{"id":21747,"date":"2008-09-02T15:17:09","date_gmt":"2008-09-02T15:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21747"},"modified":"2008-09-02T15:17:09","modified_gmt":"2008-09-02T15:17:09","slug":"banda-larga-em-regime-publico-pode-nao-ser-viavel-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21747","title":{"rendered":"Banda larga em regime p\u00fablico pode n\u00e3o ser vi\u00e1vel, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Em meio &agrave;s discuss&otilde;es sobre a revis&atilde;o do Plano Geral de Outorgas (PGO) e do Plano Geral de Atualiza&ccedil;&atilde;o dos Regulamentos de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (PGR), ganhou visibilidade a proposta de transforma&ccedil;&atilde;o da banda larga em servi&ccedil;o p&uacute;blico em debate na Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). No entanto, a medida &eacute; pol&ecirc;mica tanto no m&eacute;rito quanto no m&eacute;todo at&eacute; agora apresentado pela ag&ecirc;ncia para promover a mudan&ccedil;a. <\/p>\n<p>A altera&ccedil;&atilde;o do regime jur&iacute;dico do servi&ccedil;o de banda larga por meio de Decreto Presidencial &eacute; questionado por especialistas, para quem a proposta s&oacute; poderia ser viabilizada por meio de altera&ccedil;&atilde;o da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (9.472\/1997). J&aacute; o m&eacute;rito &eacute; contestado por empres&aacute;rios, que s&atilde;o contr&aacute;rios &agrave;s obriga&ccedil;&otilde;es resultantes da mudan&ccedil;a de regime jur&iacute;dico. <\/p>\n<p>A inten&ccedil;&atilde;o de enquadrar a banda larga como um servi&ccedil;o p&uacute;blico foi publicizada pelo conselheiro da Anatel Ant&ocirc;nio Bedran em evento da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&atilde;o por Assinatura (ABTA) realizado na primeira quinzena de agosto. Segundo Bedran, esta op&ccedil;&atilde;o teria surgido como resposta ao &ldquo;apag&atilde;o&rdquo; no servi&ccedil;o de internet da Telef&ocirc;nica ocorrido no m&ecirc;s de julho, quando o acesso &agrave; rede mundial de computadores da operadora ficou inoperante durante 36 horas. <\/p>\n<p>O &uacute;nico servi&ccedil;o prestado em regime p&uacute;blico, segundo a LGT, &eacute; a telefonia fixa (STFC). Atualmente, o que se chama banda larga &eacute; ofertado com a licen&ccedil;a para Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM), de regime privado.  A primeira dificuldade para mudar o regime de presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o encontra-se j&aacute; no pr&oacute;prio entendimento do que seria banda larga. <\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o h&aacute; nenhuma defini&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o do que seja banda larga&rdquo;, lembra Gustavo Gindre, integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e membro do Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil. Segundo o advogado Gabriel Laender, do Grupo de Estudos em Direito das Telecomunica&ccedil;&otilde;es da Universidade de Bras&iacute;lia (Getel-UnB), o termo n&atilde;o teria validade legal, mas apenas como uma acep&ccedil;&atilde;o de alta velocidade para o transporte de dados. <\/p>\n<p>Segundo a advogada Fl&aacute;via Lef&eacute;vre, integrante da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor, o correto seria falar em servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados, como consta no par&aacute;grafo &uacute;nico do art. 69 da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Se vencida esta primeira confus&atilde;o com a ado&ccedil;&atilde;o deste conceito, surgiria a&iacute; para a proposta da Anatel um segundo impedimento. Na avalia&ccedil;&atilde;o da advogada, a LGT n&atilde;o permite que um novo servi&ccedil;o seja criado por Decreto Presidencial, como pretendem osdefensores da id&eacute;ia dentro