{"id":21746,"date":"2008-09-01T19:14:05","date_gmt":"2008-09-01T19:14:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=21746"},"modified":"2014-09-07T02:56:29","modified_gmt":"2014-09-07T02:56:29","slug":"sentencas-incoerentes-da-justica-eleitoral-criam-incertezas-sobre-uso-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=21746","title":{"rendered":"Senten\u00e7as incoerentes da Justi\u00e7a Eleitoral criam incertezas sobre uso da internet"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><span style=\"font-style: normal; text-decoration: none\">Uma boa dose de incerteza cerca o uso da internet para fins eleitorais no Brasil. <\/span>Logo ap&oacute;s a controvertida decis&atilde;o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de permitir a propaganda eleitoral na rede somente por uma p&aacute;gina dedicada exclusivamente para a campanha eleitoral, as &ldquo;.can&rdquo;, decis&otilde;es carentes de coer&ecirc;ncia e uniformidade vem colocando na berlinda candidatos e usu&aacute;rios pa&iacute;s afora. H&aacute;, no entanto, entre especialistas em legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral, a perspectiva de que est&aacute; se caminhando para uma regulamenta&ccedil;&atilde;o definitiva a respeito.<\/p>\n<p>A Resolu&ccedil;&atilde;o 22.718, que disp&otilde;e sobre a propaganda eleitoral, foi publicada em fevereiro deste ano. Logo em seguida, provocado por consulta feito por um parlamentar, o TSE anunciou que n&atilde;o detalharia a resolu&ccedil;&atilde;o, deixando a interpreta&ccedil;&atilde;o sobre o que configura uso abusivo da internet a crit&eacute;rio de cada juiz. <\/p>\n<p>Ou seja, desde ent&atilde;o, a utiliza&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos hospedados no Youtube, perfis e comunidades de candidatos no site de relacionamentos Orkut, spams com a proposta de candidatura, participar do Second Life entre outras utiliza&ccedil;&otilde;es inovadoras para o ambiente pol&iacute;tico brasileiro, tem ora sido autorizadas pelos Tribunais Regionais, ora n&atilde;o. Se, em maio, o TRE do Rio de Janeiro autorizou a utiliza&ccedil;&atilde;o de blogs e redes sociais pelos candidatos em suas campanhas, seu correspondente em S&atilde;o Paulo afirmou que seguiria &agrave; risca a decis&atilde;o do TSE: propaganda, s&oacute; na p&aacute;gina &ldquo;.can&rdquo;. <\/p>\n<p>De imediato, a falta de crit&eacute;rios claros foi amplamente criticada pela inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e pela possibilidade de criar desigualdades entre os candidatos (<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21470\">veja mat&eacute;ria deste Observat&oacute;rio sobre o assunto<\/a> ). As iniciativas legais para rever a posi&ccedil;&atilde;o do TSE tamb&eacute;m n&atilde;o tardaram.<\/p>\n<p>Em julho, o portal IG entrou com mandato de seguran&ccedil;a contestando a Lei 9.504\/97 e a Resolu&ccedil;&atilde;o 22.718\/08 que, no entender da empresa, &ldquo;criam uma s&eacute;rie de embara&ccedil;os, impedimentos e restri&ccedil;&otilde;es &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias, informa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es em per&iacute;odo eleitoral no ambiente da internet&rdquo;. O TSE deveria ter julgado a a&ccedil;&atilde;o na &uacute;ltima quinta-feira (28\/8), por&eacute;m, a vota&ccedil;&atilde;o foi adiada e pode ocorrer j&aacute; na pr&oacute;xima sess&atilde;o nesta ter&ccedil;a-feira (2\/9). Tamb&eacute;m a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica da C&acirc;mara dos Deputados solicitou ao presidente do tribunal, Carlos Ayres Britto, que o &oacute;rg&atilde;o reveja as normas.