minist&eacute;rio tem visto a id&eacute;ia com retic&ecirc;ncia. Para ele, a vit&oacute;ria &eacute; pol&iacute;tica, em favor das entidades representativas da sociedade que comp&otilde;em o comit&ecirc;. <\/p>\n<p><strong>Sem uso pol&iacute;tico<\/strong><\/p>\n<p>Para o coordenador do CGI.br e secret&aacute;rio de Pol&iacute;tica de Inform&aacute;tica do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Augusto C&eacute;sar Gadelha, &eacute; exatamente essa vis&atilde;o pol&iacute;tica das a&ccedil;&otilde;es do comit&ecirc; que devem ser afastadas. &ldquo;O comit&ecirc; deve ter clareza sobre qual &eacute; o seu limite. Ele n&atilde;o pode achar que pode resolver tudo da internet&rdquo;, avaliou. &ldquo;N&atilde;o vou admitir que o comit&ecirc; gestor seja usado para fins pol&iacute;ticos.&rdquo;<\/p>\n<p>Gadelha disse que n&atilde;o quis se opor ao documento, apesar de achar que ele extrapola as atribui&ccedil;&otilde;es do comit&ecirc;. Para evitar conflitos com o minist&eacute;rio e desgaste no comit&ecirc;, o coordenador disse ter suavizado o texto em longas discuss&otilde;es com os demais membros do grupo, j&aacute; que a id&eacute;ia original era de certa forma exigir que o governo adotasse a separa&ccedil;&atilde;o estrutural. &quot;Ningu&eacute;m vai fazer cobran&ccedil;a nenhuma do ministro porque este n&atilde;o &eacute; papel do comit&ecirc;.&quot;<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio ap&oacute;ia o debate sobre o tema argumentando que a quest&atilde;o n&atilde;o est&aacute; bem definida nem mesmo pela Comunidade Europ&eacute;ia, cujas decis&otilde;es s&atilde;o usadas como par&acirc;metro para apoiar a separa&ccedil;&atilde;o. Na opini&atilde;o de Gadelha, a separa&ccedil;&atilde;o pode ser uma alternativa, mas n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica, como muitos tentam defender. A necessidade de realizar mais estudos &eacute; que o sistema pode causar efeitos colaterais, como o aumento do pre&ccedil;o dos acessos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A iniciativa &eacute; in&eacute;dita, mas tamb&eacute;m pol&ecirc;mica. O Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) recomendou, por meio de um documento oficial, que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) estudem a possibilidade de implantar, no Brasil, a separa&ccedil;&atilde;o estrutural das redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es. 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