do Conselho Diretor da Ag&ecirc;ncia. <\/p>\n<p><span>Para que tal decis&atilde;o seja tomada, seria necess&aacute;rio reconhecer que aquele servi&ccedil;o envolve interesse coletivo, o que foi estabelecido no caso da telefonia fixa na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Sendo assim, para se atribuir ao servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados o regime p&uacute;blico, pois n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o governo e a sociedade hoje entendem que se trata de servi&ccedil;o de interesse coletivo, &eacute; preciso alterar o art. 64 da LGT, incluindo este servi&ccedil;o no par&aacute;grafo &uacute;nico, ficando junto com o STFC&rdquo;, defende Lef&eacute;vre. <\/p>\n<p><\/span><strong>Caminhos poss&iacute;veis<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o feita pela advogada, a proposta da Anatel teria de passar por um amplo debate no Congresso, resultando em um processo de revis&atilde;o da LGT. Para Gustavo Gindre, este debate n&atilde;o deveria estar restrito ao novo servi&ccedil;o, mas rediscutir a fundo o pr&oacute;prio conceito de servi&ccedil;o p&uacute;blico presente na Lei. A obriga&ccedil;&atilde;o de universaliza&ccedil;&atilde;o prevista no regime p&uacute;blico, exemplifica Gindre, cont&eacute;m uma distor&ccedil;&atilde;o grave ao admitir a disponibilidade do servi&ccedil;o mas n&atilde;o o acesso. Ou seja, uma &aacute;rea pode ser considerada universalizada mesmo se uma quantidade expressiva de pessoas n&atilde;o tiver recursos para contratar o servi&ccedil;o vendido pelos operadores do mercado.<\/p>\n<p>&ldquo;Portanto, qualquer proposta de considerar a internet, em banda larga, como servi&ccedil;o p&uacute;blico teria que vir precedida de uma profunda revis&atilde;o regulat&oacute;ria. Caso contr&aacute;rio, teremos n&atilde;o apenas mais uma gambiarra legal como um efeito pr&aacute;tico muito aqu&eacute;m do desejado&rdquo;, alerta. Segundo Gindre, o modelo a ser adotado ap&oacute;s uma revis&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o seria o de regula&ccedil;&atilde;o por camadas, com regras diferentes para a infra-estrutura (redes), para os protocolos e para o conte&uacute;do. <\/p>\n<p>Agregando a esta medida uma outra, a separa&ccedil;&atilde;o estrutural das redes, o modelo permitiria ao detentor da infra-estrutura apenas a comercializa&ccedil;&atilde;o de sua capacidade de tr&aacute;fego de dados a um provedor de acesso. Este seria o respons&aacute;vel por levar a internet ao usu&aacute;rio final. Hoje, a oferta ao usu&aacute;rio est&aacute; concentrada nas m&atilde;os dos detentores da infra-estrutura &ndash; as operadoras de telefonia ou de TV a cabo &ndash;, o que prejudica a concorr&ecirc;ncia e a pr&oacute;pria distribui&ccedil;&atilde;o territorial do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Neste cen&aacute;rio desenhado por Gindre, seria a infra-estrutura, e n&atilde;o o provimento de acesso em alta velocidade (banda larga), o servi&ccedil;o p&uacute;blico. &ldquo;Assim, ter&iacute;amos a infra-estrutura universalizada e prestada por concession&aacute;rios p&uacute;blicos, sobre os quais existiria um vasto mercado de oferta de acesso e dos servi&ccedil;os da&iacute; advindos&rdquo;, prop&otilde;e. &ldquo;N&atilde;o seria uma bonita fun&ccedil;&atilde;o para a Telebr&aacute;s administrar uma rede p&uacute;blica? E tudo isso dentro da lei?&rdquo;, sugere Fl&aacute;via Lef&eacute;vre.