<\/p>\n<p><strong>Confus&atilde;o anterior<br \/><\/strong><br \/>A falta de consenso entre os ministros do TSE tem impedido a publica&ccedil;&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para a rede. Ayres Britto, j&aacute; defendeu que o uso da web deve ser liberado aos candidatos, em respeito &agrave; liberdade de express&atilde;o, e que os casos devem ser analisados um a um, mas n&atilde;o conta com a ades&atilde;o do relator da consulta, Ari Pargendler, que alega que a internet &eacute; igual a qualquer outro meio de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>De qualquer forma, a confus&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao papel da internet nas elei&ccedil;&otilde;es j&aacute; estava prevista na Lei 9.504\/97, a Lei Eleitoral. Ela iguala a internet aos ve&iacute;culos de r&aacute;dio e televis&atilde;o, o que, claramente, &eacute; bastante question&aacute;vel. Diferente da rede mundial de computadores, o r&aacute;dio e a TV s&atilde;o concess&otilde;es p&uacute;blicas e, por conta disso, t&ecirc;m obriga&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas em rela&ccedil;&atilde;o ao processo eleitoral. Al&eacute;m disso, a preocupa&ccedil;&atilde;o presente na legisla&ccedil;&atilde;o de se evitar o abuso de poder econ&ocirc;mico n&atilde;o tem sido bem calibrada neste caso.<\/p>\n<p><strong>Potencial da rede<\/strong><strong><br \/><\/strong><br \/>Para o soci&oacute;logo S&eacute;rgio Amadeu da Silveira, ao limitar o uso da internet na disputa eleitoral, o TSE restringe a interatividade entre eleitores e candidatos. &ldquo;Com a Resolu&ccedil;&atilde;o 22.718, o TSE reduziu o grau de intera&ccedil;&atilde;o entre candidatos e cidad&atilde;os e reduziu o poder de uma esfera p&uacute;blica interconectada&rdquo;, afirma Amadeu. &ldquo;As redes sociais &#8211; entre elas, Orkut, Facebook, Twitter, Youtube -, ao contr&aacute;rio dos ve&iacute;culos da m&iacute;dia de massa, al&eacute;m de serem gratuitas, s&atilde;o multidirecionais.&rdquo;<\/p>\n<p>Em outras palavras, um candidato que cria seu perfil no Orkut ou insere um v&iacute;deo com suas propostas no Youtube, &eacute; instado a dialogar. &ldquo;Isso fortalece o uso p&uacute;blico da raz&atilde;o e a pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o de democracia deliberativa&rdquo;, comenta Amadeu.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o ganha ainda mais relev&acirc;ncia quando se considera o cen&aacute;rio internacional e o candidato &agrave; presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos, Barack Obama, entra em cena. Se, h&aacute; um ano, o ent&atilde;o pr&eacute;-candidato democrata &agrave; presid&ecirc;ncia dos EUA n&atilde;o passava de um azar&atilde;o que pouco incomodaria a virtual candidata Hillary Clinton, sua ascens&atilde;o na &uacute;ltima semana &agrave; candidatura oficial do partido &eacute; resultado, segundo v&aacute;rios especialistas, da fabulosa mobiliza&ccedil;&atilde;o via internet alcan&ccedil;ada pelo democrata, transformando-o no exemplo mais bem-sucedido de utiliza&ccedil;&atilde;o da rede at&eacute; aqui.<\/p>\n<p>J&aacute; no Brasil, ainda n&atilde;o se sabe se a internet pode, de fato, superar as ferramentas tradicionais de propaganda que, invariavelmente, beneficiam os candidatos do establishment, produzindo surpresas num futuro pr&oacute;ximo. Evidentemente, isso tamb&eacute;m dependeria da criatividade e ousadia dos pr&oacute;prios candidatos, mas mesmo as mais t&iacute;midas iniciativas tiveram pouca receptividade da Justi&ccedil;a Eleitoral.<\/p>\n<p><strong>Regras para qu&ecirc;?<\/p>\n<p><\/strong>Para o ex-ministro do TSE Eduardo Alckmin, a norma editada pelo TSE n&atilde;o deveria criar tanta celeuma. Para ele, as regras s&atilde;o dirigidas a candidatos e partidos e visam conter o poder econ&ocirc;mico. &ldquo;Isto n&atilde;o significa que usu&aacute;rios n&atilde;o possam se expressar em sites de relacionamento&rdquo;, diz o jurista. <\/p>\n<p>Alckmin lembra tamb&eacute;m que se trata de temas novos e realidades sem precedentes, o que ainda dificulta uma regulamenta&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Ainda existem muitas falhas na legisla&ccedil;&atilde;o, mas acho que o TSE tem procurado melhor&aacute;-las&rdquo;, afirma Sonia Barbosa, da ONG Voto Consciente.<\/p>\n<p>S&eacute;rgio Amadeu, no entanto, n&atilde;o confia plenamente na possibilidade de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica para a rede. Para ele, existe uma pequena parcela da sociedade que n&atilde;o aceita a comunica&ccedil;&atilde;o livre e que teme o fato de que a esfera p&uacute;blica foi imensamente alargada pelas redes informacionais. &ldquo;Por isso, insisto que qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o deve garantir o livre uso das redes.