<\/p>\n<p>J&aacute; Gabriel Laender defende uma solu&ccedil;&atilde;o intermedi&aacute;ria. Para o advogado, assumindo-se que o servi&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; aquele no qual o Estado tem a obriga&ccedil;&atilde;o de garantir continuidade e universalidade, &eacute; poss&iacute;vel adotar caminhos para al&eacute;m de escolher se a comunica&ccedil;&atilde;o de dados em alta velocidade ser&aacute; prestada apenas em regime p&uacute;blico ou privado. &ldquo;A LGT permite a possibilidade de presta&ccedil;&atilde;o concomitante de servi&ccedil;os p&uacute;blicos e privados. Transformar banda larga em servi&ccedil;o p&uacute;blico pode passar por qualificar o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o multim&iacute;dia, que admite obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o para alguns prestadores que ser&atilde;o concession&aacute;rios enquanto os demais prestam o servi&ccedil;o em regime privado&rdquo;, defende.<br \/><strong><br \/>Resist&ecirc;ncia das operadoras<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m do conjunto de obst&aacute;culos que a proposta tem de superar no plano jur&iacute;dico, seus patrocinadores devem encontrar forte resist&ecirc;ncia entre os concession&aacute;rios de STFC e provedores de internet. Na &uacute;ltima reuni&atilde;o do Conselho Consultivo da Anatel, realizada no dia 22 de agosto, os presidentes das concession&aacute;rias de telefonia fixa, convidados para discutir a revis&atilde;o do PGO e do PGR, mostraram-se contr&aacute;rios &agrave; proposta. <\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o vejo nenhuma vantagem no regime p&uacute;blico, normalmente ele tende a engessar algumas din&acirc;micas de mercado que j&aacute; est&atilde;o colocadas e j&aacute; t&ecirc;m data para acontecer&rdquo;, comentou Jos&eacute; Luiz Falco, presidente da Oi. O presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher, endossou a preocupa&ccedil;&atilde;o, apontando como problema a aplica&ccedil;&atilde;o no novo servi&ccedil;o da alta carga tribut&aacute;ria existente na telefonia fixa. <\/p>\n<p>A postura cr&iacute;tica tamb&eacute;m foi adotada pelos provedores de acesso. Eles temem o aumento de obriga&ccedil;&otilde;es e de regras para a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, especialmente a licita&ccedil;&atilde;o para novos operadores exigida no regime p&uacute;blico, vista como um impedimento &agrave; entrada de novos agentes neste mercado. <\/p>\n<p>J&aacute; os integrantes do Conselho Consultivo viram com bons olhos a possibilidade. O presidente do &oacute;rg&atilde;o, Vilson Vedana, considerou um avan&ccedil;o transformar em servi&ccedil;o p&uacute;blico o que chamou de &ldquo;servi&ccedil;o do futuro&rdquo;. &ldquo;Qualquer garoto de 17 anos quer ter computador em casa ligado &agrave; internet. Telefone &eacute; bom, vai ser important&iacute;ssimo no futuro, mas talvez dentro do tr&aacute;fego de dados da rede, ele venha a representar 10%, 5% ou 1%&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>&ldquo;Este conceito de banda larga como servi&ccedil;o p&uacute;blico &eacute; o ideal para o novo cen&aacute;rio da inclus&atilde;o digital. N&atilde;o podemos mais tratar no formato da LGT e do Fust [Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es] que considera a universaliza&ccedil;&atilde;o com SFTC. Banda larga &eacute; o cen&aacute;rio do futuro e, neste campo, o futuro &eacute; agora&rdquo;, refor&ccedil;ou Jos&eacute; Zunga, coordenador do Instituto Observat&oacute;rio Social das Telecomunica&ccedil;&otilde;es e ocupante de uma das cadeiras dos usu&aacute;rios.  <br \/><em><br \/>Com informa&ccedil;&otilde;es da Ag&ecirc;ncia Brasil<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para especialistas, a proposta da Anatel demanda a cria\u00e7\u00e3o de um novo servi\u00e7o, o que deveria ser feito por Lei; empres\u00e1rios n\u00e3o querem ter de responder a obriga\u00e7\u00f5es associadas ao novo regime jur\u00eddico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[731],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21747"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21747\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}