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Interpreta&ccedil;&otilde;es diversas<\/p>\n<p><\/strong>Os casos mais emblem&aacute;ticos citaram justamente o Youtube e o Orkut, dois dos sites mais visitados por brasileiros. Em S&atilde;o Paulo, o candidato a prefeito Geraldo Alckmin (PSDB) foi impedido de utilizar em seu site v&iacute;deos hospedados no Youtube, enquanto que no Rio Grande do Sul, Manoela D&rsquo;&Aacute;vila (PCdoB) conseguiu o feito. No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira (PV) tentou criar pela rede mobiliza&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; de Obama, mas foi rapidamente cerceado pela Justi&ccedil;a por &ldquo;propaganda indevida&rdquo;, mesmo quando se tratavam de banners inseridos em sites ou blogs de apoiadores de sua candidatura.<\/p>\n<p>Dezenas de outros casos no pa&iacute;s t&ecirc;m sido tratados de maneiras completamente diversas. Em Curitiba, a Justi&ccedil;a Eleitoral liberou a cria&ccedil;&atilde;o de comunidades virtuais no Orkut apoiando ou rejeitando candidatos que disputam as elei&ccedil;&otilde;es municipais. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico local requeria a retirada das p&aacute;ginas por suposta propaganda indevida, mas como a Resolu&ccedil;&atilde;o 22.718 n&atilde;o aborda as comunidades virtuais, elas acabaram sendo mantidas.<\/p>\n<p>Em Cuiab&aacute; (MT) e em Blumenau (SC), candidatos a vereador aguardam decis&atilde;o da Justi&ccedil;a Eleitoral por propaganda eleitoral no Orkut. O caso mais impressionante, contudo, ocorreu em Itaja&iacute; (SC), onde pelo menos dois internautas alegam que seus perfis no Orkut foram apagados por fazerem refer&ecirc;ncias a candidatos. Os usu&aacute;rios que tiveram suas contas suspensas contam que suas p&aacute;ginas exibiam mensagem dizendo que o acesso ao servi&ccedil;o havia sido suspenso &ldquo;devido a viola&ccedil;&otilde;es observadas nos termos de servi&ccedil;o&rdquo;. Os dois perfis mostravam apoio a um candidato na foto de apresenta&ccedil;&atilde;o ou refer&ecirc;ncia ao partido. O Google admitiu que tem recebido solicita&ccedil;&otilde;es de TREs para exclus&atilde;o de conte&uacute;dos. <\/p>\n<p>Para o ex-ministro Alckmin, a Justi&ccedil;a est&aacute; aprendendo a interpretar melhor essa nova realidade e que h&aacute; uma tend&ecirc;ncia a uniformidade da legisla&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A internet atinge grande parte da popula&ccedil;&atilde;o e &eacute; um meio poderoso para difundir candidaturas. N&atilde;o acredito que deva haver cerceamento aos candidatos, que j&aacute; tem muitas restri&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m do per&iacute;odo curto de campanha.&rdquo;<\/p>\n<p>De qualquer forma, assegurar uma devida regulamenta&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m impe&ccedil;a o abuso do poder econ&ocirc;mico &ndash; que j&aacute; est&aacute; completamente impregnado nas m&iacute;dias tradicionais &ndash; &eacute; mais do que necess&aacute;rio. Mas uma preocupa&ccedil;&atilde;o justa n&atilde;o pode redundar no cerceamento da livre circula&ccedil;&atilde;o de id&eacute;ias. Essa &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o de Amadeu. &ldquo;A regulamenta&ccedil;&atilde;o do uso da internet deve garantir o debate e n&atilde;o o controle, a interatividade ao inv&eacute;s de incentivar a simples propaganda. A l&oacute;gica das redes &eacute; a da comunica&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da, impedi-la &eacute; um desservi&ccedil;o a liberdade de express&atilde;o e de relacionamento.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de crit\u00e9rios claros cria situa\u00e7\u00f5es de desigualdade entre candidatos e restringe potencial da internet; estabelecimento de regras, no entanto, precisa considerar o car\u00e1ter interativo da rede<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[717],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21746"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21746"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21746\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27896,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21746\/revisions\/27896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}